O OGE de 2017 e o TRIUNFO DA GERINGONÇA!

Eu estive a ouvir atentamente a apresentação do OGE de 2017 pela equipa do Ministério das Finanças e o que me mais me preocupava era o exercício feito para, agradando a todos, PS, BE, PCP, Verdes e Comissão Europeia, ser apresentado um Orçamento progressista e dentro dos parâmetros que nos são impostos de Comissão Europeia! E não vale a pena fugir disto, porque fazê-lo, seria cair no irrealismo.

Claro que depois vieram os comentários catastróficos, quiçá de má consciência, diria eu, uns loucos ( Medina Carreira, apresentando gráficos desde os 900, como se este orçamento fosse a redenção de todos os erros passados), outros sóbrios ( Manuela Ferreira Leite, mais em dia com a realidade), outros dedicados aos pormenores ( fiscalistas e José Gomes Ferreira, que antecipam discussões sem fim), mas, de todos, o que para mim sobressaiu foi um comentário precisamente da Manuela Ferreira Leite a quem, pesem todas as discordâncias, concedo ter uma inteligência e uma postura próprias.

Disse ela, mais palavra menos palavra pois não decorei, ainda há pouco na TVI 24, ao lado de Medina Carreira e do Sérgio Figueiredo, também eles Economistas, que também deveremos reter o que o OGE tem de bom! E acrescentou, retratando, no fundo, o que acima eu disse, que “ é obra fazer um orçamento que agrade ao PS, ao PC, ao BE, aos Verdes  e a Bruxelas”.Sic!

Está dito e resume, no meu modesto entender, este exercício orçamental!

Ninguém acreditava, por exemplo, que o défice descesse o que desceu e cumpriria, com margem mesmo, o exigido por Bruxelas! E, agora, mesmo para os arautos da desgraça, parece ser um facto insofismável. Mas, no fundo, qual é a sua importância? É que quanto menor for o défice orçamental menor é a necessidade de o colmatar com mais dívida pública! Significa menos esforço de endividamento e mais libertação de verbas para investimento ou para colmatar injustiças anteriormente cometidas!

E isto é mais que importante, é importantíssimo! Mas como se consegue ou conseguiu? Aí é que está, e será talvez a causa mais importante por que a direita não aceita estar fora do poder. A direita não compreende, nem quer compreender, e não perdoa mesmo, que seja através da redução da despesa, do seu equilíbrio, mesmo repondo rendimentos, reposição de salários, redução de sobretaxas, actualizando pensões etc. e etc.  se consiga reduzir o défice público…

A tal despesa, ou gorduras do Estado, como dizia Paulo Portas há uns anos que, prometia ele, iria reduzir em quase dois mil milhões. Lembram-se? E essa redução foi conseguida à custa de quê? Do eliminar do “saque”, de que todas as estruturas à volta da direita beneficiavam, da tal “rede” que gravitava à volta do estado de que Pacheco Pereira avisou e falava, A “rede” que o condenava e servia sempre de moeda de troca, por parte de Portas, para o seu apoio a medidas do governo de então… para que conste!

Não há milagres, e este governo não os fez nem é capaz de fazer. Convencer Partidos como o PCP, o Bloco de os Verdes da realidade e fazer acordos com bases em denominadores mínimos, tendo sempre por sustentáculo o desejo de não voltarmos à inevitabilidade do antigamente, é obra! E é uma obra salutar e de louvar. E é que nenhum perde identidade e nem por isso descem nas sondagens…antes pelo contrário!

E como eu disse, muitas vezes, foi nisto que eu votei! Como amplamente já escrevi, ciente das contrapartidas, das imposições e do desacreditamento que esta aliança sofreria.

Mas ela foi, com pragmatismo e seriedade, capaz de se afirmar, a ponto de se tornar numa solução perfeitamente aceitável e estável. E este OGE vem confirmar.

Essa foi, para mim, a grande vitória da “Geringonça”. A vitória da credibilidade e a vitória de quem soube trilhar um caminho diferente e fazer o que tinha que fazer e fazer melhor!

Este exercício Orçamental já não tem a carga dúbia do anterior, nada ouvimos do PCP, do Bloco ou dos Verdes e da direita o que ouvimos é a sua desilusão pelo aumento dos impostos…indirectos! Daqueles que são opção individual, como a compra de um carro novo de alta cilindrada! Mas que pena eu tenho, como tenho daqueles que têm bens imobiliários com valor em sede de IMI de mais de 600 mil Euros, muitos deles com rendimento. Tenho uma pena infinita deles e quase me apetece chorar…

A direita está confusa e ao fim de um ano ainda não compreendeu. Não acredita como foi possível, nem se dá ao trabalho de perguntar…

Mas eu explico-lhes o que mudou. E o que mudou é que, agora, a oposição ao Governo não é o PSD ou o CDS, mas sim o PCP, o BE e os Verdes! São esses que lhe exigem rigor, transparência e equidade. E o que se chama a isto? Um Governo decente…nada mais!

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2 thoughts on “O OGE de 2017 e o TRIUNFO DA GERINGONÇA!

  1. Paulo Azevedo says:

    O Medina Carreira não é economista. É licenciado em direito. Há muita gente a fazer passar-se por economista sem as devidas habilitações, como sejam o Gomes Ferreira e o Camilo Lourenço

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