QUANTO NOS CUSTARÁ, AFINAL, ESTA “BANDEIRA”?

Eu sei que muitos virão dizer: mas quem já pagou, está a pagar e irá continuar durante muitos anos a pagar negras “bandeiras”, como o BPN, o BES e outros sacrossantos defuntos Bancos, continua a pagar as PPP’s e eu sei lá que mais negros negócios, porque não salvar esta “ Bandeira”, esta sim uma verdadeira Bandeira, como aquelas que a seguir referirei. 

Pois é, eu “dusoso” me confesso e, não tendo adequada e definitiva resposta, apenas me questiono. Eu sei o quanto o desaparecimento da TAP desagradável será para o Miguel ( de Sousa Tavares) pois lá tem em lugar destacado, e muitíssimo bem, a sua Mãe, como eu tenho o meu querido Ary dos Santos e todos temos nomes inesquecíveis da nossa História! Mas…

Antigamente os Mouzinhos da Silveira nas suas explorações selvas adentro, os Vascos da Gama mar adiante descobrindo novos mundos ou os Antónios Vieira pelos sertões Brasileiros pregando novas doutrinas, todos eles levavam à sua frente o porta estandarte com a nossa verde e rubra Bandeira. 

Também nas guerras de conquistas ou reconquistas também lá ela seguia bem altiva anunciando este nobre Povo e País, pequeno de origem mas grande de nome.

Agora e já de algumas décadas a esta parte dizem que não é nada a Selecção, nem é o Cristiano Ronaldo, o Mourinho ou muito menos o Fernando Santos. Nem tão pouco o Saramago, o Whils, a Paula Rego, a Maria João Pires, o Joaquim de Almeida, o Pepê Rapazote ou a Maria de Medeiros. Que nada: é a TAP!

Que nos leva a todo o mundo, o que até nem é verdade! Que é a nossa ligação à diáspora e aos países de expressão portuguesa. Tudo bem mas…quanto já nos custou e custa e custará?

Nos casos atrás referidos custou Vidas, muitas vidas cerceadas à juventude e ao seu futuro. Agora, nestas décadas, tem-nos custado os olhos da cara em impostos.

Nos últimos dias consultei vários escritos em jornais tentando perceber o porquê de em anos que representaram o auge dos passageiros transportados, em que o Turismo atingiu níveis nunca vistos e os negócios internacionais também, a TAP tenha apresentado só nos últimos dois anos mais de duzentos milhões de euros de prejuízos.

Fala-se de indemnizações que terá sido obrigada a pagar por incumprimentos para com passageiros, da eterna catastrófica operação de manutenção no Brasil, do serviço da dívida e do ónus por aviões comprados. Mas aqui surge a nebulosa. Serão também os nunca referidos contratos SWAP obrigada a celebrar e ainda em vigôr? Hummmmm…

Mas surgem-me duas essenciais perguntas, cuja primeira é: Mas se no auge atingido do transporte de passageiros o acréscimo de receitas não conseguiu ultrapassar os 35 milhões de Euros avançando, como anunciado, para a aquisição de 70 (setenta) aviões, num custo total estimado em cerca de 10 (dez) mil milhões de Euros ( mais de cento e quarenta milhões de Euros por cada avião), considerando todos os pressupostos que neste cenário a levaram a sucessivos prejuízos, em quantas décadas, ou mesmo séculos, eles se pagarão a si mesmos?

A segunda é: Mas quem financia ou está disposta a financiar, se não pela continuação dessses aviões como seu colateral ou propriedade sua, a venda desses aviões a uma empresa já tecnicamente falida ( com capitais próprios negativos) e apenas suportada por injeções de um oxigénio chamado dinheiro que a vai deixando ligada às máquinas…Como entender?

No entanto também li que, afinal, só três desses aviões terão sido adquirido põe Leasing, isto é, o Aluguer de um imóvel necessário e afecto à exploração e pelo qual se paga uma renda, mas só com propriedade final através do pagamento do  valor residual contratado ao locatário e que o Cash Flow de exploração gerado ( o lucro bruto) terá atingido os 450 milhões de Euros. 

Ora isto significa que, mesmo com um resultado de exploração positivo, ela não suportará mais o inexorável Serviço da Dívida (seja ele financeiro ou de alocação), as obrigatórias Amortizações,  nem os legais pagamentos de Impostos e constituição de provisões! O Cash Flow, ou o EBIDTA gerados ( lucros antes de Impostos, Juros, Depreciações e Amortizações) não chegarão nunca nem para “ Meia Missa, Amen…”.

Deste modo ou o Estado, em nome da “Bandeira”, toma definitivamente posse da empresa e consegue renegociar a dívida para muito longos prazos, diminuindo drasticamente o seu peso no orçamento, e com os novos aviões e novas rotas consegue multiplicar os seus proveitos, que óbviamente só conseguirá a preços competitivos, tudo coisas que os Privados nunca conseguiram nem conseguirão, ou…

…Ou muito simplesmente a deixa ir à Insolvência e posterior Falência. Pois, como ouvi há muitos anos na altura da anterior crise um meu Amigo dizer : “Se os outros falem, porque não falo eu também …?”

E lá ficaremos sem esta “Bandeira”…mas muito mais aliviados!

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