A NOSSA IRMÃ ( Faz Anos: 60!) Texto de há dois anos revisto e acrescentado.

A nossa irmã faz hoje anos! Não só porque é a nossa única irmã, mas também, isso é para todos nós que tanto dela gostamos motivo de merecida celebração. Mas, desta vez, juntamos a isso uma singela homenagem através deste texto que eu decidi escrever, e escrevo sozinho, mas onde utilizo o plural para exprimir o sentimento colectivo que sei representar.

 É a quarta de uma série de cinco, mais ou menos aconchegados num tempo de onde só divergiu o ultimo que, mesmo nascendo um pouco fora do tempo, veio muito a tempo de recuperar o tempo que nos separa.

Chama-se Maria do Sameiro Vassalo Abreu de nascimento e adoptou depois o Vieitas de Amorim por casamento. Defini-la e falar dela sob o ponto de vista estritamente familiar poderia ser feito de modo muito breve, com comentário curto e este poderia resumir-se à seguinte frase : ela vale mais só que nós todos juntos! Porquê? Muito resumidamente também, porque consegue incorporar em si todas as virtudes familiares herdadas que os nomes que usamos comportam e transportam e nunca se deixou, no entanto, impregnar com os defeitos que todos nós também carregamos.

Da nossa irmã dizemos, como também comummente é usual dizer-se, que “ ela não existe”. É costume dizermos isto quando nos referimos a alguém que se situa fora dos estereótipos comuns, foge à regra comum ou “ está além, está muito além” como muito bem dizia o António Variações. Ela está realmente muito mas muito além e, por isso, é para nós um ser tão raro que nós que temos o privilégio e a felicidade de com ela conviver sentimo-nos a maior parte das vezes muito pequenos perante a dimensão da sua grandeza. Como é que ela existindo, porque é um facto que existe, tantas vezes nos parece que não existe? Porque nos parece que ela não está mas está, parece que se ausentou mas, de repente, ela já está outra vez, já tudo transformou, já tudo fez, já tudo preparou e, para nós, isso foi um instante. Mas ela esteve sempre presente.

E entretanto, enquanto ela trata de todas aquelas coisas que depois, como num golpe de mágica, aparecem feitas, todos nós, irmãos e toda a restante trupe, completamente alheados do que possa estar a fazer a nossa irmã, desbragadamente desatamos a discutir tudo o que se possa discutir, elevando muitas vezes as vozes para uma ideia pretender sobrepor, desde a actualidade política à filosofia, do governo ao desgoverno, da oposição à falta dela, da justiça às injustiças, da pobreza à exclusão, das insensibilidades todas, dos movimentos e das lutas, da nossa insatisfação e de tudo o que imaginar se possa, inclusive do futebol, numa sempre igual barulhenta verborreia dialéctica, ela enfim aparece e todos baixamos o tom quando ela aparece. Aparecendo do nada e com tudo já feito. Parece que num instante provando que, realmente, a sua existência é um facto adquirido.

Os canapés e as entradas já estavam prontas. As mesas, as cadeiras, os pratos, os talheres, os lugares, os copos, as bebidas tudo, tudo, tudo já estava em seu sítio…Sameiro, queres ajuda? Mas qual ajuda qual caraças, já estava tudo feito. E lá nos sentamos e lá recomeçamos a celebração da Família, da nossa Família.

Mas ela é assim. Ela é como aquela mãe da canção da Mercedes Sosa “Las Manos de Mi Madre” que de manhã antes de todos se levanta e junta as suas mãos aos pássaros no ar que, tal como ela, tudo constroem com o trabalho. E essas mãos são livres de ódio, de qualquer ódio. Mas ela dorme? Nem sabemos. Mas ela ao menos come? Quase nem vemos. Mas ela vive? Claro que vive e vive intensamente a vida. E cumpre-a? Isso todos nós sabemos. Nós pretendemos saber tudo dela mas era paira sobre tudo isso. Para ela tudo acontece, tudo é dever, tudo é urgente e necessário, tudo tem que ser, tudo tem que ser feito e, portanto, tem que se fazer. E a gente que a adora, na falta de melhor adjectivação para demonstrar essa nossa adoração, só podemos recorrer, ao jeito do Millor Fernandes, como poder de síntese, a um competente e acertado vernáculo e dizer: Porra irmã, vai-te lixar! Tu não existes! E esta sintetização vernácula é tão demonstrativa da nossa impotência em a definir sem ser necessário escrever páginas e páginas para o fazer como do nosso respeito e admiração por ela que esta impotência crítica tão bem ilustra.

