DA “CADERNETA DE CROMOS” DO PSD…MAIS UM!

 

Da vasta “caderneta de cromos” do ainda actual PSD, o remanescente do Relvismo, do Marcantonismo e do Passismo Coelhismo, ressalta, para além do Huguinho de quem aqui já muito tenho falado, e de um “Leitãozinho Amar(go)” , pois lhe falta o Sarmentinho e na Bairrada leitão sem ele não é nada, o Duartinho Marquinhos. Não vos soa a nada? Então eu vou-vos elucidar!

Do Huguinho estão vocês fartos de saber, não só pelo que tanto já aqui escrevi, mas também pelo que de extraordinariamente reles dele emana; do Leitãozinho Amar(g)o nunca falei, mas para que se recordem de alguma ideia do cujo sempre vos posso lembrar que foi aquele que disse que o anterior governo (o dele, “persupuesto”) tinha proibido a Legionela, mas hoje eu pretendo dissertar acerca de mais um cromo: o Duartinho Marquinhos! Mas não se admirem deste tratamento pois o melhor amigo do meu Irmão mais novo chamava-se Francisco José, Xico Zé para todos menos para o meu Irmão, que lhe chamava de Francisquinho Zézinho!

Para além de feitos vários lembro-me, meus Deus há quanto tempo já foi, na tal Comissão do BES, da maneira como ele tratava aquele microfone: erguia-o, debitava naquele tom de voz travada que o cujo tem e, quando acabava, num golpe de “disse”, assim como se tivesse realmente dito, mas tivesse dito de modo absoluto, inequívoco e redundantemente definitivo, baixava abruptamente o microfone num daqueles gestos à Reboredo Seara na sua campanha à Americana por Odivelas, ou do Marcelo na Web Summit. O gesto é tudo, como dizem? Só se for cá no Norte ou à Bordalo!

Mas o nosso querido Duartezinho fora o resto, que já pertencia ao “bubble” das línguas travadas, resolveu, por uma questão de afirmativa maturidade, assim se pretendendo distinguir dos seus companheiros imberbes, aderir ao das barbas e fez que do seu rosácio rosto ressaltasse uma prematura e escura barba, apenas apanágio de gente precoce!

Mas porquê? Por pura afirmação! Pena é que que não se tenha ainda inventado para o caso assim um aparelho como as moças, principalmente elas, usam para, corrigindo pretensos defeitos nas suas cremalheiras, ficarem homogeneizadas e poderem dizer: eu até posso, ouviram ó possidónias?

É que o nosso queridinho Duartinho e o resto é Marquinhos, que só tem pena de não ter saído filho do D. Duarte para assim usar o dom de ser também ele Don, pertence, apesar da barba que agora ostenta, àquela seita de imberbes que, sob o manto daquela revolução Relvista-Marcantonista, a da renovação, assaltaram o PSD, o tal dito Partido Social Democrata e, quais Ali Babás e os quarenta ladrões, conquistaram o famigerado pote! Mas, para  tudo o mais, falta-lhe o dom!

Mas que diz ele? Basicamente nada mas, quando algo diz ou comenta, resulta daí um tão rasteiro raciocínio que, por tão pretensioso e, apesar de tudo, coerentemente alinhado na sua reacionária retórica, diz bem da educação que levou e carrega: a da formação “jotista” em universidades de verão. Com canudo e tudo, à semelhança dos seus padroeiros Relvas e Passos. Mestres de referência, acrescentaria eu, na formação dos “cromos” da sua extensa caderneta.

E só agora reparo que, no entusiasmo das palavras, disse que ele nada disse mas, perdoem-me, até que disse. E o que ele disse até se reveste de alguma importância pois só vem realçar, ainda mais, a importância da “caderneta” de cromos de que acima falei.

 É que, na sequência dos eufemismos que o seu governo tinha inventado, como aquele dos cortes serem ditos por poupanças, mais aquele outro do “crescimento negativo”, que na altura eu até  observei que era como que quando descíamos uma escada o que fazíamos era subir para baixo, o nosso Duartezinho saiu-se num debate na sua SIC com a Mariana M., que o destratou, com este fabuloso diamante, ainda com mais quilates que aquele que a Isabel dos S. vendeu por uns não sei quantos milhões, embora nada que se aproximasse do quadro do Da Vinci, que vai receber lá em cima em cheque para desconto no Banco do Céu e, para que melhor repararem, até vou referi-lo em itálico: “ O PSD descongelaria a carreira dos Professores SEM CUSTOS”! O Duartezinho falou e a Mariana embasbacada apenas balbuciou: “Impressionante”!

De modos que eu, e para terminar, só lhe rogo: Fale homem, fale e não se canse. Assim como nos tempos do seu glorioso governo, quando empresas e particulares faliam como tordos, eu ouvi um dizer: Tudo fale, tudo fale e como todos falem eu também falo!

Maneiras que, ó homem, você fale e fale, mesmo que sem “p” de apoio…

E falei!

 

 

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QUE “FALTA DE POUCA VERGONHA!”

A gente, nas aldeias e meios mais populares, onde a exigência linguística não é bem de primeira necessidade, ouve frequentemente esta frase, em que o “pouca”, é bom de ver, está a mais. Mas é assim que se usa dizer, do mesmo modo que se costuma também dizer “eu não me acredito”, estando, também aqui, o “me” a mais. E até poderia dar mais exemplos…

Mas, apesar de tudo e disso sabendo, percebemos o sentido e o regionalismo. O que é mais difícil de entender é dizer-se de alguém que “ tem pouca vergonha” , logo a seguir, que “tenha vergonha” e, ainda, quetem vergonha”!. Não é, portanto, de difícil conclusão que quem assim o diz tem é “falta de vergonha”! Mas aqui de “muita vergonha”!

É que, agora afundando-me na política caseira, ouço constantemente o imberbe Huguinho dizer, por tudo e por nada, que “Costa tem falta de vergonha”! Dou como exemplo o congelamento, ou antes, o descongelamento das carreiras dos Professores, pois congeladas já elas estavam e há muito. E diz ele que é “recorrente a falta de vergonha do Primeiro Ministro”. Mas, logo a seguir, ele afirma que Costa “tem vergonha”! E de quê? De ter estado vários anos nos Governos do PS e do Sócrates em particular! E diz mais ainda: que ele (o Costa, bem entendido) “deve ter vergonha de constantemente não assumir as suas responsabilidades”.

