O FIM DO ANO “CHEZ MOI”

   Este fim do ano foi passado na companhia de alguns familiares, aqui em minha casa. 

   Desde logo a minha fila Susana, seu companheiro Nelson D’Aires e meu neto Pedrinho. A minha cunhada Margarida, seu marido António Covas e seu filho Nuno  que, logo após o jantar, foi levado pela sua namorada para outras paragens e, ainda, outra minha cunhada, a Valentina, e seu marido António Valente.

   A mim cabia-me preparar as entradas e ao meu cunhado António Covas as saídas! E assim, antes deles chegarem, comecei a preparar duas entradas em que me sinto à vontade, pois têm o meu cunho e costumam ser do gosto geral : “PATHÉ” de Sapateira, neste caso duas, e AMEIJOAS à monha moda. Quanto às sapateiras não divulgo como faço, pois ficariam a saber tanto como eu e aqui eu quero exclusividade. Só posso dizer que, sendo suposto barrar no pão, as pessoas comem à colherada! No que respeita às ameijoas aqui sim, aqui compartilho, porque muita gente as prepara assim : panela de acordo com a quantidade, cebola cortada fina ( eu corto a cebola a meio ), alho muito picado, presunto e chouriço de carne cortados em cubinhos muito pequeninos, pimento vermelho idem, tomate maduro espalhado, piri-piri, pimenta e louro e…fica a cozer um pouco, depois deste preparado ter sido bem regado com azeite e um pouco de vinho branco, e, então, entram as ameijoas. Elas vão abrindo e absorvendo aquele caldo. Depois vou agitando de quando em vez a panela e elas vão ficando com aquele molho enraizado. Vou acrescentando um pouco de água para manter o molho e depois…depois é uma festa! Os lábios absorvem tudo, chupam as conchas até ficarem limpas, o pão mergulha no molho e desaparece na  boca. E no cesto! Um esplendor…nunca sobra nada!

   Entretanto, quando o meu cunhado chega para preparar o arroz de marisco, o prato principal à nossa moda também, eu já tinha cozido a ameijoa e separado a água, os mexilhões já estavam arranjados e as lulas calamares já cortadas em fatias finas e brancas. Enquanto se coziam as gambas, separadamente para aproveitar as águas das cozeduras, as lulas foram acrescentadas ao refogado para lhe dar o primeiro sabor a mar. Ao refogado junta-se as águas das cozeduras das ameijoas e das gambas para nelas ser cozido o arroz. O sabor a mar começa a atingir o seu auge e, quando o arroz está a ficar no ponto, junta-se as ameijoas, algumas nas conchas, os mexilhões sem casca, algum tempero extra e algumas gambas.

    Quando pronto todos provamos e fomos unânimes: nunca nesta casa, e tenho a certeza que em casa ou restaurante algum, se havia degustado arroz de marisco tão saboroso e bem feito. Até a Graciete, a mãe desta receita, o gabou e comeu. Os cozinheiros foram largamente aplaudidos e tudo correu num ambiente calmo, bem regado e até o Pedrinho resolveu colaborar…

   No fim do jantar fui tentado pelo Epicuro e lá fui fumar um “charutito”, com o Whiskie a ter que acompanhar!

   E assim chegamos a 2014. Eu cansado e algo bebido também! A lareira estava há muito acesa, o ambiente quentinho e eu, sentado numa cadeira de braços, com o comado da TV nas mãos, adormeci a meio de um “zapping”! Quando acordei, uma hora ou mais depois, estava ainda com o comado na mão, e dizem que não me mexi, que não “rosnei”, não “ronquei” e não “ronrosnei”! Mas reparei que a sala de a cozinha estavam limpíssimas, com tudo no seu sítio e arranjadíssimas! Tinha passado por lá, enquanto eu dormia, uma “Fada do Lar” ( parece que foram três) e eu agradeci, e muito, o não me terem acordado!

    Depois foi o show do Pedrinho. Para ele ainda era Natal ( Natali como ele diz) porque continuavam a chegar prendas! E como lá estava em cima da mesa um daqueles apetrechos típicos dos ranchos madeirenses, trazido pelo  Nelson, o Pedrinho sedata a tocar aquilo e todos começamos a cantar o bailinho da Madeira. O Pedrinho, sem sinais de sono e com as baterias recarregadas por uma “kriptonite” qualquer , entra em transe, canta, dança, grita, chama o Pai Natali…enfim, foi uma festa!

    Entre o “NATALI e a MADEIA”, como diz ele!

    2014? Que venha, é inevitável!

 

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