A BOMBAR!

Passos Coelho terá afirmado que se (ainda) fosse chefe de governo do País este estaria a “bombar”!

Estaria o País? Não, ele é que está a “bombar”! Digo mais, a “ribombar”! É que ele, mesmo não sendo efectivamente o chefe do governo, mesmo que pense que ainda o deveria ser, ele “bomba”! Digo melhor: Ele “ribomba”! Porque, na verdade, ele não tem feito outra coisa na oposição senão “bombar”. E “bombar sim, mas de asneiras. Como se costuma dizer: “cada tiro, cada melro” ou “cada cavadela, cada minhoca”!

O Expresso deste fim de semana noticía que Passos Coelho terá aconselhado Maria Luís Albuquerque a aceitar o tal emprego na “ Arrow”, em acumulação com o estatuto de deputada. Já o tínhamos ouvido declarar que não via qualquer incompatibilidade na coisa, coisa risível porventura e que tal seria apenas chicana política, secundando deste modo a mesma. Ao clamor nacional de todos os quadrantes verberando tal atitude, ele respondeu à sua medida.

Da questão ética já muito se falou, e aqui eu também (“A Ética da Marilu”), mas o que verdadeiramente surpreende é a postura de Passos Coelho enquanto líder político da oposição.

É que Passos Coelho, para o bem e para o mal, foi Primeiro Ministro deste País durante quase cinco anos. Pretendia continuar a sê-lo, e tinha esse direito por ter ficado à frente nas eleições, mas não o é porque não recolheu apoio suficiente dos eleitos pelo Povo para ver aprovado o seu programa de governo. E a partir daí ele “passou-se”, transtornou-se ou entrou num caminho de cegueira, como queiram. E entrou num quase estado de negação. Uma negação democrática e institucional.

E essa tendência cada vez mais visível para um certo desvario, que começou na intempestiva ruptura da aliança eleitoral que foi a eleições, tem sido manifestado de diversas formas. A saber:

1- Primeiramente ao decretar que o seu grupo parlamentar não iria votar, nem a favor nem contra, qualquer de alteração ao orçamento na sua especialidade, ausentando-se por completo desse debate democrático. Coisa nunca vista.
2- Em segundo lugar ao não comparecer no almoço de investidura do novo Presidente da República, ainda por cima pessoa do seu partido, para o qual tinha sido convidado, trocando esse acto institucional por um debate qualquer com militantes do seu partido em Londres. Nunca visto também.
3- Em terceiro lugar, este destemperado e de difícil compreensão apoio à decisão de Maria Luís, de que este insólito e insolente conselho, ao arrepio de qualquer sentido de ética e do senso comum, é testemunho. Nunca tal coisa tínhamos visto…
4- Por último, esta recente decisão de não apoiar compromissos internacionais deste governo que ele próprio antes ratificou, o que demonstra uma interpretação do “Sentido de Estado” deveras anacrónica. Já tinham visto?

Que pretenderá Passos Coelho com este inopinado conselho? Desviar Maria Luís de uma futura corrida à liderança do PSD, já que muitos a davam como uma forte candidata à liderança do partido? Não o deve ser pois isso seria uma autêntica tontearia pois Maria Luís, com esta sua decisão, deverá ter, por certo, liquidado qualquer hipótese de lá chegar. Se o foi é desvario, portanto.

Mas então porquê? Esta é a pergunta que se impõe a tão inusitável comportamento. A resposta não é de fácil percepção nem óbvia, mas é óbvio que só pode tratar-se de uma coisa: De cegueira!

Por um lado, de cegueira intelectual, política, ética e institucional e, por outro lado, de uma cegueira que reporta à falta de bom senso.

Cegueira política porque, depois de alcançada a quase normalidade e a aquiescência da sociedade à solução de governo encontrada e à sua postura e actuação, só um cego é que não vê o quanto extemporânea e fora do contexto tem sido a sua postura.

Cegueira cívica e ética porque não lembraria ao mais pintado, que ainda preze algum rigor ético e moral na política, defender como normal que um ex-governante saia do governo e leve, de imediato, as informações relevantes que possui para uma qualquer empresa que o contratou por isso mesmo.

Resta a cegueira intelectual e institucional e que remete para a política: Mas que Política? Mas que valores? Mas que postura Institucional? Que irá defender a seguir? Quem o poderá levar a sério.

Isso: Depois de tudo isto, quem mais o poderá levar a sério?

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