UM LAMENTO EM DÓ MENOR

Nota Introdutória: Escrever sem pontuação é um exercício a que de quando em vez recorro nomeadamente quando me surge uma ideia qualquer e corro a pegar no Ipad para a passar a palavras ao mesmo tempo que me surgem É portanto de igual modo o exercício de em lendo se entrelaçarem na minha divagação Mas há aqui uma grande ajuda É que o início de frases ou parágrafos começa por uma letra maiuscula Acho que se torna mais facil

Assim como dizia o nosso Grande José Mário Branco : Palavras Palavras Palavras e não só Palavras para Si Palavras para Dó

Então vamos lá divagar

Isto não tem jeito nenhum não há casos e não há casos nem de polícia nem de politica não podemos sair do politicamente correcto até somos todos pelo Costa e o seu Governo Mas que raio de coisa é esta que deixa os jornalistas a falarem apenas da covid

Nem um cheirinho de intriga nem uma fuga de informação nem uma escuta precária que seja nada Nem podemos sequer ser contra a libertação de presos que a termos liberdade ainda se transformavam todos em tão perigosos que vinha aí uma onda de assaltos e violência nunca vistos Mas Portugal não nos deixa E de política daquela política a sério aquela que transforma montes negros em grandes estadistas e figurões em artistas Nem isto Portugal deixa

Alguns Autarcas laranjinhas ousaram pôr uma ponta do pé mais à mão de fora esses dois membros com que realmente pensam mas aí vem o chefe Rio dizer-lhes caluda a hora é de estarmos todos irmanados em redor do grande chefe Costa Mas onde já se viu praguejaram os monte negristas e qué qué isso os rangelinos claustrofobistas

Pelo grande chefe Costa também perguntaram ao que os Rioistas retorquiram  perguntando se por acaso conheciam outro Maneiras que estamos assim e até o puto o Chicão quis fazer figura apresentando-se travestido de figura de Estado O figurão comentaram as até já me esqueci do nome as as isso quem desaparece sempre esquece diz o Povo isso as Crististas 

Não há ponta por onde se lhe pegue mas há aqui uma portinha que se entreabre pois parece que o Costa não pensa bem o mesmo que Marcelo e vice versa e há que aprofundar Mas o quê pergunta-se a si mesmo o chefe de redação se afinal eles se dão como noivos apaixonados e um diz o que o outro não diz pois não deve e o outro vem dizer o que o outro gostaria de dizer e não pode Mas isto é notícia perguntam uns e há matéria para primeiro página ocupar  outros

Com a Ministra a da Saúde claro não vale mesmo a pena porque aquele naquinho de gaja afinal

Já sei diz esbaforido o aprendiz O Costa anda a contradizer-se disse o PML no Eixo do Mal que avança e recua no abre ou não abre que titubeia disse ele e isso é matéria a desbastar A quê perguntou o chefe Assim como que investigar percebe chefe e o chefe disse-lhe então desbaste lá o avanço e recuo e veja-me ao menos se ele tinha travões seguro e a inspeção em dia

E o chefe circunspecto passando o lápis  pela nuca e metendo-o na boca depois de com ele ter o orifício do orelhão coçado interrogou-se do que falar pai santo acode-me que falar se mesmo o vírus já não dá leituras 

Falar mal de quem afinal se aqui parece ser proibido quer dizer proibido até nem é mas um gajo sujeita-se a um baita de algum abalroamento ao sair do parque estão a ver se falar mal do Costa ou o camandro

E se falássemos mal do Rio isso do Rio da sua capitulação ao Costa do silenciamento daqueles bravos Autarcas que queriam ser eles a avançar os números e em nome da transparência também os nomes dos mortos e infectados nos seus Concelhos onde são autoridades máximas e portanto a eles deveria competir dirigir a saúde dos seus concidadãos e antecipar o anúncio dos que pereceram no heróico combate contra o Vírus e ainda inhantes que os jornais da terra Lembrou exaltado e e a suar por todos os poros o sub chefe

Mas o Portugal não deixou e o Rio mais uma vez ajudou e a Ministra mandou-os dar uma volta assim como aos Hospitais Privados que queriam mama e nem a esses podemos acorrer pois o que querem não tem ponta por onde se lhe pegue

E pegar com quem então Essa é que é a questão disse o chefe afundando-se ainda mais cadeira abaixo

É que está mesmo difícil a nossa profissão e vejam só o caso da TBI e como toda a gente anda com a sensibilidade exacerbada e à flor da pele Por causa de um simples lapso de uma colaboradora qualquer que escreveu num daqueles rodapés que era suposto as pessoas nunca lerem até porque passam rápido e só servem para nos distrairmos das notícias tão importantes que até prevêem aquilo para que as pessoas dividam a importância das mesmas estão a ver escreveu dizia eu que no Norte o nosso sagrado Norte havia mais casos do Covid devido à sua incultura

E aí saltou toda a adrenalina contida por falta de ginásios e foi do bom e do bonito

Quem ousa agora dizer mal seja do que for

Mas quem vai ficar na História se nós os que criamos estórias e até escrevemos a História nesta história estamos proibidos de participar nós que tanto tínhamos para dizer

Mas que fizeram esses dois que parece que vão fazer parte dos anais desta guerra assim como o dos Santos na do Iraque e a de Sousa naquele hotel de sete estrelas algures em Africa

Mas que disseram eles de relevante O Rodrigo disse para as pessoas ficarem em casa e o Carvalho pediu-lhes desculpa

E eu que daria um grande Fernão Mendes Pinto da era moderna ai ai

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QUANTO NOS CUSTARÁ, AFINAL, ESTA “BANDEIRA”?

Eu sei que muitos virão dizer: mas quem já pagou, está a pagar e irá continuar durante muitos anos a pagar negras “bandeiras”, como o BPN, o BES e outros sacrossantos defuntos Bancos, continua a pagar as PPP’s e eu sei lá que mais negros negócios, porque não salvar esta “ Bandeira”, esta sim uma verdadeira Bandeira, como aquelas que a seguir referirei. 

