O “EXPRESSO” impresso!

Uma vez o Chico Buarque proferiu uma frase, que eu penso que já aqui citei, em que ele, a propósito das “mudanças”, diz que “não receia as mudanças e que só teme que elas não aconteçam”. Qualquer coisa assim…

Eu estou e sempre estive como ele: a favor da mudança, das mudanças, de quaisquer mudanças e, talvez por isso, ao longo da minha vida, por vontade própria ou não, tantas vezes tenha mudado de casa! Claro que isto é figurativo, mas há certamente coisas da vida que, sendo bem educadas, bem criadas e bem ensinadas, não mudam. Ou melhor, não devem mudar : os princípios, os valores…e tudo isso. O que não impede que eu seja, nós sejamos, a favor das mudanças, claro! De tudo, que não dos princípios civilizacionais que nos regem…

Naquela célebre canção imortalizada pela Mercedes Sosa (“Cambia, Todo Cambia”), o seu autor, Júlio Numhauser, um dos fundadores dos Quillapayun, exilado na Suécia depois do malfadado golpe de 1973 que depôs Allende, diz: “E assim como tudo muda, que eu mude não é estranho…”. Tal como o mundo, está claro!

Mas os avanços e as mudanças que existiram, existem e poderão vir a suceder, não querem significar que, pelo simples facto de serem mudanças, vão todas no sentido que eu e nós desejaríamos. Se todas elas em vez de, como se constata, apesar da democratização e livre acesso de muitos a muitas coisas novas, se dirigirem ao uso de uma elite que as aproveita para acumular riqueza e a concomitante miséria dos outros, tivessem como objectivo a consolidação da igualdade, da liberdade, da paz, do multiculturalismo e da não segregação, todos facilmente as aceitaríamos. Mas o facto é que, apesar das nossas cada vez mais passivas resistências, elas têm tido o efeito de fazer dos fortes cada vez mais fortes e fazer da maior parte de nós seres que apenas almejam a sobrevivência.

E esta quase irracional imposição conduz-nos ao estabelecimento de prioridades e ir, no fundo e passivamente, como disse, aceitando essas malévolas mudanças. Como que demonstrativas, tanto  da nossa inépcia , como também da nossa impotência em combater forças tão fortes e tão superiores.

E a pusilanimidade, minha e de quase todos, foi-se instalando. O termos baixado os braços é uma realidade que ninguém pode negar.

Mas perguntar-me-ão, e com toda a legitimidade, que é que tem o título deste texto a ver com tudo o que narrei? Tem porque, para mim, o “Expresso” impresso, perdoem-me a redundância, é um espelho fiel e a expressão inequívoca de tudo isso. Tal como as Televisões, de resto. E isto vem a propósito de uma das tais mudanças fundamentais, o aparecimento de novas ferramentas tecnológicas de comunicação às quais os Jornais não se conseguiram adaptar. E a tentativa de, qual náufrago, se salvarem, tem mostrado à saciedade até onde se pode chegar para unicamente se conseguir, não nadar, mas apenas boiar e, desesperadamente, sobreviver.

Que os jornais perderam relevância é um facto tão nítido que, eu próprio, já há tempos que deixei de os ler, quanto mais comprar… E é um facto que eu mudei pois, depois de mais de quarenta anos, deixei de comprar e de ler o Expresso! E, como de qualquer diário ou semanário, apenas leio, e de relance, as primeiras páginas no “Sapo”.

E, hoje de manhã, li a capa do Expresso deste fim de semana e rapidamente concluí: Ao que estes “tipos” chegaram! Qual a notícia mais importante, a chamariz, a de letras mais gordas e de primeira página? Que Relvas regressa para desafiar Passos para Primárias! E que “está na hora”, acrescenta ele, assim como quem diz: Acorda, porra, ou melhor, já é tarde para acordares! Mas o Expresso acrescenta que Rio já as defendia desde 2014! Claro que tudo o resto ficou para segundo plano e vem em letra miudinha, excepto as eleições Francesas que merecem fotografias!

De modo que eu, que sou “bué” de célere e quase repentista nas minhas conclusões, disse logo para comigo: eu, ser ainda fosse leitor, já não comprava! É que tão inopinada, tão idiota e tão surreal notícia, em vez da reflexão e curiosidade convoca precisamente ao contrário: à desistência. Pelo menos das pessoas com alguma sanidade ainda…

Pois então vejamos: Primárias? Que novidade quando é certo e seguro que aquilo não ata nem desata e que Passos continua em estado de sonambulismo! Isto em primeiro lugar. Em segundo: Relvas? Relvas a propor, a tirar o tapete, a abjurar e a promover seja quem for será sempre um verdadeiro “hara kiri”! Pois, penso eu de que, quem desafia deve ser quem se propõe, como fez Costa em relação a Seguro, quem vai disputar ou, como se diz em estrangeiro, será o “challenger”! O Relvas? O Relvas é assim como que o regresso de um Dillinger, de um Dr. Strangelove, ou de um qualquer anti-herói como aqueles pistoleiros do Far West, das bandas desenhadas ou das sagas Star Wars ou seja lá o que for! Eles até poderão querer regressar, quiçá até dar luta, mas nós, quer dizer todos ou quase, o que queremos é vê-los o mais longe possível, não é assim?

Pelo que, não sendo ele, só restará uma hipótese, já que, pelos vistos, se quer desfazer do afilhado: O Rio! O Rio? Eu não sei porque não li o miolo da notícia mas, a julgar pela “parangona”, se não houve repercussões é porque se tratava mesmo de pólvora seca, assim tipo “CM”.

E então eu, finalmente e para não os apoquentar mais, concluo: continuem assim, continuem, sem medos, com notícias assim, com os vossos oráculos do costume, os Ricardos, os Bernardos e os Monteiros, mais aqueles estagiários todos que por lá pululam que, qualquer dia, já nem estes vos leem…e a malta agradece!

PS- Que quer significar: para solução! Montenegro?  Vão-me deixar rir? Então eu Rio…

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O POPULISMO À PORTUGUESA!

Remetendo-me apenas para a história pós 25 de Abril de 74, o “Populismo”, agora tão em voga como modo de, aproveitando o cansaço provocado pelas políticas seguidas durante anos e anos por arcos de governação e alternância de pessoas e partidos, que não de políticas, chamar a si os descontentes, os desintegrados, os alheados, os desinformados, os desesperançados, os amuados, os transtornados, os desempregados e os não filiados, oferecendo-lhes soluções fáceis e às vezes até radicais, nunca teve grande “pasto” nesta terra! E não tem ainda…

Os fenómenos estão aí, à frente dos nossos olhos e ouvidos, com protagonistas reclamando uma superioridade moral que nem de perto nem de longe possuem, e diferentes meios que fatalmente não terão também, que apelam às pessoas, as atrás referidas, para a experimentação de algo novo e diferente, algo que os políticos “corruptos” da alternância já não lhes conseguem oferecer.  De modo parecido com as “seitas” religiosas e as “igrejas” redentoras que prometem céus…a troco do dízimo…Ou virgens sem conta num outro mundo…

No entanto o “Populismo” sempre foi uma forma usada para alavancar “massas” descontentes e que não querem revoluções. Chame-se ele “Peronismo”, “Caudilhismo” ou outros “ismos” mas, em Portugal, isso nunca teve grande “chão”, pese o Salazarismo, para se afirmar, impor, crescer ou florescer.

