O TSUNAMI DA IGNORÂNCIA!

Eu quando, na sequência da entrevista de Passos Coelho à SIC Noticias, resolvi escrever este texto pensei chamar-lhe “Se soubesses o que custa mandar gostarias de obedecer toda a vida”, uma célebre frase de Salazar que, penso, assentava como uma luva  a este personagem.

Isto porque durante a tarde levei um violento “ murro no estômago” após a submissão ( termo realmente apropriado) da minha Declaração de IRS pois que descobri sobressaltado que, facto que deveras desconhecia, pertenço a uma Classe privilegiada, a que paga cerca de 40% de IRS, e em que, depois de deduzidas todas enormes despesas apresentadas, que muito contribuíram para o esvaimento dos rendimentos auferidos, constato que ainda vou ter que pagar mais cerca de € 1.870,00!  E  verifico ainda que ser “ Inválido” não vale de nada, ter que pagar Assistência Domiciliária não vale de nada, apresentar relevantes despesas de saúde não vale de nada e que, mesmo tendo a minha esposa direito a redução de IRS por força da sua Invalidez Permanente e Definitiva e consequente redução de IRS na sua folha de vencimento, auferindo mais esse pouco, o tem finalmente que devolver pois a Taxa resultante é fixada em função dos rendimentos apresentados e o IRS entregue foi menor. O justo seria considerar o IRS na sua totalidade como retenção no fonte que, confrontando com a colecta apurada, determinaria o valor a pagar ou receber e o benefício por ser considerada “ Inválida” um benefício, tão só. Mas não! Concederam e depois cobram novamente! Eu ainda acho que não pode estar correcto : serei mais uma vez ingénuo? Portanto, mandar custa muito e o mais conveniente é obedecer! E estar calado!

A frase de Salazar acima exposta e o exemplo dado em epígrafe constatam a prepotência e insensibilidade deste personagem e também a sua profunda ignorância e desconhecimento do Povo que diz governar e da forma como com ele lida.

Mas, passada a dor da violência do dito “ murro” eu ainda tive coragem de ouvir a entrevista do cujo, mas segurando bem as minhas entranhas para não vomitar e conter os espasmos bílicos ao ouvir o reverenciado entrevistador. Foi um acto de estoicismo e de superação que eu não pensava conseguir, principalmente depois de  verificar o ar jocoso e ligeiro com que fazia as perguntas, num tom tão entrosado a que o cujo também respondia ligeiramente, como numa conversa de café entre amigos, do estilo “..você não está a ver bem a questão, não é bem assim..repare…”Uma conversa de café, entre sorrisos cúmplices, foi o que foi! E uma conversa de café que, depois, teve direito a reacções em directo e painéis de comentadores, em mesas redondas completando o “ circo”!

Mas depois, numa pausa para compromissos mais urgentes, num exercício que pratico com notável habilidade- o “ zapping”- fui ter ao “ Cinco Para a Meia Noite “ e em que, para além de outras pessoas, estava lá uma grande Actriz, uma grande Senhora chamada MÁRCIA BREIA, co- fundadora do Teatro da Cornucópia que, no final, perguntada sobre o seu futuro disse aquela frase brilhante que coloquei como título deste texto :”Depois de passado esteTSUNAMI DA IGNORÂNCIApoderemos falar…”.

Porque a referida entrevista foi um “ chorrilho”  de banalidades, de frases ocas, de falsidades e omissões, de mentiras chocantes e de jogos escondidos a mostraram à saciedade a insensibilidade  social e a impreparação para ser Governante deste personagem que, sempre se vitimizando, afirma : “ a culpa não é minha, é da situação herdada…nunca ninguém em Portugal teve a minha coragem… mas o Povo é que não compreende…”. O Povo é o grande responsável, portanto. É um problema do Povo, tal como a “ outra” loira branca afirmou ser “ problema deles”!

E então fala do estado em que estávamos como se, ao contrário do que disse, não o conhecesse, nem das suas causas e das razões porque, em nome do superior interesse partidário, foi ao “ pote”. Fala da Reforma do Estado, dos Consumos Intermédios, das Funções do Estado, fala, fala e diz que há orientações, que há estudos mas nada está ainda decidido, que no próximo ano haverá desagravamento fiscal, mas ainda só em estudo, que não sairá da sua linha de rumo ( qual ?), que tudo está melhor devido ao seu estoicismo, que.. que… que…

Mas, no entretanto, a sua táctica usual continua : manda  notícias para fora, à vezes de forma tão destrambelhada que, desta vez, até os jornalistas sempre cabisbaixos se sentiram ofendidos, a seguir desmente as tais notícias dizendo que é a oposição a meter medo às pessoas, depois diz que está ainda em estudo e não decidida, pede a colaboração do PS que está sempre contra tudo e depois…depois confirma!

É sempre assim. Sempre baseado na mentira. Do que faz, do que quer fazer. Nada corresponde nunca à realidade final. E mente, mente sempre e em tudo. Dizem que já estão a trabalhar nos Consumos Intermédios há muito e até já tomaram medidas mas só agora, pelos vistos, pretendem reduzir. Estavam em reflexão.

Quanto à pobreza diz que houve  “ escolhas inevitáveis” que conduziram a esta situação. Tão só e simplesmente. Nada  mais lhe ocorreu dizer… porque as pessoas não reconhecem o Comandante que têm nem o seu Rumo Novo… As pessoas não compreendem… E isso é um problema delas…

E, como é problema delas, ele mostra-se obsessivo na sua preocupação com as possíveis fraudes dos pobres, os do Rendimento Mínimo. Mas, vide entrevista, mostra-se compreensivo com as Isenções Fiscais das SGPS e com as inúmeras Subvenções Públicas. O entrevistador ainda meteu bedelho perguntando se muitas não eram agremiações partidárias da maioria…que não, não tinha os dados mas já tinha feito siameses muitos Institutos e que já reduziu nas Fundações… Isto é, sempre preocupado com o Rendimento Mínimo e nunca com o Rendimento Máximo.

E chamou, por fim, “ Libertação de Funcionários” ao despedimento de muitos Funcionários Públicos por encerramento de muitos Serviços, numa semântica bacoca e delirante.

E que resta disto tudo? Um TSUNAMI DE IGNORÂNCIA que vai deixar sequelas terríveis e difíceis de ultrapassar. Resta um Governo que não tem um plano sólido, que não explica para onde quer ir nem que País deseja. E não explicando nem motivando teremos sempre um País expectante, um País com medo e desconfiado, sem saber o que o espera e com as pessoas sem poderem ter planos para nada : ter filhos? Constituir Família? Como ?

E também afirma que “ com menos, poderemos fazer mais…”. E é o que se vê: A Saúde a desmantelar-se; a Assistência a desmoronar; Serviços sem capacidade de resposta ( eu já renovei a minha carta de condução em Setembro de 2013 e ainda não a recebi : o papel já foi renovado duas vezes, uma vez por quatro e outra por seis meses…); a qualidade a diminuir….É este o Estado que quer… mínimo e à semelhança do passado.

É um Governo da Ignorância…

Quando acabará este TSUNAMI?

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