Mas responsabilidades de quê? De ter sido Ministro no governo de Sócrates! Vejam lá o que o cérebrozinho do Huguinho consegue concluir. Assim sendo ele, que não foi Ministro do Passos Coelho, disso se safou e, por isso, assim conclui. E os colegas, ó moço? Enfim, gente iluminada!

Portanto o Costa, para o Huguinho, coitadinho, tem ao mesmo tempo “falta de vergonha” e “vergonha”! Decide-te, ó Huguinho, coitadinho,  é o mais que eu posso dizer já com uma indigestão de tanta “sem vergonhice”.

Mas o Huguinho, coitadinho, para além de um grande pândego, de um ofensivo malcriado e de um político de pacotilha e feito à pressa, é um perito em silogismos.

Notem este raciocínio do Huguinho, coitadinho, por exemplo: Premissa primeira: quem congelou as carreiras foi o Sócrates; Premissa segunda: o governo que nos levou à pré-bancarrota, que foi salva ( a rota, porque a outra não salvou) pelo governo da PAF; Premissa terceira: eles, a Paf, coitados, embora o quisessem não o puderam fazer, mais uma vez coitados, pelo que quem as deve descongelar, agora que já se pode, é o seu herdeiro Costa! Estão a ver a clarividência?

Lavoisier, Pascal, Aristóteles, Arquimedes, Pitágoras e mesmo o próprio Sócrates, devem dar pulos nas tumbas com tamanha argúcia interpretativa das suas teorias…mas eu, mais comedido, fico-me muito simples e prosaicamente pelo mero silogismo!

Mas mais ainda: como acrescento à sua silogística argumentação, perante o crescimento económico que se tem vindo a verificar, que eles também queriam mas, coitados outra vez, não puderam, e as consequentes folgas orçamentais, o Huguinho, o seu PPD ou PSD e todos aqueles pontas de lança que pululam pelos Expressos e demais Comunicação Social e ainda mais a Teodora, que vêm dizendo? Que existem latentes perigos e que é preciso fazer como a formiga: amealhar e poupar para quando vierem tempos mais difíceis…

É bonito sim senhor mas, mais uma vez, daqui deriva como conclusão mais um silogismo : pois se o Governo, gastando ( só, segundo o Expresso, ao PCP e ao BE foram entregues 1,2 mil milhões de aéreos), é irresponsável e o Costa um marginal mesmo (pouca vergonha de quem tem vergonha), também o será se não proceder ao descongelamento de todas as carreiras…custe o que custar. Porquê? Porque o Huguinho assim quer e lhe mandaram dizer…Para quê? Para minar o Governo, claro, e para isso nada melhor que inundá-lo de silogismos à Huguinho…

De modo que, para finalizar, direi como o nosso Povo: Que “falta de pouca vergonha”, ó Huguinho!

 

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MARCELO: E SE FOSSE CHAMAR MINHA MADRINHA AO CAMÕES?

Como já têm reparado eu, de tempos em tempos, transformo-me num relapso das notícias e elas chegam-me quando já estão às vezes fora de prazo. Mas, mesmo assim, não me canso de ficar mais que admirado: estupefacto! É que, como vastas vezes tenho dito, não leio jornais e televisão muito pouco. Sou um desinformado, portanto.

Mas, como frequento o Facebook e dele bebo o que quero, chegou-me ao conhecimento, assim por um acaso dos deuses, uma notícia da TSF que refere que Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente de todos os Portugueses e mais do seu amado PSD, considera que Maria Cavaco silva foi a “madrinha” dos Portugueses durante pelo menos vinte anos!

Como não lhe agradecermos, acrescentou ainda? Diz ele que apoiou inúmeras instituições e eu sei lá que mais. Mas, e causas? Nem uma sequer…Também não dava para mais, não é?

Primeiro comentário: eu francamente nunca notei! Que passava por lá, assim como o seu Aníbal passava pelas tropas, revistando-as de face esfíngica e pose hirta? Sim e eu até algumas vezes a vi na TV. Sempre bem vestida, sempre elegante nos seus dois metros de anca, mas sorridente como que se a Rainha da Inglaterra fosse no seu azul celeste! E o seu costureiro claro que fazia parte da sua corte. Mas, coitado, que conseguia ele? Fez um enorme esforço e conseguiu o reconhecimento do Aníbal com uma condecoração! Tinha ou não tinha poder a Maria?

Mas ela ia lá, passava por lá (tinha que ocupar o tempo e satisfazer a agenda), mas, e que apoios? Sim, aquilo que conta, aquilo que fica, aquilo que realmente traduz uma uma visita como deve ser? Nada? Pois é, eu até que compreendo. O orçamento da presidência da República do Aníbal cheguei a ler que era de uns 16 milhões de aéreos! Mas como para o antigo e tido por austero presidente orçamento dado é orçamento gasto, as actividades da Maria, qual figura decorativa, não cabia nesse tal robusto orçamento! É que não cabia na lei orçamental, percebem?

Do seu bolso também seria impossível sair pois a sua reforma, uma reforma de uns míseros 800 aéreos, uma reforma de uma professora que raramente trabalhou, apenas dava para os seus perfumes quanto mais paras os produtos de higiene íntima ( Aníbal dixit) e a do Aníbal, uns míseros dez mil aéreos ridículos para a sua superlativa importância, não dava para as prestações das casas, dos empréstimos e do Meo Arena! Nada sobrava, portanto, para solidariedade. Coisa que quem precisava era ela!