Mas, se repararmos, tentativas não faltaram e não vou sequer falar do PRD, que foi um epifenómeno. Logo a seguir ao 25 de Abril os então fundadores do agora PSD logo apelidaram o seu novo partido de PPD: Partido Popular Democrático! Popular por opção e Democrático porque tinha que ser. Mas, Freitas do Amaral e Amaro da Costa, vendo o “Popular” já reclamado, decidiu que o seu partido seria do Centro, Democrático, claro, mas Social! E rigorosamente ao centro, como as próprias setas o indicavam. Mas também Democrata e Cristão como filosofia agregadora e diferenciadora.

É claro que os nomes pouco significam e os espaços situados entre a direita e o centro, principalmente este, disputados por três partidos (CDS, PPD e PS), começou a ser o objecto de todas as disputas pelo que, carecendo a situação de alguma definição, o PPD abandonou o “Popular” e tornou-se PSD (Partido Social Democrata), para disputar esse centro com o PS. Mas o CDS, de imediato, abandonou a Democracia Cristã, e os Democratas Cristãos o CDS, e tornou-se ele mesmo num Partido “Popular”, para disputar, além desse famigerado centro, também a direita, mais ou menos órfã.

E foi aqui que, depois de vários líderes e de um indefinido Manuel Monteiro, irrompeu o “Popular”, o “Popularucho”, o nosso “camaleão”, o nosso “Peppe Grillo” também, o nosso Paulo de Sacadura Cabral e Portas.

Que, ao mesmo tempo que se reclamava defensor intrépido dos “feirantes”, dos “retirantes”, dos “Antigos Combatentes” e do espírito da Ordem e da Grei, também se afirmava o defensor do “contribuintes”, dos “reformados”, dos afamados e dos não afamados, dos lavradores, das donas de casa e ainda de todos os habitantes nocturnos do Parque Eduardo VII…e sei eu lá que mais… Aliás, os seus mais diversificados adereços capilares assim o indicavam: um boné para ir ter com os lavradores, uma boina para falar com os Antigos Combatentes, um boné tipo “americano” para ir falar com os contribuintes, um chapéu de abas para falar com os reformados e uma peruca para…

Mas este era um “populismo” bacoco, pois se notava na perfeição que a cara não batia com a careta, a figura não condizia com o personagem e a “bota” não batia com a “perdigota”! O Poder é um afrodisíaco tal que faz da sua tentação uma sublimação ainda maior, mesmo que em tempos de crise, não servindo esta como anestesiante desse fervor e entusiasmo. Esse sim, o Poder, é o sítio revigorador de todo o “Populismo”, ou o seu contrário! E assim sucedeu e o  nosso “Peppe Grillo” deu de “frosques”, pôs-se no “piro”… Mas para paragens que, além de afrodisíacas, são também paradisíacas…

E, finalmente, enquanto por cá um anti populista conseguiu erguer uma simbólica barreira a esses movimentos tão em voga por este Europa e pelo mundo fora, testando, com êxito, o nunca testado, a sua, dele Paulo Portas, sucessora, apostada em ultrapassar pela curva direita o seu antigo mas adormecido Ex chefe ( o do Pin) ela tenta ressuscitar o seu “Portismo”, ao qual eu chamo de “Populismo à Portuguesa”.

E, a verdade seja dita, vendo o outro a dormir a sesta à espera do dia em que lhe saia o Totoloto, ela resolve concorrer a Lisboa. Ele entreabre os olhos, olha para o relógio e diz: ainda é cedo! Então ela desata a prometer fim de “taxas e taxinhas”, mais impostos e coimas, mais….até que o outro, ainda sonâmbulo diz: já devem ser horas, vou acordar! Mas repara então que, enquanto dormitava, a fulana escaqueirou todo o seu sonho. Que lhe restava agora prometer? Só lhe restava apresentar uma “Treza” que, além de “tesa”, também é Leal e Coelho. Tudo bem, mas ela? Nada!

E, aproveitando o estado de hibernação colectivo dos seus Ex aliados, socorrendo-se da ideia do PRESI…a D. Maria de Assumpção de Oliveira Cristas Machado e Uber, profere a tonitruante e definitiva promessa: com ela…”adios” aos “Sem Abrigos”….Brilhantérrimo!!!

Mas estou um pouco preocupado: que irá agora a “Treza” prometer?

É que eu aposto que o PP já é CDS outra vez! Porque não o PSD voltar a chamar-se PPD?

Passos, é só uma ideia, eu sei, é só mais uma, sei também, mas é de graça, como todas as outras que lhe dei e que o Senhor mandou pra canto. Então está aí o “Populismo” à frente dos seus olhos e o Senhor não os abre? Qualquer dia vai tarde…

Já prometeu tudo em 2011? Como o percebo…eu também estaria descoroçoado!

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EU TIVE UM SONHO…

…. Que em estrangeiro quer dizer “I Had a Dream…”, mas que não posso utilizar porque teria que pagar direitos de autor ao Rev. Dr. Martin Luther King! Por isso, adiante…

Mas quando digo que “tive um sonho”, eu tenho que me referir a um sonho especial e diferente, verosímil e alcançável, e não me ater àqueles sonhos que todos temos, como o do que fazermos se nos saísse o Euromilhões, e até me fico por este exemplo pois tenho cá para mim que é o mais vulgar de todos! Quem nunca com isso não sonhou que levante o dedo!

Porque, na realidade, só sonha quem nunca teve, só sonha quem nunca atingiu e só sonha quem nunca foi capaz. E, também por isso, se diz que sonhar é de graça! E por isso todos sonhamos, com o alcançável, com o inalcançável, ou com a soma dos dois que é nos sair precisamente o Euro…coiso!

Mas eu, como sonhador, devo ser o Ser mais irrelevante que em Portugal existe. E porquê, perguntarão? Simples: Nunca sonhei aparecer na TV, e nunca apareci! Num jornal que fosse, e nunca apareci também! Nunca fui objecto de qualquer curiosidade ou abordagem politica, mas aqui, valha a verdade, nunca fiz por isso. Mas nunca fui, por exemplo, sondado, e sempre sonhei com isso. E eu pergunto-me: como diabo há tantas sondagens e eu nunca fui sondado? Porque raio só me telefonam os tipos da Meo, da Nos, da Vodafone e da Impresa?

Mas, mesmo assim, tento ser um sonhador e vou lutando, por conta própria, e vou tentando erguer a minha voz, quanto mais não seja aqui neste espaço aberto, o Facebook! E, por incrível que pareça ainda vai havendo um punhado de gente que, mesmo não me conhecendo, me lê e partilha. Já não é mau!

Mas vocês estão a ler e a perguntar-se a onde é que este “cromo” quer chegar, com que raio terá ele sonhado, para além das coisas triviais já ditas, a que se pode acrescentar a Paz, a Liberdade, a Habitação, a Saúde, a Justiça e todas essas coisas de somenos? E aqui já não posso esconder mais e tenho que confessar o meu sonho. Um sonho que é um misto de sonho e de pesadelo (tanto eu escrevi a dizer mal dele…), mas que agora resulta numa simples coisita: Sonhei fazer uma perguntita ao Marcelo? Acreditem, sonhei mesmo…

Não é preciso recuar e trazer à colação o FREUD para afirmar que todos os sonhos têm uma qualquer razão, seja ela superficial e dela nos recordemos, ou seja ela profunda, e é qualquer coisa escondida no nosso subconsciente e que, destrambelhadamente, vem à superfície! Mas, neste caso, não é nada disso! É uma coisa corriqueira: o meu Irmão mais velho, que ainda é Presidente da Câmara da Ponte da Barca e é tu cá tu lá com o Marcelo, disse-me uma vez, e ficou gravado na minha memória, que sonhava convidar o Marcelo a ir à Barca! Onde o anterior, para seu desgosto e nosso gáudio, nunca foi, nem pelo meu Irmão foi convidado!

