DESCULPEM, MAS…BASTA!

Tendo entrado no Facebook há cerca de cinco anos, tornei-me algo interventivo e, impulsionado por familiares que achavam que eu devia fazer um BLOG, um deles criou-mo, pois isso eu não saberia fazer. E lembrei-me, de imediato, que não me considerando um “zero à esquerda”, mas não me considerando nada daquilo que me diziam eu ser, chamei ao BLOG “ aesquerdadozero@wordpress.com”.

Quer dizer: não me sentia um “zero à esquerda”, mas estava “à esquerda do zero”, isto é, de esquerda, mas de nulo valor. Assim como os chamados “juros negativos”, estão a ver?

Durante um pouco mais de quatro anos escrevi regularmente. Apenas no verão do ano passado estive quase três meses sem escrever nem publicar, por ser verão, é claro, mas não só. Também por motivos pessoais, isto é, por decisões que tinha e tive que tomar e que coartavam a minha vontade de escrever.

Recomecei a escrever e a publicar o que escrevia, partilhando sempre no Facebook com os Amigos que tinha, e são poucos (cerca de duzentos e destes eu vou eliminar para aí uns cinquenta, pois não me dizem nem me acrescentam nada) tudo o que publicava no meu BLOG. E ao longo destes pouco mais de quatro anos publiquei nada mais nada menos que 356 (trezentos e cinquenta e seis) textos, sobre os mais diversos assuntos, com relevância natural para os temas políticos.

Mas ao longo destes tempos eu apercebi-me de várias coisas. A primeira é que um texto mais longo, por muito sério que fosse, dificilmente era lido. A segunda é que a caricatura e a crítica a alguém ou algo que é acontecimento, em determinada altura, é logo mais lida. A terceira é que caricaturando alguém de quem não se gosta, todos aquele que também desse alguém não gostam, logo aproveitam para exercer sobre o mesmo os mais diversos comentários…

Mas também criamos um estilo. Cada um tem o seu e, ao longo deste tempo todo, nunca me arvorando em dono da verdade e nunca pretendendo falar do que não sei, consegui, em muitos dos meus textos, incutir um tom sarcástico e irónico que, quando assim era, tinha de imediato muito grande aceitação. Um deles, partilhado por outro Blog, um Blog de referência, foi lido ou visionado por 26 mil pessoas! Foi-me dito pelo próprio.

A ponto de um importante BLOG (o tal), muito lido e seguido, ter começado a partilhar alguns textos meus. A ele o meu muito obrigado. Ganhei muitos seguidores, Amigos mesmo, e algum respeito pela minha maneira de escrever. Disso não me esqueço e a todos agradeço. Mas isso criou-me quase que uma obrigação, que eu não estou disposto a ter, e reparei que, os últimos textos que escrevi e nesse Blog foram partilhados, não tiveram quase leitura. Porquê? Porque eram diferentes. Num falo dos “Administradores Não Executivos”, essa aberração que, no entanto, convoca necessidades de estudos e leis sem fim, para um único objectivo, o “Tacho” e poucos quiseram saber…

O outro, logo de imediato, acerca dos “Terroristas” ou sobre o “Terrorismo”. Deste ainda menos alguém quis saber. De modo que eu tenho que concluir que, um pouco à semelhança dos crimes que aconteceram hoje em Barcelos, o que interessa à imprensa e televisões é o lado “voyer”, o lado macabro, o medo subjacente e, depois, aquilo que eu apelidei de “ O que Vale um Ser Humano”? Isto é, os Seres Humanos, perante as Leis, perante a Moral e perante a Dignidade Humana, são iguais ou não o são? E mostrei-me perplexo com o alheamento a que são votadas todas as outras mortes, aquelas que não nos dizem respeito, que são longe ou que, mesmo sendo mais perto (no Mediterrâneo, por exemplo), são de gente de “cor”, como dizem, de cor diferente da nossa. Menos Humanos, portanto…

E isto indigna-me. E indigna-me que ontem tenham perecido mais duzentos “pretos” ao largo da Líbia, fugindo da miséria, da guerra, da morte certa, do abandono e do sem futuro, e a notícia não fosse objecto de qualquer segundo na televisão. E outra coisa que me indigna também é que, havendo um atentado em Bruxelas, em Londres ou Paris, a preocupação imediata seja: há algum Português? Dos outros temos pena, mas…só são notícia quando são de perto!

O Padre da minha terra (de quem, aliás, sou amigo e muito considero), na sua boa vontade de incutir a sua doutrina e o seu espírito Mariano, dizia: Vejam caros paroquianos, a nossa freguesia é a maior do concelho e nenhum dos nossos morreu na guerra! Porquê? Foi Nossa Senhora, foi o nosso apego a Nossa Senhora. Nada contra, mas eu perguntava-me: e os das freguesias ao lado…que lhes faltou? Digo isto apenas, reiterando a minha amizade e respeito por ele, grande amigo há longos anos da minha Família, para simbolizar aquilo que nós, implícita e mesmo irracionalmente, tendemos a pensar e a reagir perante os mais diversos acontecimentos. Com egoísmo, isolamento e distanciamento.

E cansei-me um pouco de tudo isto e de, pretendendo através da escrita ultrapassar constrangimentos que me afligem, estar à espera de reconhecimento para me sentir mais aliviado. E isto torna-se um “garrote”, uma quase adição ou uma quase obrigação a que eu não estou disposto a ceder.

Portanto, e para finalizar, serve este texto para anunciar aos meus queridos Amigos, os que me costumam ler com frequência e outros que apenas ocasionalmente o fazem, que tomei duas decisões:

Primeira: Não deixarei de escrever, mas o que escrever apenas será publicado no meu Blog. O Blog acima indicado.

Segunda: Deixarei de partilhar no Facebook os textos que vier a escrever. Se os lerem no meu Blog e os quiserem partilhar, façam o favor, ele é público. Não proíbo.

Com o maior respeito e Amizade por todos! Obrigado.

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One thought on “DESCULPEM, MAS…BASTA!

  1. Virginia paiva says:

    Pensa melhor! Os teus textos sao importantes e, confesso, mais faceis de ler e partilhar se estiverem no FB, que agora me cortou os acentos..

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