OS SUPER HERÓIS!

 

No meu tempo, muito antes da era Marvel, eram os Cowboys! Devorávamos livrinhos e as nossas mãos eram as pistolas e os dedos os gatilhos, como se fossemos os Kit Karson, os Bufallo Bill, os Billy the Kid, os Texas Kid ando so on…Depois, com o advento da Televisão lá os íamos vendo ao vivo, mas ainda a preto e branco, mais o John Waine e a Cláudia Cardinalle!

Mas depois descobrimos que esses nossos heróis a única coisa que faziam era matar Índios e também malfeitores. Na progressão da conquista dos territórios para oeste eles lá iam ajudando os novos ocupantes a desbravar terreno, desocupando os legítimos donos desses territórios- os Índios- e apoiando esses novos colonizadores na luta contra os malfeitores, os fora de lei, que tudo assaltavam. Desde as diligências aos novos bancos e correios. Eram os maus da fita que depois apareciam em cartazes colocados nas árvores onde estava escrito “ Wanted” e oferecendo recompensa. Recompensa que atraía novos “ out laws” que eles, os nossos heróis, combatiam. Era assim…

Depois vieram os “ Super” Heróis da Marvel, o Batman, o Super Homem e depois Mulher, o Homem Aranha e depois a Mulher também, o Aquaman, o Thor, o Hulk…toda uma legião de gente que sendo humana detinha o poder de se transformar para impor o Bem e defender a Terra (a América, bem entendido) de todos os males e de quem a prejudicar quisesse. De um lado os Bons e do outro lado os Vilões, que não eram “ super” mas também eram “ heróis” para poderem dar luta. E assim é que estava bem…

Eu nunca fui apreciador destes novos “ heróis”, agora “super”, pois para mim tudo era o desfazer da pureza original, do romantismo que também associávamos a outros, esses bem mais terráqueos e com diferentes condimentos, como aquele marinheiro do Colto Maltese, por exemplo. Eu já era mais crescido e já era o tempo de outros heróis.

Mas, entretanto, esses “Super Heróis” foram evoluindo, foram-se adaptando mas também envelhecendo e aquele sonho da América imbatível e inviolável foi-se esbatendo, até ao dia que não compareceu nenhum “ Super Herói” para evitar aqueles ataques às Torres Gémeas e ao Pentágono e a perda de tantas vidas. Perderam força, deixaram de possuir aquela “ kriptonite” que poder lhes dava e passaram à vulgaridade. Passaram a desfilar nos carnavais das criancinhas, os seus fatos.

Mas da imaginação passou-se à realidade e a verdade é que, principalmente a partir dos oitenta do século passado, começaram a surgir novos “ super heróis”, primeiro chamados de “ yuppies” e depois de “ lobos”. “Lobos” com caverna em Wall Street mas depravando tudo à sua volta. E ganharam poder, cada vez mais poder, foram para o exterior, conquistaram grandes sociedades, depois governos, os bancos, os reguladores, começaram a manobrar os políticos e a impor os seus chefes. São os “Super Heróis” do nosso tempo, eu não conheço outros, mas mudaram de matriz. Já não protegem o bem : são donos do bem e do mal, são “ deuses”. Mais ainda que “ super heróis”, mas têm uma coisa em comum: impõem respeito!

E lá foram espalhando pelo mundo os seus capatazes e em Portugal também. Não sei se recrutados pelos grandes “heróis” ou se por simples adesão à sua causa, à causa do grande governo do mundo e lá surgiram os “ Super Juízes”, os “ Super Procuradores”, os “ Super Governadores”, os “ Super Ministros”, primeiros e segundos etc. numa genealogia que a própria Marvel não desdenharia. Para combater o Mal, todos aqueles que não se conformando a tanta submissão insistiam em manter vontade própria. Mas eles, além de “Super”, arrebanharam ainda grandes aliados : Os Jornalistas, pretensos “super”, a quem deram todo o poder. O poder de denunciar, o poder da moral impor e o poder de julgar. E o poder de zelar pelo Bem de quem os nomeou e paga. Do bem, sempre do bem mas contra o mal: os outros!

E durante quatro anos, quatro maravilhosos anos, tudo lhes correu às mil maravilhas. Esta “ Gothan City” encheu-se de pequenos “super heróis”. E ocuparam tudo, venderam tudo e tudo deram em troca. Até que algo de inesperado aconteceu : apareceu um proposto pretendente a “ super herói” também, ameaçando desbanca-los. Foi um sobressalto! O choro foi compulsivo e a raiva incontida. Depois lá foram acalmando ( falta de “kriptonite?”) e a imprensa até aí toda homogeneizada, hegemónica e de cor e sentido únicos, lá se foi cansando de falar em “ usurpação do poder”, em “ golpe de estado”, em “ aliança contranatura”, em “ querer ganhar na secretaria” e quejandos e percebendo que tudo isso já não colava à realidade e que o tal “ direito divino de governar” se confrontava com a dificuldade em constituir uma maioria.

Num estertor de possibilidades ainda tentam jogar nas contradições dos apoiantes do novo proposto “super herói” e garantem vir aí o fim do mundo em cuecas. Mas este permanece mudo e quedo e remete para mais tarde a fala, não vão os seus novéis poderes entretanto desaparecer e se transformar em mais um “super herói” bufo em quem ninguém depois acredita.

É que isto está a ficar mal de “Super Heróis”! O último que eu conheci e que supunha dono de poderes absolutos, provenientes do facto de duas vezes ter nascido, de nunca se enganar e de raramente ter dúvidas e, ainda, de tudo prever e de tudo previamente avisar, foi Cavaco e até ele se estrepou! Afinal não tinha calculado tudo. Nem ele nem todo aquele acervo de servos conselheiros que ele mantém naquele seu castelo, qual castelo do Dr. Destino!

Acabei de me lembrar também do Portas, do Portas Sacadura e também Cabral. Este também tinha super poderes! O poder, desde logo, de transformar derrotas em vitórias e o condão de fazer de votações de 8 ou 10% maiorias absolutas. E o poder de falar de igual para igual dentro da sua coligação como se a força maior fosse. Mas até esses poderes se desvaneceram a ponto de agora se perguntar: afinal que valho eu? Mas ele, resiliente que é, ainda pensa ter esses “ super poderes” e diz que vale a Coligação e lá vai pensando como fala e falando como não pensa!

Ao que chegaram os “ Super Heróis”…

PS: Apareceu agora mais um e veio muito “ Calvanizado”! Assim um misto entre bispo Moacir e agente de seguros troikiano…um tratado!

O José Eduardo Martins, pessoa que prezo, veio em sua defesa, e muito bem, alegando que aquela expressão em inglês por ele utilizada “ An Act of God” existe e quer dizer isso mesmo.

Nada a opor mas, também em Inglês, quando chove muito diz-se : “It rains cats and dogs”. Traduzido quer dizer: “ Chove gatos e cães” ou cães e gatos, como queiram. E se levássemos a tradução à letra?!!!

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