A VIDA DA GENTE e para que serve, afinal, o Estado.

        Tenho esta crónica escrita há vários dias e hesitei muito em publicá-la. Por ser muito pessoal e crua e soar a desabafo de algo que só a mim pertence. Mas tratando coisa séria, apesar de muito pessoal, achei por bem divulgá-la para, de algum modo, alertar, dado que eu, por mim, já estou um pouco nas tintas para todos os pruridos . E dos amigos espero amizade e compreensão e dos governantes ainda anseio razão.

     Aqui vai…

    Nos últimos dias não me deu para escrever.Nem sobre Eusébio nem nada.Não me apeteceu, simplesmente.Tratei únicamente de assuntos de VIDA!

    De vida que não está fácil.

     Vivemos sob a égide de um Governo tenebroso: que corta salários e pensões, aumenta impostos e contribuições, que restringe serviços e apoios sociais e deixa ao abandono, abdicando da sua responsabilidade enquanto Estado, as pessoas mais carentes do seu apoio. Ainda por cima muitos funcionários seus, como é o caso da minha esposa Graciete.

      Ela sofre de uma doença neurológica degenerativa, em estado avançado e totalmente incapacitante e necessita para a sua sobrevivência de um apoio domiciliário permanente e dos cuidados continuados competentes.

      O Estado não lhe dá nada. NADA!

      O Estado considera, neste momento, duas coisas: que é rica porque apresenta um IRS razoável e não interessa já ao Sistema Nacional de Saúde porque é de recuperação duvidosa, para não dizer… a única coisa que lhe concede é a isenção das Taxas Moderadoras!

      Dado o seu débil estado, sujeita a infecções urinárias constantes, por fazer retenção urinária está, por isso, algaliada, aumentando sempre e exponencialmente o risco das infecções. Acresce dizer que em seis meses já é a terceira veza que é internada com SEPSIS e, felizmente, tem conseguido sobreviver. Para atenuar e minorar este estado de desconforto era urgente fazer uma CISTOSTOMIA. Pelo serviço de Urologia do S. João foi proposta consulta para a especialidade. FOI RECUSADA! Dizem que já frequenta o serviço….

     Daqui resulta que todo o apoio domiciliário e continuado é feito a expensas próprias, por contratação de Técnica especializada e empregada doméstica. Para além da medicação, abundante e permanente e do próprio CUIDADOR, eu, a quem também não são conferidas quaisquer prerrogativas. Para além de muitos outros gastos acessórios e coadjuvantes.

    E assim, ao mesmo tempo que recusa toda a assistência que um seu cidadão merece, não contente por todo o afrontamento que faz à sua dignidade, não cumprindo as suas funções enquanto Estado, não assumindo a sua responsabilidade,  transfere-a para o doente, para o elo mais frágil.

    E, ainda, não exercendo a sua competente solidariedade, para quem durante dezenas de anos contribuiu com os seus impostos e contribuições para o seu funcionamento, ainda lhe vem cobrar uma TAXA EXTRAORDINÁRIA DE SOLIDARIEDADE, ao mesmo tempo que também aumenta a sua contribuição para a ADSE. Para além dos cortes sucessivos na sua pensão. É, realmente, EXTRAORDINÁRIO!

     Resumindo: corta-lhe rendimento, aumenta-lhe impostos e contribuições, exige-lhe solidariedade e….que dá em troca? NADA!NADA!NADA!

     Isto é, colmo disse, tenebroso.

     Para que serve, afinal, o Estado?

     Desculpem-me todos os meus amigos que me vão aturando, mas é a vida que vivemos. Uma parte dessa vida.

      Mas é apenas um desabafo porque a vida continua. 

     A PUTA DA VIDA CONTINUA….

Nota: Claro que aceito crítica de sugestões….

     

 

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