AS MANIF’s CONTRA OS INCÊNDIOS!

Vejo nas redes sociais, nomeadamente no Facebook, que algumas pessoas, algumas minhas amigas mesmo, me convocam para uma Manif que é, segundo eles, ” Contra os Incêndios”!

Mas eu não vou, não vou e não vou! Isso não significa que seja a favor dos incêndios, era o que faltava, antes pelo contrário! É que, é do senso comum, somos todos unanimemente contra os incêndios, exceptuando os incendiários. Manifestar-me, ou desfilar, melhor dito, contra os incendiários? Aí até vá que não vá…

Mas, dou por mim a pensar, e escrevo como vou pensando, quer acreditem ou não, o que é realmente um incendiário? Será apenas aquele que faz fogos ou não será também aquele ou aqueles  que os provocam? Tal como as violências várias, incluindo aquelas que instigam crente e ingénua gente sedenta de justiça? Nem que seja ela assim tipo ” de Fafe”?

Incendiário também pode ser aquele ou aqueles que se aproveitam de uma situação mais vulnerável para provocar um escusado confronto, aproveitando essa vulnerabilidade para dela tirar imediato proveito, tal como aqueles que saqueiam depois de uma guerra ou catástrofe, ou mesmo, neste caso concreto, quem, perante um sentimento de incapacidade humana perante o impossível e o dantesco induzir os ingénuos e desinformados numa culpabilização, dizendo que, com eles, nada disso sucederia!

E é disto que se trata e se movem estas Manif,s, pretensante contra os fogos.

Por isso mesmo eu, não sendo contra as Manif,s, no sentido estrito do termo, raramente na minha vida nelas participei. Principalmente quando elas eram contra algo em concreto e, nomeadamente, ” ad hominen”.

Mas em desfiles já participei e em muitos. Celebrando nuns e reinvidicando noutros. Celebrando o 1° de Maio ou o 25 de Abril, a conquista do Europeu ou coisas assim ou desfilando pela Paz, pela Justiça, pelos direitos das minorias, pela saúde universal e gratuita, pela defesa da Constituição, em suma, pela Democracia!

Mas também já desfilei contra algo: contra o vazio, por exemplo, contra o alheamento, contra a impunidade, contra a corrupção, contra a insensibilidade, contra o arbítrio, contra a Desumanização e contra qualquer absolutismo.

E, já agora, e como parêntesis, quero dizer que ” desfilar” não é “marchar” contra, para tomar ou destruir: é apenas para lembrar e reclamar! E lembro-me daquele célebre desfile de Martin Luther King em Washington a que malévolamente chamaram de “marcha sobre Washington”, pretendendo associá-la a uma manifestação violenta, quando ela era absolutamente pacífica.

Mas desfilarmos por causas globais, mesmo que fracturantes, que indiciam um progresso da humanidade e uma adequação aos novos tempos e à sua maneira de estar e pensar, e que são inequívocamente inerentes à condição humana, reclamando adequadas políticas públicas, não é o mesmo que ir a uma Manif para, sob a capa e de uma coisa em que somos unânimes ( ser contra os incêndios), aproveitar-se o facto para a culpabilização ou responsabilização imediata de quem sendo seu opositor e estando no poder politicamente tem que responder, para daí tirar proveito político e minar a maioria parlamentar que o sustenta.

E aqui, sem quaisquer hesitações, é o que se verifica. Basta olhar e verificar quem convoca e quem diz pretender ir. Eu sei que muitos, movidos por um natural sentimento por um lado de revolta e por outro lado de compaixão e humanidade, não se apercebem do essencial desígnio da convocação. Eu sei! Mas quando isto disse a uma pessoa amiga e bem entendionada que queria ir, e livremente podia ir, ela de imediato percebeu!

É que eu, por mais que matute e pense, não contestando nunca a liberdade de manifestação seja de quem for, se não for violenta, não consigo perceber o porquê de uma manifestação contra algo em que somos literalmente todos contra!

O Povo diz que “depois de casa roubada tranças à porta”! É dos livros. É que o Estado falhlu e falhou rotundamente, digo eu. Mas quem é o Estado? Que fique bem claro: somos todos! E cada um com a sua pequena ou grande quota de responsabilidade. Falhou, e foi fatal, no nosso egoísmo. Falhou quando durante mais de cinquenta anos, nos conduziu à emigração e ao abandono da agricultura. Falhou quando lhe deu a estocada final e, nos macabros tempos do Cavaquismo, negociou a tenebrosa PAC. Falhou antes quando nos obrigou massivamente a ir para uma guerra longe da Patria. Falhou quando, no ajustamento, sob o chavão da improdutividade e do não há alternativa obrigou milhares e milhares de jovens a emigrarem. E quando, querendo depois que regressassem, lhes oferecia uma côdea em relação ao que lá fora ganhavam…

Falhou também quando, depois e na sequência disso tudo, foi retirando às populações do interior tudo aquilo que significava Estado: o Hospital, o Centro de Saúde, o posto da GNR, o Tribunal, os CTT, a Estação dos Caminhos de Ferro, o Autocarro e a Escola! Resultado? O óbvio! A culpa? De todos…e de ninguém…

Que adianta fazer roteiros mais roteiros para verificar o óbvio? Para culpar ouros quando a responsabilidade é também, e em grande medida, sua? É tal qual este, este que disse que “não iria andar por aí…”, mas que não resistiu à tirada oportunista e labrega do ” sinto vergonha do que se passa”… Vi um popular na TV que lhe respondeu, a ele e a todos: ” não há que meter culpas, não havia hipóteses”. A não ser que, num assomo de lucidez, pretensesse dizer que ” tinha vergonha de tanto incendiário”…! Ele, incendiário?

Sim ele, ele o que os mandou emigrar, serem resilientes e  também não serem piegas! Vergonha? Vergonha eu também sinto, a de ter sido governado por gente da sua estirpe, da estirpe de Salazar, de Caetano e de Cavaco. Disso me envergonho e vergonha porque  simplesmente governaram este País.

Claro que depois da fase da ilegitimidade deste governo, da fase da sua clara inconsistência, da iminência do seu fracasso, das multas de Beuxelas, da sua mais que certa capitulação e da vinda de um diabo que se escafedeu…, verificando-se em tudo todo o seu  contrário, a situação emergente destas catrástofes foram um enorme lenitivo para toda a direita e seus correligionários e, sob a batuta de todos os seus assalariados nas TV’s ( principalmente na SIC,  impestada deles) e dos jornais, dos comentadores dos opinadores e demais assim assim, logo vieram imputar as óbvias responsabilidades aos actuais governantes  e, acolitados pelo Presidente, afirmar que já não tinham a confiança do Povo e do seu Presidente. Vejam só…

Parece que as sondagens não dizem bem isso. Mas sondagens são sondágens, não é?

