UM HABILIDOSO INÁBIL!

“Habilidadezinha”, disse ele! Tal como eu que, quando não sei o que hei-de dizer, recorro a uma habilidade, mas apenas linguística. Como agora! Mas eu sou eu e ele é ele! E ele, franca e nitidamente, não as sabe usar! É que não se faz perceber, estão a ver?

Daí que Centeno lhe tenha respondido como respondeu, e ele tenha ficado quedo e mudo pois,  habilidade por habilidade, vale incomensuravelmente mais a que tem eficácia.

Por exemplo: quando ele afirma que a votação em Lisboa da sua Leal “Treza” vai ser uma “grande surpresa”, o que é isso se não uma enorme “habilidadezinha”?

Mas porquê, perguntarão e com toda a legitimidade? Porquê este pensamento dúplice? Isto é: quererá ele dizer que a sua Leal “Treza” vai ter uma estrondosa votação que ninguém augura e vai bater a Cristas por um fulminante KO ou nem que seja na linha de chegada e por um mais saliente peito que atinge mais rapidamente a fita? Ou desejará ele, usando essa mesma dúplice habilidadezinha, admitir que, enfim, vai ficar abaixo das suas expectativas e inapelavelmente atrás da Cristas? Pois é…

É que isto tem muito que se lhe diga! Recordem, então, quem avançou com uma candidatura, embora sem candidato, a Lisboa. Quem foi? Foi ele? Não, foi a Distrital ou Concelhia, já nem sei, sob o inequívoco patrocínio do seu visível opositor José Eduardo Martins. Lembram-se? O nome do candidato(a) nunca mais saía, mas o seu opositor, José Eduardo Martins, lá ia fazendo o programa! É que para ele qualquer candidato(a) servia!

Mas o nosso “habilidoso” não estava nem aí: já tinha programa e só lhe faltava o candidato(a), coisa que aos espertalhões desses opositores não cabia escolher, daí que, fosse qual ele fosse e fosse qual fosse o resultado final, nunca tal seria de sua única responsabilidade. Daí que a “Grande Surpresa”, fosse ela boa ou má, teria sempre culpados a correr mal e vencedores a correr bem, sendo que a culpa nunca seria dele, em caso de desastre, mas sim do programa…dos tais opositores! Estão a ver, uma vez mais? E uma mesmo que pírrica vitória (leia-se ficar à frente de Cristas), da por si nomeada candidata seria uma grande vitória e uma “grande surpresa”!

Mas qual vai ser, então, essa “Grande Surpresa”? A “Grande Surpresa”, que ele afirma com toda a sua “habilidade”, e tal como as sondagens indiciam, é a sua Leal “Treza” ficar mais ou menos empatada com a CDU e BE! Quem perde então? O José Eduardo Martins e a estratégia da sua oposição! E se ficar à frente da Cristas quem ganha? Ele, claro, pois conseguiu desvalorizar a sua oposição e enganar as sondagens!

Mas a Leal “Treza” poderá ganhar Lisboa e torná-la efectivamente “Mulher”? Bem, isso é como eu ganhar o Euromilhões, para não dizer o Milhão, mas que Lisboa se pronuncia no feminino e o Porto, por exemplo, no masculino, isso é uma evidência. E que Lisboa, a tal “Mulher”, tem duas mulheres concorrendo contra um homem, também o é. Mas que o homem vai ter o dobro da votação das duas juntas, que mesmo juntas não fazem uma “mulher”, e muito menos uma Lisboa, isso também é seguro. E que a sua Leal “Treza” vai sair dali esbracejando e culpando os dois, também o é.

De modo que o “habilidoso” por muito que não o queira, vai perder sempre: Nem a sua Leal “mulher” vai representar a Lisboa Mulher e, pior ainda, vai ser governada por um homem e a ela restar-lhe-á, mais uma vez, o refúgio do parlamento.

O José Eduardo Martins, esse vai ficar sempre a rir-se e a pensar: não é um habilidoso qualquer que me trama…

E “toma”, pensará ele também…

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LA DIADA!

 

La DIADA é, como todos sabem, a festa Nacional da Catalunha e o seu feriado principal.

Eu, por acasos do destino, embora vá frequentemente a Barcelona, porque lá vive e trabalha a minha filha, o seu Companheiro e estuda o meu neto, fui lá passar este último fim de semana e, porque soube, que não sabia, que segunda 11 de Setembro se celebrava o dia da Catalunha, feriado portanto, disse adeus ao bilhete que tinha comprado para regressar no domingo à noite e comprei um outro, muito mais caro diga-se, para regressar ontem à noite, segunda feira e no fim das festas e manifestações. E não me arrependi.

Para quem me segue no Facebook fiz uma detalhada reportagem, com directos, filmes, fotos, observações e muito mais. Uma amiga até me disse que o Governo da Catalunha me deveria agradecer…

Mas voltando ao tema, para se saber as origens deste feriado e desta comemoração que, ao contrário do que é normal comemora, ou melhor relembra, a perda, e não a conquista da independência, basta ir à Wikipédia e está lá tudo. Mas eu que, como sabem, não reproduzo nada dessa fonte (apenas algumas vezes nela bebo o que realmente não sei), apenas vos digo que, para compreender aquilo que agora se passa é fundamental conhecer um pouco que seja da história da Catalunha e saber do significado dos seus símbolos.

O retrato que acima reproduzo, tão elucidativo que é, venha de que força vier, é uma marca profunda e sensível do que é, neste momento, o sentir da maioria dos Catalães. Essencialmente perante um governo central arrogante, retrógrado, reaccionário e mesmo fascista, que não representa, nem um pouco, o pensar da grande maioria dos Catalães.

