A OPERAÇÃO “MARQUES VIDAL”…

Esta cena do aparecimento quase em simultâneo do Passos passado e do Cavaco mumificado a propósito da não recondução da Marques Vidal no cargo de PGR, já foi por muitos estudada, criticada, escalpelizada, explicada e direi mesmo traduzida mas, no meu modesto entender, todos esses estudos se enredaram no mesmo e nenhum foi ao cerne da questão!

Quer dizer: todos se limitaram a criticar a oportunidade, a falarem de uma qualquer hipotética estratégia que lhe estivesse subjacente, no porquê de tanto afã na defesa da recondução da dita, tudo isso foi falado e escrito, por vezes num tom de rancor e desprezo legítimos mas desapropriados, mas sempre referindo o óbvio, mas sem irem ao âmago da questão!

E o CDS, por acaso, até que isso percebeu antes da restante distraída direita e isso cavalgou porque se lembrou das razões por que a Marques foi eleita PGR e achou que, numa altura de vazio de causas com vincado interesse público, era importante lutar pela sua recondução. A restante direita veio depois a reboque, verdade seja dita.

É que o que a nomeação da dita representou foi a exposição descarada e exponenciada de casos que envolvessem pessoas ligadas à Esquerda a começar por Sócrates.

Para quê? Para tentarem em primeiro lugar, a partir da prisão de Sócrates, do envolvimento deste em casos e mais casos e do possível conluio de membros dos seus governos nesses mesmo casos, denegrir a mesma Esquerda, associá-la a esses comportamentos e, assim, fazer com que a opinião pública se esquecesse de todos os casos em que a direita e seus membros estivessem comprometidos!

Esta foi a estratégia e disso não tenham dúvidas! E foi isto que durante estes anos se passou e, por exemplo, na Televisões que casos é que passaram repetidamente? Apenas a Operação Marquês! E o BPN? E os Vistos Gold? E os Panamá Papers? E a outra? E mais a outra ainda? E o BES? E o Banif? E…e os Submarinos? E as Tecnoformas, já agora também?

Foi para isto que a “Operação” Marques Vidal nasceu e foi por tudo isto que a sua não recondução tanta raiva provocou em quem a nomeou. Porque ela estava ciente dos deveres de “missão” para que foi nomeada, principalmente o de fazer arrastar aqueles em que a sua gente amiga estava indiciada e concentrar tudo o resto num só: na Operação Marquês, tendo Sócrates como responsável por tudo e por todos os casos!

Como, já desde o caso Freeport, a opinião pública tinha já a sua opinião formada, tudo o resto seriam achas para uma fogueira já feita em forno de siderurgia!

A estratégia suprema da direita é evitar a todo o custo e usando todas as armas de que possa dispor, legais e ilegais, ajustadas e não ajustadas, legitimas e não legitima…todas, mas mesmo todas, que as Esquerdas sejam Governo! Não é isso claro? E a estratégia até que estava funcionando e não fossem a resiliência de Sócrates e o pragmatismo e os categóricos resultados deste Governo (das Esquerdas) até que poderia sair vitoriosa…

Mas não saiu e, abstraindo-me agora das razões pelas quais Marcelo resolveu não a reconduzir, se foi por uma questão de longevidade na função, se pela sua recondução vir a produzir atritos na sua relação com o Governo e com a sociedade civil, fosse pelo que tivesse sido, a direita perdeu este “round”…

É que apesar de muita gente ter entrado ao longo destes tempos numa certa deriva justicialista, naquela do que agora é que vai ser etc. etc., muita mais já percebeu que a Justiça tem os seus tempos, os seus trâmites e a as suas normas e que o no fim o que interessa são três coisas: que seja célere, que seja igualitária (dê as mesmas faculdades à defesa que dá à acusação) e seja isenta e justa!

E essa massa de gente também já percebeu que, através das constantes fugas ao segredo de justiça, vindas sempre de dentro, ela pode e tem sido utilizada, politizada e parcializada, e que a sua exposição pública de maneira que, por tão exagerada e reiterada, se pode considerar um verdadeiro nojo, acaba por não ser justiça nenhuma!

Esta reacção inadequada, de latente cinismo e rancor e de tão considerável despropósito vinda de gente que deveria ter sentido de Estado prova que, mesmo tendo tido cargos de Estado, este nunca lhes vestiu a pele…

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