UM “NOVO” SINDICALISMO? E um protesto rectroativo!

O “velho” Sindicalismo está em crise, escrevem os comentadores e articulistas. Fórmulas velhas e gastas, anquilosadas até, com processos ultrapassados por repetitivos, com bonomia e sem agressividade na forma e com uma redução sensível no numero de novos sindicalizados.

Redução essa que dificulta gravemente a capacidade de angariação de meios financeiros que, para além das despesas de funcionamento, não permitem a constituição de “fundos de greve” que possibilitem que os grevistas possam ser ressarcidos das perdas financeiras que as greves forçosamente implicam.

Para estes liberais tempos, onde o que impera é o safe-se quem puder, o cada um por si e nunca mais o um por todos e todos por um, já não faz sentido negociar Acordos Colectivos de Trabalho, a própria palavra “colectivo” já nem sequer faz parte do léxico dos novos gestores, e a “solidariedade”, essa estranha palavra, nem sequer ensinada lhes foi…Sindicatos? Que trabalhem, mas é…

Isso já não se ensina nem se aprende. Solidariedade? Quem ensina em casa? E nas Escolas? E equidade? E igualdade? Infelizmente o que se aprende é que cada um tem que ser o melhor, seja como for e utilizar todos os meios para atingir esse fim…Mas, mesmo assim, até eles precisam de chefes e de líderes, mas necessariamente formados em dialética, demagogia e populismo. Todos eles sem um pingo de decência, outra palavra que certamente desconhecem…

Mas agora cresce impante um “novo” sindicalismo. Um sindicalismo dito independente e feito à pressa, mas destinado à agregação de sectores sociais hoje pouco politizados e carentes de representação nos seus anseios e que conseguem, pela agressividade e pela compensação financeira das perdas com as greves, mas com um discurso populista e demagógico, utilizar para lutas alheias a qualquer moral e ética públicas classes improváveis como os Enfermeiros.

Que não conseguem discernir nem vislumbrar, pesem todos os avisos dos “midia” e redes sociais, que estão a ser utilizados por uma Direita sem princípios e escrúpulos que quer fazer crer, por tantas e tão agressivas greves, estar este país sem rumo, um absoluto caos e o culpado não é mais ninguém senão o Governo, por inação e incompetência, como não se farta de dizer a Direita parlamentar. E que este Governo tem que ser destituído para eles retomarem o poder, um poder que eles acreditam só a si pertencer, por vontade suprema, como antigamente, e eles são o repositório dos tempos antigos, os tempos do “Clero, Nobreza e Povo”…Enfim…

E nem os Enfermeiros, gente com formação, nem os Bombeiros, nem os Professores, Guardas Prisionais, Policias Municipais e profissões demais, todas elas cientes de que este Governo tem a obrigação de lhes dar, a todos e de uma só vez, tudo o que anteriormente perderam ou não lhes foi dado, sabem ou desconfiam que estão a ser testados, quais ratinhos de laboratório, pelos “Steve Bannons” desta vida- que anda ele a fazer pela Europa?- na implantação, depois de EUA, Brasil, Polónia e Hungria, por exemplo, de sistemas neo-fascistas que lhes irão sonegar a liberdade e fazer destas suas lutas tábua rasa. Infelizmente os Povos só depois se arrependem…

Mas voltando ao tempo corrente, a Bastonária dos Enfermeiros Ana Rita Cavaco, membro do Conselho Nacional do PSD, agora travestida de neo-sindicalista, tendo ateado um incêndio e vendo que ele está a tomar um rumo catastrófico e incontrolável, sem que haja pessoas disponíveis para o extinguir, o que quer dizer que não consegue, mesmo com todo o mal que está a causar, que a população aprove o seu gesto e a sua a todos os títulos criticável acção e com ela se solidarize, resolveu dar um passo em frente e, num golpe de esperteza saloia, resolveu escrever uma carta a António Costa.

 A pedir-lhe a sua urgente intervenção, falando-lhe de uma “calamidade e catástrofe sem precedentes …”, tudo isso por culpa de um Governo que não negoceia ( o que para ela significa ceder…) e instando-o a que ele resolva de imediato o problema por ela criado, nomeadamente na criação de carreiras de especialistas etc, porque eles são quase médicos, ela afirma, na contratação de mais Enfermeiros…Sem o que demorará anos e anos a repor a situação e haverá imensos efeitos colaterais…

Mas, pergunto eu, para que serve a Requisição Civil, quando estão em causa vidas humanas e direitos fundamentais? Será que Rui Rio e Marcelo teriam o desplante de ser contra?

Tamanha “lata”, inconsciência, ausência de sentido de responsabilidade, arrogância, desplante, agressividade e ausência de ética, para além de fazer corar qualquer cidadão deste país que sabe viver em Sociedade, ultrapassa tudo o que seja bom senso, mas afirma que está disponível para negociar, já vimos em que bases, mas que “não lhes cabe a eles(Enfermeiros) sob o seu mando parar ou recuar” e que, portanto, só cabe ao PM acabar com esta catástrofe. Eu diria antes que compete à PGR parar esta irresponsável!

Quanto ao “Juramento de Florence Nightingale” que, à semelhança do “Juramento de Hipócrates” para os Médicos, por ele juram “dedicar a sua vida profissional ao serviço da pessoa humana…a não participar voluntariamente em actos que coloquem em risco a integridade física e psíquica do ser humano…obedecendo aos princípios da ética e da moral, preservando a sua honra, seu prestigio e suas tradições…”. Para ela isto não passa de letra morta e de certeza que não se lembra de tal ter jurado…

Ela agora conclui que há “uma má fé e preconceito contra os Enfermeiros por parte da Tutela”. Mas, como diz o nosso Coronel Carlos Matos Gomes As acções da Tutela deviam ser, isso sim, a instauração de um processo crime por recusa de auxilio ou de humanidade por negligência…e de cessação de actividades na sua Ordem Profissional por violação de deveres deontológicos…”.

Haja decência, haja Humanidade e haja bom senso!

O PROTESTO RECTROATIVO!

Não deixa de ser caricato que no ano e mês em que, passados não sei quantos anos, todos os trabalhadores recebem o seu Subsidio de Natal por inteiro, de uma só vez e na data estipulada; no ano em que deixaram definitivamente de pagar sobretaxas e coisas mais; quando já receberam integralmente tudo que lhes foi retirado pelo anterior governo…haja gente que se queira manifestar, quais coletes amarelos de França, contra os impostos, o aumento do custo de vida e nem sei bem que mais…

Para mim só pode ser um protesto “rectroativo”! Aquele protesto que uma vez irrompeu daquela ideia peregrina do Passos Coelho de querer aumentar a TSU aos trabalhadores para a entregar e imediato ao patronato…Porque, pela retirada dos subsídios, pelo “aumento brutal de impostos” como anunciou e concretizou Vitor Gaspar, mais ninguém protestou…

Eu fico perplexo e só concluo: a nossa Direita já está cansada de tanta justiça, de tanto progresso social e tamanha competência da Esquerda.

Esquerda que tem feito o que eles quereriam fazer, mas não faz o que eles fizeram… E não é portanto por aí que a poderão derrubar! Por isso…

 

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O COMENTADOR OLIVEIRA!

Quem tão prolixamente fala e escreve e tantos conselhos tem para dar, querendo sempre no politicamente correcto estar, forçosamente que um dia nas suas contradições irá esbarrar…digo eu do alto da minha “sabedoria” popular!

Não o Comendador, lá chegará, mas o Daniel, ele mesmo que, ao que parece, continua solteiro. Entendamo-nos: assim a modos que sem Partido, percebem? Segundo o velho oráculo de Willie Brandt de que “Comunista na juventude, Socialista ou Social Democrata na idade madura”, já só lhe resta o PS! Mas como não é para já, é só para quando este for oposição, o Daniel vai continuar solteiro e a insinuar-se para tudo quanto é lado até ao Costa sair de cena…

Aliás não é só dele, mas comum a muitos outros pensadores que se dizem das Esquerdas, a tendência para em nome do purismo ideológico juntarem-se à Direita para atacarem a Esquerda (o PS), cometendo como que um “harakiri”. Mas convenhamos que ao fim e ao cabo eles sentem-se muito mais confortáveis na sua actividade quando a Direita está no poder. Daí, tanto eles como os próprios Partidos à esquerda do PS pouco ou nada façam para o impedir…dói, mas é a verdade!