Pois é, eu “dusoso” me confesso e, não tendo adequada e definitiva resposta, apenas me questiono. Eu sei o quanto o desaparecimento da TAP desagradável será para o Miguel ( de Sousa Tavares) pois lá tem em lugar destacado, e muitíssimo bem, a sua Mãe, como eu tenho o meu querido Ary dos Santos e todos temos nomes inesquecíveis da nossa História! Mas…

Antigamente os Mouzinhos da Silveira nas suas explorações selvas adentro, os Vascos da Gama mar adiante descobrindo novos mundos ou os Antónios Vieira pelos sertões Brasileiros pregando novas doutrinas, todos eles levavam à sua frente o porta estandarte com a nossa verde e rubra Bandeira. 

Também nas guerras de conquistas ou reconquistas também lá ela seguia bem altiva anunciando este nobre Povo e País, pequeno de origem mas grande de nome.

Agora e já de algumas décadas a esta parte dizem que não é nada a Selecção, nem é o Cristiano Ronaldo, o Mourinho ou muito menos o Fernando Santos. Nem tão pouco o Saramago, o Whils, a Paula Rego, a Maria João Pires, o Joaquim de Almeida, o Pepê Rapazote ou a Maria de Medeiros. Que nada: é a TAP!

Que nos leva a todo o mundo, o que até nem é verdade! Que é a nossa ligação à diáspora e aos países de expressão portuguesa. Tudo bem mas…quanto já nos custou e custa e custará?

Nos casos atrás referidos custou Vidas, muitas vidas cerceadas à juventude e ao seu futuro. Agora, nestas décadas, tem-nos custado os olhos da cara em impostos.

Nos últimos dias consultei vários escritos em jornais tentando perceber o porquê de em anos que representaram o auge dos passageiros transportados, em que o Turismo atingiu níveis nunca vistos e os negócios internacionais também, a TAP tenha apresentado só nos últimos dois anos mais de duzentos milhões de euros de prejuízos.

Fala-se de indemnizações que terá sido obrigada a pagar por incumprimentos para com passageiros, da eterna catastrófica operação de manutenção no Brasil, do serviço da dívida e do ónus por aviões comprados. Mas aqui surge a nebulosa. Serão também os nunca referidos contratos SWAP obrigada a celebrar e ainda em vigôr? Hummmmm…

Mas surgem-me duas essenciais perguntas, cuja primeira é: Mas se no auge atingido do transporte de passageiros o acréscimo de receitas não conseguiu ultrapassar os 35 milhões de Euros avançando, como anunciado, para a aquisição de 70 (setenta) aviões, num custo total estimado em cerca de 10 (dez) mil milhões de Euros ( mais de cento e quarenta milhões de Euros por cada avião), considerando todos os pressupostos que neste cenário a levaram a sucessivos prejuízos, em quantas décadas, ou mesmo séculos, eles se pagarão a si mesmos?

A segunda é: Mas quem financia ou está disposta a financiar, se não pela continuação dessses aviões como seu colateral ou propriedade sua, a venda desses aviões a uma empresa já tecnicamente falida ( com capitais próprios negativos) e apenas suportada por injeções de um oxigénio chamado dinheiro que a vai deixando ligada às máquinas…Como entender?

No entanto também li que, afinal, só três desses aviões terão sido adquirido põe Leasing, isto é, o Aluguer de um imóvel necessário e afecto à exploração e pelo qual se paga uma renda, mas só com propriedade final através do pagamento do  valor residual contratado ao locatário e que o Cash Flow de exploração gerado ( o lucro bruto) terá atingido os 450 milhões de Euros. 

Ora isto significa que, mesmo com um resultado de exploração positivo, ela não suportará mais o inexorável Serviço da Dívida (seja ele financeiro ou de alocação), as obrigatórias Amortizações,  nem os legais pagamentos de Impostos e constituição de provisões! O Cash Flow, ou o EBIDTA gerados ( lucros antes de Impostos, Juros, Depreciações e Amortizações) não chegarão nunca nem para “ Meia Missa, Amen…”.

Deste modo ou o Estado, em nome da “Bandeira”, toma definitivamente posse da empresa e consegue renegociar a dívida para muito longos prazos, diminuindo drasticamente o seu peso no orçamento, e com os novos aviões e novas rotas consegue multiplicar os seus proveitos, que óbviamente só conseguirá a preços competitivos, tudo coisas que os Privados nunca conseguiram nem conseguirão, ou…

…Ou muito simplesmente a deixa ir à Insolvência e posterior Falência. Pois, como ouvi há muitos anos na altura da anterior crise um meu Amigo dizer : “Se os outros falem, porque não falo eu também …?”

E lá ficaremos sem esta “Bandeira”…mas muito mais aliviados!

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TU MEDISTE BEM, COSTA?

Eu, tal como muita gente e nomeadamente militantes do PS que conheço, achei extemporâneo e mesmo um pouco inopinado o precoce anúncio do teu apoio, e por inerência do PS, à recandidatura de Marcelo a um novo mandato. E noto neles, militantes, enorme resistência em votarem num natural candidato da Direita.

Eu não sou militante do PS nem de Partido algum mas sou um dos que, não deixando de te apoiar, não irei votar em Marcelo. Por uma questão de princípio e por tudo o que sobre ele escrevi ao longo dos últimos anos. Mas isto são invalida que aprecie positivamente a vossa pública e institucional convivência.

É que desta vez não haverá um Álvaro Cunhal a dizer-me para tapar os olhos e “engolir um sapo”, como em 1986 votando em Soares. Mas até que o “engoli” de bom gosto! Mas Soares era o Soares…e  Marcelo não passa de um Marcelo. Cantar “Marcelo é fixe”? Mas isso também não significa que vá votar em Ana Gomes e se foi por causa dela ou com medo que ela impusesse o seu nome dentro do PS que te antecipaste, então avaliaste mal porque, por todos os seus anticorpos, ela nunca à Presidência chegaria.