E como quando há assim um evento desses eles até me costumam convidar (devem pensar, às tantas, que a minha presença eleva a sua qualidade, a do evento) eu até fui ao obrigatório e informal jantar com Sua Excelência! E então, com aquela descomunal “lata” que me caracteriza (posso nada ter, mas “lata” não me falta), pedi licença a Sua Excelência e a todos os presentes para fazer uma pergunta, em voz alta e audível, uma simples e singela pergunta, ao Senhor Presidente! Vejam lá com o que eu sonhei!

E a primeira pergunta que me surgiu foi: “O que pensa V.Exª da “Geringonça”, ou da “Jiga-Joga” como agora eu lhe chamo?”. Claro que foi só um pensamento retórico porque, nem seria preciso muito, logo descobri que me ia sujeitar ao ridículo e que ele, com a sua subtil habilidade, me iria mandar logo para canto!

Desviei-me imediatamente desse pueril pensamento e raciocinei melhor: eu tinha que lhe fazer uma pergunta, mas uma pergunta com incisão tal, da qual ele não tivesse escapatória.

Uma cuja resposta teria que ser, sem quaisquer sofismas, um “Sim ou Não”, e o melhor que me surgiu foi o seguinte: “ Senhor Presidente, com o devido respeito a V.Exª e a todos os presentes, e tendo por adquirida a anuência de todos e de V.Exª também, eu gostaria muito de lhe fazer uma pergunta! Mas uma coisa assim prosaica, esteja tranquilo. Eu, para ser sincero, pensei primeiramente perguntar-lhe “o que pensa da Geringonça” mas, como de imediato pensei num nome que S. Exª não me chamaria mas pensaria, logo desisti. E como sei que V.Exª é tu cá tu lá com o meu Irmão aí ao seu lado, e não o querendo por nada deste mundo defraudar e dar uma de inocente, resolvi reformular a minha proposta e desafia-lo, não para um cantar ao desafio próprio destas bandas e ao qual certamente não escapará mas, para isso, há aqui muitos especialistas, para uma perguntinha banal, mas à qual o Sr. Presidente, pese a sua notável arte da dialética, e tudo o  que termine em “ética”, não poderá fugir e cuja resposta, lamento informá-lo, só poderá ser “Sim ou Não”! É que nem o “talvez” admite.

Mas, perdoe-me uma leve arrogância, não consigo vislumbrar como possa responder com um “Não”! Como o “Nim” também está fora de opção, V.Exª só poderá responder: “SIM”!

Mas qual é essa sua pergunta, afinal, que o faz ter tanta certeza? Perguntou, muito curioso, S. Exª. Então, com toda a sua condescendência e liberal “fair play”, sua compreensão e afectivo sentimento, a minha pergunta é a seguinte:

“ NÃO ACHA V. EXª QUE A “GERINGONÇA” FOI A SALVAÇÃO DESTE PAÍS E MESMO DA NOSSA DEMOCRACIA?”

Eu sei que não passou de um sonho, um daqueles que, como disse, quando nada nunca fomos ou tivemos sonhamos um dia ter, o nosso momento de glória, isso mesmo, e então dá-nos para sonhar assim com “cenas” destas…

Mas, já agora, ponham-se na pele de Sua Excelência: que responderiam?

O óbvio, não é?

 

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“OS LOURENÇOS QUE SÃO CAMILOS”

Antes que decidissem acusar-me de ser ofensivo e sei lá que mais, eu resolvi alterar o titulo deste texto e, em vez de o destinar a um dromedário apenas, procurei ser mais abrangente e não me ficar apelas pelos “Areias”, como na canção juvenil.

Eu sei que o Lourenço não tem culpa de ser Camilo, tal como os “Areias” não têm culpa, sendo “Areias”, de ser apelidados de “camelos”.

É que na minha terra, Esposende, para além de muita areia, desde as extensas praias da Apúlia ao Ofir e até à foz do Cávado, retomando na de Esposende, Marinhas, Mar, Belinho e São Paio de Antas, vejam só quantos quilómetros de areia, há também muitos “Areias” e não consta que algum seja Camilo! Eu conheço os Areias Miranda, os Ferreira Areias e vice versa, os Areias Amaro e vice versa também, os Rodrigues Areias e vice versa ainda e, Camilos…nada!

Mas conheço uns Camelos! Sim, mas Camelos de verdade. O Sr. António Camelo, o dono dos conhecidos Restaurantes Camelo, em Meadela- Viana do Castelo e Apúlia-Esposende, por exemplo, que fez questão de registar mesmo o nome de Camelo como nome próprio. Mas estes Camelos, Camelos a sério, que conheço e até fiz há uns anos umas férias com o Sr. Camelo em Cabo Verde, são mesmo Camelos e não “Camilos”!

Fique claro, portanto, que não há aqui lugar para quaisquer comparações. Estou a falar de “Camilos” e não de “Camelos”, certo?

Agora, se alguém achar que o Camilo é um “Camelo”, isso é lá com ele. Eu preferiria que dissessem assim como o tipo é burro como um camelo”, como dizia um tio meu, o meu Tio Nel de boa memória, o Homem mais engraçado que conheci e que, tendo uma consideração e admiração incomensuráveis pelos filhos do nosso Pai, de quem era tio mas, dada a reduzida diferença de idades, foram educados como se irmãos fossem, quando algo dizíamos que não sabia ele, um perfeito perito na arte vernacular, arrancava uma palavra desse seu extenso dicionário e desabafava: Eu sou burro como um camelo”! E a gente ria e ria… É que ele nem era uma coisa nem outra: utilizava essa figura linguística para nos valorizar e para exacerbar os nossos conhecimentos e, mais, o seu extremo orgulho em nós!

Aliás, convém também esclarecer bem a inultrapassável diferença entre um “burro” e um BURRO! A menos que “burro” seja alguém que se queira armar em BURRO! Mas, como um dia escrevi, BURRO é mesmo BURRO, e não admite comparações (Já foi escrito há muito tempo, mas podem aqui recordar: Link- http://wp.me/p4c5So-b6 ) e a coisa mais deprimente que pode haver é ver um “burro” querer armar-se em BURRO!

Eu sei que o nosso Tio Nel quando desabafava e dizia” Eu sou burro como um camelo, também poderia dizer “Eu sou camelo como um burro”, e aí, por muito que não vos pareça, as coisas mudavam um pouco de figura porque, enquanto na primeira proposição ele dizia logo que o “camelo” era um “burro”, porque a ele o estava a comparar, aqui a ordem inverte-se e o “burro” é que passa a ser um “camelo”. Confusos? Não estejam pois, afinal, se pensarem bem, é mesmo muito simples e, atentos ao título, onde os “burros” são poupados, ele apenas refere Lourenços que são Camilos! Porquê? Porque há muitos Lourenços que não são Camilos, como também haverá por aí Camilos que não sejam Lourenços! Mas há quem acumule e, sendo Camilo, queira armar-se em “BURRO”, quando de “burro” não passa.

E isto porque ele pensa ser um resistente! Os cépticos, as pitonisas, o da SIC, o da Santa Madre Igreja, o João Jardim, corem, os da Europa, dizem que até as agências de rating, o INE, o Banco de Portugal e o Banco dos Bancos até…todos estão a curvar-se e a admitir que o raio do Costa, do Centeno, do Nuno Santos, da Catarina e do Jerónimo e aquela “jiga-joga” que inventaram afinal funciona…todos! Todos? Todos menos o Camilo, que por acaso também é Lourenço…

Porque tudo continua a ser muito perigoso, diz ele! E é, eu confirmo. Tudo pode, de repente, ir por água abaixo, diz também! E pode, eu também confirmo. E a continuarem estes desequilíbrios, iremos prosseguir em areias movediças! E não é que também concordo? Mas apenas porque anda por aí um “burro”, mas este mesmo “burro” e à solta, que pode fazer explodir com todas as suas e as nossas teorias. Tão só e não é nada despiciendo.