As razões profundas são históricas e é preciso compreendê-las e compreendê-las é não só saber das históricas como das modernas e, a saber, a luta dos Republicanos contra os Franquistas na Guerra Civil e tudo o mais…

Mas o ar que se vive em Barcelona, que bem conheço, e em toda a Catalunha, é um ar de insatisfação perante a negação da sua vontade de pronunciamento. O direito a votar no Referendo de 1 de Outubro p.f, claro está! As manifestações multipartidárias a que eu assisti, como nunca na vida tinha assistido, foram reflexo disso mesmo e, por isso, se viam maioritariamente as camisolas verdes claras do “SI”! “SI” ao referendo! Ao direito ao democrático pronunciamento das suas vontades.

Claro que há posições mais moderadas e mais extremadas. ADA COLAU, por exemplo, a Alcadeza de Barcelona, pessoa ligada ao PODEMOS, que é mais pela Catalunha como estado Federal, assumiu uma posição institucional, não se opondo ao referendo e antes o defendendo, não aceitou abrir as portas do seu Ayuntamiento e deixar que funcionários seus nele participassem, ao contrário de outros, e foi objecto de grande critica por parte dos independentistas, principalmente do Partido Nacionalista, e que ficou bem demonstrado numa grande targeta que eu vi, filmei e mostrei junto à casa da minha filha, na praça da Igreja de Santa Maria del Mar e onde está o mausoléu e o monumento às vítimas perecidas às mãos de Franco,  e que dizia: “ COLAU, a Barcelona Votarem”, isto é, em Barcelona, quer tu abras o Ajuntamento ou não, iremos votar!

E no dia 1 de Outubro, pesem todas as divergências de opinião, eles vão votar. E vão votar em nome  da sua identidade, da sua profunda divergência do poder central, da sua autonomia, isso é claro, mas do seu desejo de, mesmo pertencendo, como pertencem, a um Estado ( e creio, pelo que ouvi, a maior parte ter consciência do que será ter uma independência pura e dura) terem políticas sociais próprias, terem uma fiscalidade própria, terem órgãos de soberania próprios e, finalmente, serem credores da sua  História!

Que é um País à parte é, tal como o é o País Basco!

Compreender é preciso, para não nos deixarmos levar por convicções anacrónicas!

Mais: vi muitas bandeiras da CE e nenhuma foi vetada, como ninguém foi vetado.

Mas assisti, in loco, à maior concentração de gente que alguma vez sonhei ver…

Foi concentração e não manifestação porque ela não chegou a andar…era impossível!

Mas a mensagem, essa é evidente e esclarecedora!

E, como reza o cartaz acima que fotografei de uma parede, “Sem Desobediência, não há Independência”!

 

 

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“NÃO DAR UM PASSO MAIOR QUE A PERNA…”.

Lentamente começo a actualizar-me e, agora que terminou o período estival e recomeça a disputa política, também eu vou retomando os meus velhos hábitos e vendo alguma TV.

E ouvi hoje esta lapidar frase de António Costa, que releva da sabedoria popular e do bom senso, não admitindo, por isso, qualquer relevante contraditório, e verifiquei de imediatos três tipos de reacções: Por um lado o ar estupefacto de Passos Coelho, que desejava realmente que Costa aceitasse, por pressão dos seus aliados, dar “um passo maior que a perna”, a de Catarina Martins, também estupefacta e dando uma resposta leviana e inconsequente e, por fim, a posição sempre sensata do PCP que prefere esperar para ver, mas sempre disposto a lutar pelo possível.

“Lutar pelo possível” disse eu e conscientemente o disse. Porque é disso mesmo que se trata.

Pois vejamos: Se os resultados da Economia têm sido francamente bons; se os valores das principais variáveis económicas e sociais têm tido um comportamento francamente positivo ( a confiança, o investimento, o consumo privado, as exportações etc e etc.), tudo isso tem por sustentação dois aspectos nitidamente relevantes: por um lado a sensação de que o Governo tudo tem feito para inverter o ciclo da austeridade e reverter rendimentos, mesmo que faseadamente e, por outro lado, a certeza de que tudo isso tem sido feito observando e respeitando integralmente as condicionantes que nos são impostas pelo controle do défice e pelo rating da dívida.

Assim sendo, constituindo esta notável melhoria da situação económica e global um desafio a uma estabilidade sustentável, não só desejável como imprescindível, ela não pode ser desperdiçada por desejos de um aproveitamento pontual que se poderá tornar malévolo num futuro próximo.

As posições do Bloco de Esquerda, imediatistas , não digo irresponsáveis mas no mínimo aéreas, não condizem minimamente com a aceitação da realidade nem com as suas exigência e mais me parecem a daquelas famílias que, tendo conseguido uma momentânea melhoria da sua situação orçamental, desatam logo a gastar sem cuidar de poupar ou antever uma crise futura.

Reivindicar, como faz o BE, para que depois o sucesso das medidas sejam obra sua, é o caso de uma política pouco responsável e até oportunista, que nada aporta nem ao bom senso nem à estabilidade.

Contrário é, como disse, o comportamento do PCP. O PCP elege temas comportáveis e realizáveis. Estuda-os e, movimentando-se na sombra, sabe perfeitamente da exequibilidade e de todos os contornos mas, sabendo serem medidas possíveis e compagináveis, não prescinde delas. É consequente e responsável.

O BE apenas quer louros e apresenta uma Catarina sempre mal disposta. Não é bem o Passos Coelho, embora às vezes pareça, mas coloca-se muitas vezes a jeito!

É que Passos Coelho logo veio dizer do seu desejo: que os Partidos de Esquerda que apoiam esta solução parlamentar se desentendam e deixem o PS a falar sozinho!

Isto é o que ele sonha, já que todos os seus sonhos se têm perdido no anedotário do tempo, a não ser que a Catarina ajude…

De modo que eu reafirmo, corroborando energicamente a frase de Costa, que “ Não dar um passo maior que a perna”´ é o que impõe o bom senso e a razoabilidade!