Pois não é que ela, depois de tudo ter feito, de tudo o que era necessário e desnecessário ter feito, cuidando ao mesmo tempo da nossa Mãe, não é que ela no fim, de tudo já ter inclusivamente arrumado, se senta, mas só no fim de tudo, e ainda nos vem acalmar e alegrar com as suas histórias, com as suas lembranças, lembranças de memória quase impossível por tão surreal, com as suas vivências descritas com aquela graça genuína e única que ela tem e nos faz rir a bandeiras despregadas? Histórias da Escola, dos seus antigos alunos, das suas peripécias, das suas famílias, dos putos da catequese, do nosso Pai, da nossa Avó, eu sei lá….mas que raio de memória ela tem, do que é que ela não se lembra? E ficamos ainda mais pequeninos mas ficamos em paz. Todos se recolhem numa atmosfera de felicidade, de infinita gostosura e tudo o resto se desvanece e só fica o único sentimento que nos interessa : a União Familiar! A União Familiar que ela patrocina, incorpora e defende como ninguém.

A nossa irmã reúne em si, como já atrás foi referido, todas as virtualidades que os nomes Vassalo e Abreu transportam e tão bem foram e são transmitidos pelo nosso Pai e pela nossa Mãe. Por isso ela já é, por isso e por tudo o mais, a nossa referência, a nossa bússola e a nossa estrela e não nos custa nada admiti-lo. Como admitir a nossa pequenez perante toda a sua magnitude.

A nossa irmã faz do difícil fácil, faz do que aparenta ser impossível possível e tem aquela suprema grandeza do Gostar. Do Gostar sem mais. Do Gostar e ponto. E, não admitindo isto arrepios, ela gosta até à exaustão. E aqui vou relatar um facto que ilustra em toda a sua plenitude o que é para ela Gostar: Em Setembro de 2014 estava a minha e nossa GRACIETE internada no S. João, a minha mulher  e sua cunhada portanto, e estavam junto dela várias pessoas, algumas das quais suas irmãs, mas uma dessas pessoas sobressaia pelo seu jeito, pela sua postura, pela sua desenvoltura e pelo seu desvelo sem reservas e na cama ao lado acompanhando uma outra doente estava um casal. Um casal que olhava perplexo para tudo aquilo e o membro masculino do casal dirigiu-se ao nosso irmão mais velho que também lá estava e perguntou-lhe: quem é aquela senhora, é irmã? Não, disse-lhe o nosso irmão, é cunhada! Não podia crer, disse o tal senhor. Vieram-nos as lágrimas aos olhos … que era a nossa irmã, dissemos…que mais haveria para dizer?

É a nossa irmã! Mas tudo isto parece simples mas é muito complicado porque não ao alcance de um qualquer comum. E, para resumir de vez toda esta singela homenagem, não poderíamos deixar de contar um episódio há uns tempos acontecido entre o nosso irmão mais velho e o Bispo de Braga. A nossa irmã, para além de tudo o que é e aqui foi explanado, é uma mulher de esquerda e uma actuante, participativa e fervorosa militante Católica. E num qualquer encontro em Braga onde estava o nosso irmão mais velho como autarca que é e o Bispo de Braga como intervenientes, o Bispo vendo o nome Vassalo Abreu dirigiu-se ao nosso irmão e perguntou-lhe: É alguma coisa à Sameirinho? É irmão? Sou, sou seu irmão sim. É? Mas nunca na vida chegará aos calcanhares da sua irmã, disse-lhe o Bispo!

Grande irmã! Que orgulho e felicidade é te termos como irmã! Por seres irmã mas também por seres aquele ser que és e que, mesmo sem nada reivindicares e sem precisares de eleições, já há muito foste por nós eleita a chefe de família que nós reconhecemos, mantendo sempre e sempre que Deus assim queira a nossa Mãe Rainha a teu lado. Não é preciso eleger-te pois eleita já foste. Obrigado irmã e Parabéns. Só desejamos que vivas muitos e muitos anos para continuarmos a fazer da tua casa, porque é tua, a nossa casa, o nosso ponto de encontro. A casa onde chegamos e de tudo dispomos como se fosse nossa. A casa onde a GRACIETE, todos os Natais, aceitava ir, mesmo que ficasse deitada naquele quarto ao lado da sala onde todos estávamos, que arranjaste para ela, para sentir o nosso pulsar, o pulsar da Família e o teu Amor por ela desmedido e correspondido.

Haverá coisa melhor que ter uma irmã assim?

PS: Claro que seria injusto e imperdoável não referir o outro nome que também levas, o Vieitas de Amorim, e não assumir a gratidão que temos por quem to legou e por quem tanto jus tem feito à assunção que dele fizeste. Obrigado AMORIM, nosso querido cunhado e há muito feito nosso irmão de pleno direito. Irmão sim, porque quem chama Mãe à nossa Mãe é nosso irmão. E sempre o demonstrou. Obrigado também a ti.

Por fim: Obrigado pela dededicação que sempre, ao longo dos anos, demonstraste pela tua cunhada GRACIETE, tua Irmã, de facto! Era apenas e só AMOR!

Obrigado IRMÃ e que o Deus em que profundamente acreditas te conserve assim, serena, lúcida e Amante comprometida com o Bem! Tu tens o condão de fazeres de todos nós pessoas melhores!

Que o teu Deus te guarde e proteja! Parabéns’

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