Pois é, eu até concordo com todos os seus receios, mas há uma grande diferença entre o que eu penso e este Governo e esta maioria pensam e o que ele julga: é que, para ele, o mundo deve ser, com todo o devido respeito por esse nobre animal, como o do “burro”! Onde este, por mais estóico que seja, por mais arretar que arrete, por mais que finque os pés, nunca deixará de ser animal de carga!

Mas, para nós, o Mundo pula e avança e só pode retroceder quando já avançou, quando foi empurrado pelos ventos da História, contra a resignação de ser-se “burro” e nunca conseguir ser um BURRO a sério, por muito que pense que o é.

 

PS- Que quer dizer, depois do que vou dizer, “pense bem”! É que, voltando ao nosso Tio Nel, uma vez numa Feira no Alentejo, um compadre estava desanimado pois o seu animal tinha estacionado e nem para trás nem para a frente! Não havia quem o conseguisse mover um centímetro que fosse. Até que chega o Tio Nel de cigarro na boca e, rindo-se, disse lá para os compadres: sois mesmo uns “trouxas”! Pega na “pirisca” do cigarro e mete-a no ouvido do animal…

Acho que o compadre não mais o apanhou… Percebeu Lourenço?

COM VOTOS DE BOA PÁSCOA PARA TODOS!

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A da SÍRIA ( e outras guerras )…

Importa desde já dizer que de “tropa” nada percebo (não fui à “tropa”, porque o meu processo se perdeu…) e de guerra muito menos, pois nem nunca numa “canhota” peguei!

Não sei nada de estratégias militares e nem a sua hierarquia sei dizer! Só sei que começa em Soldado raso e acaba em Marechal. De “guerra” não percebo nada, portanto e, por isso, nunca acerca dela escrevi.

E de “gases” também pouco percebo. Sejamos sérios e falemos dos que agora se falam porque, dos outros, todos sabemos! Sim, do Butano, do Propano e agora do de Cidade, este que nem se carrega, nem se sente e nem sequer se vê engarrafado. Só que, bem diferentemente do outro, aqueles que vocês pensavam que eu insinuava, este é inodoro, é rasteiro e pode causar estragos.

Só sei que aquele tipo que é porta voz da Casa Branca, cujo nome não sei nem pretendo saber, e só sei porque vi na TV, que tem ar de troglodita, comparou o Baschar Al Assad ao Hitler, com uma pequenina diferença: é que o Hitler nunca teria utilizado “gases” para matar pessoas! Mas ele, vamos lá ser complacentes, até porque o tipo, porque lhe devem ter dado tal raspanete, se veio retratar, o que queria dizer é que o Hitler nunca tinha utilizado era o “Gás Sarin “. Pois, eu até compreendo, porque Napoleão também nunca o utilizou e nem na Guerra dos Cem anos, cem notem, consta ter sido utilizado. De modo que cada um sabe de História o que sabe e isso, convenhamos, não será a sua especialidade.

Mas de “gases” estamos falados e falemos é de “guerra”. Da qual eu não percebo nada, mas noto haver por aí gente sem fim que disso percebe à brava! O Rogeiro, por exemplo, mas há outros. Mas, engraçado, nunca deram nem dão uma indicação, uma perspectiva, vá lá, de uma solução para qualquer conflito. Mas percebem a fundo daquilo, mesmo não sendo nem Brigadeiros, nem Generais, nem Almirantes, nem muito menos Marechais…

São como aqueles do futebol, os do “dia seguinte”, os dos “frames”, ou os de Economia, que explicam sempre o sucedido…mas sempre depois! Soluções? De Política? Só se o “diabo” aparecesse! Aí tinham acertado em tudo. Como o outro…

Mas sabem de “guerra” para “caraças”! Como aquele “orelhas” da RTP que, quando há alguma guerra, lá vai ele com aquela casaca à caçador, cheio de bolsos, para cartucheiras, granadas e demais arsenal de defesa, mais “chips” e telefones satélites de diversa ordem, apetrechado na perfeição, mas sendo filmado por alguém. E esse? Estaria também assim apetrechado? Não sabemos! Só sabemos, porque todos vimos (lembram-se da Guerra do Iraque?), que o tipo falava alto para “camandro”, indicando-nos que aqueles fios de fogo eram mísseis que estavam a ser lançados…Para quê imagens se ele o dizia? E, ainda por cima, em voz tão alta? Coisa de guerra…

É a tal guerra pífia, a guerra das transmissões televisivas. Eu, sou franco, preferia a do Solnado! Ao menos nessa poupava-se: havia uma única bala, presa a um fio, que depois era puxada de volta… Isso é que era guerra!

Pois, estes tipos sabem tudo de “guerras”, mas há uma coisa da qual não sabem nada: de PESSOAS! De GENTE! De gente sacrificada, assassinada, pulverizada, escorraçada das suas casas, dos seus lares, dos seus comércios, dos seus empregos, da sua vida, das Escolas onde estudavam, dos Hospitais onde se cuidavam, da VIDA! Disso, se sabem, esquecem e não falam…é colateral.

Mas sabem o que é um “Míssil”, um bombardeiro, um porta aviões, os  “tomahawaks”, não os do Ronaldo porque esses a única coisa que podem dar é golo, se não forem para a bancada, pois não são teleguiados, lá está, nem estão carregados de pólvora! E eu até ouvi o Rogeiro dizer que o Trump mandou lançar 56 “tomahwaks” que custariam a módica quantia de 550 mil dólares cada um! E que a maior parte deles foram lançados sem pólvora (ele sabe tudo), de modo que eu pensei cá para mim: que desperdício! Quer dizer, em vez de pólvora, iam recheados de quê? De notas de 500 Dólares? Só podia! E parece que, antes, avisaram os Russos para retirarem de lá o seu arsenal…O Al Capone também acendia charutos com notas de cem dólares!

De modo que eu de guerra só conheço a do Solnado e, para mim, é a mais verosímil de todas! Não falo do que não sei e, mesmo tendo lido Maquievel, de guerra não sei mesmo nada. E, por isso, sobre ela não escrevo e sobre ela não consigo brincar. Eles é que brincam e eu não consigo achar qualquer piada. Porquê? Porque não faço de conta que sei.

Mas há uma pequena coisa da qual eu sei alguma coisa: da HISTÓRIA! A tal História que a muitos nunca nada ensinou e da qual muitos também nunca nada quiseram aprender.

E, ao longo da História, houve guerras por todos os motivos: desde religiosos, a políticos, a étnicos, a separatistas, a tudo o que sabem, exceptuando apenas as de LIBERTAÇÃO, dirigidas por Heróis imorredouros que lutaram contra a prepotência e contra o confisco. E porquê? Porque todas têm um denominador comum: a tomada de. a posse de, a usurpação de, o domínio de, a deposição de…e por parte de quem? Dos mais poderosos!

E para além de serem feitas em nome de todos os “Deuses”, principalmente do “deus dinheiro”, são também feitas em nome da “democracia” e da “liberdade”. Contra quem? Contra os “tiranos”. Os desobedientes, os não alinhados, os do “eixo do mal”…todos os que estão contra a “sua” liberdade, os tontos, os ímpios, os sacrílegos…Sempre foi assim. Mas sempre assim será?

Por mim não! Porquê? Porque eu não percebo nada de guerras. Eu só percebo de PAZ! E só sei soletrar e dizer “ I-GUAL-DA-DE”, “ LI-BER-DA-DE” e “FRA-TER-NI-DA-DE”!

