É MUITO LONGE…

…Respondeu ontem Manuela Ferreira Leite na TVI24 a José Alberto Carvalho quando, no final do seu colóquio com este, lhe foi perguntado se iria a Espinho assistir ao congresso do PSD.

A frase é sintomática e culmina uma entrevista em que, realmente, confirmou ser longínqua qualquer sintonia sua com Passos Coelho. A distância é mesmo muita e embora seja já dos anais a tensa relação entre os dois, com negas recíprocas è entrada de ambos nas listas de deputados em diferentes ocasiões, Manuela Ferreira Leite nunca deixou, ao longo dos últimos mais de quatro anos, de criticar a deriva direitista do PSD no anterior governo, nem de censurar a sua insensibilidade social durante o mesmo período.

De modo que continua a mostrar-se céptica perante o anunciado propósito de recolocação ideológica e programática do líder actual do seu partido ( Social Democracia, sempre! ), por não vislumbrar na sua actuação como chefe de oposição ao actual governo qualquer sinal nesse sentido e achar aberrante a estratégia até agora seguida que, para além de imobilista, menoriza e apouca os seus deputados.

Mas este “ É MUITO LONGE…” parece também querer significar alguma desesperança em que possa, por esta via e com este líder, ser possível essa retoma da matriz social democrata que ela diz estar na sua génese e sempre o ter sido. Diz ela, reafirmo. É muito grande a distância que os separa e não valerá a pena, no seu entender, calcorrear tantos quilómetros em busca de nada quando, mais a mais, nem tem nenhum carro para rodar…

Seria mesmo um tremendo “espinho” ir a Espinho, tanto mais que, para desgraça de todos, nem Marcelo o congresso terá para animar as hostes.

Com efeito, arriscando uma única forma de fazer oposição, uma oposição pela negação, à espera que em qualquer momento a “coligação” parlamentar que apoia o governo se desuna e ele possa depois ganhar eleições, não obtendo tal estratégia qualquer sucesso nos próximos mas curtos tempos, Passos Coelho arrisca o vazio a a falta de consistência para enfrentar os próximos desafios que se lhe avizinham: as Autárquicas e a renovação interna na recolocação ideológica e programática que anuncia.

Mas faz isto sentido? Não faz muito e dizem os seus ainda velados críticos internos que “ a transposição do governo para a oposição está a ser feita de forma traumática” e que Passos se deixou enredar no “ seu próprio labirinto”, à espera da tal “carta” que nunca chega, tal como o coronel do famoso romance de Garcia Marquez “Ninguém Escreve ao Coronel”! E Marques Mendes fala mesmo de “ Um caminho com forte componente auto destrutiva”.

Na verdade, que restará de Passos se tal suicida estratégia se mostrar imprópria? E mesmo que, em tese, tenha sucesso, que poderá ele oferecer de alternativo? É que tanto os citados Marques Mendes e Manuela Ferreira Leite, como agora também António Costa, lhe têm repetidamente lembrado que já não é primeiro ministro. E António Costa disse-lhe mesmo, ainda há dias, ser pura perda de tempo a sua insistência em que se discutam as reformas do seu governo…

“ É MUITO LONGE…” quer também dizer que há uma enorme distância entre o ultra liberalismo que foi praticado e a social democracia que se quer praticar ou, dizendo o mesmo, um longo caminho para passar de uma coisa para o seu oposto sem perda de credibilidade.

O que será para Passos Coelho passar a ser-se, a partir de agora, Social Democrata?

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