E faz-se de santinha a direita e a D. Cristas, sua chefe por ora, que diz que, como a sua fé é superiormente ouvida, com ela nada disto se passaria! E pomba: Moção de Censura em cima, ultrapassando o PSD pela esquerda baixa! Ora toma, disse ela para o PSD…

Que lançou o Huguinho! Mas este Huguinho é mesmo um Huguinho!

Que, pasme-se, usou a mangueira! Eu não inventei, foi ele que o disse. Mas para quê?  Para, num acto de altruísmo, de solidariedade, de apego ao colectivo e ao comum, à boa visinhança, ao civismo e a bem do futuro da nossa Segurança Social…regar o jardim!

Disse que não queria dizer, mas disse, que foi ajudar com a sua mangueira num fogo ali perto. Mas disse-me um Amigo de Braga que foi só treta! Não houve fogo nenhum perto da sua casa! Mas usou a mangueira, parece certo.

Uns familiares, garbosos e deleitados, logo disseram: meu Deus, como ele está crescidinho!

Mas um outro, mais antigo e sábio, disse: finalmente…!

PS: Digo e volto a dizer: perante tanta boçalidade, as minhas banalidades são pormenor…

 

 

 

Advertisements
Standard

O REI FALOU! Calem-se…

O Excentíssimo Sr. Presidente da República, quero dizer o REI, porque amigo do Povo como todos os Reis, falou e disse! Mas o que disse? Nada! Como todos os Reis…

Mas, como parêntesis, eu não posso ser considerado um adepto incondicional deste Rei porque, antes mesmo dele ser eleito, eu escrevi umas diatribes acerca do cujo e às quais, como estão escritas, eu não posso renegar! Foram escritas e publicadas no meu Blog, esse que todos conhecem!, nos dias 11 e 13 de Dezembro de 2015 e, com os títulos de ” O Marcelo Nada ( de nadador) 1 e 2 e,  se não se quiserem dar ao trabalho de procurar, eu aqui os Links: http://wp.me/p4c5So-xL ehttp://wp.me/p4c5So-xN

Mas ele hoje falou e disse! O quê? Pouco mais que nada. Mas o Rei Marcelo é o supremo Comandante-em-chefe de todas as Forças Armadas, e chefe maior da Nação, o que quer dizer o seu principal responsável. O responsável supremo, melhor dito.

Ou não? Será ele apenas decorativo? Pois não parece! Pois ele quer saber de tudo e sobre tudo opinar…embora não emitindo veementes avisos como o outro…

Ele comanda, como disse ( mas será que é apenas decorativo?), tudo o que são Forças Armadas, da terra, do mar e dos céus, armadas e não armadas, e já agora ele é, para além disso, dono de tudo o que é político e não político, para além de todos os beijos e abraços e também das Selfies

Mas, perante a calamidade, da qual todos devemos desculpa perante as vítimas pela nossa inoperância e alheamento, os militares que ele tão galhardamente comanda foram para o terreno? Isso era com as chefias…

Demiti-los e já! E os tais meios humanos que faltavam e não apareceram, ficaram onde? Nos quartéis! Fazendo escalas e jogando à sueca, para nào falar em jogos mais “hard”? Isso é com as chefias…

Mas então para que serve o Sr. Presidente, Comandante-Em-Chefe de todas as Forças Armadas e Rei daqui e de além mar, pois temos a Madeira e os Açores para além das Berlengas e das Selvagens, num momento de crise aguda? Para inspeccionar as tropas em desfile, para beijar e para ” selfiar”! E para falar…Mas só!

Ele revista as tropas, certifica-se que estão bem alinhadas, fazem-lhe continência e ele segue hirto e educado. Como manda o protocolo, dele e dos outros todos! Mas que manda? Nada!

Aí ele faz, sem dúvida, de figura decorativa! Mas, no caso premente, o que faltou? O Exército! E todo o mundo notou, Sr. Presidente-Rei-Em-Chefe! Culpa do Governo? Não, de V.Exª, quer dizer, das chefias…já me ia esquecendo…

Mas mais, para além dos meios humanos que todos reclamavam ( não há bombeiros para acorrer a mais de quinhentos fogos, já lhe ocorreu?)  faltou também a sua larga e extensivamente frota, de tudo o que imaginar se possa, pois eu vejo-a amiúde desfilanso aqui pelas ruas da Póvoa e pavoneando-se como que dizendo: “nós existimos”!

Mas elas têm tudo para desfilar, assim como desfilam no dia glorioso da Pátria e da grei, para além de Camões e das Comunidades, como desfilam todos os arsenais que reservadamente possuímos! Só não desfilam os submarinos pois estes, para além de boiarem na Doca de Santos, só andam pelos fundos dos mares, cumprindo funções de elevadíssimo risco…pois estão debaixo de água e isso é sempre um risco!

Mas, veja bem, ainda há quem pergunte, e só pode ser alguém que da sua própria Pátria mostra asco, para que servem as Forças Armadas e, concomitantemente, note a insinuação, o seu Comandante-Em-Chefe! Para desfilar, dizem eles, do fundo da sua enorme ignorância. Deus lhes perdoe, já que a Pátria tal não pode fazer…

Mas é isso, Sr. Presidente: Sua Exª disse nada, e nada é o que eu esperava ouvir, e sem surpresa!

Mas agora, digo-lhe com toda a franqueza Sr. Presidente, esperava mais de si! Para além de, sem quaisquer tibiezas, ter exigido do PM a demissão da Ministra e de toda a gente do aparelho de Estado, que como dizem os doutos comentadores falhou, enfim, menos da sua, o único imune a qualquer responsabilidade  como qualquer Rei deve ser, S. Exª, tal como a totalidade dos comentadores, opinadores, opinadores disto e daquilo e de tudo e de nada, sabedores e especialistas em tudo e até na “vox- populi”, não referiu nunca aquele pequeno pormenor: é que foram ateados mais de quinhentos fogos numa só noite!

