BODAS DE OURO ( Familiares )’

Nota Introdutória: Este texto é de índole meramente familiar e, apesar de partilhado, ele dirige-se particularmente à Família e é partilhado para a todos os seus membros mais facilmente chegar.

Seguindo…

Aconteceram no passado sábado, dia 12 de Setembro deste ano da graça de 2015, as Bodas de Ouro da Tia Carminha ( Carmen ) Azevedo Abreu e do Tio Zé ( José ) Cruz.

Além da comemoração desta data em si, que é sempre uma data digna de com toda a alegria e admiração festejarmos, e por isso festejamos, ela foi também a reedição e retoma das festas familiares que costumávamos fazer sempre que a nossa Avó Micas ( A “ Mãezinha ) enquanto viva fazia anos e que eram a celebração da alegria do reencontro e das saudades familiares.

Passaram-se uns anos e, nessa altura, ainda o nosso Pai era vivo  e o nosso Tio Nel também. Eu sempre admirei este “nosso”. O nosso Quim, o nosso Tone, a nossa Celeste, a nossa Cinda, a nossa Carminha, com “a”, a nossa Lolita, o nosso Mário, etc. etc porque ele significa e define a pertença única e a posse inquestionável. São Nossos! São da Família! E eram estas pequenas coisas que também faziam desses encontros uma celebração da Alegria. E era também nesses encontros que nos assegurávamos que a nossa Avó Micas, para além da sua permanente suave ternura, era um ser de uma sabedoria e memória excepcionais pois ela sabia tudo acerca de todos, fossem filhos, netos ou bisnetos, apesar do seu elevado número e pese a suja já provecta idade.

Era nesses encontros também que, pelas estórias que aí eram contadas, que uns recordavam e outros aprendiam, que sabíamos ou ficávamos a saber que a nossa Família tinha uma história feita de vidas difíceis, com progressos advindos da conquista de tudo porque do nada e com nada nasceram, e que essas conquistas eram o seu traço de união. As casas da Avó Micas e do Tio Nel e Tia Irene eram praticamente uma só, vivia-se em comunidade de partilha e, também por isso, fomos aprendendo que as pessoas se gostavam a sério, que respeitavam uma hierarquia, sentiam orgulho com cada conquista de cada um de seus membros e admiravam supinamente algum deles que, em dado momento, algo de mais conseguia saber. O orgulho que o Tio Nel tinha por nós, por exemplo, era uma coisa comovedora. Eram os filhos do nosso Quim, um Homem que de tudo se desprendeu para dar uma melhor educação e cultura aos seus filhos…

Mas eu lembro-me que quando o nosso Avô partiu ( eu era muito pequeno e da sua fisionomia nem me lembro) e os restantes homens tiveram que procurar outros mundos para que a sobrevivência fosse menos difícil e o futuro mais auspicioso, aquelas casas ficaram casas só de mulheres. Dirigidas primeiramente pela mão dura da nossa bisavó, mulher de forte têmpera mas de grande honestidade, depois pela Avó Micas, um pouco mais amaciada pela sua inteligência e pela união aos Abreus. Lembro-me o quão difícil era naqueles tempos a vida e o que passaram as nossas tias, desde logo para aguentarem o embate da perda prematura do Pai e depois para dignamente sobreviverem. Os homens tinham partido, primeiro o meu Pai por casamento temporão como na altura era hábito, depois o tio Mário e o tio Nel, paqra Angola, França…e depois pela constituição de família. Mas depois as coisas começaram pouco a pouco a acertar-se e a ficar conformes com os tempos…

E foi entrando gente na Família, gente que também passamos a admirar. E do mesmo modo que tínhamos imenso orgulho no nosso Tio Nel, pela sua luta, pela sua bondade e pela sua contagiante graça e pelo nosso Tio Mário, mais jovem, que pela sua juventude e afirmação era o nosso orgulho e o nosso ídolo, passamos a ter o mesmo orgulho pelo tio Fernando, homem bom e íntegro, homem amigo e que com a sua luta e equilíbrio construiu uma Família, uma família dentro da Família, que à sua volta albergou numa comunhão de vida e objectivos. E no Tio Manuel “ Garrincha” que da casa antiga e primeira continuou fazendo a casa de todos, sempre com o seu sorriso franco e aberto e que merece de todos nós, mais a Tia Cinda e suas filhas Celeste Cristina e Lolita, um eterno e reconhecido agradecimento pela forma como durante anos e anos cuidaram da nossa Avó. Costuma-se dizer que na política a memória tem dois dias. Pois na Família ela é eterna! Nunca poderemos esquecer e é de justiça reconhecer e lembrar. Para que ninguém olvide…

E chegamos, enfim, ao Tio Zé Cruz! Não foi o último a entrar mas aqui será para que este texto tenha alguma coerência e fio condutor. Desde logo todos intuímos ser uma excelente pessoa, e todos tivemos razão pois assim se provou! E todos logo pensamos : que sorte teve a Tia Carminha. E aqui podemos acrescentar e que sorte tiveram as outras também! Mas que sorte teve a Tia Carminha, e aqui ainda dela não tinha falado, porque para aguentar o seu difícil feitio, um feitio feito de obstinação, de inquebrantável querer e de teimosia sem fim ( ela era a fiel depositária do sangue “ Azevedo”), mas que mostrava sempre no fim o seu coração de manteiga, só mesmo um “santo” homem como o Tio Zé Cruz para a temperar. E ficamos todos a gostar dele. E ficamos a gostar da sua bondade, do seu falar equilibrado, da sua sensatez, da sua paz, da sua alegre bonomia e também da sua “cruz”!

Aguentaram estes anos todos, cinquenta anos, e não olvidando a fase muito difícil e desesperante por que a Tia passou, apresentaram-se frescos, alegres, de bem com a vida e comovidos com a festa que para eles os filhos organizaram e em que nós todos fomos apenas participantes testemunhas.

A FESTA! A festa foi uma festa linda! Foi uma celebração da Família e o recordar de um longo caminho de união e respeito feito. E de agregação como só poderia ser.

O Zé Manel, seu filho, proporcionou-lhes, a eles e a todos nós, condições que eu julgava impossíveis mas que, pelo seu denodo, pela sua coragem e pelo seu trabalho tornou possíveis. Dar-lhe os parabéns, a ele e à Jacinta, é pouco. Só podemos dizer Obrigado! Também ao Rui e ao Mário e à Paula e à Nelinha.

A Festa foi linda e emocionante. Começou pela Missa na Capela da Senhora das Neves, Senhora do Lugar e padroeira de todos, e o Padre Avelino como grande amigo da Família, de toda a Família, esmerou-se! Quis ir além da… e falou, falou, falou, mas sempre dentro daquele sua multipolar e complexa maneira de desenvolver um raciocínio e deu, assim, um teor mais exótico à comemoração. Mas honrou-nos com a sua presença amiga, a presença de um homem a quem tudo perdoamos porque é mais, muito mais, aquilo que a gradecer lhe temos…

Depois o espaço, o ambiente, a comida, a preparação, a variedade e entrega foram inexcedíveis. E convivemos como há muito não convivíamos. Riu-se e chorou-se de alegria. Descobrimos talentos que não imaginávamos na arte de divertir e de contar “chalaças”.  Ficamos ainda mais unidos. Fizemos um “ rewind” ao tempo e saímos de lá reconfortados.

Quanto aos noivos? Estavam felizes. Eles que na Missa até solaram, à noite até discursaram. E a emoção era indisfarçável

Foi a “ Great Golden Familiar Party” que até a foguetes teve direito. Por direito próprio!

E assim se vai fazendo Família…

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