MUDEI DE IDEIAS…

Até podem achar estranho este título mas, se lerem, depressa compreenderão.

Eu, a partir de certas horas, tenho todo um tempo de solidão e, parte desse tempo,  dedico-o  a pensar e a transpor para a escrita algo daquilo que me surge e às vezes me atormenta. Alguns textos eu publico e outros não, de modo que tenho sempre coisas disponíveis para partilhar, se assim me der na “ real gana”.

E, assim, eu tinha um texto já escrito que hoje ia aqui partilhar, e até confidenciei ao meu irmão que ontem nos veio visitar o seu título, que se chamava “ O Senhor (dos) Passos”! À partida faria lembrar o tempo litúrgico que agora vivemos, a Quaresma, mas nele eu avisava para que não se enganassem nem deixassem enganar-se pois do que eu iria falar era do “ Senhor Passos” e dos “ passos do senhor Passos”. Estão a lobrigar no que isto ia dar? Claro que estão! E adianto mesmo que até do “ Forrest Gump” me lembrei! Adivinhem lá porquê? Claro que adivinham…

Mas não, não vou publicar! Pelo menos para já.

É que, de repente dei por mim a pensar, coisa que frequentemente faço pois para isso tenho algum tempo disponível que, face a tudo o que temos assistido, face à menoridade de comportamento de toda esta gente menor feita importante que nos governa, face ao completo desatino em que se transformou a nossa vida pública, face à pequenez dos seus principais agentes, face ao esquecimento e desvirtuamento dos mais básicos valores pelos quais ela se deveria reger, princípios esses nos quais fomos educados e nos foram transmitidos e que agora são feitos tábua rasa e face a esta  dita “ elite” que se comporta como autênticos bebés, sem quaisquer sentido de responsabilidade e orgulho próprios e em que a honra se transforma em banalidade, eu resolvi dizer CHEGA! Não dou mais para este peditório. Não me apetece.

O que eu mais pudesse escrever nada acrescentaria e apenas contribuiria para uma ainda maior degradação desta podridão. Por isso eu decidi não alimentar mais essa fogueira pois cada vez mais me convenço que, em vez de continuar a falar para dentro, para todos aqueles que me seguem e, no fundo, pensam o mesmo que eu, o que devo fazer é perguntar: Que fazer para modificar isto? Como actuar? É o mais difícil, eu sei, para além da denúncia mas, para isso, é necessário que toda esta gente fique bem caracterizada e nos convençamos que…não são necessários e que a sua competência e sabedoria são mitos.

E pergunto mais : Em nome de quê, de quem e de que princípios esta gente assim actua? Foi assim que foram ensinados? Foi assim que foram educados? É assim que ensinam os seus filhos? É assim? É assim que ficam para o futuro? Meu Deus ao que chegamos! Como é possível? Que destempero, que falta de senso, que imoralidade! Quem é esta gente que nos governa e dirige as nossas principais Instituições? São seres normais? Seres sem alma, sem coração e sem memória? Que desígnios têm? E que futuro?

Ao menos os nossos antepassados em momentos difíceis lutavam e lutavam pela nossa identidade e independência, pelo nosso orgulho pátrio, pela nação que somos todos nós e não apenas uns poucos. Por isso nos orgulhamos da nossa história! Pelos feitos narrados por Camões e pelas gestas descritas por Pêro Vaz de Caminha.

Que miséria a nossa! Presidente, Primeiro Ministro, Governador do Banco de Portugal, Presidente do maior Banco privado Português, Presidentes da maior companhia portuguesa…que irresponsáveis, tão medíocres que chegam até a suscitar o olhar jocoso de todo um Povo. Que falta de dignidade! Tão irrelevantes ao ponto da própria comiseração, depois de terem vendido um País, depois de tudo sugarem e de tudo se aproveitarem…Qjue miséria a nossa!

Para quê falar mais deles? Para quê falar da sua menoridade e irrelevância? Para quê? Que adianta?

Aquando do falecimento de António Borges eu publiquei aqui um texto, em 07/12/2013, que sugiro que depois leiam, e em que a dada altura eu pergunto: Mas estas pessoas nem na hora da morte, uma morte ainda por cima anunciada mas uma hora de reencontro com o filme da vida, lhes dá assim como que um arrependimento e um “ mea culpa” , ou uma simples refexão e desculpas públicas pelas dúvidas que lhes suscitem as decisões tomadas por terem prejudicado tantos e terem promovido tão poucos? Não lhes surge assim uma luz que lhes ilumine o discernimento? Por terem concorrido nos cargos que ocuparam para tanta disparidade, para tanta desigualdade, para tanto sofrimento de tantos e para o aumento da riqueza de tão poucos?  Nem nessa altura lhes surge alguma clarividência e sentido de justiça?

Eu achava impossível e questionava: Será isso uma qualquer religião? Uma qualquer seita ou uma qualquer máfia com votos, obrigações ou ameaças válidas para qualquer outra vida? Será?

Que miséria moral e intelectual as desta gente. Mas gente que, infelizmente e apesar de tudo, tem vindo a transformar o mundo, mas para pior, num mundo inabitável e injusto. Em nome de quê? Em nome de pequenos e grandes egoísmos, de ganhos imediatos sem atentar no futuro, sem se importarem com o sofrimento causado e sem atentar até na sua própria sustentabilidade. Como se a vida não fosse só uma. Que miséria moral!

Qual a nossa responsabilidade? O que fazer?

Voltamos e voltaremos sempre à História. Uma nova Revolução Francesa? Um novo 1917? É que estamos a voltar a um novo Feudalismo, de contornos diferentes mas um novo Feudalismo. A única diferença é que enquanto antigamente a sociedade estava estruturada, em ordem de importância e poder, em três classes , Clero, Nobreza e Povo, agora o Clero nem sequer figura pois foi substituído pelos Mercados, que também obedecem a um Deus, o dinheiro. Entretanto a Nobreza transformou-se, ela também, numa classe sem valores, completamente acrítica e servil, feita capataz e serva desse mesmo deus, que a nomeia e promove, em seu nome e só em seu  nome, tornando-a irrelevante e acomodada.

Resta o Povo. Um Povo que agora até fala, até se exprime, que escreve nos Blogs, que fala nos fóruns e nas TV’s, nos jornais até mas que…nada decide. Que fazer então?

Que tal uma Revolução? Como e aonde? Eu sugiro o único lugar onde ela é possível : nas URNAS! Com o nosso voto! Naquele lugar onde, até agora, apenas lá fomos para os legitimar.

E se agora servisse para um VARRIDELA? Ou um sobressalto como o que aconteceu na Grécia e como aquele que pode suceder em Espanha? Que tal?

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