UM AMERICANO TRANQUILO

Nota Prévia : Eu sou um grande e confesso admirador de OBAMA! E chorei naquela noite de Novembro de 2008 quando, depois já das cinco da manhã, o vi confirmado Presidente dos EUA. Foram, para mim, quarenta anos de espera, desde o entusiasmo ainda juvenil que me causaram as marchas dos negros pelos Direitos Cívicos, comandadas por MARTIN LUTHER KING e em cujas primeiras filas se encontravam músicos e cantores que me habituei a admirar, como Pete Seeger, Joan Baez, Peter Paul and Mary e outros, até ao dia em que vi um negro eleito Presidente dos EUA. E foi aí que eu me reconciliei coma a grande América. Por tudo o que já por diversas vezes aqui expressei, o realizar de um sonho, um sonho que foi invocado por todos os negros que lutaram e marcharam atrás de Luther King e por todos os brancos que o seguiram e apoiaram, e por ver, finalmente, na Casa Branca um ser oriundo do “melting pot” em que se transformou essa grande nação.

Também sofri aquando da sua reeleição em 2012, mas também aí eu me emocionei quando notei que OBAMA se conseguiu impor pelo seu brilhantismo e inteligência e que a sua pele era apenas um pormenor de importância pouca face à sua afirmação como Estadista e Homem exemplar. Tudo isto depois de quatro exaustivos anos, anos em que a economia mundial sofreu a sua maior catástrofe desde os anos trinta do século anterior, e em que, ao arrepio de uma Europa possuída pela inépcia e pelo torpor, ele aplicou medidas Keynesianas para recuperar a Indústria Automóvel, para recolocar o Emprego em níveis de crescimento, onerou os impostos dos mais ricos e pôs o seu País a crescer.

Sou um seu grande admirador, sem dúvida!~

Continuando…
Mas não, ao titular este texto de “ UM AMERICANO TRANQUILO” não me vou referir ao célebre romance de Graham Greene, nem ao filme homónimo realizado por Joseph Mankiewwicz, que tinha por fundo a guerra do Vietnam. Não, não tem nada a ver com isso.Não, eu vou falar de um AMERICANO TRANQUILO, de seu nome BARACK HUSSEIN OBAMA, da sua afirmação pela naturalidade, mas também do seu brilhantismo. E também dos seus mandatos.

É sabido e reconhecido o seu percurso académico e profissional e o seu envolvimento com a comunidade, antes mesmo de se ter tornado Congressista e se ter candidatado a Senador pelo Estado do Illinois. E é também por todos reconhecido como se transformou, logo a partir da inauguração da sua Presidência no Líder mais respeitado do Mundo. Mas eu vou falar de um AMERICANO TRANQUILO.

Com efeito a naturalidade com que OBAMA e a sua Família pisaram o solo de CUBA, depois de tantas décadas em que os dois Estados estiveram de costas voltadas e do impiedoso e criminoso bloqueio que a nação que representa impôs aso seu vizinho, é digna de ficar registada nos anais da História e é definitória do Homem que exerce o cargo de Presidente dos EUA e da Família que ocupa a Casa Branca. Só ele e ela o poderiam ter feito, desta maneira tão natural e tranquila.

É que num tempo em que tanto se fala de corrupção, de políticos sem estatura moral e cívica, de vidas e patrimónios obscuros, de faltas de sentido de Estado e de serviço públicos, de pessoas que ficam cegas pelo poder e se tornam prisioneiras do mesmo, é de salutar alegria verificar que ainda há pessoas dignas de ocuparem os cargos que ocupam. E OBAMA e MICHELLE (na tradição Americana a Primeira Dama é um valioso suporte do Presidente) são um caso que devia ser paradigma.

Na verdade, tanto a postura aberta e sorridente de Obama, como a sábia sobriedade de Michelle e mesmo a timidez contida de suas filhas, são características de uma Família que nunca se deixou encandear pela notoriedade e fez da sua passagem pela Casa Branca uma passagem necessária porque obrigatória e um tempo de tranquilo crescimento.

E o que se observa é que a Família OBAMA nunca deixou de ser uma Família que transitoriamente mudou de casa pelo serviço do pai. Manteve sempre as mesmas rotinas como se em Chicago estivessem e para onde certamente voltarão. E onde voltarão a ter os mesmos amigos, os mesmos colegas, a ir às mesmas igrejas, às mesmas escolas e às mesmas associações.

OBAMA é um Americano Tranquilo, um homem que enfrenta as multidões sempre da mesma maneira: olhando-a e interpelando-a. Com a sua potente e colocada voz, uma voz quente e apelativa, chamativa e envolvente, e a sua renomada oratória, ele capta as atenções sem precisar de quaisquer “tiques” ou desenhadas poses. Sempre assim actuou e quando se dirige a alguém em particular até lhe pisca o olho como que a dizer: isto é para ti! Não sei se tem consultores de imagem ou de marketing mas ele não precisa. Obama é Obama e ninguém tem o seu carisma.

Por isto e por muito mais me parece que só uma pessoa assim se poderia ter abalançado a este histórico passo, simplesmente por convicção e não por qualquer interesse privado ou “lobista” e enfrentando, quiçá, um maior número de vozes contra que a favor, incluindo a forte e poderosa comunidade cubana anticastrista residente na Flórida e com tanta naturalidade se passeie pelas ruas de Habana.

Mas porquê? Porque OBAMA sabe ler os tempos e aproveitar as suas oportunidades. E isso só um bom político consegue: Um político com valores, como ele, que tem a seu lado uma mulher brilhante e uma família normal.

Vai deixar saudades…

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