A S. Exª, um ser tão arguto e de pensamento mais rápido que o do Lucky Luck, não lhe surgiu nada? Uma pequena estranheza que fosse? Nenhum acessor, na ausência de sua lembrança ( o Senhor pode ser dotado mas na intempérie de informaçào há sempre algo que pode escapar pois ninguém é sobre-humano, embora haja quem assim faça por parecer…), lhe insinuou sequer: Mas, Sr. Presidente  e Comandante-Em-Chefe de todas as Forças Armadas, do mar,da terra e do céu, é que são mais de quinhentos …! Eu sei, disse V. Exª seca e distraidamente…

E foi assim a decisiva intervenção das nossas Forças Armadas, neste inaudito e inusitado conflito entre as forças do bem e do mal, do mafarrico contra as gentes ordeiras, com o seu Comandante Supremo na chefia!

Tão grandiosa foi a vitória, pesem as mais de trinta vítimas ( pedimos-lhe desculpa), que resta apenas dizer: Parabéns incendiários…great job!

PS: Perante as tamanhas alarvidades que eu tenho ouvido, as minhas banalidades são pormenor…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Standard

A MINISTRA ” Pirómana”!

Rogo-te Costa: demite-a, mas demite-a já, antes que algo ainda de mais macabro aconteça! E ordena que a prendam mesmo. Quinhentos incêndios num só dia? A “gaja” deve ter um exército de jagunços ao seu serviço, só pode ser…

Como pode ser ainda Ministra, até o do lacinho do Expresso, o Nicolau, se interroga, para além de toda uma direita em estado de histeria? Ó Costa: de que estás à espera, pá? Baixa lá o polegar e satisfaz a turba! Imola-a e pronto: fica tudo resolvido, até porque dizem que após muitas rezas e procissões vem aí a chuva…

Mostra lá que tens coragem, meu! E abre-me os olhos: ela é franzina e quando fala parece que lhe vai faltar o ar, de tão débil. Parece! Parece, mas não é! Por detrás daquele ar de quem está prestes a desfalecer, esconde no seu âmago um instinto  cruel e horrível, próprio de uma alma esquisofrénica e sem coração.

Como é que uma pessoa só consegue, ao que dizem porque eu não vi, e também porque a apontam como a única responsável, atear ou mandar atear quinhentos fogos num só dia e em lugares tão díspares e distantes? Tem que ter um exército ao seu dispor!

Sim, porque ela é a responsável pela tragédia, como já o foi em Pedrogão Grande, e assim sábiamente o afirmaram e agora reiteraram a bondosa Cristas e o cristão Abreu Amorim. Ai o que eu disse! Te “arranego” grande satã… Ela tem um Nero dentro dela, eles estão convictos…

Pois é Costa, não te resta outra hipótese senão demiti-la, pede a multidão em estado hipnótico. Tem que haver um culpado, diz ela. Pedras também sobre ela, pecadora impura e ente sem alma, exigem também…

Mas sê audaz e não te fiques por aí: liga ao Rajoy e exige também a demissão do Feijó! É que andam pela Ibéria e por essa Europa fora mais uns quantos orquestrados. Não é que, ao mesmo tempo e no mesmo dia, metade da Europa resolveu arder? Eu até vi um mapa e também imagens da Galiza e pensei que aquilo só em Portugal e tudo isso era apenas prorrogativa nossa! Ledo engano! Afinal têm que mandar demitir o Feijó, o “gajo” da Itália, o da Grécia, o da Roménia e desses países todos, esses os do Sul todos…

E já agora, e também, meu caro Costa: Deixa a Judite e o Ministério Público em paz. Para quê investigarem quem ateou ou mandou atear, num só dia, aqueles fogos todos, se toda essa gente já há muito arranjou um culpado? Eles têm mais que fazer, meu! Acabou o romance do teu ex? Depressa arranjam outro enredo e, alvitro eu, já nele devem estar a arduamente trabalhar…Quem incendearia ou mandou incendiar? Isso é um problema da Ministra e do Governo, ora essa…

Pois pensem bem: Quem comanda a Protecção Civil e nomeia os seus responsáveis? O Governo! Quem contrata os meios aéreos, essa pleiade de helis e granaderos que despejam essa água que tão parca está sobre o fumo? O Governo, pois então! Quem ordena ou ordenou a plantação em massa de eucaliptos, esse ouro verde como dizia o Mira e concordou a Cristas? O Governo, claro. O outro e os outros, está bem, mas este é que está agora e devia era tê-los mandado arrancar…

E as previsões meteorológicas? Falharam e falharam todas. Por exemplo: disseram que já choveria a partir de madrugada e eu só agora, pouco depois das seis da tarde, é que ouvi umas pingas a baterem-se no meu telhado! E os meios humanos, que é como quem diz os Bombeiros? Não há Bombeiros para quinhentos fogos? E se fossem mil, como seria? De quem é a culpa? Do Governo e da Ministra que, perante o sucedido e o que irá certamente suceder, a não ser que a Judite e o MP intervenham, não fizeram uma contratação em massa de novos Bombeiros?

Isso ficaria ainda mais caro que um novo SIRESP, dizem alguns especialistas. Mas quanto custam os incêndios, dizem uma catorzada de outros, principalmente nas redes sociais, tão inocentes e ingénuos?

Eu sei que muitos me vão invectivar do modo mais grosso possível, dizendo-me que não se brinca com coisas sérias. Mas eu direi que é o inverso: é que andam a brincar comigo( e connosco) há já muito tempo e sem eu a a gente se rir…

Porque, e para terminar: há muito quem fale sério só dizendo barbaridades! Eu prefiro dizer banalidades falando sério…

A sério…!

 

Standard

A ANATOMIA de QUATRO MIL PÁGINAS!

Eu nunca estudei Medicina mas dizem que os compêndios de Anatomia têm para lá de muitas páginas. Eu, o máximo que terei lido, devem ter sido os cinco volumes dos Miseráveis, mas não são muito espessos, e os dois larguíssimos do Guerra e Paz! Mas aqui, ao fim do primeiro tomo, já vomitava paz e guerra e até as barbas do Tolstoy já me provocavam pesadelos…

De modo que ler ou estudar quatro mil páginas está muito para além das minhas cogitações!

