GREXIT.

A Grécia está pronta para dizer “ The Big No “ ( o grande não) , face ao impasse a que chegaram as negociações e à manifesta irredutibilidade de ambas as partes. De um lado a arrogância de quem tem o poder, de quem é dono das chamadas Instituições e representa os credores e do outro lado o país pecador, aquele que ousou transgredir as regras superiormente instituídas elegendo um governo “ ilegível” e os supremos ditames que elegem a austeridade como a água benzida que redime todos os pecados.

A putativa saída da Grécia da Zona Euro e, inclusive, da União Europeia será uma decisão de consequências imprevisíveis e ninguém consegue imaginar o que se seguirá e que danos colaterais, sistémicos ou não, poderá provocar. Ninguém arrisca um prognóstico mas, na verdade, há muita gente bem pensante que não se coíbe de prognosticar que, no fim, quem poderá sair melhor do problema será a própria Grécia. Os credores são disto sabedores, embora nunca o digam, e basta ver as suas cautas afirmações: “São águas desconhecidas”, diz Draghi. “ Ninguém na Europa deseja o Grexit”, afirmou Lagarde, frase esta depois transformada em “ Lagarde admite a possibilidade…”, passando assim a alinhar com os comentários das chamadas Instituições e até Barroso opinou dizendo “ É uma possibilidade mas admito que não vai acontecer…”. Disse ele do alto da sua responsabilidade!

Mas afinal o que separa as duas partes? Tudo, mas a questão é essencialmente da ordem da Política. Aproveitando a última avaliação para a entrega da última tranche do último resgate, no montante de 7,2 Mil Milhões de Euros, tranche absolutamente essencial para a regularização de compromissos internos e externos da Grécia, tendo em consideração a eleição de um novo governo completamente fora dos cânones habituais e com propósitos de resistência à austeridade até aí implementada e que levou o povo Grego à penúria, as tais Instituições resolveram não pactuar com tamanha “ transgressão” e, para essa última tranche, pretendem implementar na Grécia políticas de austeridade ainda mais reforçadas, na sequência das que foram implementadas pelos anteriores governos do Pasok e da Nova Democracia e que este novo governo de todo não aceita pois essas políticas revelaram-se profundamente catastróficas e conduziram uma boa parte da população grega a um estado de emergência social. E há, portanto, pontos fundamentais que Tsypras impõe como linhas vermelhas e que são:

  • Não devem ser impostos mais sacrifícios a pensionistas e trabalhadores. E aqui se inclui aquela proposta de redução do orçamento da Defesa por troca com a manutenção das pensões e que o FMI rejeitou levando a União europeia a fazer o mesmo e, ainda, para além do tal corte nas pensões (1% do Pib), o aumento do IVA ( 1% do Pib também), medidas estas das quais resultaria uma contracção do PIB na ordem dos 1,8 a 3,4% ( segundo cálculos do próprio FMI) e mergulhariam a economia Grega numa nova depressão e que a Grécia não aceita nem pode aceitar. E deve-se acrescentar ainda que isso constituiria uma declarada humilhação porquanto eram medidas constantes do programa de Samaras rejeitado nas urnas.
  • É ponto assente o desejo de manutenção na Zona Euro e isso não deve ser objecto de mais discussão.
  • Devem ser adoptadas condições obrigatórias para a resolução dos problemas de financiamento da Grécia e acabar-se com o discurso tipo “ neocolonialista “ que muitos dirigentes europeus usam falando em “ recomendações” etc. como se a Grécia não fizesse parte de pleno direito da União Europeia e o povo grego não fosse soberano nas suas escolhas eleitorais e a sua vontade expressa nas urnas de nada valesse. Eles, no fundo, acham que a Grécia no fim vai acabar por baixar a cabeça.

Mas chegamos ao tal impasse. A aceitação do novo programa da Troika ( agora Instituições) seria um duplo suicídio para a economia Grega e quem o diz é Wolfgang Munchau, editor do Finantial Times, que traça o seguinte cenário: com a saída da Zona Euro a Grécia livrar-se-ia de ajustamentos orçamentais lunáticos, entraria em “ default” com os credores oficiais e empréstimos bilaterais mas respeitaria todos os empréstimos privados com o objectivo de regressar aos mercados uns anos mais tarde. A saída tem perigos e armadilhas no curto prazo mas depois do caos inicial a economia iria lentamente recuperar. O cenário da cedência esse não tem reversão. Mas a França e a Alemanha, os principais credores ( 160 mil milhões no total) querem que a Grécia fique no Euro, claro. No entanto, segundo Munchau, a Grécia não tem nada a perder ao rejeitar a “ oferta” dos credores.

Que insistem nas “ reformas” , nas sempre propaladas “ reformas”, a que também chamam e “ progressos” mas que, no fundo, são austeridade, sempre mais austeridade. Mas porque “ raio” insistem os credores em políticas de austeridade como solução para os países sobre endividados poderem pagar as suas dívidas quando sabem que elas provocam empobrecimento das populações e só o crescimento da economia e a criação de excedentes o poderão proporcionar? Será que é mesmo para os empobrecer, para lhes tirarem tudo o que têm e o que não têm e depois fazerem desses pobres países seus coutos? Será mesmo isso? Custa a crer mas Paul Kruhgman, o Prémio Nobel, tem outra explicação. É que a Alemanha está mesmo disso convencida porque penso que ali por volta dos anos 2000 passou por uma crise e resolveu-a com o recurso a alguma austeridade interna. Como tal se a receita para eles deu certa para os outros também terá forçosamente que dar. Mas segundo o mesmo Paul Kruhgman deu certo por duas razões: em primeiro lugar porque a Alemanha continuou a ter excedentes comerciais pois os seus mercados não estavam afectados e, em segundo lugar, porque não havendo crise global não havia ainda recessão e os seus produtos fluíam normalmente. Esta crise é diferente porque é global e havendo retracção ela é para todos e portanto os efeitos anulam-se. Isto é, quem exporta exporta menos porque o outro não compra mas também quer colocar os seus produtos.