É que ela, embora eu a aprecie em alguns aspectos, não faz o meu género, como se usa dizer, nem lhe vejo perfil adequado para o cargo de Presidente da República. Tão só!

Já em anteriores Eleições Presidenciais o PS cometeu sucessivos erros, erros esses que custaram a reeleição de Cavaco por míngua margem, mas aí ainda não eras tu que mandavas e a eleição de Marcelo, também por pequena margem, mas aí já tinhas uma palavra a dizer. Falo das candidaturas inoportunas e incongruentes, feitas de pavonice e soberba, de Manuel Alegre e Maria de Belém. E na última a negação do apoio a um candidato ( Sampaio da Nóvoa ) que bem teria merecido uma união das Esquerdas.

Mas será que o PS não aprendeu com os erros passados ou, visto de diferente prisma, terá mesmo aprendido ao não ousar apresentar uma candidatura contra Marcelo? Mas no meu modesto entender, e volto a sublinhá-lo, é uma posição que comporta riscos.

A primeira é a de que ao não conseguir agregar uma parte significativa dos seus militantes e eleitores, ficará sempre a sensação de que Marcelo será mais uma vez eleito maioritariamente pelo eleitorado de Direita.

A segunda é a de isso poder criar dentro do PS alguma erosão, para além da putativa criação no seu interior de uma “passionária” (Ana Gomes) pessoa que, para além dos seus já proverbiais defeitos, apresenta também características que muito eleitorado aprecia: a agressividade, o destemor, a independência e o espírito guerreiro e de luta.

E, finalmente, ficará sempre a pairar a sensação de que, afinal, foste tu Costa quem aproveitou a  boleia de Marcelo e não o contrário, como aconteceu com o Governo onde aí sim foi Marcelo quem aproveitou a tua.

Eu sei que numa fase como esta seria quase impossível arranjares ou promoveres um candidato capaz de ofuscar Marcelo pois este, como atrás referi, soube bem ir na tua boleia e, ao invés de uma força de bloqueio, soube sábiamente ser colaborante.

Mas aí eu acho que saírias muito melhor da situação não apresentando candidatura própria, para não hostilizar Marcelo, e dando liberdade de voto aos teus. É minha convicção de que sairias disto muito menos chamuscado e sem o anátema de teres apoiado um candidato de Direita e da Direita. Mas isso sou eu a pensar…

E ainda outro aspecto a considerar: tu não te podes esquecer Costa que, ainda antes das Eleições Presidenciais, tu já terás passado por um sério revés, a saída do teu melhor e mais popular Ministro: Mário Centeno! E, regressando ao tempo presente, não augurando nada fácil a sua substituição, não consigo prever as consequências que essa perda significará para ti.

Sendo certo que tu não podes negar a ninguém, principalmente depois de um assinalável trabalho feito, o direito a mudar de vida e desejar para si um”upgrade” profissional, a grande verdade é que tu, Costa, assumiste ou concentraste num curto e penoso período demasiadas e perigosas lutas.

Eu estou certo de que as acabarás por ultrapassar, mas talvez com danos colaterais que seriam evitáveis…

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O FUTURO a DEUS PERTENCE! E o PRESENTE?

De tudo isso estamos cheios de ouvir falar. Sobre a omniprecença de Deus em tudo o que aconteça ou mexa mas, de concreto, nada de nada acontece.

Este tempo não está para os dogmáticos, nem para quem esteja sempre à espera, numa confiança feita de certeza inabalável, de que algum Deus, em toda a sua magnanimidade e justiça, tudo a preceito resolva.

Esta parece ser uma proposição confessional mas não o é de todo, de modo que eu, como que para relativizar, sempre digo: não metam os Deuses nisto.

Pois isto é o que faziam os antigos Povos do mundo que, perante as ofensivas da natureza, para eles coisas incógnitas e feridas de qualquer conhecimento ou racionalidade, sempre atribuíam essa fúria a qualquer ente superior, uns Deuses à medida de cada fúria: Da chuva, do vento, dos terramotos, dos mares, das inundações, dos relâmpagos, das guerras, dos cataclismos, das pestes e eu sei lá de que mais…

Há sempre nesta ancestral cultura uma coisa que de sabedoria nada tem, mas a quem sempre se atribuiu o poderoso tom da ambiguidade: Deus sempre avisou, e está escrito (vejam as páginas da Bíblia, do Êxodo ou do Apocalipse), e por isso não pode ser responsabilizado. Mas todos nós lemos e ouvimos: mas se sempre Deus avisou, quem teima em continuar a castigar?

E não vale a pena lembrar por que daqueles que nasceram na terra “onde corre leito e mel” , persiste haver uma maioria que nem tem leite nem mel? Ainda por cima vivendo numa terra que é ancestralmente sua e da qual tem vindo a ser progressivamente expulso? Mas em nome de que Deus? Jeová ou Maomé? Será que os Deuses lá em cima também se degladiam?

Mas no meio desta pandemia, que desta vez atinge todos sem excepão, o que vemos todas as Igrejas fazerem? Silenciarem-se às responsabilidades e, portanto, desculparem qualquer Deus supremo e absoluto! E fica-lhes bem…

Mas, de certo modo indiferentes, salvo sempre o consequente e esclarecido PAPA FRANCISCO, de nenhum, nem de qualquer dos seus mais irredutíveis fiéis, ouvimos a repetida e desculpadora frase, frase deveras encarnada nesses tantos, de que “Deus assim quer…”.  Ou quis…

De modo que, voltando ao princípio, uma coisa de salutar transparece de tudo isto: É que Deus, ou os Deuses, desapareceram desta equação como responsáveis ou salvadores e delegaram na Ciência a resolução destes tempos…

Tempos novos e insondáveis, sem dúvida!