Eu, sem quaisquer receios a criticas veladas ou não dos “meus”, há algum tempo venho neste espaço chamando a atenção para o que eu considero um crescente caminho ao retorno do pré 2011, isto é, ao suicídio de uma certa esquerda por, tendo como fim único a conquista de ganhos no eleitorado da esquerda do PS e o impedir da conquista por este da maioria absoluta, ao entrarem no jogo da Direita através da participação conjunta em lutas contra este Governo…

Ora esta Direita, por muito que os Danieis Oliveira desta vida a subestimem, é inteligente e, mais importante ainda, não tem escrúpulos. E este comportamento só serve, no meus entender, os interesses dessa Direita. E ao deixar que sejam os seus representantes (caso das greves dos Enfermeiros, por exemplo), através da Ordem e daquela enormidade de Sindicatos, a dirigir a greve e a decidir os modos de luta, só a sua credibilidade compromete. Mas ainda não se deram conta ou o que interessa é mesmo fragilizar o Governo?

É que, exactamente ao invés do que eu venho escrevendo e alertando, o Daniel e outros, de um modo erróneo e diletante, vêm dissertando sobre a espuma dos dias, preferindo aterem-se a detalhes, como se os seus estados de alma fossem assim tão importantes e decisivos na manutenção deste Governo e numa politica de esquerda. E dissecando afirmações de Costa, chamando-o até de “arrogante” no tratamento para com os seus aliados, como “prepotente” na afirmação da não entrada das esquerdas à esquerda do PS num futuro Governo, utilizem precisamente as mesmas palavras da Direita.

E o que fica depois disto tudo? É que o Daniel Oliveira e a Direita, o mesmo não pensando, mostram afinal pensar o mesmo!

E essa quase diletância e essa ausência de fixação no que é realmente importante e decisivo para não voltarmos atrás, nota-se no “Eixo do Mal”, por exemplo onde, ao invés de um encontro de gente pensante abordando temas da actualidade, porque não, e projectos políticos, se transformou num encontro de amigos no café, numa tertúlia mesmo, com o permanente galhofar como pano de fundo da leviandade com que tratam o que devia ser sério. E o Daniel entra naquele jogo de “egos” cada um pugnando para ser o mais engraçado. Uma tristeza Daniel, uma tristeza…Já acompanhei, deixei de ver, vi os últimos dois programas e…parei novamente. Não tem jeito mesmo e não vejo quem aquilo queira mudar,

Eu estou e estarei sempre disponível para o contraditório, mas quem sou eu para que o Comentador Daniel perca um pouco do seu precioso tempo comigo? É que ele ganha à peça ou por avença nos sítios onde fala e escreve e o tempo é ouro- ganha pão-para ele! Eu já o tinha chamado à atenção por duas vezes, mesmo depois de troca de argumentos em Posts no Facebook, onde por mim interpelado manteve de modo sobranceiro a sua postura e não tive outro remédio que publicar dois duros Textos ( um sobre o Centeno a quem ele chamou de “nabo” em politica e outro acerca da morte  de Fidel onde ele afirma, assim de peito cheio de ar, que Cuba tem um sistema de Saúde perfeito, um sistema de Educação exemplar e o Desporto massificado, entre outros exemplos, mas faltava-lhe o pequeno almoço, o almoço e o jantar… Levou e levou forte, como tinha que ser e podem relembrar: https://wp.me/p4c5So-LG (Daniel, Um Noviço em Nabiças) e https://wp.me/p4c5So-Ha ( Daniel, o Pensador)…

E chamo a Vossa especial atenção para este último texto pois aqui estão muito bem expressas as nossas diferenças e o porquê de, mais uma vez, não conseguir deixar passar… desta vez, embora de modo diferente, também tem que parar para pensar ou então a sua credibilidade perante mim ficará gravemente ferida. Eu só respondo por mim, é claro, e só eu sou responsável pelo que escrevo. Claro!

Mas ao Comentador Oliveira exige-se sempre mais rigor, exige-se continuidade e, acima de tudo, coerência. E uma marca de DIFERENÇA, que teimo em tentar encontrar, passe a sua habilidade dialética e a rapidez de pensamento. Mas, se realmente defende as Esquerdas e um Governo progressista das Esquerdas, embora o facto de continuar “solteiro” possa servir de atenuante, ele deve pugnar por essa mesma Esquerda, sem quaisquer tibiezas e hesitações pesem os coletes de forças onde actua dentro do politicamente correcto, para que estas forças continuem detendo o poder, não cedendo nunca à crítica fácil a esta Esquerda que nos Governa.

E nem é preciso aqui dizer queele, não consigo sequer dizer se bem se mal, faz opinião! E ao dizer que “faz opinião” quero dizer que, com uma simples aparição num debate na TV, seja ela qual for, ele atinge mais gente que todos os Blogs juntos… mas a sua responsabilidade cresce exponencialmente, não tenhamos dúvidas!

Mas, e daí muito das razões deste texto e desta veemente critica, uma salutar critica a quem pela sua exposição e dimensão não pode deixar nunca de fazer vincar as suas posições (coisas que dificilmente tenho notado), o Comentador Daniel no que às leitura politicas diz respeito, tem sido de um diletantismo tal que eu não eximo a Ir ao fundo do fundo do seu pensamento e tentar vislumbrar o alcance da essência da essência do que quer dizer com estas algumas frases…:

-“Cada vez que o PS sobe nas sondagens ele afasta-se do “espirito” da Geringonça”… E conclui que o PS é simplesmente o “porteiro do Poder”! Conseguem atingir?!!!

– “Costa só pode decidir sozinho se tiver maioria absoluta ( La Palice di-lo-ia também…)! Esta frase é tão profunda que nem eu, mesmo meditando, consegui alcançar o significado! Mas apenas pergunto: e se o PS for o Partido mais votado, não atingir a maioria e pretender formar governo, um governo minoritário: o que farão o BE e o PCP? Viabilizam, tal como fizeram na génese da Geringonça ou voltam ao passado, esse do “quanto pior melhor”? Desde já firmo que decididamente votarei PS. A não ser que… Percebe, Daniel?

-“ Até eleitore

s Socialistas sabem como o PS é um adolescente. Quando fica sozinho em casa, as suas festas costumam provocar estragos”. Ora isto é, ipsis verbis, o que diz a Direita. Até atribuem a Milton Friedmam, o guru da descola de Chicago, a tal que dizia que o Mercado se regulava a si próprio (e viu-se à saciedade quanto isso era uma falácia) aquela frase de que se os Socialistas fossem governar os desertos até as areias desapareceriam…O Daniel não tem vergonha de copiar a Direita e, ainda por cima, no mais redutor e populista que ela consegue?

E finalmente: “ É este Governo que, com as Cativações, desvirtua um Orçamento aprovado, não é o Parlamento que, com alterações na especialidade, desvirtua um Orçamento por aprovar…”.

Desculpe-me Daniel mas esta frase, tendo sido por si escrita, só pode ter sido passada a papel em momento de embriaguez ou sono absoluto! Nem é preciso alongar…

Mas o Daniel também entende ser um Orçamento uma coisa elástica? Só se for o de sua casa, uma casa onde as receitas são tais que não são precisas cativações, isto é, receitas que ficam de lado para uma posterior compra: um carro novo, uma viagem de sonho ou um casamento inesperado. Um daqueles que até nos fazem largar tudo… olaré, e se não fossem aquelas benditas cativações…É melhor pensar nisso, ó Daniel! Olhe que é melhor do que ser Comendador!