Eu sei que o nosso inefável Presidente da República, o Sr. Prof. Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, anda um tanto ou quanto acelerado, o que eu até compreendo pois, para quem tantos livros lia, quem tantas aulas dava (uma por semana?), quem tantos pareceres produzia e quem tanto comentava…enfim, tantas adições tinha, para não falar nos mergulhos na praia de Cascais, é mesmo natural que as tenha que substituir por algo… o corpo obriga, assim dito em Português, a nossa língua…

Mas, meu querido Prof. Marcelo, Presidente de todos os afectos, de todos os Portugueses e do seu querido PSD, não abuse porque, de outro modo, vai ter que reforçar a sua farmática dependência e depois não mais poderá apelar à sua já célebre, endeusada e até histórica resistência, se lhe der assim como que um fanico! Ao Aníbal também deu, lembra-se?

Eu sei que durante anos e anos foi comentador e um comentador em toda a sua abrangência.E como Professor tem que continuar a comentar. Comentar tudo e todos, como se ainda estivesse na TVI. E, por acaso, até que por lá vai continuando, tal como antes, comentando tudo e todos.

Mas como diz o Povo, e se não diz então digo eu que também sou Povo, ” quem muito comenta muito asneirenta”!

E foi aqui, no caso da “Madrinha” Maria, de quem não conheço o restante nome que não o do apêndice, que V. Exª Sr. Presidente da República de todos e em particular do seu querido PSD, que V. Exª resolveu, num golpe de ilusionismo e magia, transformá-la em “minha Madrinha”! Mas, meu querido Presidente, e já disse o resto, que é isso? Minha?

Aqui no Norte diria isso de uma maneira mais objectiva e descomplexada mas, não estando nós em guerra, porquê ressuscitar a Supico Pinto? Será que, assim de repente, lhe deu assim como que umas saudades desses gloriosos tempos em que o Sr. Presidente, ainda jovem, ia visitar os seus pais a Moçambique e, em indo, se transformava, pela sua bonomia e traquinice, no padrinho daqueles “muceques” todos? Velhos tempos…ai…

Sr. Professor, Presidente de todos os Portugueses e em especial do seu querido PSD, acorde homem! É que já passaram mais de quarenta anos, caramba! É que já não há guerra, nem províncias ultramarinas,  nem “madrinhas” de guerra, homem! E sabe, eu nunca peguei numa “canhota” nem fui à guerra. Portanto, mesmo que me quisessem impingir uma “madrinha” eu nunca a  aceitaria…quanto mais agora! E essa?

Sr. Presidente da República Prof. Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, senhor Sousa para os mais íntimos, Presidente de todos os Portugueses mas mais ainda do seu querido PSD, eleito por muita gente que não por mim, vai condecorar a “Madrinha”, não vai? Claro que vai e vai fazê-lo em nome do reconhecimento de todos os Portugueses (e aqui eu me excluo) pelos seus feitos enquanto primeira dama do Aníbal, a quem nem ensinou sequer a comer com a boca fechada! Mas condecore-a, homem! Fica-lhe bem, muito bem mesmo!

Condecore-a e condecore também o Aníbal que, sendo ela “Madrinha”, terá que ser o “Padrinho”! É que eles, no seu austero refúgio (que é feito da solidária Maria?), vão, à falta de melhor, brincar com as condecorações e vão convencer-se que, apesar de terem ocupado Belém e S. Bento durante esses fatídicos anos, são queridos pelo seu Povo! Ledo engano…Mas o Sr. Presidente assim não acha. O seu querido PSD…acima de tudo, ora!

Por isso, Sr. Prof. Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, agora Presidente de todos os Portugueses e em particular do seu querido PSD, faça-me um especial favor: Vá chamar minha Madrinha ao Camões, tá?

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O ELÁSTICO ORÇAMENTO DA CATARINA

Que como ainda não é feito em fibra de carbono ou outro qualquer material imune ao esticanço, mas para isso resolver temos aí a WEB SUMMIT e milhares de inovadores e empreendedores à espera de uma incubadora que, certamente como outras coisas inimagináveis, tal descobrirão, ele tanto estica, tanto estica que…rebenta!

É o Orçamento da Catarina! Tais e tais medidas, diz ela, não mereceram cabimento na generalidade, mas asseguro-vos que, na especialidade, tudo faremos para que elas lá constem. Essas e muitas mais.  Na especialidade, portanto, o Orçamento vai virar elástico!

A Mariana, por seu turno, numa excelente intervenção no Parlamento, desmontou num ápice a argumentação da Direita (as célebres clientelas das Esquerdas de novo, por exemplo) mas não resistiu à tentação e borrou no fim a pintura. Quando se referia às compensações pelo aumento de cerca de um milhão de Euros na despesa (redução do IRS, aumento das Pensões, dos Subsídios etc, que este Orçamento contempla), disse que a compensação é marginal (aumento do imposto sobre as bebidas açucaradas etc). Não referiu o aumento da Derrama Estadual, mas disse-o de modo orgulhoso e convicto.

A pergunta óbvia é: Mas de onde vem o dinheiro para colmatar esse aumento de despesa, certamente que justa e que eu até a apoio? Quem financia, Mariana? A isto ela respondeu que é o crescimento que concorre para que haja mais cobrança de impostos. Portanto, para a Mariana, o putativo aumento da cobrança de impostos advindo do crescimento económico será gasto na diminuição de impostos, não é? E o défice, Mariana? Como se baixa o défice?

Pois aqui está a questão e isso leva-nos para as famigeradas “Cativações”. Que, afirma a Catarina, sendo um instrumento de gestão de controlo corrente e por todos usado, “não podem servir para cumprir com Bruxelas e falhar com os parceiros”. Ora, se o aumento das receitas com Impostos não dá para diminuir o défice, que mais resta que as “Cativações”? Poupanças, quero eu dizer, nos gastos intermédios do Estado e em alguns serviços. Mais endividamento, claro.

Ah, afirma ela, e aqui secundado pelo Jerónimo, que tivemos um Saldo Primário de cerca de cinco mil milhões e poupamos cerca de mil milhões em juros. Não se pode gastar algum? Pois, mas por alguma razão o nosso défice desceu e contando com os juros (cerca de sete mil milhões) ele será ainda de cerca de dois mil milhões. Como se colmata? Com mais dívida, é também evidente. E também porque dois mais dois ainda são quatro.