NB: Eu não sou anticlerical e antes pelo contrário! Mas penso e vejo…

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O RELAXAMENTO de CENTENO!

Erros todos cometemos e muito mais num preciso momento em que o PM tem tantas coisas e preocupações na sua cabeça, tantas coisas a prever e tantas respostas a dar. E a grande verdade é que Costa, sempre omnipresente, o tem feito com todo o denodo e competência. É verdade mas…um lapso destes não podia acontecer, dê por onde der.

Podemos dizer que neste princípio de “distanciamento social”, o que preocupa Costa não é o Orçamento aprovado e que vinha sendo aplicado, e no qual já estava prevista a verba a injectar no Novo Banco, verba decorrente do acordo de venda à Lone Star e responsabilidade do Fundo de Resolução, mas sim o próximo Orçamento Suplementar, esse sim de muito difícil feitura e projecção.

Eduardo Galeano disse um dia que “A Memória é aquilo que torna o passado em presente”. E por isso, para não cometermos erros inúteis, temos que permanentemente a ela recorrer. E a memória mais recente, no que ao último Orçamento de Estado diz respeito e onde, como disse a referida verba vinha contemplada, é que tanto o BE como o PCP o aprovaram.

Eles leram, eles estudaram o seu conteúdo e debateram o mesmo tanto na generalidade como na especialidade. A minha memória não tem presente qualquer objecção a esse prudente “item”, pelo que me soa agora a aproveitamento político, que não ouso chamar de ilegítimo, o verberar do facto.

Mas recorrendo à minha memória: Em 15 de Novembro de 2019, há poucos meses portanto, revelava o Expresso que os acionistas do Novo Banco, Lone Star e Fundo de Resolução, já estavam a estudar a hipótese da antecipação da injecção do capital do Estado. Leia-se Fundo de Resolução, dos Bancos do Sistema, a quem o Estado antecipa fundos remíveis em trinta anos.

E no mesmo Expresso, em 29 de Fevereiro deste ano, estava a Pandemia a ser decretada, numa entrevista ao Presidente do Novo Banco, este informa que ia pedir mais 1.037 milhões de Euros ao Fundo de Resolução para colmatar falhas de capital decorrentes de prejuízos na actividade provocados por imparidades que o Banco não consegue suprir, sob pena de ver os seus rácios deteriorados e, por via disso, não poder continuar a sua actividade por falta de financiamento para a mesma.

De modo que eu pergunto: o BE, o PCP e os restantes Partidos que acerca desta importante questão nunca se pronunciaram, andavam distraídos? Já era coisa assumida e portanto agora não relevante? Sim, não fosse a Pandemia. E claro, quando todo esse dinheiro era mais preciso para tudo menos para injectar num Banco, novo mas sem futuro à vista…

Se eu estou contra este acordo de repartição e venda do Novo Banco? Estou e completamente! Se me sinto perplexo com as Auditorias até agora feitas de análise aos seus Activos e Créditos sobre Clientes? Aqui ainda muito mais, nomeadamente desde o início em que na separação entre Banco Bom e Mau, o Bom ficou com imenso Crédito duvidoso que deveria pertencer ao Mau. Mas, não sofrendo eu de injenuidade precoce,  já há muito era  para mim muito claro que isso obedeceu a uma estratégia de “chico espertice”: A de que, para vender, isto é largarmo-nos de problemas, era deixar para quem viesse a solução. O costume…

Se eu estou contra tudo isto? Estou completamente e de princípio,  Mas…É que o problema advém de um pecando original deste “Sistema”: O de criar Bancos inimputaveis, Gestores inimputaveis, Administradores que internamente decidem sobre seus salários e prémios mas nunca são responsáveis pelos erros cometidos. Gente a quem nós confiamos, ou melhor somos obrigados a confiar as nossas poupanças, das quais fazem o que bem entendem e lhes convém, mas num desprezo total pelas suas consequências, que eles sabem nunca os irão atingir…

Mas este “Sistema” instituído por este Capitalismo sorvedor e egoísta, deve-nos levar a pensar, pois a ele estamos de pés e mãos presos: Quando um Banco está na eminência de entrar em falência (não possuir mais recursos nem suas fontes para fazer frente às obrigações), três coisas podem acontecer:

  1. Conseguir uma injecção de liquidez que permita a manutenção dos rácios de Capital e Solvabilidade necessários ao seu financiamento. Mas quem injecta dinheiro num Banco falido? Só um Estado possui essa possibilidade. Mas em nome e a troco de quê?
  2. O Banco ( mais o seu nome e marca) é vendido por  “tuta e meia” e quem o compra ficando apenas com a “operação” ( negócio), remete para o resto do “Sistema” ( que tem receio do risco sistemico), todos os riscos da sua “limpeza”. E tudo, mais uma vez, vai inevitavelmente recair sobre o Estado…
  3. A “ Nacionalização”! Mas aqui o BCE, a CE e tudo quanto seja Tribunal ou Regulação não a permitem nem apoiam, não só pelo precedente mas principalmente pela carga ideológica que encerra. Eles, no fundo, pretendem que isso seja feito mas sob outra capa. Como agora nas Companhias de Aviação, entendem?

A ausência de tudo isto seria a falência pura e dura. Mas quem seriam principais prejudicados numa falência assim: os depositantes! Os mais desprotegidos num caso destes pois apenas podem recorrer ao Fundo de Garantia de Depósitos ( até € 100 mil) mas, falando de recursos (depósitos) de 70 ou 80 mil milhões de euros nele existentes, para parca miséria serviria a sua  capitalização!

Finalmente: Era inevitável a injecção deste capital no Novo Banco e na precisa data em que foi feita. E não me venham com alegorias nem menções a Auditorias: tinha que ser feita e se Costa afirmou que não sabia ou esperava o final da Auditoria para antes dessa data, não deveria nunca ter dito o que disse no Parlamento.