Eu ia, para finalizar, falar das “coligações negativas” mas nem o vou fazer. Só vou referir aquilo que o grande Comentador Oliveira acerca do referido proclamou: “Nunca houve coligação negativa alguma, tanto na votação do PEC 4, como na contagem do tempo de serviço dos Professores, na questão dos Enfermeiros ou nas propostas Orçamentais rectificadas onde, afirma o Daniel, o BE e o PCP se mantiveram onde sempre estiveram e que os outos (os Partidos de Direita) é que se deslocaram…

Concluindo Daniel, o Comentador: só faltará o BE e o BCP dizerem à Direita, como de algum modo Você já o disse: Bem hajam e bem vindos às nossas posições…

Francamente Sr. Comentador, francamente…

E decididamente: WHAT SIDE ARE IOU (não tenho ípsilon!) ON, Daniel?

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ENXURRADAS DE ÉTICA…

Rui Rio afirmou em tempo algures, do alto da sua auto-afirmada integridade, que o seu peso sendo medido não em quilos mas em sólida Ética, se equipararia em densidade ao mais valioso elemento químico da Tabela Periódica…Nada nem ninguém poderia ousar a ele se equiparar, nem mesmo aquele que disse que para se ser como ele seria necessário nascer duas vezes…

E assim, do mais elevado expoente da sua superioridade Ética, alvitrou que seria necessário dar aos políticos Portugueses um “banho de Ética” ou então que deveriam “tomar um banho de Ética”, mas este bem gelado, assim como fazem aqueles malucos dos Russos depois da sauna, para assim enrijecerem os seus músculos de “Moral”…

De modo que, em jeito de ensinar a esses políticos que por aí pululam como se faz, todos eles mais que carenciados de Ética, resolveu com a inestimável, prestimosa, aduladora, pronta e obediente colaboração da sua companheira e súbdita de Partido Ana Rita Cavaco, presidente da Ordem dos Enfermeiros, lançar uma enxurrada de Ética sobre a luta dos Enfermeiros….

E os seus múltiplos Sindicatos, já mais que valorizados em Moral e com Ética já a extravasar, resolveram bombear ou bombar todo o seu conteúdo sobre os Blocos Operatórios dos Hospitais, de tal modo que, para fugirem àquela enxurrada de Ética, as Enfermeiras(os) resolveram fugir das operações já programadas…E mais disseram que estas jamais seriam recuperadas e porquê? Porque as enxurradas tudo levaram…

Poderão os meus queridos Amigos pensar: este “gajo” deve estar é a gozar connosco e a brincar com coisas sérias! Mas eu juro que não e juro mais ainda: eu não absorvo nada das “Fake News” e não peroro sobre o que li ou não li: apenas falo e extrapolo sobre o que (dos próprios) ouvi!

E quando ouvi da dita “Cavaco”, membro do Conselho Nacional do PSD, que esta Greve e este modo de luta tinham sido decididos por ela e aprovados em sede do seu Partido pelo seu Presidente Rui Rio eu pasmei e até fui ao Dicionário relembrar o significado de Ética! E facilmente concluí serem esta Greve e esta forma de luta não Laborais mas sim Politicas! Para além de imorais…

E assim sendo, tratando-se de uma Greve eminentemente política e estando em causa vidas humanas, fico confuso e mesmo com emaranhados de perplexidade na minha tola, quando constato que do Senhor Presidente da Republica, agora transformado em homem dos “recados”, nem uma palavra tenha ainda saído acerca do que se passa nos Hospitais. E que nem um simples apelo ao bom senso lhe surja…Tal como na questão dos Estivadores!

Mas que, ao mesmo tempo, tão preocupado esteja com a situação a que chegou a nossa Imprensa, uma Imprensa transformada num vazadouro de lavadura e numa imensa pocilga…E esteja preocupadíssimo com o futuro de quem, desta forma, não tem futuro! Mas não o preocupa o conteúdo do que publica, preocupa-o sim a sua situação financeira…E sugere nos preocupemos e ponderemos a nossa, de todos, ajuda…assim como se fosse como ir a um supermercado e deixar lá um kilito de feijão…

E nessa amálgama de neurónios em que se transformou o meu cérebro, totalmente desconjuntado de tudo o que seja ordem e prioridade, dou por mim a pensar em coisas que só podem ser anacrónicas, como: E se tudo isto for uma questão de táctica politica?

E surge-me a pergunta: Estaremos nós perante uma encapotada solidariedade politica em tratando-se do seu Partido? Até me dão tremores pensando nisso. Estará ele em concordância com tal estratégia? Sim, com esta estratégia de aproveitamento de lutas que eram tradicionalmente lideradas pela CGTP, mas sempre com o reconhecido bom senso e responsabilidade para, utilizando a normal sede dos trabalhadores por mais justiça remuneratória e melhores condições gerais, levarem os Sindicatos a uma espiral grevista e reivindicativa ( se bem reparam não há quase classe nenhuma que à boleia não se plante em frente ao respectivo ministério e ameace fazer greve…) que dê a ideia que este País está sem rei nem roque e numa profunda crise…

É o que propaga a nossa Direita e mesmo não apresentando nenhuma politica alternativa, tudo o dito pela minha mente vai perpassando e isso preocupa-me!

Mas o que mais me dói é ver as nossas Esquerdas à esquerda do PS, o PC e o BE, em nome de putativos futuros ganhos eleitorais (quanto valerá o voto de um Professor ou de um Enfermeiro?…), aliar-se, mesmo que com pressupostos diferentes até concedo, a toda essa Direita, representada por um menino da Foz esculpido em Ética mas de pensamento retrógrado e por uma populista “brega” de crista levantada mas sem pudor…

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O PORQUE TINHA QUE SER…(e a COLIGAÇÃO NEGATIVA)!

A todos aqueles que concluem pelo que já escrevi que eu, tal como o Governo Socialista, como afirmou o Prof. Francisco Anacleto Louçã, sou veementemente contra os Professores, como serei contra os Enfermeiros e suas lutas, e que os odeio mesmo, eu quero dizer que a GRACIETE, a minha saudosa esposa, era Professora, mas Professora em toda a extensão da palavra e sempre foi muitíssimo bem tratada nos seus tempos de doença, tanto no S. João como em casa.

Mas uma Professora que era sindicalizada, e na Fremprof, que fazia as greves pontuais que achava dever fazer, mas que nos tempos finais do Sócrates, mesmo nunca nele tendo votado, não cedeu à tentação de marchar sobre Lisboa, numa pretensa luta, esta sim, do ódio: do ódio contra a pessoa e contra as avaliações… Não, não marchou! E não marchou por duas simples razões: a primeira é que não o odiava e a segunda porque nunca teve medo de qualquer avaliação! Como qualquer funcionário sério e cumpridor não tem que ter…E ainda pela “coligação negativa” aí formada!

Eu, que nunca fui Funcionário Público, nunca de qualquer avaliação tive medo. Tanto directas como subjectivas. Mas o Público é o Público e o Privado é o Privado!

Mas naqueles tempos do Cavaco, nos surreais dez anos entre 1985 e 1995, aí sim ela fez aquela célebre greve de oito dias. Greve que nos custou um mais difícil mês porque, ao contrário dos Enfermeiros de agora, o Sindicato não possuía fundo de reserva para compensar os Professores grevistas. Mas os Sindicatos dos Professores ainda não são uma Ordem, não é verdade? Nem são “patrocinados”, não é verdade também?

E nesse tempo, longínquo tempo, já aí se confirmava ser o PSD o Partido amigo dos Professores! É que, depois dessa greve, a minha esposa viu melhorado o seu escalão e o seu salário aumentado em cerca de 40% (quarenta por cento)! QUEM É AMIGO, quem é?

Diz-se, no entanto, que aí houve uma atenuante: é que o Ministro, que até era do CDS, o Roberto Carneiro, tinha uma dúzia de filhos e a esposa, que seria também Professora, lhe disse que tinha que ter um significativo aumento para alimentar e educar tamanha prole. E o Roberto lá conseguiu convencer o mãos largas do Cavaco…

Vem, portanto, de longe esta estreita amizade entre o PSD e os Professores. E desde aí os Professores foram ficando tão pacíficos e tão cooperantes que só nos finais do Sócrates, esse cavalheiro que além de os querer avaliar, também lhes parou a contagem dos anos de serviço, a sério se manifestaram. E aí com total apoio do Amigo PSD! Os seus apoiantes marcharam todos sobre Lisboa, juntamente com todos os do PCP e do BE! A tal “coligação negativa” que desembocou no chumbo do PEC4 e na entrada impante da Direita na governação.