E lembro-me sempre do “POSTGUERRA”, do Manolo Diaz, lembram-se? Revisitem…Está lá tudo!

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O “DESMAME”!

A minha Amiga ANA DEUS, não sei se sabem quem é, mas de certeza que sabem e se não sabem mesmo eu explico, é aquela cantora de voz única, que começou nos BAN, depois nas TRÊS TRISTES TIGRES, depois no CRU, no OSSO VAIDOSO e que agora fez ressuscitar as TRÊS TRISTES TIGRES etc, essa mesma, que além de Deus também é uma DEUSA, escreveu um pequeno “post” no Facebook, com muita piada, acerca destas viagens dos jovens “finalistas” a Espanha…

Eu comentei e disse-lhe: Ó Ana, pensei numa “cena”, pá! Vou escrever ao nosso Amigo JOÃO CARVALHO, que sei de certeza que sabem quem é, mas se não estão a ver eu avivo-lhes a memória, é o rosto da equipa que organiza o FESTIVAL de PAREDES DE COURA e, já agora, também o PRIMAVERA SOUND, no Porto, além de coisas mais, para eles tomarem a si a responsabilidade de, nas margens do Coura, ali na verde Praia do Tabuão, passarem a organizar essas festas dos finalistas.

Ela soltou uma gargalhada e, embora eu não tenha achado muita piada à gargalhada pois ela não me disse nem sim nem não, mas a gargalhada dela só pode significar que gostou da ideia, eu fiquei com esta na cabeça e não vou sequer escrever ao João pois, dentro de pouco tempo, ali pelo 25 de Abril vou estar com ele em Coura, por ocasião do 2º REALIZAR POESIA, e vou-lhe falar pessoalmente. Mas até pode ser que, antes disso, ele leia isto ou alguém lho mostre…

Eu até pensei chamar a este texto de “A RITA e a LINA”, em homenagem à “Ritalina”, e mesmo “NO TABUÃO É QUE ERA!”, mas decidi chamar-lhe aquele enigmático nome que em cima está e vou explicar porquê!

Primeiro porque não seria justo falar apenas da Rita e da Lina e esquecer todas as Matildes e Mafaldas, os Afonsos e os Sebastiões, as Constanças e as Marias (simplesmente), as Vanessas e as Jéssicas, os Joões Marias e as Maria Joões e toda essa juventude que, desde pequena, para se habituarem a se portarem bem, levam durante anos com doses de “Ritalina”…

Até que, em acabando o secundário, muitos já com farta barba e elas com cabelos à Ivanka, vão fazer o tal “desmame”. E, naturalmente, soltarem todos os “hormónimos” em si carregados. Há também quem lhe chame de Adrenalina! Só que ir fazer isso a Espanha, àquelas hotéis e praias “chungas”, sujeitos a mancharem o nosso bom nome e reputação e incomodarem aquela gente vizinha que o que quer é paz, é uma ideia que merece revisão urgente, e daí este meu contributo.

Pois então vejam: se em Agosto, naqueles oito dias de Agosto, mais os outros quinze, que são o antes e o depois do Festival dos Festivais, o pessoal jovem consegue ali erguer barracas para 15 ou 20 mil, e os tipos estão ali felizes e contentes e o que anseiam é voltar, porque não para mil ou dois mil?

É que ali há tudo! Quer dizer, não há mar…mas há rio! E há Praia. Não é de areia, mas é de erva! E a “erva” ali não falta, nem se esgota. E se for toda, até ao Verão ela cresce outra vez. E já viram o que é ter ali uma água fresca à mão, para arrefecer os ânimos e se poder dormir tranquilamente naquelas bóias todas, ao sol ou à sombra, que podem ser patinhos, crocodilos, tubarões, Mickeys e sei lá que mais…ali, tranquilamente, com barracas de sandes, de bifanas e atum de todas as marcas, cervejas para todos os gostos…que melhor para fazer o tal “DESMAME”?

E, depois, ainda podem ir Vila acima, ocupar a “Leira” e as esplanadas, fazer “Raves” ao ar livre…que melhor que um ambiente assim, não só para fazer o tal de “desmame” da tal “Ritalina”, mas substituí-la pelo “Peace and Love” ou o “Make Love Not War ou os dois juntos?

No TABUÃO é que é! Quais “Rita ou quais Lina”? Tudo a monte e fé em Deus, que os Courenses não são como os Espanhóis…Eles querem é malta, pá. Malta “fixe”, gente. Gente jovem e alegre e com um “desmame” livre daqueles preconceitos da espanholada, pá!

“Ouvistes” JOÃO? Tu diz ao Filipe, ao Jó e ao José Eduardo, e mesmo ao Vitor Paulo, que a minha sugestão, como sempre, é grátis! É apenas em nome da Amizade e do meu Amor a Coura!

“Bora” lá, então…

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AS RECEITAS EXTRAORDINÁRIAS- Do Passos…

Eu estive distraidamente a ouvir a entrevista de Passos Coelho à SIC, e quando digo distraidamente é porque já pressupunha não esperar dali nada de novo nem de extraordinário, o que não aconteceu como previa pois, por incrível que pareça, coisa que nenhum pós opinador notou ou referiu, nem agora na Quadratura do Círculo sequer que, por curiosidade, acabei por ver, ele disse realmente algo de extraordinário!

Confusos? Mas não fiquem pois, estando já estão habituados à minha redonda maneira de pensar e analisar, eu não atribuo facilmente a qualidade de “extraordinário” a uma coisa qualquer. Tem que ser mesmo extraordinária!

É que Passos Coelho, reconhecendo que o Governo atingiu realmente a meta do Défice só a alcançou porque “Mudou de estratégia e recorreu a medidas extraordinárias”. Que, para ele, seriam o tal Plano “B”. E que, assim, até ele…

Ora, facilmente concluo, e quer-me parecer, que Passos Coelho nunca entendeu nada do que são essas tais “medidas extraordinárias”! Ou melhor, “Receitas Extraordinárias”. No seu Governo isso nunca aconteceu(!) e se aconteceu foi sem seu conhecimento, claro. Isso foi lá com o Gaspar, com a Marilu ou fosse lá com quem fosse! Com ele? Com ele nunca!

Portanto, segundo ele, e concluindo, para que sigam atentamente, este Governo só conseguiu o Défice que conseguiu com recurso às tais “Receitas Extraordinárias”. Está dito e redito.

Mas, meu caro Passos Coelho, eu que não tenho o canudo em Economia, como você, mas que dela conheço assim uns princípios, vou tomar a liberdade de lhe explicar o que é, realmente, uma “Receita Extraordinária”. E, desde logo, é fácil: é o contrário da “ordinária”!

Por exemplo, aqui na minha casa e na minha Família: para além da receita “ordinária” (sem qualquer sentido pejorativo na sua dimensão), que são as Pensões minha e da minha esposa, que podiam ser ordenados também, “Receita Extraordinária” seria sair-nos o Euromilhões! Ou a “Raspadinha, pronto! Ou como uma Empresa receber assim um donativo, como recebem muitas Misericórdias, de alguém que não tem a quem deixar o dinheiro, ou então, o que ainda mais extraordinário é, o Estado receber 20% dos Euromilhões que vêm cá para este quadradinho à beira mar plantado e que disso não se pode queixar. E tem sido extraordinário, não tem?