Mas, tratando-se infelizmente de uma inevitabibidade, eu não deixo de realçar o facto político mas, quanto ao que todos os “Midia” falam, da crescente incompatibilidade entre Costa e Centeno, eu estou convicto que elas não têm por fundo a política ou economia nacionais, mas sim profundas divergências a propósito da Europa e do seu futuro.

Centeno, que fez tão grande trabalho e tão grande que todos devemos louvar, há muito que encena um “tabu”, um ‘tabu” feito de meias palavras, de incógnitas e indecisões, mantendo sempre um pé fora e um pé dentro, nunca evidenciando estar no seu cargo em pleno.

Por isso e  porque um Ministro das Finanças nunca pode estar na sua imprescindível função sem ser em pleno, Centeno tem que optar: ou está ou não está!

E o seu “relaxamento”, por mais que eu o aprecie enquanto brilhante Ministro das Finanças, não colhe…E, por tudo isso, estou com COSTA!

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COSTA e CENTENO “ Disseram”?

Se  disseram, então está dito!

Mas que quer isto significar? Quer significar que já está tão sedimentada na opinião pública Portuguesa um tão sustentado grau de fiabilidade em Costa e Centeno e já tão enraizada no senso comum uma ideia de idoneidade, de competência e solidez tais, que basta “falarem” para as pessoas confiarem e dizerem, como o Povo diz, “falaram, está falado”!

Mas esta solidez advinda da Confiança, também resulta da serenidade e postura destes dois governantes em especial, pelo que as suas lideranças acabam por ser aceites com toda a naturalidade e sem necessidade de qualquer imposição ou força.

E a isto chama-se simplesmente Confiança, que é como todos sabemos a variável mais determinante quando se têm que tomar decisões políticas ou económicas.

No último programa do Eixo do Mal, a propósito da volatilidade das declaraçòes de Marcelo, (acerca do 1° de Maio por exemplo), o Daniel Oliveira proferiu uma frase lapidar” Enquanto Costa lidera a Opinião Pública, Marcelo é por ela liderado”!  Pode parecer suspeito de quem vem, mas é a pura realidade. 

Na quinta feira à noite assisti também a uma estupenda entrevista de Mário Centeno à RTP 3, onde com uma postura serena e sóbria, mas séria e confiante, advindas da certeza do inequívoco grande trabalho antes realizado, não deixou de responder a única pergunta do entrevistador e mostrou à saciedade qual deve ser a postura de um governante de bem consigo mesmo.

Mas ela é também definitória de uma segurança que se tem que ter para transmitir a referida Confiança. Na verdade ele sublinhou, mas nem precisava de o fazer, o duro caminho percorrido por Portugal nos últimos anos até à sua afirmação na Europa e no no Mundo, igualmente nas suas diversas Instituições, mas um caminho sem atropelos nem titubeações, tanto no cumprimento dos objectivos traçados como das regras estabelecidas.

Portugal passou a figurar como parte das soluções e não dos problemas, através de uma coerente atitude de positivo envolvimento e o reconhecimento chegou com a eleição do próprio Mário Centeno para Presidente do Eurogrupo, fruto claro do enorme respeito granjeado entre os seus pares.

Mas chegou a ser até tocante ver um Homem a quem tudo estava a correr bem, qual Sisifo chegando com o pedregulho ao cimo da montanha, ver tudo ruir num ápice e, tal como Sisifo, ter que carregar novamente a dura e pesada pedra montanha acima…

Mas tocante no sentido em que aceita o desafio sem azedume, nem com o recurso e sempre usual desabafo do “que azar”…Não, a sua resposta foi sempre positiva: “Portugal já mostrou que é capaz e hoje todo o Mundo acredita que o é”, disse ele! E o respeito adquirido nos últimos anos por Portugal saiu ainda mais reforçado com a actual crise pandémica, pela resposta competente e pronta, com o nosso comportamento enquanto Povo, pelo nosso espírito solidário e com a unidade das Instituições.

Mas o Prestigio, tal como a Confiança, conquistam-se lenta e progressivamente e a confiança que depositamos nestes nossos dois Governantes, eu diria até “Comandantes”, é uma enorme mais valia para nós Portugueses ultrapassarmos este enorme desafio com que inopinadamente fomos confrontados. Mas agora com mais armas que antes, sem dúvida.

Costa Centeno “disseram”? Então está dito! 

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A BEM AVENTURADA AUSTERIDADE ou o “ TEM QUE SER”!

A pergunta final é sempre a mesma: vai ou não vai ter que recorrer à “austeridade”? Não, responde Costa, não ao modelo de austeridade que foi implementada na crise anterior ( leia-se 2011 a 2015), a do corte nos rendimentos e direitos.

Costa explica-lhes pacientemente que são crises diferentes, a anterior decorrente da pressão sobre as dívidas soberanas em que os mercados atingiram de sobremaneira os países do Sul e esta de origem pandémica e que maltrata todos sem excepção.

Mas vai ter que haver “austeridade”, não vai poder deixar de haver, afirmam os Comentadores, não escondendo o inconfessável desejo que lhes vai na alma: Que haja mesmo, para que Costa se dê conta do mal que fez ao subestimar os sacrifícios que foram “pedidos” aos Portugueses, sendo que o “pedidos” que eles repetem à exaustão são uma forma enfática de dizer “impostos”, entregando de imediato a esses mesmos Portugueses aquilo que muito bem lhes tinha sido retirado.

Pois voltou o regabofe, dizem eles e os Portugueses não podem ter dinheiro nos bolsos pois começam de imediato a gastar à grande e à francesa, a viver acima das suas possibilidades, em putas e vinho, como dizia aquele coiso, e a consumir como se fossem ricos. Depois a dívida aumenta… Mal por mal já estavam habituados. E agora Costa, vai ou não vai haver austeridade Costa? Como vais sair disto Costa?

Pois eles aí estão sempre à mercê dos nossos olhos e ouvidos, sempre com uma prontidão olímpica a explicar o que disse e o que não disse o Primeiro Ministro, mas com uma fidelidade exemplar à agenda que lhes foi imposta: fazer crer que vai ter que haver “austeridade”. Mas uma “austeridade” à sua maneira.