O BE quer derrubar o Governo? Pois que derrube! Vai-se arrepender eternamente…

Não tenho nada contra o Bloco, mas nunca nele votaria!

É a minha opinião! Apenas minha!

 

 

 

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OS PARTIDOS e os “ QUEBRADOS”!

Um Amigo, proprietário do BLOG “ ESTÁTUA DE SAL” que com alguma frequência tem publicado os meus textos, mandou-me hoje uma mensagem: “Então, já não escreve mais? Está de pena caída? Anime-se e regresse!”, escreveu ele. Eu respondi-lhe: “Tem razão. Talvez hoje regresse”.

A grande verdade é que, para quem muito escreve, os temas começam a repetir-se e a vontade de sobre eles escrever tende a desvanecer-se. Para quê falar de Cavaco se sobre ele já tudo disse? Para quê falar de Passos Coelho se o que mais disser só pode soar a redundante? Para quê atribuir valor a um Rangel ou a um Poiares se já antes os caracterizei? E de muitos mais? Não renego existir nem mim um certo desencanto.

Isto falando de Política e dos nossos, como é vulgar dizer-se, “ódiozinhos de estimação”, porque daqueles que apreciamos não nos surge apresentar defeitos! É da vida…

Mas a tudo o dito posso acrescentar um certo cansaço de tudo aquilo que nos vai sendo apresentado pela imprensa e televisões e que me têm levado a deixar de os ler e ouvir, pensando eu, no meu intrínseco íntimo, que tal advirá também de um certo relativismo a que me habituei na observação do mundo circundante e resultante de experiências de vida nos últimos anos sentidas.

Mas o mundo continua a girar, a vida continua a rolar e os pensamentos tendem a habituar-se a essa roda viva. Fatal como o destino e, por isso, aqui estou.

E aqui estou para teorizar acerca de um fenómeno que já não é novo mas que, agora e a propósito das Eleições Autárquicas, ganhou uma dimensão e uma exposição nunca vistas.

Nunca vistas, não só pelo fenómeno em si, mas também pelas particularidades, contradições e reflexos de um novo sentir, que uns apreciam e outros, como eu, vêm com alguma perplexidade e apreensão. É o fenómeno das “Listas Independentes”.

Poderemos perguntar-nos, “ab inicio”, da sua legitimidade, quando todos sabemos serem as Eleições Autárquicas umas eleições muito específicas, mas que tendem a representar, não o reduzido local onde todas as pessoas se conhecem, mas uma amostra nacional quando a amostra é muito mais larga ( grandes Municípios e grandes cidades e zonas urbanas) e onde, então, o “independente”, mesmo sendo conhecido, não representa por si só essa globalidade?

Essa é a questão e, por exemplo, vejo que em Lisboa, onde está neste momento a decorrer um debate na TVI, que não estou a seguir, não há nenhuma candidatura “independente”!

Quando intitulei este texto de “Partidos e Quebrados”, quis glosar com a situação e, havendo candidaturas independentes, considerar os Partidos efectivamente partidos, na sua real representação, e os Independentes “quebrados”, porque, observando a sua grande maioria, resultam da “quebra” da sua ligação a esses mesmos Partidos e tentando, sobre a capa diáfana da independência, arrebanhar os votos desse seu “quebrado” Partido!

Parece estranho o raciocínio, mas não o é. E vou dar alguns exemplos, deixando para depois a discussão acerca da importância dos Partidos na sociedade e na democracia.

E começo pela terra onde nasci, mas onde não voto, Esposende. A Câmara é e sempre foi do PSD ( o meu Pai brincando dizia que bastava colocar num espantalho uma seta virada para o céu que o espantalho ganhava) e o actual presidente naturalmente recandidata-se. Pois o anterior a ele, também do PSD, também se candidata, como Independente, claro, mas não concorre pelo PS ou qualquer outro Partido: concorre como Independente e, como quase todos eles, escolheu o óbvio slogan: “Juntos Pela Nossa Terra”!

E o que eu observo é que muita gente amiga, e até familiar, o apoiam, mesmo sendo simpatizantes de outros Partidos, inclusive de Esquerda. Porquê? Porque reconhecendo ter sido o João Cepa um bom autarca, verem nesta candidatura uma forma de acabar com aquele monopólio que atrás referi. Mas a verdade é que o João não renegou a sua filiação e não concorreu por outro Partido! Gosto dele mas não levaria o meu voto!

Como não levaria nenhum outro suposto “independente”, seja ele candidato em Oeiras, em Coimbra, em Braga, em Sintra ou no arco da velha, com uma excepção: Vila do Conde! Terra que eu conheço muito bem, aqui minha vizinha e onde, à semelhança de Matosinhos, logo a seguir, as estruturas partidárias fizeram impor a sua vontade, no caso de Matosinhos aceitável e óbvia, mas provocando rupturas e listas independentes dentro do mesmo Partido, os tais “Quebrados”, mas não o sendo no Caso de Vila do Conde.

Em Vila do Conde há um senhor, que pode ser replicado por outros lugares, que esteve durante dezenas de anos como Presidente da Câmara e que, obrigado pela lei, não tendo possibilidades de se candidatar, não aceitou aquilo a que se chama “fim de ciclo” e, candidatando-se a Presidente da Assembleia Municipal, não abdicou de nomear a sua sucessora, que venceu pelo seu Partido as eleições e governou, e bem, os últimos quatro anos.

Que sucedeu então? Sucedeu que a Drª Elisa Ferraz ousou cortar o cordão umbilical, autonomizou-se e…foi agora rejeitada pelo seu Partido a favor de um vereador “yes man” que vem agora falar em “nova vitalidade”. Claro que a Drª Elisa Ferraz, e com toda a razoabilidade, candidatou-se como Independente. E provavelmente vai vencer, como eu espero, em nome da justiça e da sanidade.

