OS PASPALHOS!

Se a um dicionário o significado desta palavra formos ver encontraremos uma riqueza de sinónimos mas todos eles do domínio da representação e da falta de convicção e vontade próprias:  autómatos, bonecos, bonecas, fantoches, marionetas, polichinelos, robôs, títeres, camelôs, imbecis, bate-bates, espantalhos, estafermos, estrampalhos e não sei que coisas mais… um sem fim de significados que querem todos, no fundo, concluir uma só coisa: uns paus mandados!

Os paspalhos são uns “ Maria vai com as outras”, uns seguidistas sem ser nem querer, uns bonecos que fazem de conta que são mas não são e, porque lhes falta o ser, porque lhes falta o lastro e a autoridade pessoal, porque lhes falta aquela identidade que faz com que sejam respeitados ou não e aquela centelha que lhes poderia dar a reconhecida autoridade, apenas conseguem ser aguentados porque, por ínvios caminhos, a um lugar chegaram mas onde chegaram sem méritos reconhecidos para o ocupar. Nunca pelo que fizeram mas pelo que prometeram fazer e nunca fizeram. Apenas pela reiterada mentira e pela permanente ocultação e mistificação.

Pretenderam sempre dizer o que são sem o serem mas, porque são autómatos e lhes falta a vida, a competência e o saber e porque foram colocados nos lugares que ocupam por outrem como objectos, como instrumentos, como fantoches ou como bonecos, aceitaram ocupar o lugar que quem quereria e pretendia encontrar alguém que o fizesse a esse trabalho se deram: o de ser marionetes!

Foi isso que eles fizeram! Como autómatos, como espantalhos, como camelôs, como títeres, como imbecis polichinelos de quem os manda.

E como bons bonecos fazem a sua parte : representam. Mas a representação deixa muito a desejar porque a representação exige arte, convicção e sabedoria. Na representação o actor, o intérprete ou o apresentador transmite uma mensagem através de um texto, explana uma teoria, um princípio, uma filosofia, uma mensagem em suma que os ouvintes ou assistentes que atentos estiverem tentarão compreender. Mas a sua finalidade é só uma e a representação apenas um meio : o de chegar à verdade, a alguma verdade e não, nunca, à sua ocultação ou mistificação. O contrário disto é uma representação pífia e mentirosa. Aquela a que os paspalhos dão voz…

E a sua representação é um logro porque constantemente se contradizem. São uns bonecos mas uns bonecos imbecis e trapalhões. Não dizem coisa com coisa e dizem uma coisa e o seu contrário. Mas fazem-se de bons actores e pela paspalhice de muitos conseguem representar. Prometendo céus que antes negaram, luas que nunca alcançaram e mundos que renegaram. Mentindo, ocultando e mistificando.  Não são de confiar…

…E em minha casa não entram! E não entram porque em minha casa mando eu e só lá entra quem eu queira. Podem querer entrar mas eu não deixo. E podem até querer entrar da maneira mais dissimulada, através da TV por exemplo, que mesmo assim eu não deixo. Mudo de canal ou se insistirem eu apago a mesma.

Eu deliberei que na minha intimidade só eu é que mando. Eles podem mandar em tudo: nas regras que eu tenho que cumprir, nos códigos a que eu devo obedecer, naquilo tudo de que eu tenho que prescindir, em tudo aquilo que eu tinha por adquirido e já não vou ter, naquilo que me prometeram e vão falhar, naquilo que me deviam e não vão pagar, naquilo que deviam fazer e jamais farão, naquilo que deveria ser prioridade e nunca será…podem mandar em tudo menos na minha íntima vontade.

E a minha vontade é não os ver. É não os receber mesmo que ostensivamente na minha casa queiram entrar. Chega! Não faltava mais nada…

Não! Não suporto que entrem pela minha casa sem serem convidados utilizando o veículo da Rádio ou da TV. Esses que dizem que não disseram o que disseram mas que toda a gente ouviu. Que vão agora fazer o que sempre se recusaram a fazer. Que tudo ontem estava mal e hoje já está bom para amanhã, se ganharem, voltar a estar mal. Que tudo aquilo que diziam estar mal agora melhorou mas só assim estará se forem eles a estar. Com outros logo piorará e são até dispensáveis. Que não podiam dar mas agora podem mas amanhã poderão não poder. Mas que só darão se puderem e que os outros irão retirar porque não poderão. Eles vão poder com certeza. Mas só eles. Asseguram que se puderem darão o que podendo nunca deram. Eles que não nos mandaram partir mas se partimos foi porque quisemos pois eles nunca disseram para partirmos. Que há lugar para todos e agradecem que voltemos para depois partirmos senão alteramos os dados do emprego. Que nos agradecem os sacrifícios que nos impuseram como se os tivéssemos pedido. Sacrifícios que não mais voltarão a não ser que outros voltem. Eles que não mandaram ninguém para a pobreza as pessoas é que são piegas e não sabem ver que o desemprego é uma oportunidade. Uns ingratos. Que tudo o que se passou é passado e o que conta é agora e o agora só existirá com eles pois os outros tudo irão desbaratar e depois serão eles chamados a reparar o agora. Eles que tudo sabiam mas agora esqueceram mas que depois se lembrarão. Eles que estiveram mas não estiveram mas voltarão a estar porque de tudo se esqueceram mas vão voltar a lembrar-se. Que nos acusam de termos andado a comer auto estradas e TGV ‘s e daí a tal fome que os outros dizem que existe mas eles nunca viram. Agora dizem que até vão devolver impostos por forma de um crédito fiscal de uma sobretaxa que cobraram mas vão devolver se houver condições garantem eles. E que com os outros nunca haverá porque quem dá e volta a tirar ao inferno vai parar. Eles, uns mentirosos compulsivos, que fazem da inverdade o método. Uns paspalhos…

Não os quero ouvir. E se distraidamente os vejo ou oiço logo me irrito. Eles jogam com a minha vida. Em troca nem sei bem de quê. Eles saberão? Saberão mesmo? Eu até duvido que esses paspalhos o saibam. Eles fazem parte de um esquema onde são peças inqualificadas e irrelevantes, autómatos sem desejos nem desígnios a não ser cumprir a vontade dos donos. E tentam representar mas só dizem baboseiras e inanidades. Em troca do poder, esse poder que os faz ser impunes e irrevogáveis para poderem depois revogar a irrevogabilidade. Para poder dizerem que nunca disseram o que disseram e que tudo está bem e nós é que só vemos o mal e não conseguimos ver todo o bem que nos fazem.

Não me podem representar que eu não deixo. Mas não me ausento. Aos ausentes eles agradecem. São mais uns que já não contam e só fazem falta os que cá estão desde que estejam com eles. Esses os que legitimam a sua representação. A sua pobre representação…

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