Mas que ou qual “austeridade”, pergunto-me eu e como eu muitos dos leitores? Ué, como dizem os Brasileiros, qual “austeridade”? Pensam que é passar a haver menos produtos fúteis no mercado? Menos carros de forte luxo como se fôssemos super ricos? Viagens ao preço da uva mijona para irmos tomar o pequeno almoço a Paris e voltarmos para uma reunião? Ir para o Havaí como se estivéssemos aqui? Trocar de carro e de mulher como quem troca de camisa and do on, and do on e mais on, on e on?

Nada disso, né? Isso até que é sagrado! Isso faz parte do nosso (deles) “way of life”, isso faz parte da “governance”, faz parte de um sortilégio de classe adquirido com muito “savoir faire” e “sex appeal”, apenas ao alcance de alguns…

A “Austeridade”  é apenas uma, inapelável e definitiva: Corte nos Salários e Direitos! De quem? Ora de quem: de quem trabalha pois trabalhar já é uma regalia… E das Pensões! De quem? Ora de quem: de quem está Reformado e por isso já não trabalha…

É isto que eles querem de volta. E voltarem a dizer que “salvaram o País” desta vez não da banca rota mas da sua rota carteira. E dos desvarios de quem não pode, nem a isso alguma vez teve direito: a viver condignamente.

E quem são estes “cães de fila”, autênticos capatazes de autoritários donos empenhados,  quais “Trumps” de pocilga, em defender seus lucros e suas acções na Bolsa? Todos sabemos…

O seu desejo supremo, e para muitos inconfessados até, era não ter que pagar aos trabalhadores! Estão admirados? Disse-o o da Altice, sem papas na língua, tal como muitos, e a maior parte até dizem: não estás bem? Põe-te… Até àquele monte de sebo daquela Americana, que dizem ser a mulher mais rica da América: os empregados deviam ganhar como se ganha em África.

Eles defendem, como capangas, atiradores contratados e como milícias ou cangaceiros armados com as armas da persuasão contínua e do medo, o seu dono, tal como um cão amestrado.

E defendem efusiva e veementemente uma nova “austeridade redentora”. Porque não há outra saída, dizem eles, pois o Estado vai ter que se endividar e alguém vai ter que pagar. .. Mas quem? Sempre os mesmos? Na anterior deu resultado, eles repetem…

O problema, sempre o mesmo problema, é que muitos, mesmo sofrendo, continuam a acreditar… Como acreditam como redentores os castigos, os sacrifícios e as imolações…que as procissões aliviam, tal como as penitências. E o “tem que ser” sufraga…

Eles querem que volte a “austeridade redentora” do Passos, aquela que separa os produtivos dos improdutivos, os novos dos velhos, os informados dos reformados, os que pagam impostos (uma regalia pois sinal de que trabalham…) e os que vivem dos impostos…quer dizer, dos Subsídios de Desemprego ( onde já se viu quem não trabalha ainda por cima receber…) e desse famigerado Rendimento Social de Inserção, que vai direitinho para malandrins drogadolas que não querem trabalhar… Mas também a quem nunca ninguém dará trabalho, digo eu!

Estes são produtos nefastos, maçãs podres da sociedade, maus exemplos que se devem evitar, isolar, deixar apodrecer…

Assim pensam os fascistas, os “trampas” desta vida, os eternos defensores da “austeridade”,…prós outros, sempre prós outros é claro…

Cretinos é o que são… E todos sabem quem são!

NB: Eu Reformado me confesso mas ainda disponível para as lutas pela Dignidade Humana!

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DO LADO DAS SOLUÇÕES e NÃO DOS PROBLEMAS!

Eu não me lembro de enxovalho assim desde aquele célebre dia em que João Galamba cilindrou Vitor Gaspar em pleno Parlamento, aquando daquela sua peregrina ideia de baixar a TSU às empresas ao mesmo tempo que a subia na mesma proporção aos trabalhadores.

Lembro-me do seu ar atónito e acabrunhado, assim como quem pensa para si mesmo “meti mesmo o pé na poça”. Desta vez, há dias e numa audição no Parlamento, assistimos a uma postura diferente do atingido: uma postura também ela de incredulidade mas jactante, tão jactante quanto a sua figura e ignorância.

Era acerca do futuro da TAP e o deputado do CDS, fazendo a figura de verdadeiro cão de fila, quando o Ministro Pedro Nuno Santos o informava que o Estado estava a avaliar todas as soluções, decretou: Mas nacionalização não aceitamos!

A sua solução (a dos Privados que com 45% do capital “governam” a TAP) era a da obtenção por estes de um empréstimo de 350 milhões de Euros mas…com o Aval do Estado! Era “Governance” dizia ele…

“Governance” deve ter sido a única coisa que deverá ter aprendido pois todos nós sabemos, sejamos formados em Economia ou não, que quando uma empresa precisa de capital e os acionistas querem manter a sua posição societária têm que acorrer ao aumento de capital na devida proporção.

Mas o “inteligente”, defendendo os seus donos, queria que fosse o acionista Estado, que possui 50% do capital, mas sem “governance”, a garantir o empréstimo dos acionistas privados, que têm 45%, e tudo ficasse na mesma. Mas, na verdade, a isso foram sempre habituados…

Quando confrontado com a verdade quase “Lapaliciana” de que um Aval do Estado a gestores que já antes da crise do Covid 19 e em anos de alta apresentavam progressivos prejuízos, era um Aval do Povo Português, que fatalmente o teria que pagar…abanou os ombros e, naquele seu ar de boneco “Felliniano”, só disse, “ Governance”…

Depois PEDRO NUNO SANTOS deu-lhe uma autêntica aula de GOVERNO, mas ele não deve ter entendido nada: o sacar dinheiro ao Povo é a sua “Governance”, aquilo que lhes ensinaram e a única coisa que aprenderam…

Fantástico é ouvir depois comentadores e comentadores recriminarem Pedro Nuno Santos, o Ministro da pasta, e defenderem a gestão dos privados, como se a crise da TAP e da sua gestão tivessem começado agora com a crise da Pandemia. E mais, respaldando-se das palavras de Costa na entrevista à RTP que, não estando numa audição no Parlamento respondendo a perguntas concretas, estando em causa diversas variáveis e soluções, foi mais comedidido e evasivo.

