Obrigado PASSOS, Muito Obrigado (2)!

Eu tinha escrito um texto sobre o “ sobressalto “ que tu, Passos Coelho, tiveste nos últimos dias- mais propriamente a seguir ao debate do Orçamento de Estado e com incidência vincada no último debate quinzenal- quando  sobressaltado descobriste que tinhas esquecido o malfadado Banif e deste uma autêntica reviravolta na tua estratégia, um “ flik Flak” mais que perfeito, e passaste a basicamente concordar com o novo Governo nas decisões que tem tomado e com particular acuidade na questão da necessidade de fixar o défice de 2015 abaixo dos 3%  e de, hoje mesmo, em relação à decisão do caso Banif em que afirmaste que terias feito no essencial o mesmo.

Mas já não me interessa a tal tua reviravolta porque o que escrevi já está ultrapassado por este teu humilhante ajoelhar depois de tanto teres dito, vociferado e esbracejado. Já fizeste a inevitável separação com o teu cônjuge de ocasião e já caíste  na tal “real” que muitos comentadores te aconselhavam: a viragem ao centro.

Ver a tua anterior bravata e ver esta tua estranha humildade dá que pensar. “Há mouro na costa” ou “ Cheira a esturro” diziam os antigos. Está agora mais que óbvio: a tal “ saída limpa”, vestida de triunfal linguagem na altura por parte do teu parceiro e pantomineiro mor do reino- Paulo Portas- sem reflexo na realidade, está agora posta a nu e, realmente, perante a ausência de festejos populares, como na altura escrevi tu, o Rei , saíste à rua com toda a tua nudez.

Mas, ao contrário do que costumo fazer, pois normalmente não faço citações e escrevo apenas o que penso, vou aqui reproduzir duas citações que, para mim, ajudam a retratar os tempos que vivemos, uma de Geraldo Vandré e da sua famosa música “ Disparada”, enunciando a necessidade de “ consertar” e outra, uma citação de Luiz Sepúlveda, citando uma citação antiga de Otto Von Bismarck, metáfora à autofagia dos Povos e do seu constante “ Hara Kiri “ perante o desmatelar das suas riquezas. E, por último, a primeira versão do título deste texto “ Obrigado Passos, Muito Obrigado”, escrita e publicada em 06 de Fevereiro do corrente ano e que agora tem a sua sequela.

Em “Disparada”, canção de Geraldro Vandré que ganhou o Festival de TV Record de 1966 ex-equo com a “Banda” do Chico Buarque,  Geraldo dizia: “…Aprendi a dizer não, ver a morte sem chorar, a morte o destino tudo, a morte o destino tudo, eu venho pra consertar…”. Para consertar o que tu fizeste e omitiste, estás a ver?

Creio que ainda no século dezanove Bismarck dizia acerca dos Espanhóis: “ A Espanha é dos países mais fortes do mundo e leva séculos destruindo-se a si mesma sem, todavia, o conseguir…”.

Ora esta metáfora aplica-se em rigor ao teu Portugal e aos teus Resgates: Em meia dúzia de anos foram-se mais de 30 mil milhões para pagamento de juros e cerca de 20 mil milhões para “salvar” Bancos. Aparte disso “entregaram-se”, “entregaste” melhor dito, quase todas as riquezas pátrias por um prato de lentilhas ou “ dez reis de mel coado”, como usa dizer-se! Tal como outrora esbanjamos as especiarias das Índias, as rotas comerciais e o ouro dos Brasis. E nunca aprendemos.

Só podemos, portanto agradecer-te, agradecer-te  a quem tanto nos últimos anos fizeste. Obrigado, portanto, Passos pela tua saída “limpa”, eu diria mesmo mais branca que o Omo, a clara de um ovo ou a alfazema, e pelo “buraco”, uma “cratera” mesmo que deixaste escondido nas barbas do outro Costa, o do Banco de Portugal.

Para mais uma vez te agradecer aqui replico o referido texto porque o acho perfeitamente actual e a ti dignamente ajustado:~

https://aesquerdadozero.wordpress.com/2015/02/06/obrigado-passos-muito-obrigado

 

 

 

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