Mas a primeira sensação que tive ao ouvir a quantidade de crimes que o MP imputa aos constituídos réus da Operação Marquês foi de ESPANTO. Ena tantos crimes, exclamei eu! Trinta e tal para o Sócrates, outro tanto para o amigo, mais vinte e tal para o Salgado e, coisa pouca, meia dúzia ou pouco mais para os restantes. Eu que pensava que os crimes eram só três: os tais de corrupção passiva e activa, o branqueamento de capitais e a fuga ao fisco. Devem ser estes…

A segunda foi de PERPLEXIDADE! É que na descrição dos mesmos eu não vi nenhum daqueles que a gente considera mesmo crimes e a começar pelo de Assassinato! É que nem um, por mais subtil que seja, aparece! Nem uma mais que leve “Vendetta”! E nem um sequer de traição ou vingança e muito menos de violência doméstica! Nem uma bomba debaixo de um carro…Mas que raio será este guião do Rosário?

E dei por mim a pensar que, perante isto, as narrativas e os guiões das novelas, e mesmo das séries de ficção e seus enredos, têm que sofrer um valente “upgrade” de actualidade pois, de outro modo, ficarão  irremediávelmente ultrapassadas.

Não mais o eterno e vetusto triângulo amoroso; não mais a a velada e minuciosamente estudada traição; não mais o acidente ou a emboscada por encomenda e não mais o malfadado assédio…os crimes mudaram de nome!

Agora, com esta acusação, tudo mudou! Quatro mil páginas, crimes a dar com um pau e mil e uma vezes repetidos réu a réu, caso a caso e…nada de violento? Como pode assim ser?

E, para falar apenas de alguns que eu pensava estarem na moda, nem “unzinho” de Lenocídio? Um que seja de Peculato? Nada? É que, sem um Assassínio, um Lenocídio, um Peculato ou mesmo um “Cumulato”, eu pensava que não poderia haver acusação possível! Afinal..

Mas a verdade é que de triângulos amorosos estamos nós fartos e tanto estamos que até deixamos de ver novelas, não é? E maioria do pessoal começou a ver séries. Até as gravam para depois verem! Mas, diga-me lá quem vê: haverá alguma série sem um assassinato que seja? Alguma sem armas ou coisa assim? Na novela do Rosário, a das quatro mil páginas, só aparece um pequeno revólver e…na posse do Perna! E os outros? Que raio de pistolas usariam eles?

Na novela do Rosário não há ligações nem amorosas nem apaixonadas: há ex-esposas colaborantes e namoradas solidárias! Ali não há arqui-inimigos que os queiram ver na lama: há solícitos amigos sempre disponíveis para uma ajuda! Não constam lá aqueles vis e obscuros intermediários que sugam o pelo e o osso por um servicinho: só há almas boas e sempre acessíveis, para facilitarem a sua conta até, sempre no sentido de obviar procedimentos. Basta um simples e formal pedido que ele se transforma numa ordem…estão a ver?

Esta novela “made by” Rosário abriu aos guionistas, narradores e anatomistas, um novo caminho e uma autêntica Caixa e Pandora quiçá! Até a própria Fox vai ter que rever os seus conceitos, para não ficar obsoleta e ultrapassada.

Mas eu não sei se esta radical mudança vai satisfazer os costumeiros seguidores de novelas, nomeadamente os mais solitários e idosos. Não sei não! Mas vão ter que se habituar aos novos tempos. Agora os protagonistas vão voltar a ser os polícias dos costumes e do fisco, Procuradores indómitos e insaciáveis, obstinados também e juízes estetas e austeros, solitários e justiceiros, enxergando crimes em tudo o que mexa, assim como se procuram cogumelos comestíveis nos musgos das florestas!

Esta novela do Rosário, ou esta acusação, para ser mais preciso, é uma grande golfada de ar fresco e, como disse, um enorme clarão que se abre para os guionistas. São novos horizontes nos tratamentos das narrativas. Agora o que vai passar a dar são estes tipos de crimes e tudo o que à sua volta gira: os enredos, as teias, as persuasões, os conluios, as divisões (do produto, é claro!) e todas essas coisas que se resumem, no fundo, a uma palavra: luvas! E não mais serão precisas luvas para os seus sinais, dos crimes, se descobrir.

Mas eu, que nestas coisas sou mais para o conservador, continuo a perguntar: E os assassinatos, agora são só de carácter? E os Lenocídios? São uma espécie de crime menor? E os Peculatos? Já não constam da ementa?

Isto já não é mais o que era, é o que é!

Standard

PPC, um GPS?

Refiro-me muito simplesmente ao seu futuro e a nada mais. Mas desde já aviso que isso de vir a ser um GPS, não tem nada a ver com o Global Positioning System, nem tão pouco daí poderão aferir que virá a ser um Guarda Prisional do Sócrates, um Guardião das Promessas Sagradas, ou mesmo dos Pobres e Senis. Nada disso, mas não o esqueçam  pois lá mais adiante este enigma revelarei.

É que leio e vejo por aí que, desolado pela derrota, terá fugido. Qual quê? Só se fosse do banho ético do Rio! Apenas porque disse que Não Vai Andar Por Aí..? Não, não emigrou, mas já todos esses ingratos o que querem é colá-lo àquele que fugiu quando perdeu umas Autárquicas. Esse mesmo, o Guterres, e lembro-me que na altura também ele ficou sem emprego.

Mas PPC não. PPC só abalou à segunda derrota Artárquica, essa é que é a verdade e, como única coincidência, também ficou sem emprego e isso deixou-me preocupado.

Eu, sim eu, que aqui neste espaço sempre o incentivei a continuar, lhe dei conselhos vários, de como o ajudar a mudar Portugal, por exemplo, e até artigos lhe escrevi agradecendo-lhe o seu recolucionário consulado, mas que ele não terá lido porque, simplesmente, ninguém lhos deu a ler, e até o célebre ” Go, Go PPC, Go…” eu me fartei de gritar… A mim deixa-me muito preocupado. E a vocês, não?

É que eu, sinceramente, não consigo deixar de me solidarizar com quem, nunca se fazendo de piegas, em nome da sua elevada superioridade moral ( eu não sou como outros…, lembram-se?), da sua perseverante razão ideológica, da sua inquestionável integridade e da sua resiliência sem par, de tudo abdicou! Até de ser deputado, notem. E vai então viver de quê?

Ele diz que não vai andar por aí…mas, se não vai andar por aí, vai andar por onde? Vai emigrar? Mas como, se nem deputado europeu ele é? A não ser que esse não vou andar por aí…se refira a uma área restrita, mais propriamente aquela do São Caetano à Lapa, ou à de S. Bento e arredores, mas não à restante Lisboa e Massamá. Ali, sim, ali estava sujeito a um resfriado claustrofóbico.