Eu não sou ninguém para dar lições à Catarina, e muito menos à Mariana que é uma reputada economista, mas sempre lhes recordo que cabe a qualquer Governo consciente da sua função e das suas obrigações, ter uma política prudente e preventiva no que concerne ao financiamento do Estado e da Economia, para que diminuindo ou acabando os estímulos do BCE na compra de activos (perspectiva-se que diminuam para metade já em Janeiro próximo) tenhamos condições para acorrer aos Mercados.

Mas para irmos aos Mercados em condições vantajosas temos que ter contas sãs e défice a pender para o zero, pois senão a dívida aumentará sempre, e um satisfatório “rating”. Mas de que depende o “rating”? Disto tudo, é claro também. O bom senso tem como limite o défice zero, quer se queira quer não. Eu também não concordo com este “sistema” que está implantado, em pertencermos a uma moeda única que nos tolhe e em não termos instrumentos eficazes como a taxa de câmbio ou moeda própria, por exemplo. Mas é o que temos, enquanto tal não se modificar. E é obrigação de quem aspira à governação, ou a mesma queira influenciar, resistir à tentação da demagogia.

 O PODEMOS em Espanha, por exemplo. Teve a oportunidade de ter sido Governo em aliança com o PSOE mas, inseguro, pretendeu encher mais o balão através de novas eleições e desatou a reivindicar medidas sem conta, cerca de noventa, para que o PSOE não pudesse aceitar e levar a sua avante. Que sucedeu? Baixou a sua votação e deixou de contar para uma maioria! A demagogia às vezes paga-se! Mas pega-se, não é? Alguma vez terá o Bloco vontade de pertencer a um Governo?

Por registo de interesses, não sou apoiante do BE, antes pelo contrário, nunca nele votei e certamente nunca votarei mas, como pessoa de Esquerda, respeito-o, até porque faz parte da “Geringonça”.

Mas não aprecio e critico até a sua forma um tanto ou quanto imatura e excêntrica de actuar. Pelo que digo: Sei o que é o PCP e o que representa; também sei o que é o PS mas, sinceramente, não sei bem o que é ideologicamente o BE.

Sei que vão chover mil críticas a este meu posicionamento mas, como não sou o dono da verdade absoluta nem sou imune a críticas, pois façam o favor…

Tenho para mim que, tal como o “Albergue Espanhol”, o Bloco é o reduto onde cabem todos os indefinidos de Esquerda, os que foram anti-PCP, os que se revêm nas Esquerda do PS, mas não aceitam subscrever as regras do Capitalismo (e tudo o que nisso significa) e são assim como que uma sobra das Esquerdas, mas muitas vezes com uma arrogância intelectual tal que faz com que seja vista como uma organização pretensamente elitista. A Esquerda “Bairro Alto” ou “Caviar”, como também lhe chamam.

E não posso, para terminar, deixar de referir que não me agrada e irrita-me mesmo que, na vigência desta solução governativa, exiba muitas vezes uma postura sobranceira, a roçar muitas vezes o cinismo, reivindicando como de sua patente medidas que foram negociadas a três (ou quatro), quebrando até e muitas vezes o próprio sigilo auto imposto por todos. E isto diminui a sua fiabilidade e confiança, pelo menos para mim.

Mas na sua entrevista ao DN, que acabei por ler, constatei também uma surpreendente afirmação sua e que, de tão estimulante, eu acabei até por reler :”…as folgas pontuais não resolvem o problema estrutural da dívida”. E fiquei muito, mas muito confuso e perguntei-me: Se não são as folgas, será o quê? E como se faz para que as folgas deixem de ser pontuais? E como é que, sendo pontuais, servem para “esticar” o Orçamento?

Mas também fiquei convencido que, depois de saber dos seus dotes de alquimia, foi ela que, qual Alexandre- O Grande  com o “Nó Górdio”, resolveu o complexo, indecifrável e irresolúvel “nó” da “Quadratura do Círculo”!

 

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A “GERINGONÇA” TEM FUTURO? TEM QUE TER!

O Daniel Oliveira publicou por estes dias um texto, que quase na íntegra corroboro, que se intitula: “O Orçamento é de Esquerda. Mas deixa Esquerda para o futuro?”.

Enumera, embora não exaustivamente, o que de bom já se fez mas, recordando o ainda não realizado, preocupa-o que deixando tudo isso para o futuro, tal fique como uma “marca” negativa desta governação. O que quer dizer, para o Daniel, não ter este Governo feito tudo o que os Partidos à sua esquerda reclamaram e reclamam, como a Contratação Colectiva e a sua caducidade, por exemplo.

É inquestionável ser substancialmente correcto e factual que ainda há muito por fazer, mas como comentador e analista político que é, o Daniel esbarra na dúvida sistemática que o assalta, a ele e a outros, que se manifesta na tendência para o politicamente correcto (deixar sempre pontas soltas na sua abrangente linguagem) e no receio de assumir o papel de antecipador, utilizando para isso a dúbia interrogação.

Mas eu, como não sou analista nem comentador de serviço, não convivo com essa tal dúvida sistemática e procuro sempre simplificar. E não concordo que essas importantes medidas ainda não tomadas ou mesmo adiadas, fiquem como uma “marca” negativa para as Esquerdas. Não penso mesmo isso!

Penso, antes pelo contrário, que o que já foi feito e conseguido é que fica como uma “marca”! E fica por várias razões. A saber:

  • Porque nem o mais iluminado optimista imaginaria ser possível que, em pouco mais de dois anos, esta solução governativa tivesse tanto sucesso.
  • Porque nem o mais empedernido optimista a sonharia há pouco mais de dois anos.
  • Porque o que também fica como uma indelével “marca” é o fim do mito de que as Esquerdas não sabem governar. As Esquerdas mostraram e têm mostrado que são competentes e que sabem conjugar uma certa austeridade (cativações, por exemplo) com reposição de direitos e rendimentos, com crescimento económico e controlo das Finanças Públicas. Coisas que as Direitas nunca saberão.
  • Porque com tudo isto as Esquerdas ganharam crédito e respeito insuspeitáveis. Até lá fora!
  • Pelo que esta “marca” tem que ser ainda mais fortemente sedimentada. Porque se ajusta às vontades da grande maioria da sua base de apoio e, ia apostar, da grande fatia da população e desperdiçá-la, para além de um grosseiro erro, seria um crime de lesa pátria.