Uma familiar minha, que também fazia, tal como a minha esposa greves pontuais e também fez aquela célebre de oito dias, de que os/as que não a fizeram também beneficiaram, e que também não marchou para aquele vazio cheio de gente, perguntava às colegas de Escola: então vocês que nunca fizeram uma greve, nem aquelas dos tempos do Cavaco, agora marcharam todas? AH, agora tinha que ser…

Só que depois, nos tempos “pafiosos” do Coelho e da Troika e do seu governo, não mais marcharam, nem mais quaisquer greves fizeram, nem quando esse governo lhes cortou subsídios, cortou salários, criou sobretaxas ao IRS etc, tudo acataram. QUE TINHA QUE SER…

Mas agora que este Governo lhes devolveu tudo o que o anterior lhes tinha tirado (roubado), Porque tinha que ser, não é?, voltaram às greves e os seus representantes partidários do PSD e do CDS voltaram também a apoiá-los…Porque tinha que ser…aliando-se aqui ao “porque tinha que ser” do PCP e do BE porque, como disse o Professor Francisco Anacleto Louça, o tal que ainda fala de uma “Coligação Negativa” contra os Professores”!!!, o Governo os detesta!

Mas tem que ser o quê? Utilizar a nossa reincidente Esquerda, agora apoiante parlamentar do Governo Socialista ainda por cima, os Sindicatos, as Ordens, o celebérrimo Mário Nogueira novamente e ainda a nova “passionária” do PSD, a tal que afirma que as operações adiadas jamais se farão e que os Enfermeiros, depois do seu horário ter sido reduzido para as 35 horas semanais, são uns “escravos” que trabalham o dobro das horas legais de trabalho, para além de quererem a reforma aos 57 anos…para desgastar esse “monhé” metido a besta, esse usurpador, esse das contas certas…

Professor Francisco Anacleto Louçã: Quem é Amigo, quem é?

Senhor Professor: A Coligação negativa não é contra os Professores, é contra o Governo!

 

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AS GREVES dos O.S. (Órgãos de Soberania)!

 

Ter-se-á aberto uma Caixa de Pandora? Ainda não, mas bem que se pode abrir…

A segunda figura do Estado, S. Exª o Senhor Presidente da Assembleia da República, pede uma audiência urgente à primeira figura, o Senhor Presidente da República, com o intuito de (a tal coisa grave de que lhe falou ao telefone) lhe entregar um Pré-Aviso de Greve!

Greve Sr. Presidente? Greve, mesmo greve, greve assim mesmo a valer? Mas isso é grave, muito grave, Senhor Presidente da A.R. ! Como pode um O.S. (Órgão de Soberania), e o Senhor é a segunda figura do Estado, o que substitui esta primeira figura quando ele não está, e olhe que não são tão poucas vezes assim, embora tal não se note pois eu estou sempre em serviço, fazer greve? Que exemplo dá o Senhor a todos os restantes cidadãos?

Pois é Sr. Presidente: e os Magistrados? Sim, esses que além de tudo o mais até são “irresponsáveis”, chegam às horas que querem, prendem pessoas à noite e ainda metem horas extras? Manifestou-se V.Exª, a primeira figura na ordem de todas as outras, contra a sua, deles, greve? Opôs-se V. Exª? Abriu, quiçá, a boca?

Mas, supondo que eu aceito este seu Pré-Aviso de Greve, mas aviso-o desde já que não prescindo dos serviços mínimos (tem que haver mesa, já que o quórum ninguém controla…), isto é, os adjuntos não podem fazer essa uninominal greve (ai o malandro!). Mas, lamento Sr. Presidente, eles estão todos solidários e também vão fazer greve. Pois, franziu o Presidente a testa, mas que raio reivindicam vocês, afinal?

Um Subsídio de Risco e mais Horas Extras! Mas como um Subsídio de Risco e ainda mais Horas Extras? Veja Sr. Presidente: o Senhor tem um verdadeiro séquito de seguranças à sua volta e, assim de repente, não vejo quem lhe queira fazer mal…Tem também um policia em cada porta…e nós? Aqui na Assembleia até os Polícias, veja V.Exª os Policias, já as escadarias subiram e não fosse a voz enérgica da Esteves que as mandou encerrar, sim as escadarias, não sei o que teria sido e mesmo nos tempos do tio-avô do de Carvalho, até os deputados lá fecharam, coitados, desamparados, sem telemóveis até, veja só. E, de vez em quando, até o pessoal das galerias temos que mandar desamparar…pessoal das galerias, um perigo permanente, não sabe?

O Presidente, a primeira figura pois o outro também o é embora seja da segunda, pôs-se a pensar. E ele até é daquelas pessoas que pensa pouco, mas no sentido em que pensa rápido, a ver se encontrava, também ele, um bom motivo para fazer uma grevezita. Para, sendo ele o primeiro na ordem dos tais órgãos, para não ficar atrás dos restantes e não ser visto como um fura-greves…pois se até aqueles que, fosse qual fosse cenário, nunca ninguém ousaria pensar que alguma vez fossem para uma greve, os Magistrados…nunca ninguém imaginaria, porque não, também ele, fazer um dia de greve?

Pensou, pensou, olhou para os livros, vieram-lhe “bibliotecas” de coisas à cabeça e…nada!

Mas teve então aquela ideia luminosa, ideia que enche a alma a qualquer mortal quanto mais a ele e, de imediato, ligou ao Camarada Secretário Geral! O Secretário Geral da CGTP, disse-lhe ele ao telefone, o Presidente vai fazer um dia de greve! Que acha? Greve, Sr. Presidente? Mas porquê Sr. Presidente? Em solidariedade com todos aqueles que até queriam fazer greve, mas não podem…é que se o fizerem adeus emprego e eu acho isso uma coisa insuportável, sabia?

Do outro lado, do lado do Camarada Secretário Geral, nem mais um pio se ouviu! O Camarada Secretário Geral de certeza que desmaiou…

E estava o Sr. Presidente no seu dia de greve, descansadinho no seu sofá, tomando um chã e jogando no telemóvel ao Sudoku, quando recebe uma chamada do Sr. Primeiro Ministro, outro Órgão de Soberania, mas este classificado como terceiro!

Então Sr. Presidente, eu sei que hoje não é quinta-feira mas, por onde anda? Por onde ando? Então o Sr. Primeiro Ministro não sabe? Pois já sei, o Senhor nunca sabe de nada! Estou no meu dia de folga, quero dizer, desculpe, de greve! Eu sei Sr. Presidente e até ouvi dizer que em solidariedade com todos aqueles que não podem fazer greve, sei lá quem…os Chineses? Mas não acredito: será para “lixar” os Juizes?

Não Senhor Primeiro Ministro, nada disso! É que o Senhor Presidente da Assembleia, o segundo na ordem dos Órgãos de Soberania, vai fazer também greve para receberem, ele mais os seus adjuntos, Subsídio de Risco e mais Horas Extras!

Subsídio de Risco e mais Horas Extras? E nós no Governo? E nós que nem temos sábados nem domingos e, muitas vezes, nem dias nem noites? E nós que passamos o tempo, tal qual V.Exª, metidos em aviões, às vezes sem dormir até e a comer sandocas para não termos que tragar aquelas comidas dos aviões, e onde nem sequer um cigarrito se pode fumar para desentorpecer os músculos?

Nós que nem uma “personal trainer” temos, nem uma massagista sequer, para não falar de uma paramédica ou fisioterapeuta até…Como não termos um Subsídio de Risco?

