ISN’T THIS A TIME?

Our fathers bled at Valley Forge/ The snow was red with blood/ Their faith was warm at Valley Forge/ Their faith was brotherhood.

Isn’t this a time/ Isn’t this a time/ A Time to cry the soul of man/ Isn’t this a terrible time?

Estes são versos de uma antiga canção ( Wasn’t that a time ) popularizada pelos Weavers de Pete Seeger, Lee Hayes, Ronnie Gilbert e Fred Hellerman e recordo-a agora, bem como a alguns dos seus versos, para dizer que ESTE É O TEMPO! É este o tempo de exercermos a nossa solidariedade, a nossa fé na solidariedade, é este o tempo de marcarmos posição, de definirmos o nosso campo e de afirmar inequivocamente de que lado estamos. What Side Are You On?

Em cada tempo há um tempo e este é um tempo terrível. Talvez muita gente, assoberbada pelos seus problemas, causticada pelas incertezas da vida, concentrada no dia na dia da sobrevivência e angustiada pelo seu futuro e dos seus, não se aperceba do quanto este é um tempo terrível. E talvez muita gente, enraizada em conceitos em que durante algumas décadas viveu e julgando que sempre haveria alguém que fazendo das palavras actos estaria sempre olhando para ela como primeira prioridade, sendo sua última defesa, não se aperceba da mudança desses tempos e se deixe adormecer pelas bonitas palavras que ouve, sempre julgando saber serem as únicas verdadeiras e viáveis palavras.

Palavras como “ nós conseguimos”, ela incluída claro, “ nós fizemos sacrifícios mas conseguimos”, “ nós somos um bom e reconhecido exemplo”, ela também é claro, “ fizemos os nosso trabalho”, “ com a ajuda de todos os Portugueses”… que embevece essa muita gente mas que nada de concreto lhe dá a não ser o espírito de resignação e a impossibilidade de ser diferente. E ela tende a aceitar e a ter medo do diferente, com medo de, tendo já pouco, vir a perder o pouco que tem. E deixa-se subjugar pelo medo não percebendo que quem se deixa subjugar jamais será livre e terá sempre uma grilheta presa aos seus pés e à sua alma.

Eles sabem disso. Eles usam todo o poder que têm, o poder que lhes foi atribuído quando os governantes, também eles, se deixaram subjugar e esse grande poder, o poder económico e financeiro, sem lugar nem rosto, subjugando-os os tornou obedientes e dependentes. E assim, tornando-se e agindo como autênticos capatazes às ordens do seu único senhor, fazem crer aos seus súbditos que o seu senhor é um senhor bondoso, que só quer o seu bem, mas que é assim, as regras são assim, e têm que trabalhar para o seu senhor porque o senhor é dono de tudo e de tudo ele dispõe. E esse senhor não tem contemplações e ele, o capataz, está ali para cumprir as suas ordens, pois ele só serve um senhor e tem o dever de lealdade para com ele, custe o que custar, doa a quem doer.

Mas este é um tempo de sublevação! Este é o tempo em que os escravos se sublevam, em que dizem que não aceitam mais as grilhetas que não os deixam andar e os mantêm presos à servidão e à falta de liberdade.

É ESTE O TEMPO em que o tempo é decisivo e a solidariedade redentora é fundamental. Mas é preciso primeiro que todos percebamos que É ESTE O TEMPO. O decisivo tempo. O preciso tempo em que se não ajudarmos o escravo a libertar-se da sua grilheta todos seremos condenados a usá-la e a ser remadores de galés.