E isso mesmo ficou bem visível ainda hoje na discussão e aprovação do Orçamento de Estado para 2018 e em que à irritação de toda uma quezilenta Direita, perdida e incapaz de apresentar alguma alternativa, correspondia um acerto cada vez maior e mais pacífico das Esquerdas.

Por tudo o exposto e também porque entendo que não pode ser tudo feito de uma vez só, há coisas mesmo que requerem o seu tempo, é imprescindível que o que ainda não foi realizado e é forçoso que se realize, continue a constar da agenda como um essencial objectivo conducente ao combate efectivo à precariedade, à estabilização das leis do trabalho e à segurança no emprego.

Mas, ainda assim, é minha convicção que tem aumentado paulatinamente o número daqueles que já compreendem que, tal como Roma e Pavia não se fizeram num dia, quer queiramos quer não, só poderemos todos esses desideratos alcançar se tivermos as contas públicas controladas, o défice a descer, o saldo primário excedentário e a dívida pública a diminuir.

E isso não só é importante para que o financiamento do Estado e da economia estejam assegurados e a taxas cada vez mais baixas, mas também para que a nossa credibilidade e afirmação fiquem, elas igualmente, como uma “marca”! Mas essa “marca” cada vez mais vincada, necessita de cada vez maior sustentabilidade, que só pode ser alcançada através do cumprimento dos pressupostos acima enunciados.

A Esquerda, toda a Esquerda, ou Esquerdas, tem que estar bem ciente disso e quando digo que a grande maioria do Povo das Esquerdas está cada vez mais elucidado a esse respeito, é para dizer claramente que quem isto subestimar será fortemente penalizado por todo esse eleitorado.

Esticar a corda, seja de um lado, ou seja do outro, mais à esquerda ou menos à esquerda, será sempre contraproducente, tanto mais que o que se notam são substantivos avanços e não recuos. Do mesmo modo que o precipitado aproveitamento de algum sinal que as sondagens possam fornecer o será inevitavelmente. A “marca”, a tal “marca” é já indissociável dos Partidos que sustentam este Governo e, estou convencido, esse mesmo Povo não perdoaria ao PS nem a arrogância nem o distanciamento.

O que esta solução governativa teve e tem de grande mérito é mesmo isso: é, na sua diversidade, os Partidos que a compõem terem conseguido estar juntos e coesos no essencial. No possível, ou no imediatamente possível melhor dito, em detrimento precisamente daquilo que ainda está fora do seu tempo e se mostra, neste momento, mais separador que agregador.

Devemos a este Governo os louros pelos resultados alcançados, mas devemos aos restantes Partidos da “coligação” (a que agora o PSD resolveu chamar de “Social Comunista”!) a justeza, firmeza e resiliência na exigência de medidas que pareciam impossíveis, mas que, como disse, se mostraram salutares e, igualmente de suprema importância, no desabar de um vetusto “tabu”: o de que os tais Partidos, a que as Direitas chamam de “Radicais”, estavam impossibilitados de pertencerem ao arco da governação.

E a quebra deste “tabu”, ao mesmo tempo que abriu importantes janelas para o futuro, abriu também a porta a cada vez maiores responsabilidades.

E hoje virei “analista”! Como diz um Irmão meu: dizes que não és, mas afinal…

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RIO, UM POLÍTICO DIFERENTE?

Pois é assim que ele se auto intitula. “Eu sou um político diferente dos outros”, declara ele desde os Himalaias do seu imenso e pretensioso ego, pretendendo assim, também dos Everestes do seu auto convencimento, diferenciar-se não só do seu actual opositor, Pedro Santana Lopes, mas também de António Costa, pois corre para tentar ocupar o seu lugar. Coisas que, para si, decorrem da mais elementar lógica…

Será este texto, portanto, uma tentativa de reflexão sobre a Lógica, mas não na óptica da lógica da batata! Sobre a batata também poderia falar ( e há por aí tantos que fariam um batatal imenso…), mas não vou por aí…

Mas, continuando, mesmo assim a frase mostra-se muito mais abrangente pois ela começa por um taxativo “ Eu Sou”, assim de um modo tão inequívoco e definitivo, a roçar mesmo a arrogância, que nem admite sequer um mais lógico, correcto e aceitável “Eu penso que sou” , ou então um  “Eu estou convencido que sou”. É que, além de mais lógico, seria também menos pesporrente e mais educado.

É claro que quando atrás disse que tal roçava a arrogância, disse-o, utilizando o cauteloso roçar, porque o mais natural e lógico também seria acrescentar um “como o meu passado à saciedade pode provar”

E é aqui que o gato vai às filhoses, aqui é que está o busílis, aqui é que a porca torce o rabo e coisas assim, porque que raio de tão transcendente percurso poderia ele mostrar? O ter sido Presidente da Câmara do Porto? Bem, poderá ser uma mais valia em relação ao anterior (Passos) que nunca foi nada, mas não o será em relação ao Santana que também o foi e de Lisboa! Então em relação ao Costa, nem vale a pena falar: foi ministro várias vezes, Presidente de uma Câmara, de Lisboa também e sei lá que mais!

O ter sido Presidente da Câmara do Porto é já qualquer coisa em qualquer curriculum, mas muito curto, curtíssimo mesmo. E, já agora, e pensamento politico? E obra publicada? E outros serviços públicos?E ideias sobre o Estado, sobre as suas funções, sobre a sua reforma, sobre a sua importância na gestão da coisa Social…enfim, todas essas questões que diferenciam um Liberal de um Social Democrata? E pensamento económico também?

Sim, porque dizer que é Social Democrata não basta, nem pertencer a um Partido de assim se apelida tão pouco pois, como temos verificado ao longo dos últimos anos, a cara não diz com a careta, nem a bota com a perdigota, vá lá, e o que a lógica diz é que tem sido sempre e sempre um Partido Liberal e mesmo Ultra Liberal. Social Democrata? Era o que faltava!