Mas eu, mais preocupado ainda, mas até ver, volto a perguntar: Vai viver do quê? É que ele vai deixar de ser deputado, não é reformado, não recebe o RSI, não é avençado ( penso eu de que…), não é subsidiado ( penso de que também…) e nem comentador é! Apenas comentado. Não é de preocupar?

Comentador Político? Está tudo ocupado. Escritor de memórias? Ainda é novo e não registou nem roteiros nem avisos. Só desejos e esses saíram furados. De contos infantis, daqueles que fazem as crianças adormecer? Já é velho e, mesmo assim, elas não iriam acreditar nas suas estórias. Pedir novamente emprego ao Lá Feria? Pois, mas a voz…Que dilema, my God!

Mas surgiu-me agora uma luz: se não pode ser Comentador Político, pois etá tudo ocupado e ninguém dali arreda o ass, porque não Comentador de Futebol já que dizem que há para lá uns tipos a precisar de um valente asskik, que é como se diz em estrangeiro…isso mesmo, adivinharam?

Mas como já vos sinto a abanar a cabeça  e a dizerem um veemente “na, na, na…”, eu dei-me ao trabalho de aprofundar a minha meditação e cheguei a uma conclusão. É que por muito que enrole e desenrole as minhas fiéis e espetados cãs, não vejo outra saída que não…ser GPS: GESTOR DE PARTICIPAÇÕES SOCIAIS! Isso mesmo!

Mas perguntarão, e muito bem: Mas de quê e de quem? Suspendam a vossa admiração e sigam-me…

Primeira hipótese: formando uma empresa para gerir as Participações do Relvas e que poderá chamar-se ” O Coelho das Relvas- SGPS”, pois tenho a certeza que no RNPC não haverá outra igual..

E em alternativa, ou acumulando mesmo, uma outra para o Marquês de Mendes, da SIC, de Fafe, de Albergaria e de terras adjacentes, e que se poderá chamar ” O Coelho do Mini- SGPS! Também não vejo que haja igual no RNPC…

E pronto: a ver se desta vez me ouve, ó homem de Deus!

 

Standard

O Regresso dos “Blade Runners”

Ou o regresso de uns ” caçadores de andróides” apostados em libertar uma corporação política de uns quantos  “replicantes” que, já sem pilhas e sem força, a conduziram a um estado de turpor e inoperância nunca vistas!

Quem são eles? Serão eles capazes? De onde aparecem? Que vão eles fazer? Aqui reside o real enredo da novela que, qual romance, vou tentar desenrolar. O novelo, claro!

Consta que são dois policiais, mais ou menos aposentados que, perante a deserção total, resolvem, por razões apenas de imagem e consciência, totalmente coniventes com o ” que se lixe”, resolvem avançar…mas para recuperar também os seus “ismos”,  já claramente há muitos esquecidos: o “Santanismo” e o “Rioismo”!

Mas, perante a realidade actual, causa-me alguma perplexidade o avanço destas criaturas! Pois vejamos: um deles, o Santana, tão bem estabelecido e sentado numa poltrona de sonho, numa Casa que dizem Santa, onde permanece com o beneplácito de todos os anjos deste mundo e do outro, mais ainda do Costa, corre em nome de quê?

E o outro? Sim, esse de Rio, velejador consagrado, dono de um “great river”, iluminado pela doutrina alemã e ainda renomado contabilista, como resolve ir de barco ” Rabelo” para o seu desígnio lisboeta, se sabia que a sua falta de velas, o casco mortificado de tão parado estar, a ausência de motores e a incerteza de manobradores o deixariam sempre naquele vou não vou, avanço não avanço, é desta não é desta? Para quê, se agora há o Alfa, a Raynair, a TAP e sei lá que mais? Em nome de quê?

Tudo isto é dúbio e difícil de perceber, mas eu vou alvitrar: ambos em nome do seu PSD, ou melhor PPD/PSD, e isto porque o “Popular” nunca se deve perder de vista.

Um, o Santana, recordando aquele velho partido por quem tantas lutas travou e da qual ficaram frases pérolas para a história, como aquela ” Não vou estar aqui, mas vou andar por aí…”, e mesmo aquela ” são outros os colos de que eu gosto…” e isto só para citar duas. Daqueles congressos de discursos de ir às lágrimas, tal a sedução encantatória desse ” menino guerreiro”! A “Saudade”, essa palavra intemporal é grave, soou na sua mente de modo irrecusável.

Do outro já disse: do “alemão” bom contabilista, de pensamento parco, mas…tal como o outro, de cabelo grisalho e lambido, bem estirado para trás e escalado e delineado por potente gel fixador.

Mas, hellas, ambos foram beijar a mão ao “padrinho”, e nem de outro modo poderia deixar de ser! Foram ao Costa, portanto, dizerem ambos das suas intenções, explicarem das suas razões e pedir a sua compreensão.

Ao primeiro, ao Santana, terá dito: ” Mas sabes o que vais fazer?”. ” Tenho que ir António, tenho que ir. Sabes o que é aquele impulso, assim quase que como uma mola, tal qual uma paixão, que nos obriga a erguer-me-nós em nome de um superior desígnio…percebes? Mas conto com a tua superior e leal amizade, para uma futura, que até pode ser curta, propriedade da poltrona da Casa Santa”. Percebo, diz o Costa, acrescentando: ” mas porta-te bem, e alega razões pessoais, inadiáveis e irreprimíveis para não ires ao congresso, tá?”

Até o Marcelo, seu companheiro em-chefe, muito preocupado o foi visitar. Foi almoçar com ele, mesmo que o fausto almoço se tivesse resumido a uma simples sandes de leitão, a dividir por dois, ambos frugais e de parco comer. E perguntou-lhe: Pedro, já falaste com o António? Quem, com o Vitorino? Não pá, com o Costa! O Santana, refastelado na sua poltrona, lá lhe respondeu com aquela voz pastosa e ensonada: Já companheiro em-chefe, está tudo acordado! Então avança, diz-lhe o Marcelo, mas não te esqueças: defenestra esse projecto de rio e depois mando-o às malvas. Engraçado: isso mesmo me disse o António! Quem, o Virorino? Não, o Costa!

Mas, entretanto, o Rio, o tal ” alemão” da Foz, também não ousou avançar sem antecipadamente falar com o Costa. Disse-lhe ele que em nome de uma velha amizade, de antigos projectos conjuntos, daquele programas para dez anos com que sonhavam salvar Portugal, dos fogos do S. João do lado de cá do rio, das sardinhas  lá em Alfama…perguntando-lhe: que dizes António, avanço?