Nós que ouvimos de tudo e de todos, o que queremos e o que não queremos e que somos culpados por tudo? Da estrada que ruiu, da água que fugiu, da chuva que caiu e também da que não caiu, da barragem que secou e que depois transbordou, do barco que afundou, da ponte que caiu, da enxurrada que surgiu, da lama que emergiu, dos carros que afundaram, das árvores que tombaram e tudo à sua volta estragaram, do surto da gripe  e tudo…Nós também vamos para a Greve…

Vamos todos para a Greve!!!

Mas ó Senhor Primeiro Ministro e aqueles Estivadores de Setúbal, que tanto prejuízo estão a dar ao País, quando os põe V.Exª na linha e acaba com aquilo? Mas Sr. Presidente, aquilo é só com V.Exª: eles só estão à espera do Sr. Presidente para com eles tirar uma Selfie!…

 

Nota: Todos os intervenientes são figuras fictícias e qualquer semelhança com a realidade não passa de pura coincidência…

 

 

 

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QUE FUTURO, ESQUERDAS?

Habituei-me durante toda a minha vida, pela educação dos meus Pais, pelos ensinamentos colhidos dos Professores e também pelo ouvido de gente mais velha, que o “óptimo é inimigo do bom”, que “quem tudo quer tudo perde”, mas que só com luta e perseverança se consegue alcançar o que consideramos justo se quem o deveria proporcionar disso não se lembra sem que haja essa luta perseverante…

E, exceptuando o período a seguir ao 25 de Abril de 1974 em que várias coisas de dignidade mínimas foram por decreto estabelecidas, como o Ordenado Mínimo por exemplo, nada mais os Trabalhadores, sejam eles Privados ou Públicos, conseguiram dos sucessivos governos, em tudo o que à dignificação do sagrado valor do Trabalho diga respeito, sem uma luta firme da Classe Trabalhadora, impulsionada pelas suas estruturas Sindicais e, ainda, pelos Partidos que na Assembleia da República maioritariamente os seus interesses representam.

Isto é um dado objectivo e para mim inquestionável e esta constatação advém do facto de o Partido charneira do nosso sistema politica, o PS, que até é composto maioritariamente por gente das Esquerdas, ter tido sempre e sempre uma politica de privilegiar a Direita nos seus acordos Sociais e Parlamentares. E diziam sempre eles que “em nome da responsabilidade”!

Esta foi sempre a principal razão, a falta de confiança absoluta, quer me levou vezes e vezes, praticamente sempre, a votar na CDU e não no PS! Dizia eu, meio a brincar e meio a sério que, assim, nunca me doeriam as mãos…A CDU foi sempre, para mim, um depositário fiável do meu voto…

Mas ansiei sempre e sempre que as coisas se alterassem e que fosse possível haver enfim, já não digo uma união, mas ao menos um acordo das Esquerdas em questões básicas, como finalmente veio a acontecer. Como antecipadamente escrevi (e a memória escrita não deixa mentir…), senti que as condições, depois do tremendo e imperdoável erro histórico do PCP e do BE quando votaram contra o PEC IV e escaqueiraram as portas do poder à Direita, estavam a fortalecer-se e decidi votar COSTA!

E posso afirmar, agora de coração aberto (abstraindo-me, é claro, da minha vida familiar e particular), ter sido este curto período da minha vida (incluindo aquele logo a seguir ao 25 de Abril) em que a minha alma se sentiu mais cheia e me levou, como nunca, a dar Graças à Vida! E a gritar: finalmente!

O meu “feeling” estava correcto e, como escrevi no anterior artigo, Portugal tem vivido um período que, ainda que curto, mas de resultados jamais espectáveis, tem sido um período de afirmação internacional e um período de aumento e confiança e auto estima nele próprio que não me lembro de ver, mas que lhe colocam, a si, ao Governo e às forças que no Parlamento o apoiam, desafios de enorme relevância!

E aqui, embora haja pessoas que no pleno direito à discordância digam que eu faria bem melhor se estivesse calado, pretendendo certamente dizer que há “vacas sagradas” nas quais não podemos mexer , sob pena de sermos abjurados por essas Esquerdas, eu só posso dizer a essas pessoas e demais que me leiam que eu, depois de quase 500 (quinhentos) textos publicados, em que à saciedade exprimi as minhas opiniões, não é agora que me vou calar…Ainda por cima por opiniões que estão abertas a todos e quaisquer contraditórios…

Se mudei de opinião? Muitas vezes já mudei e “Se na Vida tudo muda, que eu mude não é estranho…”( Julio Numhauser e Mercedes Sosa- TODO CAMBIA)!

E quais são esses desafios? Há um primeiro e essencial que é um certo deslumbramento, principalmente do PS, quanto à situação da Direita, não levando em conta do que ela é capaz e que tem sido bem espelhada em recentes eleições, mesmo em países Europeus. Eles são capazes de tudo e eu realço a capacidade de se colarem aos protestos dos Trabalhadores e das suas Organizações Sindicais, fazendo crer que este Governo poderia e deveria ter feito muito mais e só não o fez porque não quis ou não teve competência para tal! Competências que eles já demonstraram ter, certamente…

Depois, eu tenho visto com alguma preocupação este fenómeno de, depois deste Governo ter restituído tudo o que anterior “confiscou”, de ter reposto tudo o que anterior “retirou” e ter, ainda, restabelecido o que, não só o anterior, mas também anteriores alienaram, haver tantas greves e tantas lutas sectoriais e desgastantes, muito embora eu continue e pensar não estarem elas a ser acompanhadas ou apoiadas por uma Sociedade que, em geral, se mostra mais consciente dos resultados conseguidos pelo Governo. Mas…

Isto é, esta inoperante, ausente de ideias e propósitos, enleada nas suas próprias idiossincrasias e nas suas contradições Oposição, vale-se das posições dos parceiros deste Governo para, através deles e das suas contradições, fazer oposição.

Pois, como entender que Partidos que votaram a favor do Orçamento na Generalidade, anunciem propostas que visam deturpa-lo na sua essência e mesmo desvirtua-lo? Como entender? E como entender que estes Partidos (PCP e BE) aceitem que o PSD a eles se alie na reprovação de certos items? Como entender?

Como entender também que, em relação a medidas positivas conseguidas (e para isso lá estão), venham de imediato reclamar a sua autoria ou pressão definitiva, não demonstrando qualquer solidariedade com um Governo que no fundo vão suportando, mas no qual não se revêm e, por isso, recusaram e recusam dele fazer parte?

Será que, por exemplo, os Professores, ou melhor os seus representantes, os que se sentam diante do Governo para negociar, pensam mesmo que o Governo não lhes dá o que eles reclamam, sendo que tanto já lhes deu do que roubado lhes foi, porque não lhe apetece ou mesmo não quer? Ou, antes pelo contrário, pretendem mesmo uma outra politica, como em 2011 sucedeu?

Dá às tantas para subentender que, como profissionais que são, pois a maior parte deles outra coisa nunca na vida fizeram, desejam que tudo volte ao antes para assim poderem exercer o seu múnus, mas um múnus de que, infelizmente, durante os governos da direita muito se esqueceram…

E atenção, muita atenção, aos jornais e televisões pois, embora eu pouco as veja, já notei estarem a potenciar estes, para já, pequenos pormenores, como no “Expresso” vir “escarrapachado” que “os salários cresceram, mas o poder de compra está aos níveis de 2011…”.

Toda a gente percebe ser isto uma inverdade (basta atentar no aumento do consumo) e mesmo um silogismo, mas…que eu estou preocupado? Lá isso estou…

Mas entendo aproximarem-se tempos de decisões e destes Partidos dizerem sem sofismas o que pretendem. Eles têm medo do PS, é óbvio, e desejam que, acima de tudo, que o Povo veja reconhecida a utilidade decisiva do seu “apoio” ao Governo. Mas, também no meu entender, o Povo perguntará: e que vão fazer a seguir? Apoiar ou ser contra? E aqui torna-se tudo mais difícil para eles…

É que, depois, voltará o de sempre, o velho discurso: o de que o PS é um aliado da direita, que quando é governo só faz politicas de direita etc, etc..

Pois é! Mas durante estes três anos quem “obrigou” o PS a fazer politicas de Esquerda? Foram eles ou não? Estiveram dentro estando fora ou estiveram mesmo fora fingindo estar dentro?