Por isso eu vou seguir com alguma atenção essa dura “batalha” entre ele, um austero contabilista licenciado em economia e formado no Colégio Alemão, oriundo da Foz do Porto, um menino da Foz portanto e um snob e displicente Santana Lopes, homem de palavra fácil mas de pensamento etéreo e frívolo. Não poderiam ser mais diferentes. Mas sobre isso já escrevi e o Santana nem é para aqui chamado. Perdoem…

É do Rui Rio que falo e da sua, para si, marcada diferença entre ele, decididamente um bom político e todos os outros que, sendo ele o diferente e o bom, serão fatalmente maus. Mais uma vez da elementar lógica. E lógico penso ser este meu raciocínio pois jamais me passaria pela cabeça que ele dizendo “Eu sou diferente”, pretendesse dizer que o era para pior! Não acham?

Portanto, seguindo sempre a lógica, mas sem batatas, o que ele finalmente queria dizer era, muito simplesmente “Eu Sou o Melhor”!

O Ronaldo também diz que é o melhor, só que acrescenta que para isso trabalha muito, trabalha mais que todos os outros, fixa-se em objectivos e não tergiversa, nunca vira a cara à luta e apresenta um curriculum, meu Deus…É lógica a diferença, não é?

E o Rio, que fez ele na vida para se considerar “o melhor”? O Rio passou meia vida a fazer que estava a ponderar se ia ou não ia, acabando quase sempre por não ir, coisa própria de pessoas que na sua frieza não reagem a impulsos, vivem eternamente atormentados pela dúvida, embora às vezes pretendam demonstrar o contrário, um calculista portanto, mas que quando na frente verifica um caminho sem grandes engulhos, como no caso vertente, avança porque sabe que, perante o embrulho em que o anterior deixou o Partido, não será difícil fazer melhor!

Concluindo a minha apreciação do dito baseada na Lógica ele, dizendo que é diferente, sente-se também O Melhor, embora o oculte. Mas a lógica não…

E, pronto, já me perdi! Mas também já não dá para falar muito mais, pois não? Seria até ilógico! Ele é o melhor de todos, está mais que dito!

Ele há realmente gente que se acha muito, que se acha o melhor de todos, que nunca tem dúvidas e raramente se engana, ou o contrário, como a cavacal figura e que se acha diferente dos outros. Os outros que, para serem iguais a si, teriam que nascer duas vezes…

Deus lhes perdoe, que eu não sei se consigo…

E pronto, já disse!

PS- Reparei agora, depois de ter escrito, que este é o 400º (quadrigentésimo) texto que publico no meu Blog. Não era suposto ser sobre isto, mas agora já está! Fica prometido um especial para o 500º (quingentésimo)!

 

 

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Ó HUGUINHO, CRESCE E APARECE!

Mas ele até que é altito, poderão dizer-me, mas há algo tão desconchavado naquela figura que eu sou levado a supor que o tamanho do seu cérebro é inversamente proporcional ao do seu corpo.

Do mesmo modo que o meu respeito pela direita, que ele tão bem representa, também é inversamente proporcional ao que tenho pelos meus amigos nessa área situados, mas com quem tenho o à vontade de, com modos benevolentes, lhes dizer que só pode ter sido defeito de fabrico, mas com garantia já caducada!

Eu não tenho nele qualquer confiança, como não tenho nos seus dirigentes e muito menos nos seus “pontas de lança”. Aqueles que eles enviam para o terreno de jogo sem outro intuito que não o de me tirarem do sério! O Huguinho, por exemplo, apresenta padrões de defesa central, mas decidiu ser atacante! Não acerta uma!

Mas no jogo sujo são especialistas. São lobos vestidos de cordeiro que não medem os meios para atingir um fim. E não hesitam sequer em ultrajar e ameaçar com a violência.

Reparem no que disse o Huguinho acerca do Costa, para além de ser um irresponsável, porque não assume a responsabilidade total dos incêndios e das mortes provocadas e de ter perdido a confiança do povo e do Presidente da República: Que era o suprassumo da incompetência! O experiente e maduro Huguinho a mandar “bitaites”!

Mas, “azar da jibóia”, vem cá ao Conselho de Estado, a convite do padrinho, o padrinho dos padrinhos, o Juncker que, certamente mal informado ou mesmo não suficientemente avisado, desata a, diante de todos, confessar o seu amor a Portugal e a sua assolapada paixão pelo Costa e pelo Centeno! Era de ver as caras do padrinho em funções e do reformado!

Para ele o Costa é o melhor treinador à zona e da zona e Centeno, o Cristiano Ronaldo da Europa, até é candidato à bota de ouro: a presidência do eurogrupo! Como é Huguinho, não dizes nada?

Ficção, diz o Huguinho. Tudo ficção e má informação, com a TV pública a prestar um mau serviço, acrescenta ele. O Juncker só podia estar mal informado, uma evidência, e andou a “emprenhar” pelos ouvidos, foi o que foi. E mais: andou a ler o Finantial Times em vez de ler os relatórios do Commerzbank que, ao contrário desse FT que só tece elogios a portugal, colocando-o como um exemplo a seguir, um outsider contra a TINA etc, etc, diz que ainda há muitos perigos em Portugal, como a dívida, por exemplo. Era isto que ele devia ter dito e não disse, lamenta o Huguinho, lá do alto das suas sobrancelhas…

Mas, ó Huguinho, ainda acerca da falta de confiança e de competência do nosso primeiro, o Costa não o teu, ainda o teu, será que deste uma piscadela de olhos aos números apresentados pelo INE ou mesmo ao relatório da tua querida Teodora? Deste? E que viste então? Não queres dizer? Descansa que eu digo: a taxa de desemprego mais baixa dos últimos nove anos! A confiança (a tal) dos consumidores mais alta dos para aí últimos quinze!Os juros da dívida mais baixos sei lá de quando!O défice? É melhor nem lembrar! E o crescimento? O maior dos últimos quarenta anos…

E a Segurança Social, Huguinho? Parece que renasceu! Já nem dinheiro vai buscar ao Orçamento, que coisa. E parece que já dá para trinta anos! Eu tenho 64, portanto Huguinho, já fizeste a conta de cabeça? É pá, agora lembrei-me dos 600 milhões que o teu chefe (ainda) nos queria cortar. Aí é que ela ficava nos “trinques”, dizes tu de imediato e não o terem feito foi uma enorme irresponsabilidade…Já me pareces o Assis, chiça…

Pois é Huguinho, meu menino: tu até que cresceste, mas foi só em tamanho. Com que então o Costa é um incompetente, não é? E não merece outra oportunidade, como sentenciou o teu (ainda) chefe.

