RIR, SORRIR ou CHORAR?

Embora eu nunca deixe de algo escrever, mesmo aos fins de semana, normalmente não publico nestes dias. Porquê? Porque saem os Semanários e há aqueles programas todos em que um número infindável de avençados se dedicam a escrever e a falar, tentando “ensinar-nos”, com os seus profundos dotes de oratória, dialética e profundeza de pensamento, o que deve ser a forma politicamente correcta de ver a vida e os tempos. E a sua espuma…

Dos jornais só leio as primeiras páginas, como muitas vezes já disse, e se algo houver de mais proeminente aparece depois no Facebook ou nos Blogs, e desses ditos programas ainda vou vendo o “Eixo do Mal”, mas não deixo de ficar cada vez mais perplexo e com vontade de parar de ver e ouvir.

Que se discute aí, afinal? O nada! A espuma e o ridículo. Mas para o ridículo estamos cá nós, não precisamos deles e as espumas, como as da cerveja e outras, são excrescências! Precisávamos da sua opinião, se o conseguissem, era para coisas mais sérias, mais directas, mais redundantes, sem medos…Assim, para quê os ouvir se aquilo que desejam, e apenas desejam, é ficar bem na fotografia? Na fotografia do politicamente correcto? Uma pobreza, é o que é…

Mas há uma coisa que há muitos anos aprendi: Nunca nos devemos rir dos pobres de espírito! E acrescento: nem tão pouco sorrir.

E o que a grande maioria deles fazem, continuando a falar da espuma, como se da espuma se pudesse aferir a boa cerveja, é um grandessíssimo frete à Direita que, à falta de mais, também só se dedica à espuma. Um até chamou “nabo”,” nabo” e morto, ao Ministro das Finanças, mas a esse já aqui respondi! E assim os ajudam, solidariamente, tal qual a restante imprensa, mas essa nitidamente comprometida, a procurarem os “milagres” de que necessitam para a sua sobrevivência. Nos milagres e na efemeridade das questões, que não na “EPHEMERA”, pois esta trata de salvaguardar a recordação e a História, das quais e dos que as promovem nunca rezará a História.

Mas depois disto dito, não fazendo alarde da minha verdade, que ao contrário da deles nunca é absoluta, vou explicar, se tiverem paciência para me ler, o porquê do título dado a esta crónica: RIR, SORRIR ou CHORAR?

Um destes dias Fernando Medina, actual Presidente da Câmara de Lisboa, recebeu em audiência a líder do CDS Maria de Assunção Cristas, sua concorrente também às próximas eleições, e ela foi lá fazer o quê? Ouvir, “in loco”, de Fernando Medina, que as contas da Câmara estão bem e que se recomendam.

Isto é, o que os seus ouvem e lêem nas sessões camarárias, nas assembleias municipais e outros relatórios que são emitidos, só podem ser do domínio da ficção. Resultado e conclusão da candidata Maria de Assunção: Então se há dinheiro, que tal reduzir impostos, acabar com taxas e gastar à tripa forra? É o que ela tem para oferecer, ao ver que não foi “milagre” dela! É para rir, para sorrir ou para chorar?

O candidato do PSD ainda não perguntou nada mas, seja ele quem for, também não deixará de perguntar: Então se há dinheiro porque razão não fez mais? Ele faria mais, muito mais e mesmo não sabendo que “milagre” terá acontecido, porque nem ele sabe ainda se o será, nem sei se hei-de apenas sorrir, para não chorar!

O candidato do PSD à Câmara do Porto, que não sei o nome nem isso importa, deu uma entrevista a um jornal e, pelo que dela li, tentou dar um ar de comicidade à coisa. E diz ele então que Rui Moreira, um liberal travestido de esquerdista, está rodeado de “esquerdalhos” ex-comunistas por todo o lado, menos por um e só por isso não é uma ilha, e que só realizou um quarto daquilo que prometeu! Eu não voto no Porto, mas havendo aqui um insofismável “milagre” de percepção, se ali votasse, aí ria-me a bom rir e não pensava sequer em sorrir ou chorar…

Mas a nossa direita é assim: acredita em “milagres”. Sempre acreditou e tal qual Portas, no anterior regime, achava um milagre o crescimento do turismo, Pires de Lima elevava para o domínio do “milagre” o aumento das exportações. E Passos dizia o mesmo em relação ao “aguenta, aguenta” dos portugueses. Mas também quer fazer agora da questão dos SMS um novo “milagre”: o da ressurreição de um assunto para todos já encerrado. Até para o Presidente!

E não é por eles o desejarem que me sinto angustiado, não de raiva pois esse sentimento eu não consigo ter, mas de pena e comiseração por toda essa imprensa comprometida, que já não admira, mas por todos esses pensadores que insistimos em ler e ouvir e que lhes dão acolhimento e troco. E aqui sim, aqui não me dá nem vontade de rir, nem de sorrir tão pouco, mas apenas de chorar ao ver gente tão liberal (como quase todos agora se definem, pois é mais abrangente) e tão inteligente a caírem na armadilha de considerarem real um fogo fátuo. E choro de tristeza…

Mas Passos Coelho, este sim, é o único deles todos verdadeiramente habilitado em assegurar a verdade e autenticidade de um “milagre”. Pois senão recordem aquela célebre entrevista que ele deu à TV, ainda nos prolegómenos desta nova maioria. Quando perguntado se a nova estratégia económica, sustentada nas devoluções de rendimentos, reversões e aumento do consumo privado, por essa via, era viável, ele respondeu: Impossível!

Mas imaginemos, insistiu o perguntador, que de facto essa estratégia corre bem e… Impossível, voltou a responder. E explicou: Para se poder devolver num ano, e sem dinheiro, aquilo que nós nos propúnhamos fazer em quatro, só com uma coisa que não é comum: com um “Milagre”! E tirará consequências? Claro, disse ele convictamente: se isso se concretizar eu passarei a defender o PS, o BE e o PCP! Mas aqui, confesso, só me deu para sorrir…

Não falo da Marilu pois essa só dizia “impossível” mas nunca falou em “milagres”. Mas a Passos Coelho sim e, assim sendo, é de lhe propor duas coisas. Uma simples pergunta, derivada do seu compromisso, e que é: Então, como é? E a outra é propô-lo para aquela comissão do Vaticano, como leigo está claro, de verificação de milagres e atribuição daqueles graus todos até se chegar a Santo.

Mas um conselho amigo, Passos Coelho: Vá antes para esta que nós a defender-nos não o queremos! É santidade a mais…

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