Por isso vão ter de o dizer! Ou sim ou não. Ou estão dentro permanecendo fora ou estão mesmo fora não pretendendo fingir que estarão dento. Eu, pelo menos eu, já não dou para esse peditório.

E, como exijo e vou exigir essa clarificação, muito embora não pretenda uma maioria absoluta de Costa, não hesitarei em neste votar se tal clarificação não se verificar…

E se esta pressão contranatura se mantiver…E não pensarei duas vezes!

Tenho dito e fica escrito!

 

 

 

 

 

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TRÊS ANOS! TRÊS ANOS DE GOVERNO DAS ESQUERDAS…

Há quem assemelhe estes três anos de progresso económico, de recuperação de rendimentos, de direitos, de restituição de tanta e tanta dignidade, de actualização de muitos sentimentos a realidades perdidas, a ambições empatadas e desejos estagnados que, para muitos, isto só se poderá assemelhar a um período da nossa História: a dos Descobrimentos!

Porquê? Porque foi um dos raros momentos da nossa História em que ousamos ser audazes, passe a redundância! Isto porque, estabelecendo um tipo de política social e económica contraditória com os cânones vigentes da UE, conseguiu o nosso Governo, o improvável Governo das Esquerdas (o tal que agora alguns necrófilos, verdadeiras almas penadas, se atrevem a dizer tudo terem feito para atenuar os danos da sua governação…coitados…), tal como na era dos Descobrimentos, fazer o pleno: descobrir novos caminhos, caminhos esses de impossível alcance, como se dizia antes e se dizia agora mas, tal como antes, com novos horizontes…

Antes foi a conquista das rotas da seda, da pimenta e de outras especiarias que, aos dias de hoje seriam de primeiro valor nas bolsas. Hoje é o caminho da inovação, das novas tecnologias e a realização da WEB SUMMIT em Portugal que nos últimos três anos e nos próximos dez faz de Lisboa e de Portugal a principal “Bolsa” das apostas na inovação e nas novas tecnologias no Mundo. Não foi um D. Henrique que isto promoveu, mas sim um Primeiro Ministro com visão larga e progressiva, JOSÉ SÓCRATES, que tal idealizou e colocou em prática quando nomeou MARIANO GAGO, qual D. Henrique de antes, para promover uma revolução nas nossas Universidades e nas nossas Ciências…e que este novo e progressista Governo ousou continuar e dar corpo.

Somos um País pequeno, somo é evidente mas, neste momento, talvez sejamos dos únicos que se podem gabar de ter três “Startups” que já facturam mais de mil milhões de Dólares e estão presentes nos principais centros de saber no mundo existentes…

Não é impunemente que um País que é governado sem quaisquer cabrestos, que até tem o seu Ministro das Finanças como Presidente do Eurogrupo, que cumpre leis e tratados e se gaba de ter contas em dia ter, em três simples anos, conseguido varrer da sua memória aqueles dias tenebrosos de um governo de direita, um governo de autêntica capitulação e dirigido por gente sem espinha dorsal…

Mas, e há sempre um “mas”, também este tempo é um tempo de “oportunistas”! Sim, quero mesmo frisar: de “oportunistas”! De gente, de estruturas laborais e de classe que podem ter toda a razão do mundo, e têm, mas que, fazendo nestes tempos tanto jus à sua injustiçada classe, se olvidam, como que por encantamento, do que foi o seu comportamento, detestável, inacreditável e de impossível esquecimento, durante o governo da sua e deles PAF, das trevas e da Troika!

Onde esteve o Mário Nogueira e a sua FENPROF? Onde esteve esta auto-promovida “passionária” dos Enfermeiros/as, vinda das estruturas da tal PAF, como que ressuscitados pela tal “Geringonça”? Estiveram em hibernação? Quando tanto e tanto cortaram e nada ofereceram, que lutas fizeram ou promoveram? Que greves?

Pois foi este Governo que, em apenas três anos, tudo lhes restituiu do que foram “roubados”! Nunca esperariam melhor, pois não Professores e Professoras votantes da PAF, que muitos e muitas eu bem conheço? Pois não Funcionários e Funcionárias Públicos? É verdade ou não? E querem agora, Professores, que um Governo com três anos vos devolva, de uma vez, o que outros vos “roubaram” em nove anos?

Este, o meu Governo, devolve-vos três e é justo!

Mas quando eu digo “meu” Governo, eu é que deveria ser contra ele. Porquê? Porque, azar o meu, em nada me beneficiou, antes pelo contrário. Durante os anos de doença da Graciete nada me deu. Fui durante dez anos um Cuidador e nunca disso fui beneficiado, antes pelo contrário. Agora já se fala em legislar pró Cuidadores. Com 63 anos de idade e mais de 43 de Segurança Social fui obrigado a ir antecipadamente para a Reforma, vi esta deduzida do factor de sustentabilidade (mais de 400 Euros) e prejudicado pela mudança de critérios em Janeiro/17 (é preciso ter mesmo azar…) em cerca de Mil Euros!

Quer dizer: Um Professor, em iguais circustâncias que as minhas, descontou durante a sua carreira contributiva metade do que eu descontei e recebe quase o dobro do que eu recebo… Mas agora, sem retroactividade, estão a pensar rectificar isto…Querem justiça? E eu?

Quer dizer: estou sempre de mal com a História, mas estou sempre de bem com a minha consciência!

E Vocês, oportunistas sem nome, “lutadores” por arrasto, profissionais do virar dos ventos, açambarcadores das facilidades, do faz de conta e das vaidades…de que lado estão?

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COMO PODE (dgie)?

Ou: O SÍNDROME DE ESTOCOLMO (revisitado)!

Já uma vez aqui escrevi acerca deste síndrome, mas em contexto claramente diferente, como poderão ver aqui https://wp.me/p4c5So-2O, mas desta vez num âmbito um pouco diferente, mas tendo como base a essência do célebre síndrome: o que leva um preso, cadastrado ou um privado da sua Liberdade a acabar por se relacionar com o o seu carrasco ou, neste caso, um votante votar em quem sempre o oprimiu e oprime…como se a sua memória, ou a memória colectiva, não existissem?

Ou, de outro modo, quem tendo sido escorraçado da sua Pátria por quem lhe tirou ou sugou todo o seu suor, a ela volte, ou não, mas continue a votar, nunca saberei em nome de quê, e mesmo que o saiba nem acredito que o sei ( uma questão quase clubistica?), naqueles mesmos que os escorraçaram…é algo que, como justificação ou razão, apenas poderei reportar para o célebre síndrome…porque para o racional entendimento  nunca poderei reportar…

Mas um síndrome de que nunca padeceram os velhos resistentes, aqueles que durante anos e anos foram mortificados nas cadeias, nas cadeias para onde os mandaram privando-os da Liberdade e da Vida ( para além da Família…), apenas por lutarem pelos seus, pelos mais fracos, por aqueles que, mesmo tendo vontade, ainda tinham um conhecimento da “politica” e da relação de Classes ainda sofrível, mas tinham um sentimento e um conhecimento enormes das Injustiças!

E sinto pena, muita pena, que muitos povos de muitos países, o nosso inclusive, a quem pelos vistos não lhes foi ensinada a História, a História do seu País e do Mundo, e ainda das suas Famílias, perante um problema actual, um problema em que toda a sua cultura Humanista, Histórica, e de abraço com a Verdade deveria ser dirigida para a sua elevação, dirija os seus votos a favor dos carrascos dos seus avós, dos seus pais e de muitos dos seus parentes, em nome de uma simples coisa: do seu ocasional egoísmo!