Vão todos “Juntos pela nossa terra”, a sua terra melhor dito, seja ele o Valentim, o Isaltino, o Ferreira ou, no caso do Porto, o Rui Moreira. Mas este, com requintes de suprapartidarismo afirma ser o seu partido o Porto!

Qual será, então, o meu? O certo é que não é a Póvoa onde habito e voto, não é Esposende onde nasci, nem Paredes de Coura onde vivi, nem o Porto de quem tanto gosto…

Não tenho Partido, mas não sou Independente. Mas nunca “quebrei”!

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A MINHA “RENTRÉE”

No ano passado, por esta mesma altura, depois de uma longa pausa estival, escrevi um texto a que chamei de “A Rentrée”. Este ano, apesar dessa pausa ter sido um pouco mais curta, volto ao tema e, como não posso usar o mesmo título, acrescento a este “A Minha”.

Não para falar da minha “season” que, apesar de ter corrido as Festas de Paredes de Coura, o seu Festival e ainda as Festas de Ponte da Barca, onde até participei no Vira Geral (667 pessoas) que chegou ao Guiness, dançando o Vira, olaré, foi tudo menos “silly”.

Mas, como uma “Rentrée” é suposto ser, depois de um estival descanso, um retorno com novas ideias e revolucionárias propostas, eu estou como o Pedro Marques Lopes, que chegou de férias de Edimburgo (deve ter ido visitar castelos pois, como bom chefe de família, não quis misturas com os “silly”) e escreveu um post dizendo não saber do que falar pois não via nada de novo. Tudo como dantes no quartel de Abrantes, portanto, e a minha é também um deserto de temas de real interesse.

Mas, faltando estes, sobram sempre outros. A “Rentrée” começa sempre, por exemplo, com as Universidades de Verão e, pensando eu que este ano os futuros quadros iriam ter aulas práticas nas autárquicas, eis que ouço hoje na TV que o PSD não deixará de fazer a sua no tradicional refúgio de Castelo de Vide. Assim qual retiro espiritual, mas com uma diferença: aqui recebem um certificado de presença que pode até valer mais que um canudo.

Mas, para além do Vitorino, que diz ser do PS, que vai à do PSD falar de estratégia global, da qual sabe tudo, do Santana que vai à do CDS falar de combate à pobreza e de como ganhar o euromilhões, do Rangel que vai a esta mesma ensinar o que é ser mesmo de direita e do Lobo do CDS que vai à do PSD ensinar como lidar com os impostos e como aumentar o desempenho…fiscal, ouvi com estes olhos que a terra há-de comer que este ano vem um real “headliner”, um professor doutorado, apesar de aposentado e mais ou menos refugiado, chamado Cavaco e Silva! Nem queria crer! Mas…vai falar do quê?

Eu digo que é um deserto de temas mas estou a ser exagerado pois, para além dos dislates do Trump e as traquinices do seu alter ego Jong, não é bem assim porque, na verdade, algo se tem passado. Se não vejamos o que eu li ou escutei: ainda hoje que se gastou mais neste verão que no Natal! Que um boxer Americano, neste fim de semana, por dar uma carga de porrada a um esperto Irlandês, que nem queixa na polícia apresentou, recebeu ou vai receber qualquer coisa como 290 milhões de dólares. E porque é que o Irlandês não apresentou queixa e, depois da carga de porrada que levou, estava todo feliz? Porque recebeu ou vai receber 60 milhões! Não me digam que isto não é uma “rentrée” em grande, com porrada e tudo! Mas adiante…

O Costa, esse “Rentrou” de quilha hirta e, onde é que eu já ouvi isto, veio apelar a consensos!

O Passos, intuindo ser aquela erguida quilha dirigida à sua pessoa, logo disse: é que nem pensar! Consensualizar com um tipo que a única coisa que sabe fazer é, irresponsavelmente, qual Rainha Santa Isabel, distribuir dinheiro pelo povo? Onde já se viu? E, mais, reverter tudo o que de bom  eu e o meu governo fizeram?

Mais a mais, acrescentou o Passos, e eu juro que ouvi, é um indivíduo (O Costa, “persupuesto”) sem qualquer sentido de estado e nem em Pedrogão isso demonstrou. Igualmente o Marcelo Presidente, acrescento eu! Sentido de estado tem ele, sim (ele o Passos, claro), pois foi ele quem alertou para os suicídios em massa que estavam a acontecer por falta de psicólogos. Ou falta de apoio psicológico, terá dito.

Mas ele delira? Não: está é possuído, o coitado! Perdoai-lhe e ajudai-o, Senhor…

Mas vêm aí as Autárquicas e aqui quem tem dado nas vistas é o CDS e a sua vidente Cristas. Os cartazes são do tipo “cada tiro cada melro”, ou “cada cavadela cada minhoca” e o seu Joker foi ela busca-lo a Castanheira de Pêra, onde persuadiu uma tal Ágata a ser ali candidata e a “gata” pensando que todos os castanheiro dão pêras lá disse, qual Jeni, que não sabia bem ao que ia  mas que ia com qualquer um que a abordasse…Perdoai-lhe Senhor, também…

Consta que terá sondado o Toy para Setúbal, mas este afirmou ser de outro campo e terá  pensado ainda noutros “pimbas” mas, num acesso de lucidez, lá descobriu que aqueles “trocadalhos do carrilho” (eu sei que tem um erre a mais), poderiam dar em desgraça…

A Catarina,, essa continua a falar em bicos de pés e voz trémula de nervoso, anunciando aquilo que o Governo tem que fazer, senão…E se for feito foi obra dela, diz ela ainda mais nervosa. Quer-me parecer que um dia destes a continuar assim, ainda passa a ser a “Catrina”! Ainda te afundas, ó “Catrineta”! Perdoai-lhe também…

Quanto ao Jerónimo, bem quanto ao Jerónimo não tenho nada a dizer pois conto ir ouvi-lo no próximo fim de semana à Festa do Avante. Só um conselho: Jerónimo, camarada, diz lá aos teus camaradas do lado que, quando estiveres a discursar, te obriguem a beber água e, já agora, te ponham ao lado um lenço, mesmo que de papel, para limpares os cantos da boca. É que fica mal na TV, ó Camarada!

