MORREU O TONE MARIA

 

Foi um dos ícones da minha juventude e, apesar de dois ou três anos mais velho, foi meu parceiro no futebol jogado no terreiro de S. Roque e grande companheiro de farras de juventude.

Há uns anos atrás escrevi aqui um texto sobre o TEIXEIRA, que eu sempre considerei o melhor jogador de futebol que passou pelo Terreiro, que titulei de : “TEIXEIRA, O MEU MARADONA”! Tal era a sua qualidade como futebolista que, de tão superlativa, não merecia outro epíteto. Morreu cedo, infelizmente.

Mas era sobrinho do TONE MARIA e bebeu dos seus tios todos, do Eduardo, do Santana, do Vitor…todos, mas principalmente do TONE MARIA, os dotes futebolísticos que no texto exacerbei.

O TONE MARIA, tio do Grande TEIXEIRA, honrando a Família, foi talvez o futebolista de maior referência na nossa terra, Góios, e jogou a extraordinário nível tanto no Góios, que a todos ganhava, como no Marinhas, no Esposende e, mais tarde, no Gil Vicente como profissional. Eu ia muitas vezes com ele ver os treinos e aí desfrutei do grande gozo que era ver a exigência do Meirim. Mas da sua aura como futebolista todos os da época sabem…

A Família era dona  da Barbearia em Góios e o seu pai, o Tio Bítolo (Vitor), mais a Tia Bertelina, eram pessoas deveras queridas e consideradas. A sua Barbearia era ponto de encontro, onde se falava de futebol, de tudo e onde principalmente se brincava. Ainda me lembro de um dia em que o Tio Bítolo, na sua permanente bonomia, entrando uma criança amiga minha toda empertigada, lhe disse: olha meu menino, vai ver se está a chover em mim lá fora! E ele obedientemente foi…e foi, mas não chovia!

O TONE MARIA que era folgazão, também “ajudava à missa” e, tempos depois, concluí que isso era apanágio das Barbearias porque no “Berto Bicheza” era o mesmo ou ainda mais elaborado. Chegava a mandar pessoas incautas irem à praia de Esposende ver o monstro-homem que tinha dado à costa com uma chaminé no ombro! E a gente chorava a rir…e também já “ajudava à missa”!

Mas, tal como no “Berto Bicheza” como em qualquer Barbearia da época, havia sempre uma guitarra e uma viola que  apenas eram “arranhadas” e por pura diversão. Na Barbearia do “Tio Bítolo” o TONE MARIA era nitidamente o que tinha mais jeito e, mais tarde, já na nossa juventude, pertencendo eu ao seu grupo de farra, e visto que ele já tinha carro, um Fiat 600 !, percorríamos tudo o que era antro de diversão! E ou caíamos no Fojo ou no Tio Pepe, no Martins da Apúlia, não falando já de casas de honorabilidade mais duvidosa!

Eu carregava sempre a minha viola e ele cantava e maravilhosamente! Queria que eu tocasse fado e acompanhava-o na sua guitarra, que ele arranhava e eu, mesmo não sabendo fado, improvisava e inventava! E numa dessas míticas noitadas no Fojo lembro-me de, em pleno 25 de Abril, estarmos a cantar o “AVANTE CAMARADA” e o velho pescador “Sorriso”, carregado de álcool e de sono também acompanhar, cantando: “Avante Camarada Avante, Avante Camarada Avante e vá…”! E eram sorrisos a rodos…

Mas ele era um artista no improviso e ficam para a posteridade estas célebres quadras suas quando, improvisando um fado de Coimbra, cantou: Eu nunca fui académico, nem tão pouco escolástico! Sou filho de um sibarítico, que era um perfeito anatómico”!

Para sempre TONE MARIA! Para sempre velho Amigo!

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