Alguém dizia que só há duas maneiras de se anexar um Povo, uma Nação : Ou pelas armas ou pela dívida! Temos que ter consciência que estamos em plena guerra mas uma guerra diferente. Uma guerra não convencional, sem armas convencionais mas com armamento muito mas muito poderoso : o das armas da dependência económica, da dependência financeira e de financiamento, do fardo pesado da dívida, dessa dívida que quanto mais se paga maior fica, das armas dos medos, dos medos das mudanças, dos confrontos, do medo da guerra em suma…

A Dívida é o garrote que é utilizado para prender as populações ao seu destino : o da pobreza. Mas quem a negociou, quem a contratou, quem a utilizou, quem dela mais beneficiou, quem dela extraiu dividendos, esses nunca pagarão porque são capatazes dos donos da dívida. Nós, os restantes, somos os súbditos escravos que seremos obrigados a trabalhar toda a vida para pagar as dívidas que não contratamos e das quais não beneficiamos.

Mas há um Povo que ousou sublevar-se e dizer Não! Que não mais! Que esse não é o caminho e que chega de escravidão. Que foi ali que nasceu a Democracia, o poder de todos e para todos, foi ali que nasceram ilustres filósofos que deram origem ao conhecimento, ao desenvolvimento das ciências da vida, das medicinas e das teorias da ética e da moral. De Tales de Mileto a Aristóteles, de Platão a Sócrates, de Epicuro a Diógenes, de Heráclito a Pitágoras e tantos outros. Foi ali o berço da civilização ocidental e dos seus valores, a civilização mais perfeita que até hoje o mundo produziu. Um Povo que diz que é preciso voltar atrás e redefinir a Ética e a Moral como pedras basilares do pensamento e estrutura das sociedades. É ESTE O TEMPO!

Que diz que não se pode governar assim e que não se pode ser governado assim. Não se pode ser governado por quem se apropria da riqueza que é de todos, por quem se apropria dos lucros e deixa ao Povo os prejuízos, por quem vende o que é de todos sem sua procuração e vendo-se eleito pelo Povo ao mesmo Povo não mais dá explicação ou satisfação a não ser para lhe apresentar a conta. A conta do empobrecimento, a conta da humilhação. É ESTE O TEMPO DE DIZER NÃO!

NÃO! Os Gregos disseram NÃO! Tiveram a coragem, a coragem de se sublevarem e dizerem: somos nós os donos do nosso destino! Não foi o Povo quem delapidou o erário público, quem fugiu sistematicamente ao pagamento de impostos, não foi o Povo quem se subornou e deixou subornar, não foi o Povo quem decidiu compras de submarinos e aviões, navios e foguetões, tantas armas e canhões, não foi o Povo quem decidiu fazer os Jogos Olímpicos e outras obras faraónicas, não foi o Povo quem exportou as riquezas e as divisas para outras ilhas que não as dele, não foi o Povo quem vendeu a Soberania a troco de um prato de lentilhas. Não, não foi o Povo. Não, não mais empobrecimento e não mais austeridade sem sentido, não mais austeridade para pagar dividendos escandalosos e imorais a quem emprestou e não deveria ter emprestado porque ao Povo não serviu, ao Povo nunca chegou. Chegou apenas a conta, uma conta imoral, como é imoral a dívida que o Povo não contratou nem dela beneficiou e, por isso, não tem que pagar. É ESTE O TEMPO! O TEMPO DE DIZER NÃO!

Mas, como em qualquer levantamento de escravos, eles pretendem que sejam bem punidos. Para exemplo de outros e para que não ousem sequer erguer a cabeça. Por isso eles querem a todo o custo punir e humilhar a Grécia e o seu Governo sejam quais forem as propostas que este lhes apresente e defenda. Pretendem humilhar dizendo tratar-se de gente irresponsável, impreparada e imatura, apenas porque lhes demonstram aquilo que eles sabem mas não querem nem podem admitir. O seu senhor, esse etéreo senhor a quem servem sem conhecer, não deixa e é implacável. As suas cabeças rolarão se cederem. Por isso não podem nem poderão nunca admitir que esse membro desalinhado tenha razão mesmo eles sabendo que a tem. A receita está mais que demonstrado que não cura, antes piora, mas não há outra receita e eles não querem a cura. No seu mostruário, no cardápio disponível não existe outra.

