UM GOVERNO MALABARISTA ( 3 )

     E dos “eufemismos”, acrescento.

     Para fundamentar o título e o propósito desta crónica, vou referir dois exemplos que demonstram, no meu entender bem, o que é a mistificação intencional das palavras por parte deste Governo e dos que publicamente o defendem, que utilizam propositadamente pretendendo dar-lhes o significado oposto ao que elas realmente significam.

      Exemplo 1- ” Os sacrifícios que foram PEDIDOS aos Portugueses“.

                        Que foram pedidos? Onde e como? A algum dos meus amigos alguém lhe pediu que aceitasse, em  nome de tudo o que entenderem, que lhe cortassem o Salário ou a Pensão? Ou que lhe aumentassem de maneira drástica os Impostos, como o IRS? Que lhe impusessem uma Taxa de Solidariedade?

                        E mesmo : alguma vez o Governo se deu ao trabalho de informar os seus cidadãos das razões porque impunha esses sacrifícios, sacrifícios esses que dizem serem suportados, por igual, por todos?

                       Ora lá está : quando repetidamente dizem ” os sacrifícios que nos foram pedidos..”, eles pretendem dizer ” tácitamente aceites” porque, embora contestados, eles intuem que o Povo os aceita em nome do superior interesse nacional…

                       Pois Sr. Primeiro Ministro, os sacrifícos não nos foram ” pedidos”, foram-nos impostos!

      Exemplo 2-  ” Os cortes provisórios…que são, afinal, definitivos”.

                       Entre “Provisório” e “Definitivo”  vai toda a infinita distância que dista entre uma coisa e o seu oposto.

                       “Provisório” é tudo aquilo que não está acabado, é tudo o que é transitório, que é temporário, passageiro, que não é permanente, em suma.

                       Já ” Definitivo” é tudo aquilo que é permanente, absoluto, imutável, irrevogável, efectivo e duradouro e que não admite retrocesso.

                       Mas, como vemos, para este Governo e quem publicamente o apoia, tudo pode ser mistificado : se o que é “irrevogável”, quer dizer imutável, passou a ser ” alterável”, por que razão o ” provisório” não pode ser ” definitivo”?

                      O Senhor Primeiro Ministro não gostou que há dias, na Assembleia da República, uma deputada do BE lhe tivesse chamado mentiroso, não porque tenha refutado  tal epíteto, nem o poderia fazer porque, efectivamente, mentiu, mas porque tal não é digno de ser chamado em público ou num acto Público, como naquele caso. Mas, no entanto, ele fê-lo ao anterior Primeiro Ministro : chamou-lhe mentiroso. É público e foi em público.

                     Em que ficamos Senhor Primeiro Ministro ? Ser malabarista e mistificador é provisório ou é definitivo?

                     Há muitos anos, quando eu era jovem lembro-me que, entre muitas marcas de cigarros, havia uma que se chamava Provisórios e uma outra Definitivos e só tinham uma coisa em comum : eram cigarros!

 

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