Mas que, de imediato, se verifica, e eles próprios logo verificaram, ter sido o seu acto apenas dirigido pelo ódio…A quem? A quem sempre os defendeu mas que, em determinado momento histórico, os desiludiu! Com toda a razão o pensaram mas sem qualquer razão esse ódio executaram. Porquê? Porque o seu ódio circunstancial obviou o retorno ao poder de quem sempre os renegou e baniu… E que, de imediato, os informou de que, pese o seu voto, os continuaria a banir…

Pois é… e aqui estamos! Lindo serviço fizeram os eleitores da emergente Classe Média Brasileira que agora resta como réstia da esperança de alguma vez lá entrar…Os que desejando paz nos bairros e nas Favelas votou numa arma em cada casa e na militarização dos seus bairros…Os que desejando uma Escola Pública decente e progressiva, acabaram por votar num espécime chamado Frota que, instado pelo seu mestre, proclama uma arma em cada escola e o abandono de tudo o que sejam culturas humanísticas, isto é, Marxistas, segundo eles!

Ora tudo isto demonstra uma tremenda incultura política, uma tremenda iliteracia acerca de tudo o que seja Social e, acima de tudo, um conservadorismo tão profundo, tão arreigado e tão antiquado que, mesmo observando a actualização das pessoas com os aspectos mais fúteis dos tempos, nada lhes conseguimos ver nem quanto à Cultura, nem quanto aos Costumes, nem quanto ao viver em Sociedade, que implica o dar e o receber, o aceitar e o promover, o reclamar e o propor, o perceber e o instar, o exigir e o condescender, em suma tudo isso o que faz a Democracia e o que nos faz sentir parte integrante da mesma…

Mas saber-se que se vai votar e, de imediato, se vai arrepender, simplesmente por um desejo punitivo que, também de imediato, se sabe se vai virar contra si próprio; saber-se que, no fundo, se está a entrar num terreno deveras perigoso e, mesmo assim, se resolve experimentá-lo, com o imediato arrependimento, já se sabe e de quem já o sabia…além de triste é doentio!

Mas, pior ainda, votar-se sem saber de nada; votar-se sem nunca ter ouvido nada; votar-se sem nunca ter escutado alguém que alguma vez lhe tivesse ensinado fosse o que fosse; votar quem na vida só sabe o que é obedecer e quem, pior ainda, na vida só anseia ser como o rico, como o patrão…e vota nele?

Perdão para todos eles…não sabem o que fazem, mesmo fazendo mal, muito mal…até a si próprios! Como pode?

Mas pode…

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UM “VELHACO” SERÁ SEMPRE UM “VELHACO”!

Estava eu descontraidamente passando o dedo pelo meu telelé vendo as últimas, pelas quais os dedos passo com mais rapidez do que faço um acorde de tão treinado que estou, quando dou por mim a arregalar os olhos, a recentrar as lentes, a respirar fundo e a abanar a cabeça para afugentar o sono! Que se passou? Eu li, ali mesmo com estes olhos que já precisam de ajuda, que o Aníbal escreveu mais um livro e este acerca das “Quintas Feiras”…

Que o António Aníbal escreva um livro, ou lhe escrevam um livro, vá que não vá, mas acerca de assuntos de Estado, acerca de conversas pessoais e ainda por cima institucionais…isso não lembraria nem ao diabo! Ainda por cima quando, acerca dos assuntos relatados, nunca ninguém lhe ouviu à época, ainda muito recente, um único pio, um único rosnar ou mesmo um eco de múmia…

Não que deste “Velhaco”, termo que o nosso Povo utiliza para definir pessoas destas e muito bem, eu não esperasse coisa assim mas, dirigido a um seu correlegionário e protegido, isso saltou das marcas e pôs-me a pensar sobre o assunto e como é que eu, oh coisa impensável, até acabo a defender o Passos, coitado…como se diz em Coura, carinhosamente!

E pensei: isolado nuns anexos de um convento, lugar que escolheu para refúgio pensando ter aí a paz de espírito e a tranquilidade necessárias para escrever as suas memórias, grandiosas, irrepetíveis, profundas e gloriosas memórias, memórias de um vulto único na História de Portugal, economista invulgar que só não foi Nobel porque o mundo é injusto, nunca foi prémio Camões porque somos muito mesquinhos e nem prémio Pessoa porque odeia escritores. Quanto ao resto…

Mas tal escolha revelou-se fatal para a Maria, que das duas uma: ou o acompanhava na solidão do anexo, fazendo tricot ou palavras cruzadas, ou ficava em casa vendo novelas e suspirando pelas festas a que já não ia nem era chamada, pelas vernissages ou mesmo pelos chás de caridade para os quais nunca mais foi convidada e, esperta como só ela, concluiu: é tudo culpa dele! Já ninguém quer saber dele, da sua sobranceria, do seu revanchismo, do seu quase ódio (isto é a Maria a pensar…) e eu é que sofro, que nem reforma tenho para dele me livrar. Tentações que surgem, é o que é…

Ai Aníbal, Aníbal…tu tens que acordar Aníbal! Basta tu balbuciares uma palavra que seja que te cai logo todo o mundo em cima. Todo o mundo não digo porque os “nossos” ainda fazem pior: ignoram-te! Até “múmia” te chamam…Os nossos fazem orelhas moucas, chamam-te até de empecilho e os outros para além de “bacalhau seco”, não se cansam de dizer que foste a coisinha pior que Portugal pariu! E mais, que foste tu e não o desgraçado do Passos o maior responsável por aqueles ainda recentes quatro anos de sádica memória para os Portugueses…dessa desgraceira sem nome…e porquê? Porque nunca levantaste a voz, porque sempre aceitaste tudo e porque foste conivente. Cobardolas, digo eu (a Maria), naquele jeito que só uma mulher sabe dizer…

Aí o Aníbal acordou do pesadelo para onde a Maria o fazia deslizar, um pesadelo que lhe fez recordar todos os avisos que ao longo dos anos foi fazendo e, curiosamente, não se sabe se por efeito Mariano ou Coelhoso, deles se esqueceu! De todos! E só conseguiu recordar o passado recente o que, convenhamos, não é próprio das “múmias” mas sim dos “velhacos”…

E recordou as “Quintas Feiras”, com o Sócrates, muito difíceis, com o Passos, muito atribuladas e com o Costa, muito divertidas! E disse para consigo mesmo: é com elas que este “je” se vai regenerar aos olhos do Povo!

Ora pensa comigo, Maria: Se todo o mundo odeia o Passos (eu bem tentei dar-lhe a mão, mas era tarefa impossível)  e se todo o mundo ainda pensa que eu fui conivente com  ele e com aquela irresponsável politica por si seguida, nada melhor do que pôr os pontos nos “is” e contar a verdade! É que afinal eu estive sempre contra ele, contra as suas propostas e desígnios e só não actuei, denunciei, vetei e me intrometi porque estava em causa o superior interesse nacional!

“Interesse nacional” uma politica que até à minha parca pensão veio meter a mão, diz a Maria? O partido assim o defendia…encolheu os ombros o Aníbal…

E assim o fez o Aníbal, com a Maria dando gritos de insatisfação e desespero…”Ai o que ele vai fazer, ai no que ele se vai meter…está maluco é o que é e, a continuar assim, o melhor que tenho a fazer é interna-lo…”.

O infeliz do Passos, como se não tivesse bastado o resultado da sua teimosia e daqueles óculos que só o deixavam ver em frente e ao mesmo tempo lhe cobriam as orelhas, ser fustigado de modo tão torpe, deselegante e indigno de quem ocupou cargos de Estado…só se perguntou: o que levará um ser tão mesquinho a ter uma atitude destas?

Então depois de o acusar de tudo o que o acusou ainda tem o desplante de lhe dizer “…mas tem boas razões para estar tranquilo e sentir mesmo um certo orgulho pelo trabalho realizado!” ?

Tudo o que correu mal nessa altura suscitou-lhe sempre grandes dúvidas (escreveu o António Aníbal)!!! Como?

Ah. grande Aníbal, meu grandessíssimo VELHACO!

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ORÇAMENTOS da “ Geringonça”? São CONTAS CERTAS!