Mas o mundo mudou, recorda-lhe o Costa, a vida mudou e até a política já não é a a mesma, Rui. Mas acho bem, acho muito bem e conta comigo! Conto contigo, perguntou o Rui perplexo? Isso, respondeu o Costa assim enfáricamente…

Mas o Rui , não o outro mas este, o Rio, é só digo Rui para não dizerem que do Rio me rio, saiu de lá pensativo e acabrunhado. Que quereria ele dizer com o ” conta comigo”? Se ao menos pudesse perguntar ao Marcelo…

De modo que este apadrinhado regresso do romãnrico sonhador, que até se esqueceu de que já é senador, dono de uma cabeleira grisalha  e lambida e do seu arqui-amigo Rui, o “alemão”, aquele com fama de contabilista mas sem qualquer cadeira de sonho, seu émulo e concorrente na cabeça grisalha, cabelo espetado para trás, alinhado à base de gel, mas bem escalado e delineado, fazendo-me lembrar, como disse o regresso dos ” Blade Runners”, me faz também suacitar a seguinte pergunta:

Qual deles aguentará mais tempo esse cabelo grisalho, esticado e lambido, ambos sujeitos às manobras dos ventos? Qual usará o melhor gel fixante? Vou esperar de poltrona…

Standard

UM HABILIDOSO INÁBIL!

“Habilidadezinha”, disse ele! Tal como eu que, quando não sei o que hei-de dizer, recorro a uma habilidade, mas apenas linguística. Como agora! Mas eu sou eu e ele é ele! E ele, franca e nitidamente, não as sabe usar! É que não se faz perceber, estão a ver?

Daí que Centeno lhe tenha respondido como respondeu, e ele tenha ficado quedo e mudo pois,  habilidade por habilidade, vale incomensuravelmente mais a que tem eficácia.

Por exemplo: quando ele afirma que a votação em Lisboa da sua Leal “Treza” vai ser uma “grande surpresa”, o que é isso se não uma enorme “habilidadezinha”?

Mas porquê, perguntarão e com toda a legitimidade? Porquê este pensamento dúplice? Isto é: quererá ele dizer que a sua Leal “Treza” vai ter uma estrondosa votação que ninguém augura e vai bater a Cristas por um fulminante KO ou nem que seja na linha de chegada e por um mais saliente peito que atinge mais rapidamente a fita? Ou desejará ele, usando essa mesma dúplice habilidadezinha, admitir que, enfim, vai ficar abaixo das suas expectativas e inapelavelmente atrás da Cristas? Pois é…

É que isto tem muito que se lhe diga! Recordem, então, quem avançou com uma candidatura, embora sem candidato, a Lisboa. Quem foi? Foi ele? Não, foi a Distrital ou Concelhia, já nem sei, sob o inequívoco patrocínio do seu visível opositor José Eduardo Martins. Lembram-se? O nome do candidato(a) nunca mais saía, mas o seu opositor, José Eduardo Martins, lá ia fazendo o programa! É que para ele qualquer candidato(a) servia!

Mas o nosso “habilidoso” não estava nem aí: já tinha programa e só lhe faltava o candidato(a), coisa que aos espertalhões desses opositores não cabia escolher, daí que, fosse qual ele fosse e fosse qual fosse o resultado final, nunca tal seria de sua única responsabilidade. Daí que a “Grande Surpresa”, fosse ela boa ou má, teria sempre culpados a correr mal e vencedores a correr bem, sendo que a culpa nunca seria dele, em caso de desastre, mas sim do programa…dos tais opositores! Estão a ver, uma vez mais? E uma mesmo que pírrica vitória (leia-se ficar à frente de Cristas), da por si nomeada candidata seria uma grande vitória e uma “grande surpresa”!

Mas qual vai ser, então, essa “Grande Surpresa”? A “Grande Surpresa”, que ele afirma com toda a sua “habilidade”, e tal como as sondagens indiciam, é a sua Leal “Treza” ficar mais ou menos empatada com a CDU e BE! Quem perde então? O José Eduardo Martins e a estratégia da sua oposição! E se ficar à frente da Cristas quem ganha? Ele, claro, pois conseguiu desvalorizar a sua oposição e enganar as sondagens!

Mas a Leal “Treza” poderá ganhar Lisboa e torná-la efectivamente “Mulher”? Bem, isso é como eu ganhar o Euromilhões, para não dizer o Milhão, mas que Lisboa se pronuncia no feminino e o Porto, por exemplo, no masculino, isso é uma evidência. E que Lisboa, a tal “Mulher”, tem duas mulheres concorrendo contra um homem, também o é. Mas que o homem vai ter o dobro da votação das duas juntas, que mesmo juntas não fazem uma “mulher”, e muito menos uma Lisboa, isso também é seguro. E que a sua Leal “Treza” vai sair dali esbracejando e culpando os dois, também o é.

De modo que o “habilidoso” por muito que não o queira, vai perder sempre: Nem a sua Leal “mulher” vai representar a Lisboa Mulher e, pior ainda, vai ser governada por um homem e a ela restar-lhe-á, mais uma vez, o refúgio do parlamento.

O José Eduardo Martins, esse vai ficar sempre a rir-se e a pensar: não é um habilidoso qualquer que me trama…

E “toma”, pensará ele também…

Standard

LA DIADA!

 

La DIADA é, como todos sabem, a festa Nacional da Catalunha e o seu feriado principal.

Eu, por acasos do destino, embora vá frequentemente a Barcelona, porque lá vive e trabalha a minha filha, o seu Companheiro e estuda o meu neto, fui lá passar este último fim de semana e, porque soube, que não sabia, que segunda 11 de Setembro se celebrava o dia da Catalunha, feriado portanto, disse adeus ao bilhete que tinha comprado para regressar no domingo à noite e comprei um outro, muito mais caro diga-se, para regressar ontem à noite, segunda feira e no fim das festas e manifestações. E não me arrependi.

Para quem me segue no Facebook fiz uma detalhada reportagem, com directos, filmes, fotos, observações e muito mais. Uma amiga até me disse que o Governo da Catalunha me deveria agradecer…

Mas voltando ao tema, para se saber as origens deste feriado e desta comemoração que, ao contrário do que é normal comemora, ou melhor relembra, a perda, e não a conquista da independência, basta ir à Wikipédia e está lá tudo. Mas eu que, como sabem, não reproduzo nada dessa fonte (apenas algumas vezes nela bebo o que realmente não sei), apenas vos digo que, para compreender aquilo que agora se passa é fundamental conhecer um pouco que seja da história da Catalunha e saber do significado dos seus símbolos.