Os incêndios? Vem aí a chuva e…acaba a época. Este ano foi um fartote e as TV,s deliraram. Mais quem?

Eu, cá por mim, só olhei para o de Pedrogão.

 

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Do POIO do POIARES a outras BUNDAS!

Não é por Carlos Drummond de Andrade que eu vou, descansem! Para plagiador já basta um outro que, ouvi dizer, plagiou não a Bunda, mas o poio saído de uma outra que o Poiares exibe em sua peluda cabeça…

Como devem ter reparado, tenho andado arredado destes lugares. É que estive cerca de dez dias no Algarve, de férias. TV no apartamento eu até tinha, mas nos oito dias não foi ligada uma vez sequer e jornais nem vê-los! Até o meu neto Pedro meteu férias dos desenhos animados. O apartamento serviu apenas para atenuar o cansaço (daquela “cansera”, como diz o Amigo Manuel Azevedo). E que “cansera” Amigo…

De Política só soube a do dia anterior à ida e a do dia anterior à vinda! À ida fiquei a saber que do Poiares saiu um Maduro poio (uma entrevista ou coisa assim…) que continha, no meio de um amontoado de excrementos, uma pífia pérola: “O Costa até pode ser mais habilidoso, mas o Passos tem mais visão de futuro”! Não quis saber de mais nada e disso muito menos!

Fiquei-me pela Praia de Monte Gordo- não sei de onde tal nome provém, nem procurei saber, pois de monte não notei vestígio algum e de gordo menos ainda- e, logo no primeiro contacto com aquela larga, profunda, enorme, mas aconchegante Praia, dei por mim, discreta e circunstancialmente, a rodar os olhos pela dita, uma praia longa, de fina areia e pé até perder de vista, e a pensar naquilo que nela mais abundava, para além da fina areia e da cálida água. E concluí isso mesmo: Nesta Praia o que mais abunda é a Bunda! E que nela, a Bunda, o que mais abundava era a falta de vegetação (tecido), o que faz dela uma paisagem à parte dentro da própria Praia.

A Bunda é constituída, ela sim, por dois montes: uns ainda de aspecto viçoso de quase virgens, tal a hirteza que demonstram; outros já com pequenos sinais de uso e ainda outros, estes mais calejados por tantos anos de “tik-tok”, “tik-tok”, mas todos separados por um estreito e suave vale, onde corre um imperceptível fio, comprimido pelas duas erguidas e simétricas margens, mas desaguando todos num largo e ostensivo estuário, um delta mesmo, direi eu!

Deltas esses do mesmo tipo, mas de variadas configurações: uns de nula vegetação; outros com ela mais aparada e tratada e outros ainda de fauna tão espessa, qual densa mata, que quase nem dá para perceber onde o mesmo desagua!

É a Bunda, a Bunda que só vemos fragmentando o olhar! Assim tipo “frames”! Um olhar que não pode ser fixo, sob pena de nela nos perdermos de ilusão. Mas da qual o olhar não podemos arredar, sob pena de numa delas esbarrar…

E “tik-tok”, “tik-tok”, lá vão elas saltitando cadenciadas numa alternância sem par, mesmo que par nunca deixem de ser. “Tik-tok”, uma sobe outra desce, uma contrai outra descontrai, uma amolece outra enrijece, mas ganhando, e sempre alternadamente, uma nova e graciosa alma.

Se olho em frente vejo Bunda, se desfaço o olhar e para o lado o viro Bunda vejo e se o dirigir para o infinito, uma infinidade de Bundas revejo! Que fazer, então?

A “Bunda é redunda”, dizia o Carlos Drummomd de Andrade, mas também é ímpar quando quer, isso digo eu.

Imaginem atravessar aquela Praia imensa de Monte Gordo em direcção à água, na tentativa de se abstraírem da visão de tanta Bunda e, para além de nesse imenso trajecto se refastelarem de Bundas, avistarem, mesmo que ainda de longe, umas senhoritas enlevadas em descontraída conversa, acerca dos seus pequenotes ali em frente fruindo as cálidas águas das poças que o mar antecipam, só poderá ser, e que, para enganar o cansaço daquela posição rígida, se resolvem colocar em posição de descanso. Uma perna para a frente, outra perna mais contraída para trás. O que é que daí resulta? Uma exposição de beleza sem igual: uma queda mais hirta aguentando o peso, enquanto a outro desanuvia e descontrai. O Drummond de Andrade também diz que “São duas luas gémeas em rotundo meneio de cadência mimosa”, e que bem que ele diz, mas às vezes descansam de tanta cadência, acrescento eu.

Mas, deambulando o olhar Bunda a Bunda, “redunda” ou rotunda, mas todas de natureza e graciosidade ímpares, não deixando contudo nunca de serem pares…cheguei ao fim das férias…

E, como disse, foi quando soube do segundo caso político da semana: o plágio do Passos ao poio que da bunda situada na cabeça do Maduro saiu! E da bunda da cabeça melada do Passos saiu a ideia de exibir o poio que a bunda da cabeça do Poiares expeliu…Uma escatológica depravação, foi o que foi!

É que o Poiares tem a sua bunda na cabeça. E é peluda! Que “HÓRROR”!!!

Até ao ano Monte Gordo! Mas não engordes mais, tá? E “tik-tok”, “tik-tok”, “tik-Tok”…lá vim eu a toque de caixa. Mas para o ano haverá mais, muitas mais bundas! Elas abundam e são eternas!

E assim foi a minha semana Política!

