C’EST PAS FACILE, COSTA! OUI, C’EST DIFFICILE!

Dadas as vicissitudes da minha vida eu sou um espectador de TV de momentos e de “zappings” e, como muitos em Portugal, também eu em minha casa tenho vários aparelhos espalhados pelas divisões : sala de estar, cozinha, quarto… e, deambulando pela casa, vou apanhando alguns desses momentos. Os que mais me interessam. E depois ou fico mais um pouco ou basta-me o que ouvi e logo sigo.

Foi o que me aconteceu acho que este sábado. Estava a passar na TVI 24 em repetição aquele programa do Carlos Vaz Marques, com o Ricardo Araújo Pereira, o Pedro Mexia e o outro, o “ Governo Sombra” e, “en passant” , dou por mim a ouvir o Pedro Mexia a dizer a seguinte frase: “Os Partidos Socialistas ou são eleitos quando viram à direita ou viram à direita quando são eleitos! Não ouvi mais e desliguei pois isto me bastava. Na verdade, numa tão curta mas feliz frase, encontrei implícitos muitos dos motivos pelos quais normalmente não voto PS. É o paradigma Hollande : “Ah! Mas c’est trop difficile!”; “ Mas c’est pas facile!”; “C’est difficile”…..

Donc, c’est pas facile, Costa! Como vais fazer meu caro? O que vais fazer para desintrincar este nó, António? É que é mesmo verdade, Costa : “ C’est pas facile!” Tu piscas o olho à Esquerda porque sabes que és bem visto e queres marcar o terreno. Eu até sou um daqueles para quem tu piscas, mesmo sabendo que dali não vai sair grande solução pois o PC é o que é, o BE está em implosão e é mais Leninista que o PC e o Livre ainda é verdinho.

Mas, sonhando com o cenário ideal, tu até conquistas grande parte dos seus votos, prometendo governar à esquerda, que eu ainda não sei muito bem o que é e como é mas depois disso falaremos, e ganhas com maioria absoluta. Que fazes depois? Manda-los todos às favas! Porquê? Simples: as tuas estruturas todas vão cair todas em cima de ti, vão-te encurralar, e dizer: “ Presente, Chefe! Estamos aqui, lembras-te? Nós é que ganhamos! O Poder é nosso, das nossas hostes e para as nossas hostes, Chefe! Como entraste também num ápice sais…”. E lá vai a Esquerda para a Oposição, a oposição de sempre, e lá vais tu governar à direita. Também como sempre!

Num cenário intermédio, tu sorris na mesma para a Esquerda, arrebanhas ali alguns votos mas…não tens maioria absoluta. Mas não a fazes só com o BE, o LIVRE ou mesmo Marinho. Precisas do PC! Como vais fazer? Mesmo sendo reconhecido ser o PC de fiar, ao contrário dos restantes, os “mas” são mais que muitos pois…como reagirão os nossos “ donos”? Não aqueles de quem o PPC fala, os Portugueses, mas os verdadeiros? Os Credores, o BCE, a CEE, a Alemanha, a Holanda, os EUA…? Que “ merda” dirás tu, já sabedor do que de ti vão dizer…que é tudo o mesmo, tudo farinha do mesmo saco! No mínimo! E depois, Costa?

Resta-te, portanto, um terceiro e definitivo cenário e tu, sabedor como todos nós que o outro só aceita indigitar governos maioritários, mesmo que tu te estejas marimbando para ele porque já tem os seus poderes reduzidos, mesmo fazendo aquela maioria com a Esquerda do primeiro cenário, tendo em vista os “ mas” todos não a fazes, que te resta? Com quem vais formar governo? Com alguém da Direita?

C’est pas facile, Costa!” Eu sei que não é fácil. E sabes mais porquê? É que, independentemente de teres maioria ou não, tens o legado deste Governo. Já tinhas pensado nisso? Temo que não mas eu estou aqui para te ajudar, como sempre faço, com todos e de graça. Pena é que não me ouçam nem me leiam. Mas vou-te ajudar na mesma, pois é para isso mesmo que eu escrevo, é para isso mesmo que eu te alerto, pois o legado que vais encontrar é muito complicado. De muitas formas mas a principal das quais, para além da tão falada “  inevitabilidade, de que já aqui falei, é o carácter quase definitivo e estrutural de muitas e muitas medidas por ele tomadas. E porquê? Porque, na ausência de oposição visível e na ausência de protesto inequívoco, elas foram sendo tacitamente aceites pelos nossos concidadãos e a esperança que alguma vez fossem revertidas foram sendo atenuadas até ao ponto de se terem transformado em definitivas fazendo já parte integrante e consolidada dos números existentes nos Balanços e Orçamentos. Acabou! O antigamente já era e, agora, esta é que é a realidade. O termo de comparação, a referência, o denominador, a base ou que lhe queiras chamar é, a partir de agora, esta. Por exemplo, se uma pessoa tinha uma pensão em 2011 de 2.000 € e agora ela é de 1.500 €, toda a austeridade que advier terá como referência os 1.500 € e nunca o valor anterior. Dou este exemplo para que percebas!

E como o Povo foi pacificamente aceitando esta austeridade estruturante e redentora, eles irão sempre reclamar a autoria do ajustamento e a retoma da confiança. A dos Credores e a dos sobreviventes. E que se antes ficamos sem crédito, agora até almofadas temos, de dívida sim, mas almofadas. Julgas possível e fácil o retrocesso? Eles fizeram o trabalho “sujo”, o ajustamento, o Povo aceitou e eles, lá fora, ficaram bem vistos, Costa. Tão bem vistos, tão bem vistos que até lhes pedem mais, Costa. É verdade, não é? Eles cortaram nos Salários, nas Pensões, nas Prestações Sociais, nos Apoios Sociais, aumentaram a Carga Fiscal enfim…fizeram trinta por uma linha e…como reverter? Como voltar atrás? Já viste o campo de minas em que te vais meter?