Mas olha meu querido Huguinho: eu até nem te vou falar da tua pequenez, apesar de seres um daqueles que apresentam altura, mas altura sem dimensão, estás ver?; daqueles que apresentam centímetros verticalmente, mas não têm pêlos; dos que até têm pernas grandes mas rapam os pêlos, quando os têm; dos de de cabeça pequena e cabelo escovadinho, de olhos pequenos e cara lisinha, imberbe, leve, sem qualquer sulco…vou-te dar um conselho apenas:

Ó Huguinho, pá: Cresce e aparece!

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De Volta à ” VICHYSSOISE”?

Que é uma sopa que se serve fria, assim como a vingança, segundo dizem…E o Dr. Marcelo é já recorrente no seu uso!

Não vou chamar agora à colação todos os textos que acerca dele durante estes últimos anos aqui escrevi, porque são datados, mas há algo que, relendo-os, por eles todos perpassa e que, para mim, resulta num traço ou marca indelével da sua complexa personalidade, que eu não posso subestimar, e que a ele fica colado e resistente a qualquer tentativa de extirpação.

Foi publicado no ESTÁTUA de SAL, que também muitas vezes partilha os meus textos, um excelente texto de um conhecido Blog, ” O Jumento”, que eu integralmente subscrevo, mas que se dirige ao Marcelo político vestido de presidente e das suas contradições. Não querendo, de modo algum, chover no molhado, vou dirigir este meu raciocínio levado a escrito para um outro patamar que, sendo diferente, acaba por se confundir. Mas não se confundam, por favor!

É que, pesem todos os seus esforços em demonstrar o contrário, é minha  convicção de que essa marca, às vezes escondida ou mitigada, insiste em recorrentemente vir ao de cima, pela sua visível nitidez e, mesmo perante a sua indisfarçavel bonomia, ela não deixa que a subestimemos e muito menos desprezemos. Desvalorizar esse pormenor (ou pormaior), dando-lhe o benefício da dúvida, é não cuidar de saber que, como diz o velho aforismo popular ” Cavalo velho não toma andadura e, se toma, pouco dura”.

Falo, é claro, em termos estritamente pessoais, mas a mim, que já o sigo há dezenas de anos, a imagem que do seu percurso ao fim de todos estes anos emerge é a de um personagem brutalmente inteligente que aponta para uma certa bipolaridade, pois demonstra tendências para dizer o sim e o seu contrário, passando num ápice do austero para o traquina, dando uma clara ideia de uma certa volatilidade nas suas ideias e acções. É essa a imagem que eu não consigo que em mim se desvaneça…

Pois, na verdade, não é impunemente que se passa uma vida nisso ( excluindo a sua faceta de Professor e onde, (verdade seja dita, ainda não ouvi algo que se lhe diga) macaqueando cenários, tramando conspirações, elaborando mirabolantes análises ou tecendo constantes baralhações, fez juz ao epíteto que lhe foi aposto no seu partido, o de ” enfant terrible”, por da sua constância duvidarem. E, talvez por isso, dele não restava algo de relevante a nível político, até agora.

Passou brevemente pela chefia do partido mas, era inevitável, foi traído pela traquinice, pela volatilidade e pela inconstância e o episódio da ” VICHYSSOISE” foi-lhe fatal.

A travessia do deserto fê-la como comentador, apreciando e a tudo e todos dando notas, mas sendo sempre dúplice na apreciação dos outros e daí o seu constante pregão: “De manhã esteve bem, à tarde esteve mal…”, que lhe assenta como uma luva! Mas essa mesma duplicidade criou a empatia e a afeição de todos aqueles que, sendo menos exigentes, perante a sua bonomia, não apreciando a dialética confrontacional, dele passaram a gostar. Pois da TV durante muitos anos nunca saiu…

Tal como há uns quatro nos escrevi: “O Dr. Marcelo desfaz-se em muitos e cai no goto do povão! Ele é como o ” Preço Certo”: Não tem ponta por onde se lhe pegue, mas o povão gosta…Que fazer?!”.Isso mesmo.

Mas este tipo de pessoas, as que usam a sua superior inteligência para insondáveis desideratos, acabam por se tornar reticentes por necessáriamente não fiáveis ou confiáveis. E diletantes. E, no seu diletantismo, o Dr. Marcelo acaba por se encaixar bem neste estereótipo! É assim como disse o Poeta: “Pode alguém ser quem não é?”. Pode alguém, a não ser que seja um grande actor, assim de repente, mudar de personalidade como quem muda de camisa, pretendendo ser o que o contrário do que toda uma vida foi? Para mim não!

Não mesmo e este episódio do aproveitamento de uma evidente momentãnea fragilidade do governo para, ultrapassando a ética da convivência dos poderes pois lhe foram dadas a conhecer antecipadamente as proposições governarivas, fazer sobressair, e mesmo regurgitar, aquilo que se lhe manifestava como um nó na garganta: a sua aversão a esta solução governativa!

É também claro para mim que, ao contrário do que por aí se diz e escreve, nomeadamente todos os comentadores de alcova que por aí pululam, não foi a mera exigência de medidas que denunciavam a sua lógica posição a favor da culpabilidade do governo, o que o fez verdadeiramente ” regurgitar”:  foi o aviso! Sim, o aviso que fez depois da derrota da Moção de Censura apresentado pela direita, aviso esse carregado de cinismo e que foi: ” O Governo , agora redorçado ( na sua legitimidade parlamentar, é claro) , tem que ser digno das suas responsabilidades”. O sentido é este embora as palavras possam ter sido diferentes..