O retrato que acima reproduzo, tão elucidativo que é, venha de que força vier, é uma marca profunda e sensível do que é, neste momento, o sentir da maioria dos Catalães. Essencialmente perante um governo central arrogante, retrógrado, reaccionário e mesmo fascista, que não representa, nem um pouco, o pensar da grande maioria dos Catalães.

As razões profundas são históricas e é preciso compreendê-las e compreendê-las é não só saber das históricas como das modernas e, a saber, a luta dos Republicanos contra os Franquistas na Guerra Civil e tudo o mais…

Mas o ar que se vive em Barcelona, que bem conheço, e em toda a Catalunha, é um ar de insatisfação perante a negação da sua vontade de pronunciamento. O direito a votar no Referendo de 1 de Outubro p.f, claro está! As manifestações multipartidárias a que eu assisti, como nunca na vida tinha assistido, foram reflexo disso mesmo e, por isso, se viam maioritariamente as camisolas verdes claras do “SI”! “SI” ao referendo! Ao direito ao democrático pronunciamento das suas vontades.

Claro que há posições mais moderadas e mais extremadas. ADA COLAU, por exemplo, a Alcadeza de Barcelona, pessoa ligada ao PODEMOS, que é mais pela Catalunha como estado Federal, assumiu uma posição institucional, não se opondo ao referendo e antes o defendendo, não aceitou abrir as portas do seu Ayuntamiento e deixar que funcionários seus nele participassem, ao contrário de outros, e foi objecto de grande critica por parte dos independentistas, principalmente do Partido Nacionalista, e que ficou bem demonstrado numa grande targeta que eu vi, filmei e mostrei junto à casa da minha filha, na praça da Igreja de Santa Maria del Mar e onde está o mausoléu e o monumento às vítimas perecidas às mãos de Franco,  e que dizia: “ COLAU, a Barcelona Votarem”, isto é, em Barcelona, quer tu abras o Ajuntamento ou não, iremos votar!

E no dia 1 de Outubro, pesem todas as divergências de opinião, eles vão votar. E vão votar em nome  da sua identidade, da sua profunda divergência do poder central, da sua autonomia, isso é claro, mas do seu desejo de, mesmo pertencendo, como pertencem, a um Estado ( e creio, pelo que ouvi, a maior parte ter consciência do que será ter uma independência pura e dura) terem políticas sociais próprias, terem uma fiscalidade própria, terem órgãos de soberania próprios e, finalmente, serem credores da sua  História!

Que é um País à parte é, tal como o é o País Basco!

Compreender é preciso, para não nos deixarmos levar por convicções anacrónicas!

Mais: vi muitas bandeiras da CE e nenhuma foi vetada, como ninguém foi vetado.

Mas assisti, in loco, à maior concentração de gente que alguma vez sonhei ver…

Foi concentração e não manifestação porque ela não chegou a andar…era impossível!

Mas a mensagem, essa é evidente e esclarecedora!

E, como reza o cartaz acima que fotografei de uma parede, “Sem Desobediência, não há Independência”!

 

 

Standard

“NÃO DAR UM PASSO MAIOR QUE A PERNA…”.

Lentamente começo a actualizar-me e, agora que terminou o período estival e recomeça a disputa política, também eu vou retomando os meus velhos hábitos e vendo alguma TV.

E ouvi hoje esta lapidar frase de António Costa, que releva da sabedoria popular e do bom senso, não admitindo, por isso, qualquer relevante contraditório, e verifiquei de imediatos três tipos de reacções: Por um lado o ar estupefacto de Passos Coelho, que desejava realmente que Costa aceitasse, por pressão dos seus aliados, dar “um passo maior que a perna”, a de Catarina Martins, também estupefacta e dando uma resposta leviana e inconsequente e, por fim, a posição sempre sensata do PCP que prefere esperar para ver, mas sempre disposto a lutar pelo possível.

“Lutar pelo possível” disse eu e conscientemente o disse. Porque é disso mesmo que se trata.

Pois vejamos: Se os resultados da Economia têm sido francamente bons; se os valores das principais variáveis económicas e sociais têm tido um comportamento francamente positivo ( a confiança, o investimento, o consumo privado, as exportações etc e etc.), tudo isso tem por sustentação dois aspectos nitidamente relevantes: por um lado a sensação de que o Governo tudo tem feito para inverter o ciclo da austeridade e reverter rendimentos, mesmo que faseadamente e, por outro lado, a certeza de que tudo isso tem sido feito observando e respeitando integralmente as condicionantes que nos são impostas pelo controle do défice e pelo rating da dívida.

Assim sendo, constituindo esta notável melhoria da situação económica e global um desafio a uma estabilidade sustentável, não só desejável como imprescindível, ela não pode ser desperdiçada por desejos de um aproveitamento pontual que se poderá tornar malévolo num futuro próximo.

As posições do Bloco de Esquerda, imediatistas , não digo irresponsáveis mas no mínimo aéreas, não condizem minimamente com a aceitação da realidade nem com as suas exigência e mais me parecem a daquelas famílias que, tendo conseguido uma momentânea melhoria da sua situação orçamental, desatam logo a gastar sem cuidar de poupar ou antever uma crise futura.

Reivindicar, como faz o BE, para que depois o sucesso das medidas sejam obra sua, é o caso de uma política pouco responsável e até oportunista, que nada aporta nem ao bom senso nem à estabilidade.

Contrário é, como disse, o comportamento do PCP. O PCP elege temas comportáveis e realizáveis. Estuda-os e, movimentando-se na sombra, sabe perfeitamente da exequibilidade e de todos os contornos mas, sabendo serem medidas possíveis e compagináveis, não prescinde delas. É consequente e responsável.

O BE apenas quer louros e apresenta uma Catarina sempre mal disposta. Não é bem o Passos Coelho, embora às vezes pareça, mas coloca-se muitas vezes a jeito!

É que Passos Coelho logo veio dizer do seu desejo: que os Partidos de Esquerda que apoiam esta solução parlamentar se desentendam e deixem o PS a falar sozinho!

Isto é o que ele sonha, já que todos os seus sonhos se têm perdido no anedotário do tempo, a não ser que a Catarina ajude…

De modo que eu reafirmo, corroborando energicamente a frase de Costa, que “ Não dar um passo maior que a perna”´ é o que impõe o bom senso e a razoabilidade!