Mas, voltando ao impasse, parece ser líquido que a Grécia não apresentará novas propostas ao Eurogrupo.  Não haverá de sua parte mais cedências. O Eurogrupo terá que levar as suas propostas a sério para se desbloquear esse impasse. Têm chovido “ avisos” ao governo Grego por parte do Eurogrupo, tentando mandar a bola para o campo Grego que, por seu turno, espera nova chamada. Estes dizem que não e que estão à espera que Atenas dê o primeiro passo…

Mas Tsypras avisa que a Europa deve deixar de dar tiros nos pés e pergunta: de que vale a vontade dos Povos? De que valem as eleições, o voto livre se ele só o é se não mudar nada? Política, meus senhores, Política pura. É do que se trata! Eduardo Galeano dizia que se o voto fosse livre para a mudança passaria imediatamente a ser proibido! Mais ou menos isto. Vejamos o caso Grego: votaram assim mas foi um erro, dizem. Não o deveriam ter feito. Foram “ irresponsáveis” e não mediram as consequências…piamente dizem…

Mas TSYPRAS afirma:” Não temos o direito de enterrar a Democracia Europeia no mesmo local que a viu nascer…”.

Mas, e por cá? Que se diz por cá?

Passos Coelho tece duras críticas ao governo de Tsypras, mas lá vai dizendo que existe um problema mas que podemos ficar descansados porque até ao fim do ano estamos salvaguardados das possíveis turbulências dos mercados com a nossa almofada. No entanto a ida de hoje mesmo aos mercados não foi o êxito do costume e colocou-se o mínimo a taxas mais altas… Cavaco, agora transformado em aguadeiro do governo, diz que estamos no bom caminho, tudo está a correr às maravilhas, quer em crescimento, quer em défice, quer em desemprego, que passamos um mau bocado mas conseguimos  dobrar o cabo das tormentas mas…diz depois, certamente contagiado por aqueles desportistas todos que ele condecora, que temos que levantar a cabeça, levantar a cabeça e seguir em frente, como dizem os futebolistas quando perdem! Levantar a cabeça e seguir em frente… Diz também que a Grécia não pode ser excepção, isso é que era, que aguentem, que aguentem… e a Maria Luis, a Luisinha a quem um amigo meu, com muita piada, apelidou de “abajour Schoeble”, que diz ela? Do alto dos seus saltos altos, o lugar onde ela concentra a sua inteligência, ela profere a sentença : um só país não pode contaminar os restantes 27! Ora toma! Só que se esquece de um simples pormenor : porque é que 27 deixam que apenas um os contamine?

Mas não, ali à beirinha do Schoeble, ao acender-se-lhe a luz ela leu o pensamento de quem estava logo ali sentado ao seu lado e deu-se-lhe um lampejo : não seria, pensou ela, um acto de boa e pragmática gestão imolar esse um, também para exemplo dos outros, assim como um cordeiro da Páscoa, para que ela possa decorrer na sua pacata santidade, e não decorra dali nenhuma infecção descontrolada? E se infecta assim mesmo, assim mesmo morto? São “Águas desconhecidas”, diz o avisado Draghi. E se se ajudasse a salvar esse um o resto da tripulação era capaz de ficar a são e salvo, também pensou ela em outro lampejo. Mas este o vizinho não sentiu, tinha adormecido.

Mas a Maria Luis é já um “ ícone”, quase que um “ mito”, para os Marcelos desta vida pelo menos. Mas ela também é o desastre do Marcelo que diz que ela com a boca aberta é um desastre. Agora veio dizer que carregamos um fardo às costas, mas não um fardo de penas, um fardo de pedras, um fardo pesado e que ainda teremos que carregar muito tempo. Isto quando o Paulo falava de sucessos sem fim, enquanto o Cavaco incensava a situação…vem esta lembrar Sísifo. É que já não faltava mais nada diz Marcelo. Condenados a subir a montanha com um fardo de pedras às costas, subir, subir e virmos outra vez montanha abaixo e voltar a subir, a subir…Culpa de quem? Do PS que está aliado aos Gregos disse alguém do PSD e eu ainda hoje ouvi outro dizer que a Grécia era a “cirrose” da Europa, que está a fazer uma chantagem inadmissível, que a sua política é inaceitável, que é um jogo incompreensível, não se podem mudar as regras assim e que não nos devemos deixar embalar pelos contos do Syrisa…contos para crianças, lembram-se?

Outro “ícone” é o Vitor Bento, o careca conselheiro do Cavaco, extemporâneo presidente do Novo Banco que proferiu esta enigmática frase : “A Europa é um camião e é bom que o mini da Grécia se desvie…”. Pois é carequinha você devia estar careca de saber que se o mini de desvia o camião pode ir ribanceira abaixo…

Outro é o sábio Rui Machete: “ O que mais nos aflige é o problema Grego…”.

Mas o “ dandy” dos “ dandyes”, o Nuno Melo, vem repor a verdade : que afinal, na realidade, a TAP vale mais que o Jorge Jesus…

É isto mesmo o que por cá se diz…

PS- Sim, e o PS? No meio disto tudo alguém me sabe dizer qual é a posição oficial do PS? É que parece não estar nem aí…

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