A GRANDE MISTIFICAÇÃO

1- Da COBARDIA.

Mistificação: a acção por cujo efeito se pretende a manipulação, a ilusão ou o engano e que resulta de um exacerbado cinismo. Ou um descaramento ou desfaçatez que advém de uma ignóbil cobardia.

Toda desta adjectivação está consubstanciada na inqualificável frase proferida pelo Ex PM Passos Coelho, e li hoje que a reiterava, e em que este refere mais ou menos isto: que “o Ministro da Educação, que já ninguém sabe se o é ou não o é, tem outros interesses que não os da Educação”.

Ora, uma frase destas não se profere assim de ânimo leve e resulta, em primeiro lugar, de uma grosseira ausência de sentido ético e de Estado e, em segundo lugar, de uma tremenda falta de educação, para não dizer mesmo de “canalhice”.

Com efeito, se pretendia minorar ou apoucar o TIAGO BRANDÃO RODRIGUES, o Ministro da Educação em funções, o seu tiro saiu disparado para o ar. Por ser novo (38 anos) e não ter experiência política ou partidária? Por ser manobrável? Saiu-se muito mal, Sr. Passos Coelho, e fica-lha muito mal. E repare porquê: é que você acabou a licenciatura com 37 anos, não foi? Foi! E com os mesmos 37 anos, o que apresentava já o TIAGO? Uma experiência incomum, uma série de doutoramentos, um percurso notável de cientista e um trabalho mundialmente reconhecido na área do tratamento precoce do cancro! Comparação consigo? Nem se enxerga sequer? E no plano cívico, você que nem sabia que tinha que pagar impostos? Não se enxerga mesmo?

Instado pelo PS e pelo Governo a esclarecer quais os interesses e provar o declarado, Passos Coelho remete-se ao silêncio, um silêncio próprio dos cobardes, dos que atiram a pedra e escondem depois a mão. Mas lá vieram os seus apóstolos costumeiros, com paninhos quentes e falas mansas tentar desanuviar o mau cheiro, mas com aquele cinismo de mistificação feita, dizendo primeiro Marques Mendes que o ex-PM estaria a restringir-se apenas ao campo político, mas depois um outro lá veio acrescentar que o que o ex-PM queria dizer era que o Ministro da Educação estaria, de facto, ao serviço da Frenprof e dos interesses do Mário Nogueira.

Mas, se assim é, Passos Coelho estrepou-se mesmo pois o Mário Nogueira já era. Já não cola. E já não cola há muito. Não se lembra? O tipo deve ser mesmo instrumentalizável e foi-o há uns anos quando, em conluio com Vexa, fez marchar sobre Lisboa, e por duas vezes, a grande maioria dos Professores. Para exigirem melhores condições de trabalho e salário? Não, estavam contra a “avaliação”! Estavam contra a Ministra e contra Sócrates. Não se lembra que, depois ainda, e quando Vexa já era 1º Ministro e lhes cortou qualquer coisa como um quarto do seu ordenado e lhes retirou condições de trabalho, eles já se tinham cansado e deixaram de marchar? O trabalho de Mário Nogueira estava feito, tinha ajudado Vexa a derrubar Sócrates. Mário Nogueira é um querido amigo, não é? Novamente consigo, não será? Quem assim se cala e deixa utilizar o seu nome…nunca será em vão!

2- Da LIBERDADE DE ESCOLHA

Ouvi ontem uma mãe de uma aluna de um Colégio Privado com contrato de associação dizer que exigia ter “liberdade de escolha” para colocar a sua filha a estudar onde bem entendesse! Dito da maneira como o disse, aquilo já remetia para “slogan”. O “slogan” da “liberdade de escolha”, que também pode dar um “funk”, ou outra coisa qualquer…

Mas quanto às “liberdades” vejamos: a minha filha vive em Lisboa e não teve “liberdade” para pôr o meu neto num infantário privado. Porquê? Claro, era caro! Mas teve, e felizmente que teve, a “liberdade” ansiada de o colocar num infantário Público, que era o que desejava por ser a custo reduzido. É a chamada “liberdade” ao contrário!

Tenho familiares também em Lisboa que usam a “liberdade” que têm para porem os seus filhos a estudar num Colégio Privado, um renomado Colégio Privado, ali às portas de casa, mas por essa “liberdade” pagam para lá de um balúrdio. Eu li que, nesses melhores Colégios, se chega a pagar mais de 500 Euros de propinas mensais por aluno, fora as refeições. Eles exercem a sua “liberdade”: a de pagarem! Mas, já que é ali mesmo ao lado de casa, as crianças vêm almoçar a casa pois, caramba, a “liberdade” também tem limites, não é?