E como poderá um ousar prejudicar (?) 27, diz a cândida Maria Luis. Não pode haver excepções, diz Cavaco, que não pensa sequer que, salvando esse um, talvez se salvem os restantes  27. Mas ele não atinge. Excepções em quê, pergunto eu? As regras são estas e há que cumpri-las como os outros as cumprem, diz toda a direita, excitada e revoltada pedindo severa punição, tentando ficar bem vista , passar entre os pingos para não serem igualmente alvo da sua ira. Eles, os tais que ninguém sabe quem são, mas estão bem representados.

Este é um momento histórico! É um momento que pode significar mudança, pode significar um acordar, pode significar um tiro certeiro no até agora inatingível e poderoso contra torpedeiro. E ele está nervoso, está vacilante e expectante. Não quer dar o primeiro tiro pois tem receio, tem receio da reacção em cadeia que possa proporcionar, tem medo de dar um tiro no escuro e tem medo de algum ricochete. Prefere que seja a outra parte a atirar primeiro e depois responder e aí responder com toda a brutalidade ao seu alcance. “ São águas desconhecidas”, disse o Draghi. Terrenos desconhecidos, também digo eu..

Eles sabem bem que têm um opositor e eles sabem que não é um “ Kamikase” qualquer. Eles sabem dos seus argumentos e da sua heroicidade. E têm receio. Têm receio que a punição ao transgressor possa provocar um levantamento e hesitam em dar o primeiro tiro. E provocam, provocam sem cessar. Por isso ESTE É O TEMPO! É O TEMPO de união de todos os que sabem de que lado está a razão e que sabendo saber a razão não podem esperar sentados pela subjugação da razão. ESTE É O TEMPO de estar com o TEMPO!

What Side Are You On”,  questionava Seeger aquando da Guerra do Vietnan. É isso mesmo: de que lado estás tu sabendo de que lado está a razão e sabendo tu que este é um momento histórico e decisivo? Um momento que pode definir o nosso futuro, a nossa independência e a nossa libertação. De que lado estás, afinal?

Peoples of Europe : RISE UP! Lia-se numa enorme pancarta suspensa nas escarpas da Acropole em Atenas nos inícios da grande crise…

Mas no seu amorfismo, no seu sonambulismo e no seu entorpecimento as pessoas vão esperando, vão observando e vão assistindo temerosas aos longos actos desta tragédia Grega sem estar cientes do que possa significar para o seu futuro e dos seus o desfecho desta tragédia.

E num momento decisivo como este em que as Esquerdas deviam estar unidas e a falar a uma só voz, na defesa determinada e intransigente dos mais básicos princípios que sempre defenderam, os da defesa dos mais fracos, dos mais desfavorecidos, dos seus direitos enquanto seres humanos de pleno direito, na defesa da liberdade, na defesa da paz e da igualdade e na defesa de uma sociedade mais livre e independente, o que vemos nós? Vemos a maior força das Esquerdas na Europa ( o Partido Socialista ) sem voz de comando, com intervenção anémica e não esclarecedora e com muitos dos seus dirigentes apoiando o lado errado, o lados dos opressores.

Como em Portugal : qual é aposição oficial do PS? Que diz o seu Secretário Geral? De que lado se posiciona? Que opina? Ninguém sabe. Infelizmente não sabemos. Mas sabemos que o presidente do Eurogrupo é um Holandês Socialista e isso é utilizado pela Direita como argumento. Eu sentir-me-ia envergonhado por isso.

Oxalá não nos venhamos todos a arrepender pelo nosso imobilismo, pelo nosso tacticismo e pela nossa ingénua cumplicidade, falta de visão e pusilanimidade. Uma merda, não é?

É QUE ESTE É O TEMPO. Este é o tempo certo. THAT’S THE TIME!

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