Pelo que : Abaixo o poio e Viva a Bunda!

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SÃO TODOS IGUAIS…”

OuO Governo da Quadratura do Mal e da Sombra do Círculo do Eixo”, mais o Miguel de Sousa Tavares ainda

– Que São todos iguais”, diz a maior parte dos comentadores deste “governo da quadratura do mal e da sombra do círculo do eixo”, mais ainda o Miguel de Sousa Tavares, todos do alto da sua sobranceria e irrepreensível rigor.

A Clara, de cima da sua menelha oxigenada, às vezes acinzentada, outras preta às riscas, mas sempre rigorosamente penteada, lugar onde esconde o cérebro, sentencia dos Autarcas: “São todos iguais”. Iguais a quê, a quem e como? Não diz. Diz só que “são todos iguais” e fala então de um tal Hermínio, igual a um tal Valentim, igual por seu turno a um outro Isaltino, também igual a outros assim…TODOS, diz ela do alto da sua rigorosa e “queque” sabedoria de Campo Ouriquense…

– Que O Estado falhoudizem aqui também quase todos em uníssono, repetindo a tese de Passos, ilibando-o e elevando-o, aqui e assim, à categoria de esclarecido.

Mas que Estado ou qual Estado? O Político? O Autárquico? O das Forças Armadas? O do MAI mais o estado da Protecção Civil e do SIRESP? O estado da Ministra dos Incêndios ou do Ministro dos paióis de Tancos?

Qual o “Estado” de que tanto falam, afinal? São unicamente os Políticos ou são também os responsáveis das organizações que tutelam? Nenhum explica.

Só dizem que o “Estado” falhou, e falhou em toda a linha, e querem cabeças e com urgência, pois o tempo passa, vai depois tudo de férias e as cabeças sem rolar e a comissão por deliberar. E pedem um “Robespierre” e já!

Mas “Ninguém se demite? Ninguém é demitido?”. Pergunta o Passos e quase todos o seguem de imediato na pungente e angustiante pergunta. Mas, em resposta, o Chefe do Estado Maior do Exército demite cinco (cinco, ouviram?) comandantes. Mas não se demitiu a ele próprio e isso é do reino do vergonhoso, sentencia o Marques Lopes, logo acolitado pela Clara e mesmo pelo Daniel. Uma vergonha, deve ter ecoado também no “Sombra” e aqui sou eu a imaginar pois não vi! “Wanted”, proclamam quase todos. E na “quadratura” ressoaram ecos…

Mas que “Estado” é este em que Ministros não têm consciência do seu “estado” e não se demitem, nem são demitidos? Uma chora em vez de se demitir e o outro assume as suas responsabilidades “políticas” e manda demitir. Onde já se viu? Mas que “Estado” é este em que o “Estado” não demite ninguém do “Estado”? Perguntam-se perplexos…sem saberem ainda do “estado” de indignação daquela Tropa tão credenciada e medalhada…

 -Que “Se responsabilizam politicamente”. Não há governante que não o diga. Que quer isso dizer? Ninguém sabe e isso é mais uma vergonha. Uma vergonha do “Estado”, logo acrescentam…quase todos!

Essa figura já mítica, escondida ou perdida nos nevoeiros das notícias, o tal de Sebastião, anda por aí fazendo o seu trabalhinho de sapa, vestindo-se de figura anedótica mas, ao mesmo tempo, travestindo-se em muitas personagens…Quem será ele, todos se perguntam? Que quererá ele, todos, ou quase todos, se perguntam também?

E então o “Sebastião” Passos lá candidamente veio anunciar que Marcelo tem que se definir…Como Presidente ou como Comandante Em Chefe de Todas as Forças Armadas? Demite-se de uma ou da outra? Vamos lá Passos, toca a definir-se, caramba…

E é mais ou menos este o “estado” do “governo da quadratura do mal e do círculo da sombra do eixo”…Ah: Como se diz “Sebastião” em linguagem Cristas?

– Mas resta o “Tavares”, o Miguel sim, que não o João, mas o Sousa! O outro anda lá pelo “sombra”. Para o Tavares, o Sousa, que não tem casa em Paços de Sousa mas tem um “monte” no Alentejo, disseram-me que ali para os lados de Mora, a Reforma Agrária trouxe insegurança  às planícies Alentejanas em modo de estio e, não fosse a caça, temia pela segurança do seu monte, ao contrário do Lobo que se diz seguro em Paços de Sousa…

O Miguel, o de Sousa, que também é caçador e, assim sendo, dá a sua colaboração ao ordenamento territorial, é também um “franco atirador”, como já uma vez aqui o apelidei. Foi na Reforma Agrária, quando se ocuparam terras e se retiraram da posse e cuidado dos seus legítimos proprietários, que começou o desprezo pela limpeza dos montes, das montanhas , das matas, dos vales e dos regadios…foi aí que começaram os incêndios, ergue ele o dedo a esses comunas todos…

E, à semelhança de quase todos os membros do tal “governo da quadratura…e da sombra do eixo”, encurtando, também ele dispara a fatídica frase: “Os Autarcas são todos iguais, pois não há um sequer que proíba o lançamento de fogo de artifício nas festas do “querido mês de Agosto”. Li eu não no Expresso mas no Estátua de Sal, que o reproduziu na integra.

Errado, meu caro Miguel de Sousa! Erradíssimo. Tiro na água! Nem matou nem perdiz, nem galinhola e muito menos coelho bravo! Há pelo menos um e o Sr. de Sousa Tavares, como pessoa informada, que lê notícias, escreve no Expresso e até fala na SIC, devia sabê-lo e lembrar-se que, no ano passado, e este ano também, o Autarca de uma Vila do norte chamada PAREDES DE COURA (onde se faz aquele tal Festival…está a ver?), chamado VITOR PAULO PEREIRA, o proibiu e isso foi amplamente noticiado, tanto em jornais como nas rádios. E mais: por amplo consenso foi decretado que o produto desses materiais pirotécnicos revertesse para os Bombeiros!