Donde resta a pergunta: o que é, afinal, esta “liberdade”? Estamos falados…

Mas, já agora, e utilizando o “slogan” daquela senhora que reclama a sua “liberdade de escolha”, e só existe escolha quando há pelo menos uma alternativa, como ficaríamos se todos os pais da Escola Pública ao lado, que está assim a meio gás, também lhes desse numa de reivindicar um lugar para os seus filhos nessa Privada ao lado e que tem contrato de associação com o Estado? Como seria? Qual seria então o critério? Quem seria mais “livre”? Como se exerceria a tal “liberdade de escolha”? Ou melhor, como se exerce essa “Liberdade”? Boa pergunta, não é?

3- Da POLÍTICA

A Direita quer fazer deste caso, um mero caso de gestão de dinheiros públicos e que se imperasse o bom senso por aí mesmo ficaria, um cavalo de batalha para, relembrando as suas legítimas posições conservadoras, afirmar o seu inequívoco espírito de classe. Mas, fazendo-o do modo e com o argumentário a que temos assistido, tudo isso me impele a achar apropriada toda a adjectivação atrás referida.

Pois como o faz? Truncando, insinuando, adulterando afirmações, levantando suspeitas, ameaçando represálias, utilizando meios ínvios (crianças a mandarem cartas e a irem para manifestações…), para fazer do caso um caso político e onde os julgamentos de carácter estão sempre a pairar…

Mas a sua argumentação chega, no entanto, a raiar o absurdo. Marques Mendes, o oráculo semanalmente presente e sem contraditório na SIC, lá vai dizendo que não se trata de qualquer luta político-partidária (notem), mas que “contratos” são “contratos” e se são “contratos” são para cumprir. Mas, no entanto, ele sabe e todos sabemos que eles vão ser cumpridos até ao final da sua vigência. E isso já foi repetidas vezes afirmado e reafirmado pelo Governo!Em que ficamos, então?

Hoje, na Antena 1, ouvi eu um comentador residente (Raul Vaz)perguntar porque é que o Governo resolve despoletar o problema a dois anos do fim dos contratos? Eu ouvi e fiquei perplexo! Queriam que fosse no fim, era? Então aí é que seria o bonito… Mas voltando a Marques Mendes, este diz ainda que se trata de uma “questão de confiança”! E aqui o assunto pia mais fino. Como de “confiança” se eles vão ser cumpridos? Estão a ver a metamorfose?

O grande problema é outro e para não citar aqui pois é longa, aconselho a quem ainda não viu a ver aquela reportagem da Jornalista Ana Leal que a TVI passou e está na NET, pois ela é absolutamente eloquente acerca do que subjaz a tudo isto e a Jornalista parece que foi depois despedida. O que subjaz é que, durante anos, deixou-se que à volta da Escola Pública fossem sendo construídos Colégios Privados que foram “roubando” alunos à Escola Pública que, em muitos desses casos, mostra agora ocupações de cerca de 50%. Na reportagem também se vai vendo quem são essas pessoas e a quem estão ligadas.

E chegamos então ao ponto: os colégios estão construídos, os negócios em marcha, o dinheiro do Estado vai correndo, os contratos têm a validade de três anos, ok, pronto, mas…configuram, segundo eles, os tais “direitos adquiridos”!É esse o ponto e não outro.

Sócrates já tinha mostrado intenções de acabar com isso mas foi destituído e veio o governo Passos-Portas. A metamorfose tinha sido bem construída, no final de mandato o anterior governo reforçou os contratos mas…nem este governo, o novo governo, nem este Ministro, apelidado agora e também de “esquerdista”, o mais à “esquerda no governo”, não estavam mesmo nos planos… e argumenta com tudo o que é de mais tolo, avisa que os colégios vão pôr o Estado em Tribunal ( só se for por cumprir os contratos ), assusta as crianças, que vai ser delas, e dos professores, os tais 4.200 que, segundo eles, vão todos para a rua…

Mas olvidando-se que, por tudo isto, foram-se 30.000 Professores do Ensino Público. Só Professores! Foi o ajustamento, nós sabemos. Tudo foi ajustamento, todos sabemos. Agora não, agora é a “liberdade” que está em causa…A “sua liberdade”.