Isto que eu enumerei, e podia até elencar mais algumas situações, é que são “Receitas Extraordinárias”, meu caro Passos Coelho! Querem dizer simplesmente que são receitas para além do ordinário, do comum, do espectável, do normal, do corrente, do não previsto e por aí adiante…

Mas, na sua confusa perplexidade, perguntar-me-á: Então, não sendo extraordinárias, quer dizer que são ordinárias? A sua pergunta, meu caro, por ser da ordem do pertinente, merece a minha resposta: SÃO!

Pois repare: Uma Empresa, por exemplo. Tem uma série de clientes com dívidas já em Mora e, a não se fazer algo, vão para contencioso. Qual é a função, a obrigação, coisas que resultam do bom senso e da boa gestão, dessa Empresa? É colocar um objectivo para a recuperação dessa Crédito Malparado e desenvolver todas as “démarches” possíveis, com acordos de pagamento, com perdões de juros, com renegociação de prazos, de modo a manter o crédito vivo e recebível! É do senso comum e da gestão comum, meu caro. É ORDINÁRIO! Como nos Bancos, como deve saber e não me vou repetir…

E vamos agora ao Governo ou ao Estado. Em cada exercício anual e orçamental estipular como objectivo a recuperação de Créditos Duvidosos, de Impostos em Mora, de Prestações em incumprimento etc. não será um acto de gestão “ordinário”? Extraordinário seria nada fazer e com todos os devedores a continuarem alegremente sem pagar, nem a isso serem chamados.

Mas se não sabe eu digo-lhe: os seus Governos fizeram-no todos os anos, este também o fez e os vindouros também o farão. E fá-lo-ão em nome de muitas coisas: da justiça, da equidade, do dever, da obrigação e, finalmente, da boa gestão. Não percebe? Nem agora?

Portanto, meu caro e inefável Passos Coelho, arranje lá outra explicação, homem. Diga, por exemplo que, sem essas tais “Receitas Extraordinárias” teria conseguido melhor! Porque não diz e, mais que dizer, explica?

Eu sei que você também meteu aí na embrulhada a redução do Investimento Público, cortes nos Serviços etc. mas, francamente, quem é você para isso criticar? Eu sou obrigado a concluir que, na realidade, você não tem mesmo noção de como governou. Mas será que governou mesmo?

E sabe mais, Passos Coelho: é que enquanto você afirmava que ia cortar 600 milhões nas Pensões, que era imperativo, este Governo fez reversões, actualizou salários, repôs rendimentos e diminui drasticamente o desemprego. Donde resulta menos pobreza, sabe? Aquela que você promoveu, para não aplicar outro verbo menos simpático.

Mas, a contragosto, lá conseguiu reconhecer que foi bom este Governo ter atingido o défice que atingiu. E, acrescentou, que foi melhor tê-lo conseguido do que o não ter alcançado, inspirando-se aqui, sem margem para dúvidas no Monsieur de La Palisse!

Mas, sabe, notei-o mais cândido, mais sóbrio, diria mole até, o oposto daquele animal ferido e feroz naquela primeira bancada da Assembleia, de dedo em riste e quase perdendo a respiração (por força da claustrofobia, claro)…Quem o terá aconselhado? O Montenegro? Não acredito! O Rangel? Muito menos! Terá sido o Presidente? Quem sabe…apesar daquela da Teodora! “Vichyssoise”, está bom de ver…

Por último: Ó Passos Coelho, você nem imagina o quanto eu estou carente de uma “Receita Extraordinária”. É que, sabe, eu de um “ordinário” não passo: É que ninguém me deve nada!

Yours Sincerely, que em Português quer dizer: Continue assim…

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QUERIDA MARIANINHA!

Ao pessoal que me conhece, e à minha Família também, tenho desde já que sossegá-los e dizer-lhes que este texto não é dedicado à minha neta Mariana que, coitadinha, ainda vai fazer dez aninhos neste verão. É à outra, à Mortágua que, embora mais grandinha, ainda é pequeninha e vai fazer proximamente trinta e um aninhos…

Que, pese tão tenra idade, já se formou há muito em Economia, tirou o Mestrado (é Mestre, portanto) e só não é já doutorada porque interrompeu o doutoramento para se dedicar à Política. Com toda a experiência amealhada por anos e anos a fio e com tanta e tanta sapiência, depois de tudo isso, conseguiu fazer um “desenho” sobre o que aconteceu ao Novo Banco, que até a minha neta Mariana, que vai fazer dez aninhos, que do Banco só percebe o “Novo”, ficou a entender, com a metáfora que ela fez, ou desenho, como queiram, o que terá acontecido. Foi a metáfora do telemóvel! Como poderia alguém não entender?

Escreveu ela num Artigo publicado no JN, e onde só cheguei porque um Amigo o partilhou pois eu, como sabem, não leio jornais, que ela intitulou de “SE O NOVO BANCO FOSSE UM TELEMÓVEL” e onde escreveu esta autêntica pérola, pérola esta que, a não a retirar da tese, lhe vai chumbar o doutoramento, pela certa! Diz então ela: “Imagine que tem um telemóvel sem saldo e neste momento não quer gastar dinheiro a carrega-lo. Imagine que lhe aparece alguém que lhe propõe o seguinte: “Olhe, eu faço um carregamento de €100, mas fico com o aparelho para mim. Você terá ainda que carregá-lo com mais €300 quando estes €100 se gastarem. Em troca fica com o direito de controlar algumas das minhas chamadas para saber que eu não gasto tudo muito depressa”. Parece-lhes um bom negócio? Pois foi “DE GROSSO MODOo negócio que a Lone Star fechou com o Governo para a compra do Novo Banco”. Citei e pasmei!

Se fizermos um pequeno exercício, que não vou fazer pois seria demasiado grotesco, o de traduzir para “Telemóvel” onde se lê Novo Banco, e deixo isso à Vossa imaginação, daria uma peça cómica do melhor, não acham? Falaríamos em “memória”, em “armazenamento”, em “dados” imperdíveis, dos quais só se tem acesso a 25% mas se tem responsabilidade por 50% e coisas assim…uma confusão tal que, de verosimilhança, zero teria!

Mas, se lerem o texto, ela continua e resta, também segundo ela, a chantagem, pelo que o “Telemóvel” tem que ser vendido porque, senão, só restará liquidá-lo, que é como quem diz, parti-lo, estilhaça-lo contra uma parede e perder-se tudo o que nele está contido!

E então o que conclui a Marianinha? Que o Estado tem que nacionalizar o “Telemóvel”. Se o Estado o “carregar”, substituindo-se à Lone Star, a partir daí o risco será só do Estado, mas só o Estado terá acesso ao seu conteúdo! Pois, Marianinha, e os “vírus”, Doutora Mestre? Já não falo em imparidades nem em coisas para outras idades, mas…e as litigâncias, Doutora? E os depósitos, Mestre?

Pois eu digo-lhe, querida Marianinha, e digo-lhe em primeiríssimo lugar, o meu mais sincero obrigado pois, sem esta sua metáfora, digamos mais proselitamente “desenho”, eu nada teria percebido, nem teria como explicar à outra Marianinha, a minha neta!

Eu sei que você só não é ainda doutorada porque, como disse, interrompeu o seu doutoramento para ir para deputada. E fez bem, digo-lhe agora com toda a sinceridade. Pois se há coisa que eu não suporto nem entendo é como jovens que se formam em Direito, por exemplo, aos 21, já são Mestres aos 25 e Doutorados aos 28. Doutorados antes dos 30? Ok., eu até entendo que haja gente precoce, e você será uma delas mas, com toda a franqueza, como pode alguém ser doutorado, coisa que nos tempos que sei só se alcançava depois de “muitos frangos se virar”, ali pelos trinta se nem viver viveu ainda? Como ser-se Juiz nessas idades!