Terreno minado, Costa! Pior do que isso : uma barreira, uma fortaleza, uma fortificação tão alta e agreste que te pergunto: como a vais transpor? É um desafio, meu caro, um desafio que me leva a pensar naquilo que certamente também pensarás: serei eu capaz? Terei eu tropas para tão desafiante batalha? E pergunto-te eu? Como irás formar Governo? É que, sabes uma coisa: Eu quero ser governado, caramba! Mas com que política e com que políticas?

Pois é, é difícil, mas tens que tentar. E mesmo sendo complexa a situação e tendo sempre aqueles olhares gulosos e insensíveis da City, de Wall Street e de Bruxelas ou Singapura em cima de ti, tens que tentar e eu, naquela minha maneira desinteressada de aconselhar, vou-te dar algumas dicas:

  • O JUNKER quer lançar uma rede de salvação. É uma rede assim um pouco confusa porque mistura os Fundos Comunitários com capital mas, mesmo assim, é uma rede que deves aproveitar. Manda toda a gente, todos os Organismos, todos os Municípios, todas as Empresas, toda a gente mandar projectos. Projectos de tudo e para tudo, mesmo que a Madeira passe a ter mais buracos e os Açores mais uma ilha. Mesmo que as Selvagens sejam reabilitadas, ocupadas e passem a ter gente para, assim, não haver dúvidas da nossa propriedade. Põe a Sociedade a trabalhar, inunda o “ gajo”. É uma oportunidade, Costa! E dizem que a última. Ficarás na História, Costa, se venceres este desafio. Vale a pena. Este vale mesmo a pena!
  • Reduz as Forças Armadas! Admirado? É o que nunca ninguém teve coragem de fazer, mas ati só te resta fazer. Repara: servem para quê? Para defender a nossa Soberania, dizem. Onde está a nossa soberania principal? Na Plataforma Continental! Essa é que é: ali está a nossa riqueza, ali está o nosso futuro. Por isso é urgente povoar as Selvagens e manter a Marinha, com patrulhas de corvetas e outros barcos dissuasores. A Marinha e alguma Força Aérea, sim. Agora… Exército? Para quê? Olha, tens não sei quantos generais, não sei quantos brigadeiros e por aí fora e, se não acabares com metade deles, mandando-os para a reforma, eles serão sempre substituídos e vão-se eternizando. Assim, depressa o seu número baixa porque a vida tem um fim. Já viste?
  • Acaba com aquele preciosismo esbanjador dos Conselhos de Administração dos Institutos! Administram o quê? As verbas que lhes mandas no fim do mês para pagar salários e alguns fornecedores? E acaba com metade deles pois metade dos funcionários que tens na Administração Central tratam bem disso. E há multiplicação dos serviços. Simplifica como muito bem fez o outro. Faz a REFORMA DO ESTADO! Põe-nos todos a trabalhar, esses que já lá estão e aqueles todos que vais contratar para substituir os que por lá andam, os destes que estão no lugar para onde tu vais, estás a perceber?
  • Fundações com apoios estatais? Uma ova! Só as que demonstrem inequívoco interesse público e que prestem serviços de que o Estado não disponha e apresentem relevantes resultados. O resto? O resto acaba. Acabam como começaram. Simples.
  • Acaba com aqueles milhares e milhares de assessores. Assessores de quê? De mapas Excell e relatórios da treta? Que cresçam e apareçam.
  • Dignifica os Juristas dos quadros, gente antiga e experiente, e manda dar uma volta a esses grandes Gabinetes de Advogados que dão pareceres e advogam em causa própria e dos seus tutelares clientes. Os das PPP’s e quejandos. E diz-lhes que já chega. Que “c’est fini”!
  • Dá importância e premeia, isso sim, aquele Sector Exportador tradicional, o do Norte e Centro do País, aquele que produz riqueza e dá emprego, aquele que progride e cria riqueza sem apoios estatais, que inova e vai à luta, que procura mercados é exigente. Eles sim…
  • Luta, mas luta intensamente, pela disciplina do Sector Energético. Acaba com o saque “ legal” que nos fazem e ameaça-os. Há aqui ao lado empresas muito fortes, a Endesa e outras. Acaba com a chantagem. De uma vez por todas. Sem medos.
  • Às PPP’s não lhes pagues até que eles resolvam reduzir no mínimo para metade os seus indecorosos lucros. Para metade!Que vão para Tribunal. Que vão que a seguir vão todos os Reformados a quem também cortaram direitos adquiridos. Depois se verá. E a defesa até é simples: defesa do Estado! Não lhes podes pagar! Interesse Público! Simples, não é? Que levantem as auto-estradas e as levem para outro lugar, ora!
  • Se tiveres que fazer governo com o CDS faz, mas sem Portas. Não querem? Ameaças fazer à Esquerda. Aceitam estes compromissos? Ok, vamos então. Não aceitam, não podem, sem o patrão nem pensar…então que passem muito bem. Simples, não é? Não te deixes levar, nem embarques na paz podre e na mafiosise do dito.
  • Com o PSD? Nem pensar! Só se for com o RIO, se ele avançar, pois eu sei que contigo ele vai e concorda com tudo isto que enumerei. E com a tua Agenda para a Década. Tu ainda não explicaste bem mas…eu sei que ele concorda!

É difícil, Costa. Eu sei que é difícil. “ Mais, c’est possible”.

Se prometeres isto ou algo semelhante até que ponderarei votar em ti!

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