E eis que surge o omnipresente Marcelo, apesar de tudo a sua secreta esperança. Que só fala depois de ouvir Costa, diz. E eu sinto-me curioso: que dirá Marcelo? Não sei o que dirá, mas sei uma coisa que ele, como Constitucionalista, terá sempre que dizer: o Presidente existe para fazer valer a Constituição, é o seu garante e que portanto…Mas vai continuar a apelar ao bom senso, à coesão social, aos consensos, ao fim das crispações etc. Mas nunca poderá renegar a Constituição e a defesa da Escola Pública aí consagrada.Isso não o vai fazer.

O princípio universal é o de que nenhum governo responsável pode duplicar custos, seja do que for, quando tem ao seu dispor soluções. O contrário é que seria criticável. Por isso deve continuar a fazer contratos de associação aonde não existem alternativas, deve continuar a apoiar o ensino corporativo e da Igreja onde ao longo dos anos se foram prestando serviços à comunidade para além do próprio ensino, mas deve ser criterioso. Não é razoável que se paguem serviços a duplicar. Tudo bem, agora…” direitos adquiridos”? Por amor de Deus…

4- Do ANEDOTÁRIO.

Mas, depois de tudo isto, surgem ainda argumentos muito interessantes, anedotários queria eu dizer, como o de um tal António Costa, aquele jornalista do Económico, creio que é deste jornal, aquele que há muito nos habituamos a ver na TV, a defender o ajustamento, os sacrifícios, a inevitabilidade e não sei que mais, aquele de cabelo lambido, óculos redondos e uns suspensórios que não lhe deixam cair os pensamentos…estão a ver quem é, é esse mesmo, esse que opina por tudo e por nada e que nesse jornal escreveu há dias um artigo que tinha por título “ O Ajudante do Nogueira”, ou coisa assim parecida. Mas estão a ver o sentido, não estão?

Mas o que é que ele diz? Que tem três filhas e que as colocou às três a estudar num Colégio Privado. Que tinha que ser, não só em nome da sua “liberdade de escolha”, mas também porque não queria ver as suas filhas pra li misturadas sabe-se lá com quem, mas…tem que pagar e sente-se injustiçado e revoltado porque tem que pagar! Lembram-se daqueles meus familiares que também têm essa “liberdade” e pagam e não bufam? Ele não quer pagar e não quer pagar por
causa da “liberdade de escolha” e diz: eu pago os meus impostos (como todos pagamos) e tenho ainda que pagar o Colégio Privado das minhas filhas e, portanto, tenho direito a ser ressarcido dos meus impostos!

Bem, isto é do anedotário, é verdade, mas vem de um comentador de TV, dos jornais. De um “escroque”, é o que é, mas de um opinador. Mas a nossa Direita pensa assim. É por natureza egoísta, mas moralista. Para ela não haveria Escola Pública paga pelos seus impostos. Como eles pagam os seus Colégios porque pagar a Escola dos outros? O Estado, pelos seus impostos, é que tem que pagar a sua, privada, elitista e segregadora. Assim pensa a nossa Direita, de facto.

Vejamos também a novel Presidente do CDS Assunção Cristas. Ela tem quatro filhos. Estarão no Público ou no Privado? A resposta não será difícil, como difícil não será ler o seu pensamento. E também ela fala em nome da “liberdade”, da “liberdade” das Famílias, Famílias a quem o PS virou costas, diz ela, acusando ainda o Governo de não querer saber das Famílias, dos problemas das Famílias. Mas o CDS sabe! Meu Deus e como sabe!~

E que não aceita nenhuma lição de moralidade de quem levou o País à bancarrota.. estão a ver a metamorfose? Tem sentido: nós, os outros, somos os culpados, vivemos acima das possibilidades, tátáti tátátá e levamos o País à ruína…

Eles, os que fogem aos impostos, os que sugam o Estado, os que roubam o Estado, os dos fundos sem fundo, os que têm montada a “rede” à volta do Estado, os dos “direitos adquiridos”, os das subvenções, os grandes devedores à Banca, os que levaram Bancos à falência, todos esses…esses não, fomos nós, nós e os Socialistas…

Agem como uma “seita”, como uma “quadrilha” e quem é o líder? O outro “noviço” foi tratar da vida (ou foi gozar a vida?) mas deixou uma “noviça” que sonha em ser também “Madre”…

Sociais Democratas, never… e Democratas Cristãos, nunca!

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