Poderão vocês legitimamente perguntar-me se este título não será ele mesmo uma redundância, já que é suposto qualquer Orçamento ter que ser certo na justa medida em que o “Deve” tem que ser igual ao “Haver”, tal como desde a Escola Primária aprendemos…

E nesse preciso conceito, até que redundante é! Mas quando nos referimos aos Orçamentos da “Geringonça” em contraposição com os da anterior PAF/TROIKA, gente toda ela de um rigor à prova de bala, verificamos que todos os Orçamentos projectados e concretizados pelo Governo da dita “Geringonça”, foram executados e foram cumpridos no estrito respeito do que estava assumido e sempre “pro bono”, isto é, ultrapassando sempre e positivamente as metas estabelecidas, nomeadamente as do “Deficit”!

Totalmente ao contrário do que o que aconteceu com os da PAF/TROIKA, que se manifestaram sempre de impossível execução, face ao cenário macroeconómico mundial que nunca previu e sempre desvalorizou e que, de tão fracassados se manifestaram, que tiveram que ter sempre “Rectificativos”!

Mas que diabo quererá isso dizer de “Rectificativos”? Quer dizer isso mesmo: erraram os cálculos e tiveram que rectificar! Tanto os cálculos como as contas. CONTAS CERTAS? Isso é que era bom…Tudo errado!

Um ORÇAMENTO é um exercício de matemática pura onde os dois pratos da balança, o da despesa do lado esquerdo e o da receita no lado direito têm que, no fim, ser iguais! Esta despesa cubro com aquela receita, esta maior com aquelas duas, algumas para vários sectores, etc, etc, até que chegamos a um determinado momento em que já não há receita para tanta despesa e lá vem o celebérrimo “Deficit” !

Que, aparecendo do lado direito como dívida, quer dizer que tivemos que obter uma “receita” extra para suprir aquela inevitável despesa (neste caso Juros de Dívida), vai acrescentar à Dívida! Se assim for… E assim foi com  todos os Governos da PAF/Troika! Orçamentos sempre projectados em realidades falsas e virtuais, propositadamente assim para terem como única salvação o confisco dos rendimentos dos trabalhadores! Como se verificou porque baseados em pressupostos propositadamente errados para a obtenção do objectivo desejado: Serem a deflação e a austeridade as salvíficas soluções! Ledo engano…

Mas um Orçamento não se esgota nas chamadas “Contas Certas” e, racionalmente, obedecendo a um certo contexto político, associado ao inevitável cenário macroeconómico, não só Português, mas também Europeu e até Mundial, pressupõe e incorpora, inevitavelmente, escolhas políticas! Certamente que sim e nada de diferente seria de esperar de quem, sendo de Esquerda e apresentando Contas Certas, não derivasse esse seu Orçamento para a persecução das politicas já anteriormente seguidas na melhoria da vida dos mais necessitados…tendo sempre em conta tudo aquilo que socialmente implica…

Quando a Direita acusa este Orçamento de Eleitoralista (e que má memória ela tem…), Mário Centeno dá a resposta definitiva, não só à Direita como à CE, que se limita a enviar a mesma carta ao anterior incumpridor e agora cumpridor, como a mesma envia ao anterior cumpridor e agora incumpridor, dizendo-lhes e mostrando-lhes: Como eleitoralista se eu (nós), os das Contas Certas, tivemos um défice de o,7% e agora prevemos neste Orçamento a sua redução para o,2%? Como?

Como quando Países mais responsáveis, porque mais ricos, mais produtivos e mais centralizados admitem apresentar défices na ordem dos quase 2% e, caso da Itália, ainda mais? Que diz a Direita, pressupostamente tão rigorosa, que diz ela a isto? Caladinha…

O “Milagre da Geringonça”, o que tinha como principais pressupostos  a Reposição de Rendimentos ( “ Um Governo de Reposições “ foi o titulo que eu escolhi para o primeiro texto publicado logo a seguir à posse do Governo do PS apoiado parlamentarmente à sua Esquerda, no dia 10 de Novembro de 2015, https://wp.me/p4c5So-xg, e aqui está o acesso”), a aposta no crescimento do consumo privado ( dependente sempre do aumento dos rendimentos disponíveis) e do crescimento económico como sequência dos aumentos dos rendimentos e consequente procura interna ( para já…) para chegar ao supremo objectivo que é o do CRESCIMENTO DO EMPREGO ( e sequente e inevitável descida do Desemprego e tem que ser assim dito porque uma coisa obvia a outra…), tornou-se um facto!

Um indesmentível facto e hoje a taxa do Desemprego, não podendo chamar-se ainda de residual porque há muita população em situação indefinida, ainda vitima dos tempos da Troika, do Passos, do Gaspar, da Paula, da Mariluz, do Monteiro, do Paulo, da Cristas, do Pires, do….que não conta nem para um lado nem para o outro, mas continua a deformar o quadro, por mais que este seja francamente positivo!

Em contraposição com uma politica de austeridade, uma virtuosa austeridade que não se fixava em qualquer politica de crescimento mas unicamente numa chamada “austeridade redentora” e que desaguou em deflação ( o contrário aritmético de crescimento…), a GERINGONÇA com MÁRIO CENTENO à cabeça, optou por uma solução totalmente contrária à teoria vigente, uma solução KEYNESIANA ( e eu sou Keynesiano por la gracia de mi dios, como disse Nicolau Santos…) e, para espanto dos burocratas de Bruxelas, todos ele catequizados nos Goldem não sei quê…, CENTENO apresentou resultados! E foi, falta saber se como exemplo ou imolação, parar a Presidente do Orgão que os representa…

 Nos momentos seguintes à entrevista do Ministro das Finanças à TVI, apareceram por lá uns papagaios, uns repetindo que o Orçamento era eleitoralista, que afinal não baixava o IRS e que, mas que vergonha, ainda estava aos níveis de 2010, tudo dentro da normalidade, mas depois apareceu Bagão Felix  pessoa que eu, talvez por deformação minha, até costumo ouvir! E porquê? Porque me dá a visão séria do outro lado!

E disse uma coisa muito simples: Sabem quanto custa, em termos de Segurança Social, a passagem de um crescimento económico de cerca de 2% para uma deflação de 3%, não contando sequer com o facto de aumento de emprego, se risível, não ter para o caso influencia imediata? Cerca de 9 mil milhões de Euros! Foi o que foram buscar, leviana e usurpadoramente, aos bolsos dos trabalhadores e dos Reformados!

Este número é o que resulta da não cobrança de receitas (um empregado paga IRS etc etc etc.. e não recebe Fundo de Desemprego) e do consequente pagamento de prestações socias e onde, como é bom de ver, mas Suas Exªs da PAF nunca viram, o Estado sofre a bom sofrer! Até um cego isto vê…Menos V.Exªs , obcecados com “vosotros”, como diria o meu Amigo Paco…

De modo que eu reputo este Orçamento de “Possível”, de Bom e de Justo! Satisfaz a todos? Claro que não! Era suposto satisfazer? Claro que não também…E, por isso, dou por mim a não compreender manifestações marcadas. Contra quê, pergunto eu? Contra o PCP e o Bloco que não alcançaram tudo o que queriam e que elevaria o défice para números “italianos”? Contra o PS que fez finca pé em algumas medidas? Contra quem? Contra o quê? Contra a Geringonça?…Pois é, e assumo o que vou dizer, assim  se perde credibilidade…Mas estamos mal? Como mal se nunca tão mal estivemos?!!!

Faltam as reacções! O CDS anuncia que vai votar contra porque o Orçamento “tira com uma mão e dá com a outra”! Isto é tão profundo que nem comentário merece…

Já o PSD, através de Rui Rio, vem dizer que este Orçamento é de Guterres e José Sócrates…e como tal…

Ó Ruizinho, ó meu querido Rui, tu que tanto adoras o Centeno (Ele seria sempre o teu Ministro das Finanças preferido, todo o mundo sabe…) e que por isso estás em fogo lento sendo queimado, muito embora insistas em não o sentir apesar dos calores que por ti assomam, e alheio ao facto de eles tramarem decidir em aumentar a temperatura que te envolve, e tu ainda nem sequer percebeste, aquele défice ali próximo do zero não de deixou gelado?

É por isso, concluo eu, que tu ainda vais aguentando essa temperatura crescente à tua volta…

Ai Ruizinho, ai…

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