Não se lembrava? Não sabe onde é PAREDES DE COURA? Não conhece o VITOR PAULO? Pois devia! Assim não repetiria mais esse chavão de que “são todos iguais”…

A não ser que esse “são todos iguais… ” tenha como destinatários todos os nomes desses painéis que formam o tal” governo da quadratura do mal e do círculo da sombra do eixo”, mais o Miguel de Sousa Tavares!

E já me esquecia: tenho um Irmão que é Autarca há já quase doze anos…!

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OS EUCALIPTOS DO PINHEIRAL…

Que é feito do Pinheiral? Ardeu? Desapareceu? Nada disso: foi para França e já há muitos anos que não o vejo. Emigrou, eu fui para outras vidas, e não mais o vi. Mas lembro-me bem dele e de quando em pequenos, eu e outros mais, o acompanhávamos para apanhar leitugas para os coelhos e lenha e ramos secos para os fornos e lareiras…Lembras-te Joaquim Antero?

O Pinheiral era um mestre na arte de subir ou trepar árvores, principalmente as das espécies que o seu nome levavam. É que aquelas cascas ajudavam e muito e os resíduos resinosos faziam o resto, para além de se fixarem aos seus calejados pés que não conheciam sapato.

E o Pinheiral nunca caiu de um pinheiro abaixo! Mas uma vez vimo-lo cair de um eucalipto. Pensávamos que tinha morrido e até fugimos de susto. Mas deve ter caído com a sua melhor parte e tal não passou de uns simples “ais”…

Nunca mais o Pinheiral subiu um eucalipto e, apesar das fragâncias mentoladas que as suas folhas exalavam e que nos faziam encher ainda mais os pulmões, ficamos a detestar os eucaliptos. Eucaliptos não subo mais, dizia o Pinheiral…

Mas ainda bem que depois apareceram os mentolíptos em forma de rebuçado e isso ajudou-nos a esquecer os filhos da mãe dos eucaliptos.

Se ardiam? Não me lembro! Eu acho que isso dos incêndios, tirando aquele de Roma e que não foi por culpa dos pinheiros nem sequer dos eucaliptos, mas sim daquele maluco do Nero (e ainda há quem ponha este nome a cães…), é uma coisa pós-moderna!

Das “queimadas” lembro-me, mas isso eram fogos controlados, com que se limpavam campos e matas…juntavam-se os resíduos dos matos secos e coisas assim, fazia-se uma espécie de pilha e queimavam-se…mas sempre com o pessoal por perto.

Nunca do eucalipto tive saudades, portanto, mas tenho-as do pinheiro manso! Principalmente da sua sombra! Haverá no mundo sombra melhor que a dum pinheiro manso? Quantos eucaliptos seriam precisos para fazer uma sombra de um pinheiro manso? Falo cá do norte, porque do sul…nem as azinheiras, apesar de também fazerem sombra e também não saberem a idade…

Mas lá está, é manso, cresce lentamente, ocupa muito espaço, nunca mais morre…não dá lucro nem mais valia imediata, é o que é…

As beiras das estradas deviam estar todas repletas de pinheiros mansos e devíamos poder voltar aos piqueniques, como antigamente fazíamos nas matas do Ofir, da Apúlia, de Moledo ou mesmo nas do Anjo, aqui na Póvoa. Aquilo é que eram tardes…e aquilo é que eram sombras!

Foram proibidos! Todas as famílias tinham arsenais de mesas, cadeiras e fogões portáteis. Estendiam-se as mantas, erguiam-se as tendas e atavam-se as espreguiçadeiras. Levava-se de tudo, até assados e, lembro-me, até “pica no chão” o mulherame lá fazia…A canalha brincava naquele ar puro e ainda impregnado do iodo ali próximo e os adultos dormiam e ressonavam, de tão comidos e bebidos…Era o tempo em que todos nós, como diz uma sobrinha minha, eramos “pobretes, mas alegretes”!

Uma ASAE qualquer daqueles tempos proibiu-os pois dizia que podiam provocar incêndios e conspurcavam as matas…

Acabaram, começaram os incêndios e as matas viraram cinzeiros…!

Então aí chegou o progresso…e eu não falei de “política”…

PS- Quim: tu podes comentar e mesmo acrescentar, mas não podes renegar a história do Pinheiral…olha a minha credibilidade, pá! É que, de repente, não tenho a certeza se foi mesmo para França que emigrou…

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QUAL A COR DO SANGUE DA JUDITE?

Eu sei, mas só o revelarei no fim do texto, e quem o antecipar estará a fazer batota e isso não vale!

A mim há duas coisas que sempre me fizeram confusão: uma a cor do meu sangue e outra a cor do cavalo branco de Napoleão! E coisas mais banais não haverá, não acham?

Confusos? Eu explico: em primeiro lugar porque sempre me convenci que o meu sangue era vermelho e assim o constatava quando, em pequeno, dava uma “topada” (batia com o dedo grande do pé numa pedra ou outro obstáculo) e dali jorrava um sangue vermelho que só a sulfamídica terra curava. Vermelho, sem dúvida! A outra era saber da cor do cavalo branco do Napoleão quando ele era branco!

Era branco o cavalo, tal como o sangue era vermelho. Duas verdades para mim absolutas! Isso pensava eu…

Pois: isso pensava eu! Mas, mais tarde, quando comecei a namorar com a Graciete, comecei a ouvir dizer que ela era de sangue azul! Azul, perguntei eu? Eu que pensava que ela era do Sporting e, sangue por sangue, o dela era vermelho? Mas depois soube que isso do “sangue azul” era treta, pois não era Portista e era apenas descendente dos Viscondes de Bacelar…Sangue deles, portanto!

