A TEORIA DA INEVITABILIDADE

Foi ganhando forma ao longo destes anos de mandato deste Governo a estratégia conducente à absorção, por parte da população, da tese de que não há alternativa às políticas adoptadas – de cortes de salários e pensões, do aumento brutal dos impostos, da redução dos mais elementares direitos, como os do abono de família, subsídio de desemprego, rendimento social de inserç…ão e outros apoios sociais, do empobrecimento generalizado provocado pelas múltiplas falências e desemprego associado etc.- e da inevitabilidade das mesmas, porque impostas pelos nossos credores oficiais e que nada mais poderemos fazer porque assim eles mandam….
Foi ganhando forma a ponto de com a continuidade, em vicioso círculo, dessas medidas, se ter quase institucionalizado a ideia dessa inevitabilidade, a ponto mesmo de, em nome dela, poderem, alegremente, subverter as normas constitucionais.
Foram depois, numa segunda fase, incutindo a ideia da bondade dessas políticas que, ou já estavam a dar frutos ou estavam em vias de mostrar os seus bons resultados. Como a eminência da ida aos mercados, o cumprimento das metas das avaliações etc,etc…
No entanto, face à falta de visibilidade desses resultados- o PIB não cresce, o défice não desce, a dívida não pára de subir e a recessão não abranda coisa que se veja- começou o Governo a tecer loas à economia, aos excelentes (!) resultados da mesma, incipientes ainda mas extraordinários, ao bom desempenho das exportações ( como se esse bom desempenho dependesse de alguma política governamental, ou da sua influência no quadro macroeconómico!), ao verdadeiro milagre aqui operado, ainda não confirmado mas mesmo assim um milagre e aqui, aqui sim, com resultados bem demonstrativos das virtualidades do caminho trilhado, do caminho seguido, o caminho certo…pois não há outro caminho a seguir!
Para a montagem desta estratégia o Governo teve que contar com o beneplácito da comunicação social e, mais do que qualquer outro até agora, não olhou nem olha a despesas e investiu massivamente nas mais diversas acessorias, nomeadamente as de imagem, até de contra-informação, tem os seus agentes bem posicionados no campo jornalístico, oferece “probembas” aos seus fiéis escudeiros e consegue actuar perante a “apatia” dos portugueses com uma irritante arrogância, própria de quem se julga dono do País e julga que, para além deles, é o caos…
Ainda hoje, na ressaca da manifestação de ontem das forças de segurança e da simbólica e pacífica tomada das escadarias da Assembleia, o Presidente e membros do Governo logo se apressaram a apelar à calma e à serenidade e que compreendem que a situação é delicada mas… não há alternativa melhor…
Ora, todos nós sabemos que aqui chegamos por manifesta incompetência destes governantes. Os cortes necessários ao ajustamento do défice excessivo, se feitos de uma só vez, teriam resultado se associados à implementação de políticas de investimento e emprego. Ajustavam sim, mas mantinham a confiança dos agentes económicos, não diminuiria drasticamente o consumo interno, manteria a cobrança normal de receitas e evitaria este círculo vicioso, que nada resolve e só agrava.
Tanto assim é que, cientes do seu fracasso- embora para o PM quem fracassou não foi ele mas sim o Povo que não soube entender as suas políticas- começaram a preparar as hostes para um programa cautelar, um programa assistido, não desejável mas importante para “varrer” daqui a Troika e recuperarmos a nossa soberania, como diz o nosso “ pequeno príncipe”, o inefável Paulo Sacadura!
Mas, segundo o insuspeito Financial Times, a Troika duvida que um programa cautelar seja suficiente para Portugal…
Perante tudo isto: PORQUE NÃO RECONHECEM O FRACASSO DA ESTRATÉGIA? E PORQUE NÃO SE DEMITEM?
Ontem foi dado um primeiro passo…Oxalá seja o “despertador” que acorde o Povo!

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