Logo concluíram essas aves de rapina todas, sedentas de alguma pequena fuga, incoerência ou desacerto, ter Costa dado uma sutêntica “sapatada” no seu Ministro porque, dizem eles, será um putativo seu sucessor, e Costa isso não perdoaria!

À falta de melhor, porque Costa e o seu (nosso) Governo não lhes têm dado motivos, agarram-se a uma palhinha querendo logo fazer dela um palheiro! Mas sempre naquele confuso estado de alma que os apoquenta: Não podendo dizer que Costa tem estado mal e antes pelo contrário até são obrigados a dizer que esteve bem, têm que acrescentar um “mas”, sempre um “mas”…

Mas se eu hipoteticamente fosse por um desses perguntado ( e isto é apenas retórica), questionado ou pressionado, coisa que eu bem percebo da actividade jornalística, sobre algo que todos sabemos ser incerto e desconhecido, insinuando entre palavras dúvidas sobre as atitudes tomadas com destemor e coragem percebendo bem o pulsar da sociedade pelo Governo, também eu seria um pouquinho agreste e desmedido e responderia: E você, o que faria?

É claro que sendo isto apenas retórica, reflete apenas uma certa impaciência perante perguntas e mais perguntas completamente desajustadas como: “Acha que vamos poder ir para a praia no Verão”? Acha que vamos ter Festivais no Verão?”. É claro que a única resposta possível seria na mesma linha: E o Senhor, que acha?

Pelo que, sabendo qualquer pessoa a situação em que estamos e muito mais os Jornalistas, sabendo todos que ainda nada sabemos e nem sequer os cientistas, porque é que essa gente não se consegue imaginar na posição de quem tem de tomar decisões, sem qualquer informação ou intuição que não recurso ao bom senso, continua a pavonear a sua imbecilidade fazendo essas perguntas, sem qualquer achega que seja a um sentimento positivo?

Vi e ouvi há dias um Empresário Português, um daqueles que rápidamente conseguiu fintar a crise e falta de encomendas e mudar o objecto de produção da sua Empresa, dizer a frase basilar e que é aquela que nos distingue e levou a própria OCDE a afirmar estarmos em primeiro lugar no ranking dos Países que mais projectos inovadores lançaram nesta crise:

Nós estamos do lado das soluções e não dos problemas!

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A VIDA EM SUSPENSO.

É pungente ao fim da tarde olhar pela minha janela Sul Poente, e por onde passa a maior vida da Póvoa , sentir que depois das 19 horas aproximadamente o dia acabou! Mas acabou cedo de mais…

O que eu vejo parece-me mais um retrato, uma pintura qual natureza morta, de tão estática que está: as velhas árvores agora, até que frondosas porque é Primavera, os candeeiros que daqui a pouco se acendem sem saberem sequer para quem, as mesas e cadeiras da esplanada dos Torreões arrumadas em castelo esperando melhor serventia e até os pombos que poisam o dia todo por cima do Mercado, sentindo que não há viva alma que lhes ofereça uma migalha, foram para outras paragens ou talvez descansarem por nada mais terem a fazer…

Como dizia o Prof. António Costa e Silva, Professor do IST, num recente artigo no Público, “A lógica da pressa e do urgente desvaneceu-se no roçar lento dos dias…”!

Mas da parte detrás da minha casa, a nascente, surge-me, paredes meias entre o quintal do Instituto Madre Matilde e o do Manuel Agonia ( filho), uma imponente árvore! Mas uma árvore diferente de quaisquer outras porque há trinta anos que para ela olho e permanece assim :Altiva e ao mesmo tempo sóbria, mas elegante e majestosa!

Ao seu lado descortinamos uma outra, mais pequena e singela, mais desconexa e desordenada na forma e de um verde mais esbatido e frágil. Mas ela, embora bela, oferece-nos o suficiente contraste para aferirmos da insofismável beleza da outra!

Ela é de um rigor impoluto e irresistível no seu traço e os seus braços quais asas parecendo, parece até que planando, são de uma suavidade assombrosa e de uma estética irrepreensível!

Sempre a conheci deste modo: imutável e serena! Não sei o seu nome nem nunca quis saber!  Nem tão pouco a sua idade!

Só sei que ela é uma eminência na paisagem e transmite-me PAZ.

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EUA, Um PAÍS RICO ou Um PAÍS POBRE?

Num texto que publiquei em 31-03 p.p, que titulei de “O Combate ao Covid 19” eu escrevi acerca de Trump e da “sua” América o seguinte, ainda a Pandemia lá não tinha assentado arraiais:

Na sua postura inicial arrogante Trump não cuidou de saber, nem soube ouvir, que perante um vírus desta natureza os EUA estariam tão frágeis como quaisquer outros países, mas mais frágeis ficaram quando subestimando a sua propagação foi tardio a tomar medidas.

E, posto isto, tendo em consideração os seus precários Sistemas de Saúde, onde prevalecem os Seguros (quase um terço da população ou não têm qualquer Seguro ou tem apenas o mais básico) e de Assistência Social, muito se teme que possa vir a acontecer uma autêntica desgraça humanitária naquele que dizem ser o país mais rico do mundo…”

Passados pouco mais de três semanas, para além do que eu previ, e também não era exercício extraordinário prevê-lo, ficaram ou vieram à superfície e de um modo clamoroso, todas as debilidades dessa “grande América”, grande sim mas só para uns quantos.