Mas saltando…a gente imagina a razão por que o BE não quer nem quis integrar o Governo. É que, quando toca a decidir, colocam-se em equação todas as variáveis, não é, Doutora Mestre? E ficarmo-nos por uma só, é uma grande comodidade. De bem com Deus e com o diabo, não é?

Ao menos o seu amigo Daniel Oliveira (imagino que seja!), esse, mais prosaicamente, fazendo uma súmula de todas as variáveis que não conhece e nem estudou, redescobriu o “TNT”, já antes descoberto pelo Nobel e, em 29/03/2017, há uns dias, portanto, decretou: “ A solução para o Novo Banco é o pior de dois mundos”. Eu, confessando-me mais uma vez incrédulo, só pergunto: Como é que o Daniel Oliveira, proferindo frase tão definitiva e conclusiva, se esqueceu da parte mais importante da equação e que é: PARA ALÉM DE TODOS OS OUTROS? Assim como a Democracia que não sei quem, acho que Churchill, definiu como o “pior dos sistemas para além de todos os outros”!

Mas, aprenda Marianinha, o Daniel, em vez de “Telemóveis”, fala num “FRANKENSTEIN”, monstro que foi criado nos laboratórios da “saída limpa” por uma equipa de cientistas da Troika, coadjuvados pelos proto cientistas Carlos Costa, Passos Coelho e o Paulinho das Portas e que o António Costa recebeu de legado, como um presente. Que fazer do “Frankenstein”, Marianinha?

De modos que, resumindo, o que lhe valeu foi o “Grosso Modo”. Ai se não fosse o “Grosso Modo”!

Mas é claro que o seu Grosso Modo até pode ser um anestesiante, um atenuante, um aliviador ou coisa assim, mas nunca servirá de antídoto para este meu “MODO GROSSO”!

Percebido? Que é como quem diz: Ok, desta vez passa, mas primeiro vá aprender a desenhar, moça! Ou a fazer “metáforas”! O “Carteiro” do Pablo Neruda não lhe ensinou nada? Nem ao menos o Daniel Oliveira?

Agora, “Telemóveis”? Ó valha-me Deus!!!

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LEVAR PASSOS “À SÉRIA”?

Eu já há uns tempos atrás publiquei aqui um texto, a que chamei “LEVAR PORTUGAL A SÉRIO “- Link: http://wp.me/p4c5So-IY, mais propriamente no dia 13 de Dezembro de 2016, de modo que voltar ao mesmo tema, só por razão muito substantiva ou então para fazer assim uma espécie de actualização, o que é o caso.

Mas porque volto? É que eu pensava que ele, o nosso Senhor dos Passos (ouvi dizer que estamos na Quaresma) já tivesse feito um “upgrade” ao slogan e o tivesse mudado para, no mínimo “Levar o PSD a sério” pois, desde os seus muito seus aos seus pouco seus, uns fingem que o levam a sério e outros já nem sequer o fingem…

Mas, tenho observado que, sempre que fala, principalmente na sede, que deveria ser local sagrado e de culto, lá aparece por trás dele a fatal frase. Mais propriamente um pregão ou um slogan que, da sua eficácia, deve ter sido objecto dos mais aturados estudos, de marketing e até de sociologia, pois foi levado a sério. E até testado, pois o deve ter sido, por exemplo numa daquelas universidades de verão, por aqueles jovens todos de atestado na mão, a gritarem, virados para o seu chefe: “Levar Portugal a Sério!”, “Levar Portugal a Sério!”…muitas vezes, claro, e com os dois dedos virados em frente, para o seu “Herr”. Mas que quer aquilo dizer, afinal? Para quem será o recado?

A sério: eu até acredito que “Levar algo a sério”, “Levar alguém a sério” ou mesmo “Um tipo levar-se a sério” ou, finalmente, “Que o levem a sério ou seja levado a sério”, seja um desejo, uma vontade, um anseio de futuro, uma realização até e até aí tudo bem. Mas, hoje por hoje, continuar a colocar lá no meio “PORTUGAL”, sendo absurdo, ridículo e totalmente desfasado da realidade, a menos que seja mesmo uma autocrítica introspecção, podendo ser aquele desejo o de “Levar o PSD a sério”, seja simplesmente um apelo, pungente mesmo, a que “Levem Passos a sério” ou “séria”, tanto faz!

Porque só assim poderá ser! Pois pensem comigo: se tivessem escrito uma frase mais afirmativa, tipo “Nós Levamos Portugal a Sério”, a gente até se poderia rir a bandeiras despregadas, fazer piadas, glosar com a coisa, fazer ainda mais trocadilhos do que os que eu faço até, mas quando colocam o vago, incerto e evasivo “Levar”, eles querem dizer o quê? “Levar” o quê ou quem? E já agora: “Para onde?”. É que “Levar Portugal”, só se for Atlântico adentro, como na “Jangada de Pedra” do Saramago, agora “A Sério?”. É que se temos que o levar a sério, ou mais a sério, é porque ele é um pouco estouvado e brincalhão, pouco atento e fixo, mais outras coisas mais e tem que ser posto na ordem…para ser levado a sério, não será?

De modo que, ultrapassado este patético jogo de palavras, que de tão parvo nem posso sequer afirmar ser um jogo, a pergunta final, aquela que estará no cerne da manutenção do referido slogan, de o facto de Passos, julgando-se no seu bandado “pin” ele mesmo Portugal, se queixar de o Governo não o “levar a sério” e não responder às suas pertinentes e acutilantes perguntas.

Assim como que dizendo ao Governo: “O Sr. (o Sr. Costa bem entendido), não perde uma oportunidade de me achincalhar (a ele, Portugal, claro também), e isso é ignóbil, vergonhoso e só mostra que não “levam Portugal” (o seu “pin”, bem entendido) a sério”.

Só lhe faltou dizer: nós fomos os únicos que levamos Portugal a sério, os únicos que poderão fazer voltar a seriedade a Portugal e expurgar dele todos os que não são sérios… “Levem-me, portanto, a sério”.

Só que, por muito que se leve a sério, e pese a sua seriedade, que não ponho aqui nem em lado nenhum em causa, isso não basta para que seja levado a sério. E é-o cada vez menos, dizem as sondagens e cada vez mais.

E ontem diverti-me ao ouvi-lo “exigir” do Governo saber todos os pormenores da venda do Novo Banco e o porquê de o Estado ter ficado com 25% e ter sido “vendado”, como alguém dizia, ele que, ele sim, o venderia pelo preço que custou e não faltavam compradores…Eram dezassete, dizia ele a 27/08/2015 e a ANGBANG oferecia 2.000 milhões, lembram-se? E havia a APPOLO, depois a FOSUN até que, até que não restou nenhum! Até que o seu Tedx, o Monteiro, lá arranjou um…uma STAR!

O Costa vai-lhe dizer: Ó Sr. Deputado Passos Coelho, a sério, quer que lhe faça um desenho?

Nota Final : Eu, como sei que o Costa não tem grande queda pró desenho, mandei-lhe um SMS e disse-lhe: António, deixa isso pra lá, eu faço-te o desenho, ok? Ah! E mando um prá “Catrineta” também, tá? A sério, António!

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COSTA e a CONFIANÇA.

Dizem todos os renomados Economistas, mesmo os menos renomados e até quem não é Economista nem renomado, como eu, que a CONFIANÇA é a mais valiosa de todas as variáveis económicas.

Eles (a Esquerda) acreditam nele”. Ouvi eu ainda há pouco Pedro Santana Lopes confessar à Judite de Sousa, recordando aqueles quatro anos em que, como líder da oposição, conviveu na Câmara de Lisboa com o então Presidente António Costa, mostrando a sua incredulidade pelo modo como Costa todos, ele próprio, conseguia convencer. Isto a propósito da (para si inesperado) solução governativa engendrada por Costa.