Mas depois descobri que o seu sangue era mesmo vermelho, pois eu amiúde bem o via…

Só que agora, há uns dias atrás, deu-se-me de novo um nó no meu occipital quando li na Net aquela notícia da TVI que dizia que o Medina tinha “sangue comunista”, pois era filho de comunistas! “Sangue comunista”? Então, sendo o “azul” uma treta, para além do vermelho, ainda haveria mais espécies de sangue? Não deverá haver quem, não dominando estas coisas dos sangues, não ficasse confuso! E eu fiquei!

E fiquei porque quem estava a dar a notícia era uma tal Judite e, retrocedendo na máquina do tempo, lembrei-me que ela morava por baixo de uma cunhada minha em Gaia e toda a gente sabia que o pai era comunista!

Assim, a TVI, sem o saber(?), abriu uma caixa de pandora e classificou também a Judite com esse novo tipo de sangue…É que a TVI ao reclamar que o sangue do Medina era “comunista”, acabou por dizer, preto no branco, que o da Judite também o era! Achei bonito…

Eu essa expressão nunca tinha ouvido, mas há uma outra que conheço e talvez isso explique e que é a de “estar-lhe no sangue”!

Mas, pensando melhor, sendo essa expressão abrangente que chegue, ela não se poderá aplicar a este caso pois, partindo do princípio de que o sangue é mesmo vermelho, tal resultará numa redundância insanável e numa conclusão óbvia e cuja é: se o ser-se comunista é consanguíneo, eu e outros mais, não o sendo, mas sendo comunistas, que raio de tipo de sangue terei ou terão? Verde, por ser sportinguista? Azul para alguém que é Portista? Neto ou bisneto de Condes e Viscondes?

É que os meus Pais não eram comunistas, nem benfiquistas tão pouco, de modo que eu, não tendo esse privilégio, só poderei ter um sangue vermelho abastardado, por mais que vermelho me sinta, bem ao contrário do Medina que o tingiu de rosado!

De modos que a Judite, certamente bem avisada, tanto pela Prada, como pela Louis Vuitton ou pela Hermes ,e com o seu alto patrocínio, há muito o problema resolveu e fez uma transfusão.

Eu sei que isso lhe provocou algumas sequelas, principalmente na linguagem, na maneira de falar, enfim, mas o seu sangue ficou para sempre LOIRO!

O seu sangue é LOIRO e o Loiro está-lhe no sangue…Um sangue loiro varrido!

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SAIA AÍ UM PSICÓLOGO PRÓ PASSOS!

E com urgência! É que eu temo pelo seu futuro. Não político, porque desse estou-me completamente nas tintas, mas psicológico! Temo pelo Passos, mas temo mesmo. E isto é sério: ou o Estado lhe fornece já um psicólogo ou não há mesmo “Estado” que lhe valha.

Porque, na verdade, havendo para o Passos três tipos de “Estados”, por falta de apoio psicológico, ele já não se consegue reconhecer em nenhum. Senão vejamos: Primeiramente o Estado, o Estado propriamente dito, o tal Estado a que ele pertence, nem que seja como Conselheiro ou suposto líder da oposição, mas ao qual não pertence, nem se lembra de ter pertencido; depois há o chamado “Estado das coisas”, das quais demonstra não fazer a mínima ideia e, por fim, o seu “Estado”. E aqui é que está o verdadeiro “busílis” da questão!

Tornando-se um “aproveitador” de um boato que um Provedor lhe soltou ao ouvido, não requerendo a ajuda imediata de um psicólogo, ele disse saber de fonte segura que havia pessoas a suicidarem-se (depois na forma de tentativa apenas) porque o “Estado” não lhes garantia o apoio psicológico necessário. E que o “Estado” tinha falhado.

E não olhou para si mesmo, como que dizendo: Eu, Psicólogo? Eu não preciso, eu sempre levanto a cabeça e sempre sigo em frente…

Porque, no fundo, no emaranhado de laços que deverão ir lá pela sua cabeça, ele lá pensará e bem: Mas para que diabo serve um psicólogo, se ele só me manda erguer a cabeça e seguir em frente? Isso já eu faço, pensará ele…

Mas lá está, ele é como aqueles animais de raça asinina, que também erguem a cabeça, seguem em frente e coiso mas, com uma pequena diferença: enquanto estes, mesmo que com palas, em enfrentando uma parede arretam, o Passos não: o Passos vai contra ela! Porquê? Porque em vez de se tornar num “aproveitador” de um Provedor e sem conselheiros argutos ao dispor, que lhe dissessem que, em vez de ir em frente, podia virar à esquerda ou mesmo à direita à mão, ele deveria ter consigo, e sempre, isso sim, um Psicólogo!

Que até, em última análise, dada a precariedade da sua cabeça, por tantos nós entrelaçada, lhe poderia aconselhar uma baixa à Caixa de modo a evitar assim a tal tentada tentativa de esmurraço na parede.

Mas o seu “Estado” falhou, o Psicólogo não lhe enviou e contra a parede o estrepou!

Maldito este “Estado”, diz ele, mas englobando os três: o de todos, o das coisas e o dele! E o Estado desse Costa que tudo açambarcou e só o Provedor boateiro lhe deixou!

De modos que eu só tenho um conselho, um último conselho a dar-lhe: vá uns tempos para umas Caldas!

E “ele” há por aí muitas Caldas: As da Saúde, as do Gerês, as de Vizela, as das Taipas, isto só para falar aqui para norte porque, lá mais para o centro, tem umas famosas: as Caldas da Rainha!

Arranje, portanto, e de uma vez por todas, umas Caldas à medida, mas acompanhado de um psicólogo à séria,

A sério Dr. Passos, é importante que vá uns tempos para uma Caldas, mas…nunca se esqueça do respectivo acompanhamento psicológico!

Mas tudo isto à séria!

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