E o que vemos? Vemos um país sem infraestruturas básicas que salvaguardem as pessoas mais débeis; vemos uma ausência de um Estado Social universal e egualitário; uma ausência total de uma Assistência Social também ela universal; vemos uma Saúde só para quem pode, através dos Seguros, que exclui e abandona todos os que não os possuem…

Vemos uma Sociedade, mais de um terço da sua população, abandonada à sua sorte e agora ao sabor de um Vírus…

E essa “grande América” começou agora, realmente, a mostrar a sua verdadeira face: um país comandado por algumas elites egoistas e egocêntricas, completamente desfasadas do seu  Povo e da sua realidade e apenas confiando em que a “ caridade” das pessoas mais conscientes e as comunidades possam obviar…

Mas a eles o que os preocupa são as suas acções na Bolsa e tudo o resto são números pois a única coisa que sabem ler são números…

Mas os números são muitas vezes traiçoeiros e chega até a dar pena assistir aos avanços e recuos de um presidente que, não percebendo nada do que se está a passar, a dirige apenas sob o impulso da sua intuição para os negócios, como se isto de isso algo fosse…

E vai-se notando o seu ar de assustado: para quem, qual “Super Homem” que ele julgava encarnar, vê de olhos esbugalhados que no total de infectados no mundo inteiro pela Covid 19 o seu  “grande” país representa mais de um terço e os mortos idem. 

Mas não só: é também o desprezo total que vem demonstrando pelos seus cidadãos quando permite, e vimos imagens de Nova York, que gente, pessoas humanas iguais a si tanto na nascença como na morte, sejam despejadas para uma vala comum por, mesmo sendo cidadãos, não merecerem da sua Pátria qualquer consideração…

Mas a História, como nos ensinava o Nosso Pai, ela volta sempre por mais voltas que possamos dar,  e muitas vezes  castigadora até, pois faz humildemente de nós todos iguais perante o seu poder…

E Trump está a provar dessa “cicuta”: o seu “poderoso”  States em pouco mais de um mês já perdeu cerca de trinta milhões de “Jobs” e todos foram direitinhos para as portas do Fundo de Desemprego! Mas Trump, num acto de autêntica e magnânima compaixão, vai mandar a todos eles um cheque de mil dólares, mas assinado por ele, para saberem quem os salvou…por um mês!

É que à pobreza de sentimentos junta-se muitas vezes, e neste caso também, uma ainda maior: a pobreza de espírito…”Quo Vadis America”?

A suposta “grande América” perante um desafio destes reage assim…mas pagando pelos seus enormes pecados, mas sempre mais o justo que o pecador…

Será que o “balão” que é a sua “riqueza”, feita de especulação e dívida, ainda lhe vai rebentar nas mãos?

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O ILUSIONISMO como Profissão (Ou o Confinamento Produtivo de Portas)!

Há largos tempos alguém perguntou ao Arquitecto Nuno Portas opinião acerca do seu filho Paulo. “ Um homem muito inteligente”, respondeu ele!

Sem dúvida que o é, mas sendo a inteligência, por definição e natureza, algo que temos, seja ela inata ou seja ela desenvolvida, mas que deve ser direcionada para a partilha e esclarecimento universais, daquilo que por ela mais facilmente atingimos ou obviamos, quando ela apenas serve para satisfação própria de objectivos pessoais e egoistas, ela torna-se naquilo que bem define o Povo: ESPERTEZA!

Ora a esperteza nada tem a ver com inteligência. Como em Marques Mendes e muitos outros…

Porque, na verdade, para além das “prédicas” que têm, dada talvez a sua superficialidade e esperteza, nos horários nobres das Televisões, eles têm o privilégio de a exacerbarem ao máximo que as suas inteligências alcançam, em algo redutor e dirigido.

Pois quando analisam, ao contrário do Marcelo quando também o fazia, pois este num dualismo para ele didático ao menos dizia que fulano de manhã esteve mal e de tarde esteve bem, de bem com todos mas falando de todos, estes apenas abordam uma parte da questão omitindo sempre, e deliberadamente, a outra parte, a menos interessante…

Mas, mais grave ainda tornam-se, porque alguém isso permite, “especialistas” de tudo e mais alguma coisa e, tendo ido ao Google consultar algo de imediato, na passadeira que lhes estenderam e no palco que lhes erigiram, promulgam verdades definitivas…Assim tipo “Josés Gomes Ferreiras” desta vida que, logo a seguir a seja que decisão política anunciada for vêm, mesmo que seja a quente, transmitir a sua (ou de quem servem) enquadrada opinião.

É assim o “ilusionista” Paulo Portas, que do que fala percebe tanto quanto eu, mas que tendo o dia inteiro para vasculhar, aparece com gráficos e mais gráficos, como se fossem oriundos de alguma tese sua, para onde direciona a sua sábia esperteza.

Mas alguém por acaso lhe conhece alguma obra, um livrinho que seja? Alguma tese, acerca do que for? Nada! Mas, assim de repente, tornou-se num “especialista”!

Onde guardará esse extraordinário acervo de seis mil fotocópias tiradas em duas ou três noites, em trabalho de louvável memória futura, de documentos do Ministério da Defesa precisamente antes de o deixar? Alguém nestes anos todos quis saber? Não…É que os papéis não falam, mas “dizem” e quem algo sabe cala! E, por tudo isso e quiçá mais, ele aí anda, impante e soerguido, distribuindo esperteza….

Mas que faz ele agora que deixou o seu Mexicano sombrero? Agora que nem emular a Diva pode? Dedica-se ao Confinamento Produtivo!

Mas não me vou alongar mais pois, deste outro “figurão e camaleão” da vida e política Portuguesas, já desenhei nos idos de 10/02/2015, há mais de cinco anos portanto, o seu retrato e a este chamei precisamente de “ O Ilusionista”!

https://aesquerdadozero.wordpress.com/2015/02/10/o-ilusionista/

Abram, por favor…( basta clicar em cima)!

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