O DIA DA LIBERTAÇÃO.

É amanhã, dia 17 de Maio do ano da graça de 2014. Depois de três longos anos de ocupação por esse “ Cavalo da Troika”, que à semelhança do outro imaginado e criado por Ulisses, nós introduzimos cá dentro não sonhando estar carregado de inimigos nas suas entranhas, esta libertação mereceria ser celebrada. Com alegria e júbilo acompanhando por todos e em uníssono a contagem decrescente do tal relógio, que até já estava programado. Mas parece que não : foi delírio meu.

Também sonhei que, relembrando o mês homólogo de 1945, seriam organizados cortejos festivos, manifestações patrióticas espontâneas com as famílias nas ruas, os pais com os filhos às cavalitas e cada um com a sua bandeirinha na mão celebrando esse histórico dia, o dia da libertação. Mas não : foi mais um delírio meu.

Imaginei que desfilariam as  nossas Forças Armadas, dos tês ramos, sob o alto patrocínio do nosso Comandante-em- Chefe, com os seus canhões, com os seus blindados prontos a estrear, os mísseis de longo alcance que não imaginávamos ter, os carros de combate que foram comprados e chegaram fora de tempo, que as nossas corvetas restantes desfilariam no Tejo, que seriam chamadas a Vasco da Gama e a Sagres, engalanadas pelos seus marinheiros vestidos de branco alvo, que os nossos Migs, ou lá o que são, voariam  nos nossos céus e fariam acrobacias loucas pintando o céu com as cores da nossa bandeira, que os nossos submarinos emergiriam finalmente e lançariam alguns imaginários torpedos e que, finalmente, milhares e milhares de cidadãos iriam colorir a cidade de Lisboa, com cartazes do Pedro e do Paulo, e também dos restantes apóstolos e que todas as casas teriam as suas melhores colchas penduradas nas janelas. Em honra desse dia inolvidável e dos grandes libertadores. Mas não: delírio meu. E já um preocupante delírio…

Sonhei ainda que, e vejam só o que eu sonhei, num acto de reconhecimento a esse Povo a quem tantos sacrifícios foram “ pedidos” e suportados nestes anos de ocupação, como remissão dos ultrajes por ele sofridos e das injustiças praticadas, teriam a lucidez de proclamar este dia Feriado Nacional. Mas qual quê : estranho delírio o meu…

Acordado dos meus delírios e de volta à realidade, ameaçados já pelos que se vão, mas vão continuar a andar por aí, de que ou têm juizinho ou levam um segundo resgate e  um castigo de mais trinta anos, o Pedro o Paulo e os restantes apóstolos desta irmandade da treta resolveram reunir numa catacumba qualquer e chamar a imprensa estrangeira, com holofotes para que sejam bem vistos e bem visíveis na fotografia, para dizer “ Assim seja”. Amém, em língua estrangeira.

Mas porque raio eu tenho estes sonhos?

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