Mas disse mais Santana Lopes, agora, com a idade, mais avisado e prudente e também mais sábio e condescendente, desta vez a propósito das relações do PR Marcelo com o Governo de Costa: “A princípio achava muito estranha aquela relação de Costa com Marcelo!”. Mas, logo de imediato, reconhece ser Costa o mais hábil Político que conheceu desde o 25 de Abril!

Claro que ele não disse, mas sabe, que esse relacionamento se baseia na tal CONFIANÇA. Das tais coisas que se adquire ou não se adquire e se consegue manter ou não. E quem a consegue obter a pior coisa que lhe pode acontecer é perdê-la! É assim em todas as vertentes da Vida. E essa CONFIANÇA consubstancia-se no pleno, cabal e exaustivo conhecimento do Presidente da República de tudo o que se passa no Governo, das suas ideias e decisões, que ele conhece sempre de antemão.

Por isso, com todo aquele voluntarismo que se lhe conhece, chega até a extrapolar as suas competências, falando antecipada e frivolamente de coisas, mas tudo isto porquê? Porque lhe está no sangue, lhe está na sua extensa cultura, na sua imensa curiosidade pelo saber, pelo desejo de ser interventivo e ajudar. Mesmo, às vezes, não ajudando. Mas tudo isso já passou ao estado de normalidade e a verdade é que, para além de tudo querer saber e de tudo querer ser informado, até faz questão de ir ao pormenor e reunir com Ministros. E tudo Costa lhe faculta! Segredo? Coisa simples: CONFIANÇA e Transparência!

De modo que não existem agora aqueles jogos de sombras, aqueles discursos herméticos e redondos, aqueles “avisos” : os assuntos são partilhados, as decisões ponderadas e transmitidas e nada é, no fundo, escondido. E o Presidente lá cumpre como ninguém até hoje conseguiu, nem sequer Soares, transmitir ao povo esse clima de calma, de estabilidade e de CONFIANÇA imprescindíveis para um crescimento económico que se quer sustentado.

E com estas premissas perfeitamente consolidadas na minha mente, estive também, ao final da tarde, a seguir a conferência de imprensa conjunta do Primeiro Ministro e do Ministro das Finanças, explicando todo o processo de venda do Novo Banco, sem quaisquer equívocos ou subterfúgios, uma hora depois da confissão de derrota de um outro Costa, o Carlos, que, de um modo quase mudo veio confessar a sua ultrapassagem a toda a velocidade pelo Governo, neste e noutros processos  da sua jurisdição (regulação, controle e salvaguarda do Sistema Financeiro), depois de ter gasto, só com este processo, dizem que cerca de 25 milhões Euros! Enfim…

E, com todo o sentimento de surrealismo e pasmo que alguma vez pensei possuir, vi todos aqueles comentadores do “outro regime”, numa unanimidade quase total, a vergarem-se à habilidade, à indómita vontade e à coragem daqueles dois que estiveram ali à sua frente, que  ousaram enfrentar o tal “golias” (eu ia a dizer touro, leão e até dragão, mas não seria conveniente!), a tal Entidade Reguladora Europeia, independente e soberana diga-se,  e domar o tal animal completamente tresmalhado e perdido, chamado “Sistema Financeiro”! E isto em pouco mais de um ano e resolvendo, melhor ou pior, todos aqueles eternos problemas, cínica e irresponsavelmente adiados pelo anterior governo.

Bem, Ok, eu sei que, neste caso, com uns certos requintes de malvadez para com os tais Bancos do “Sistema” e que estavam ou parece estarem contra esta decisão. Não queriam ter o ónus que lhes foi transmitido, através do Fundo de Resolução, de cuidarem que os Activos em posse do chamado “Side Bank”, um Banco dentro do Banco, que terão que vender ou rentabilizar para não serem chamados a pedir mais dinheiro ao Estado que, num acto de boa vontade e benevolência, lhes esticou os prazos de pagamento dos tais 3,9 mil milhões para trinta anos. Mas os juros pagam, claro, pois o Estado também se endividou, ora! Venham agora dizer que não…É que isto não é só fazer asneiras e depois assobiar para o lado…

É uma solução equilibrada, disse António Costa, e que, a correr com normalidade, garante que os contribuintes não sejam chamados a pagar seja o que for mas que, ao mesmo tempo e como disse, compromete os Bancos do “Sistema”, que o anterior governo esqueceu e este ajudou a resgatar. Ser contra? É que não faltava mais nada!

Eu não vou aqui especificar os termos do negócio (não faltarão por aqui textos de Especialistas, uns mesmo e outros meramente curiosos, tanto hoje, como amanhã ou depois…), mas quero aqui frisar dois ou três pequenos pormenores que, por muito que o PCP e o BE recorram a posições de princípio (eu também as tenho), são do maior interesse e condicionam, para o bem e para o mal, os termos finais do negócio:

  • Pertencemos à CE e estamos obrigados aos tratados que assinamos. União Bancária, por exemplo.
  • Existe uma Entidade Reguladora Europeia, como disse, independente e soberana, que rege ao seu critério estes mecanismos e com quem é deveras difícil negociar, ainda por cima quando, contra os dogmas em vigência, esta solução pressupõe que o Estado fique com 25%!
  • Que uma “nacionalização” pura e simples, para além de afrontar essas Entidades Europeias que, já tendo sido convencidas a não considerar ajuda do Estado a recapitalização da CGD (não ser considerada para o défice), nunca aceitariam que esta não o fosse e, indo ao défice, tal poder abrir uma autêntica “caixa de Pandora”, de consequências imprevisíveis.
  • E, por último, fazendo alarde da credibilidade já adquirida perante os seus pares Europeus, credibilidade obtida não só pelos resultados do défice de 2016, mas também pelos recentes dados da economia, desde o crescimento, ao emprego, ao comportamento das exportações etc, reconhecidas por todos, desde o BP, ao INE e até ao CFP da Teodora Cardoso, até à afirmação plena desta solução política e à sua completa desmistificação, este é um passo importante, a par da saída do PDE (procedimento por défice excessivo), do reforço dessa afirmação que, espero, também se venha a reflectir na avaliação das agências de rating e nas taxas de juros cobradas pelos mercados.

Podem acusar-me alguns de situacionismo, mas esta é a realidade e, no imediato, não podemos fugir dela. A mim o que me agrada é que tudo isto o que foi conseguido em pouco mais de um ano, foi obtido contra tudo e todos, com afirmação e nunca com subserviência. E não foi impunemente que na tal entrevista o Pedro Santana Lopes tenha apelado ao seu Partido: “Deixem-se de cavalgar os casos e casinhos, os SMS e as taxinhas e apresentem é propostas construtivas…pois assim…”.

De modo que este fim de tarde, olhando para aqueles dois Homens, que não se esconderam, deram o peito às balas e responderam, sem quaisquer subterfúgios, a todas as questões que lhes foram colocadas, pensei: ESTES TRANSMITEM-ME CONFIANÇA. NESTES EU CONFIO!

NOTA 1: Em 03/08/2014, aquando da decisão da “resolução do BES”, Passos estava na Manta Rota, a Cristas bronzeando-se numa praia qualquer e quem presidiu àquele Conselho de Ministros electrónico foi Paulo Portas.  Algum alguma vez deu a cara por aquela solução? Não! A responsabilidade era toda do Carlos Costa! Eles limitaram-se a fazer a lei à medida…Mais nada!

NOTA 2: Também parece que o “Abutre” vai ter, pelo menos durante uns anos, as asas atadas!

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