O BE quer derrubar o Governo? Pois que derrube! Vai-se arrepender eternamente…

Não tenho nada contra o Bloco, mas nunca nele votaria!

É a minha opinião! Apenas minha!

 

 

 

Standard

OS PARTIDOS e os “ QUEBRADOS”!

Um Amigo, proprietário do BLOG “ ESTÁTUA DE SAL” que com alguma frequência tem publicado os meus textos, mandou-me hoje uma mensagem: “Então, já não escreve mais? Está de pena caída? Anime-se e regresse!”, escreveu ele. Eu respondi-lhe: “Tem razão. Talvez hoje regresse”.

A grande verdade é que, para quem muito escreve, os temas começam a repetir-se e a vontade de sobre eles escrever tende a desvanecer-se. Para quê falar de Cavaco se sobre ele já tudo disse? Para quê falar de Passos Coelho se o que mais disser só pode soar a redundante? Para quê atribuir valor a um Rangel ou a um Poiares se já antes os caracterizei? E de muitos mais? Não renego existir nem mim um certo desencanto.

Isto falando de Política e dos nossos, como é vulgar dizer-se, “ódiozinhos de estimação”, porque daqueles que apreciamos não nos surge apresentar defeitos! É da vida…

Mas a tudo o dito posso acrescentar um certo cansaço de tudo aquilo que nos vai sendo apresentado pela imprensa e televisões e que me têm levado a deixar de os ler e ouvir, pensando eu, no meu intrínseco íntimo, que tal advirá também de um certo relativismo a que me habituei na observação do mundo circundante e resultante de experiências de vida nos últimos anos sentidas.

Mas o mundo continua a girar, a vida continua a rolar e os pensamentos tendem a habituar-se a essa roda viva. Fatal como o destino e, por isso, aqui estou.

E aqui estou para teorizar acerca de um fenómeno que já não é novo mas que, agora e a propósito das Eleições Autárquicas, ganhou uma dimensão e uma exposição nunca vistas.

Nunca vistas, não só pelo fenómeno em si, mas também pelas particularidades, contradições e reflexos de um novo sentir, que uns apreciam e outros, como eu, vêm com alguma perplexidade e apreensão. É o fenómeno das “Listas Independentes”.

Poderemos perguntar-nos, “ab inicio”, da sua legitimidade, quando todos sabemos serem as Eleições Autárquicas umas eleições muito específicas, mas que tendem a representar, não o reduzido local onde todas as pessoas se conhecem, mas uma amostra nacional quando a amostra é muito mais larga ( grandes Municípios e grandes cidades e zonas urbanas) e onde, então, o “independente”, mesmo sendo conhecido, não representa por si só essa globalidade?

Essa é a questão e, por exemplo, vejo que em Lisboa, onde está neste momento a decorrer um debate na TVI, que não estou a seguir, não há nenhuma candidatura “independente”!

Quando intitulei este texto de “Partidos e Quebrados”, quis glosar com a situação e, havendo candidaturas independentes, considerar os Partidos efectivamente partidos, na sua real representação, e os Independentes “quebrados”, porque, observando a sua grande maioria, resultam da “quebra” da sua ligação a esses mesmos Partidos e tentando, sobre a capa diáfana da independência, arrebanhar os votos desse seu “quebrado” Partido!

Parece estranho o raciocínio, mas não o é. E vou dar alguns exemplos, deixando para depois a discussão acerca da importância dos Partidos na sociedade e na democracia.

E começo pela terra onde nasci, mas onde não voto, Esposende. A Câmara é e sempre foi do PSD ( o meu Pai brincando dizia que bastava colocar num espantalho uma seta virada para o céu que o espantalho ganhava) e o actual presidente naturalmente recandidata-se. Pois o anterior a ele, também do PSD, também se candidata, como Independente, claro, mas não concorre pelo PS ou qualquer outro Partido: concorre como Independente e, como quase todos eles, escolheu o óbvio slogan: “Juntos Pela Nossa Terra”!

E o que eu observo é que muita gente amiga, e até familiar, o apoiam, mesmo sendo simpatizantes de outros Partidos, inclusive de Esquerda. Porquê? Porque reconhecendo ter sido o João Cepa um bom autarca, verem nesta candidatura uma forma de acabar com aquele monopólio que atrás referi. Mas a verdade é que o João não renegou a sua filiação e não concorreu por outro Partido! Gosto dele mas não levaria o meu voto!

Como não levaria nenhum outro suposto “independente”, seja ele candidato em Oeiras, em Coimbra, em Braga, em Sintra ou no arco da velha, com uma excepção: Vila do Conde! Terra que eu conheço muito bem, aqui minha vizinha e onde, à semelhança de Matosinhos, logo a seguir, as estruturas partidárias fizeram impor a sua vontade, no caso de Matosinhos aceitável e óbvia, mas provocando rupturas e listas independentes dentro do mesmo Partido, os tais “Quebrados”, mas não o sendo no Caso de Vila do Conde.

Em Vila do Conde há um senhor, que pode ser replicado por outros lugares, que esteve durante dezenas de anos como Presidente da Câmara e que, obrigado pela lei, não tendo possibilidades de se candidatar, não aceitou aquilo a que se chama “fim de ciclo” e, candidatando-se a Presidente da Assembleia Municipal, não abdicou de nomear a sua sucessora, que venceu pelo seu Partido as eleições e governou, e bem, os últimos quatro anos.

Que sucedeu então? Sucedeu que a Drª Elisa Ferraz ousou cortar o cordão umbilical, autonomizou-se e…foi agora rejeitada pelo seu Partido a favor de um vereador “yes man” que vem agora falar em “nova vitalidade”. Claro que a Drª Elisa Ferraz, e com toda a razoabilidade, candidatou-se como Independente. E provavelmente vai vencer, como eu espero, em nome da justiça e da sanidade.

Vão todos “Juntos pela nossa terra”, a sua terra melhor dito, seja ele o Valentim, o Isaltino, o Ferreira ou, no caso do Porto, o Rui Moreira. Mas este, com requintes de suprapartidarismo afirma ser o seu partido o Porto!

Qual será, então, o meu? O certo é que não é a Póvoa onde habito e voto, não é Esposende onde nasci, nem Paredes de Coura onde vivi, nem o Porto de quem tanto gosto…

Não tenho Partido, mas não sou Independente. Mas nunca “quebrei”!

Standard