Mas que quer isto dizer? Que, a partir de agora,  a responsabilidade de tudo o que vier a suceder vai ser da sua maioria, que não contem mais com ele e que, à mais pequena brecha ou dúvida do seu apoio parlamentar, ele aí estará para o dissolver, tanto mais que os seus vão ter em breve um novo líder. Terá sido por isso que o Huguinho declarou, alto e bom som, que o governo já não tinha o apoio do PR?

O outro não servia, era evidente, mas ele recuperou a esperança de ter um dos seus sob o seu “mando”. Os tempos mudaram e o sucedido, a utilização desses crimes florestais todos, que redundaram numa terrível tragédia, serviu, qual “VICHYSSOISE” , para a administração dos seus profundos e inconfessáveis desejos.

Ele diz pairar por aí como o garante  de tudo: do desempenho do governo que, apesar as suas brilhantes performances, não deixa de ser uma espinha atravessada na sua garganta; também da antecipação da culpa por qualquer calamidade, porque ele antecipadamente visou e pelas políticas de consensos, que ele exige, mesmo que os seus não queiram…

Ele, agora despido da capa da bonomia e do sorriso aberto, isso é só para as pessoas mais carentes ( e não digo que mal), é o dedo apontador, o dedo acusador, o culpabilizador. Ele avisou…o resto não é com ele. Para ele resta apenas o conforto, os beijos e as Selfies. Ele restará o refúgio dos velhos e dos desprotegidos e é só ele quem lhes dará abraços e lhes transmitirá palavras  de paciência e conformismo. Sim, porque ele ” exigiu” do governo medidas imediatas, custem o que custarem, mas cuidando ao mesmo tempo do défice. Para que ninguém o esqueça!

Pode mesmo ” alguém ser quem não é”?

PS: Está um pouco longo, eu sei, mas o personagem é complexo, compreendam…

 

 

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Moura: Um Juíz Sem Tempo!

Falar do tempo tem que se lhe diga pois que falar dele não é apenas conversar sobre a meteorologia ou sobre as suas mudanças. É também, como neste caso, falar dele como o espaço da sequência dos dias, dos anos, das décadas e dos “siglos estelares” de que falava Pablo Neruda no seu Canto General. Mas também da intemporalidade.

Que demonstra este nosso Juiz decididamente ter, pois se mostra um homem de todos os tempos. Dele se poderia dizer, como em relação a muitos outros, que parou no tempo. Não concordo: ele é de todos os tempos e para ele o passado é presente e o presente pertence ao passado. É um intemporal, portanto, e para ele existe apenas um tempo.

Tempo que ele diz não ter, confundindo assim os tempos por se deitar todos os dias às quatro da madrugada, àquela precisa hora em que o passarinho canta, não cuidando de pensar que dali é pouco será tempo do galo cantar e dele se levantar…

À laia de parêntesis eu confesso que também amiúde me deito a essas horas , mas a mim tempo é o que não me falta. O que me falta é tempo para ocupar todo o tempo que tenho! Fechar parêntesis…

De modo que para o nosso inefável Juiz Moura o tempo acaba por ser uma coisa risível pois, para ele, os tempos confundem-se com o tempo e tudo se transforma num enorme emaranhado na sua têmpora. O ontem foi há dois séculos, por exemplo. Ali há dois dias atrás! Para ele o tempo é relativo e, cá para mim, ele até tem razão pois na contagem cósmica do tempo o ontem é todo um passado, não é?

“Maneiras” que temos que relativizar. É que o problema dele, para além de ser um ser perdido nos tempos, é ter mesmo, como disse, um problema com o tempo.

Ele dá a impressão que só viveu no passado, desconhece o futuro ( também eu) e o ter que viver no presente lhe faz um nó cego de tal ordem no seu confuso cérebro que este entra inevitávelmente em curto circuito. Um temporal por ele abaixo só lhe faria bem…

É que, lá no emaranhado do seu cérebro, confunde tudo e só de parte se lembra. Lembra-se, por exemplo, de ter lido na Bíblia sobre a mulher adúltera, essas coisas todas que ele reproduz no tal Acórdão, mas não se lembra quem foi Jesus Cristo e muito menos do episódio em que este instou todos os homens presentes a atirarem a primeira pedra se nunca pecaram…algum aledrejou? Não se lembra!

Lembra-se também do Camões como o poeta da grei e da gesta do nosso povo, mas desconhece a sua poesia e o seu ” Mudam-se os Tempos Mudam-se a Vontades”. Para ele, que pensa como que a todos os tempos pertencesse, os tempos nunca mudaram nem mudam.

Ele confunde a Bíblia com o Corão, Deus com Maomé e Gregos e Romanos nunca existiram. Alá e Cristo também não. Lembra-se de todas as leis que ao longo dos tempos sempre puniram as mulheres ( como a tal de 1886 que ele refere), mas nada sabe sobre as lutas das mulheres de Chicago pelas oito horas de trabalho, nem sabe quem foi a Rosa Parks. É muito menos que as mulheres não tinham direito a voto antes do 25 de Abril. Mas isso, para ele, nunca existiu…

Lembra-se da escravatura e das mulheres escravas, mulheres para todos os serviços e sempre às ordens dos seus donos, mas não se lembra dela ter acabado, nem quem foi o Abraham Lindol, por exemplo.

Ele, o Juiz Moura, na sua suposta intemporalidade, não consegue ver os tons dos tempos e, por isso, ele é um daltónico. Um daltónico do tempo! Que não conhece a cor do sangue de uma agressão, de um apedrejamento ou de uma delapidação. Coisas normais e intemporais para ele.

E na sua intemporalidade ele terá sido juiz na santa inquisição (com letra pequena e razão tinha o Saramago), incorporou o torquemada ( ainda letra pequena) e andou pelos tribunais plenários nos tempos da pide ( pequena ainda) e nunca leu o Memorial do Convento.

Para ele a mulher não tem direito ao prazer e sexo é para fazer filhos. Como um dia disse um tal Morgado na AR que, azar, apenas tinha um filho! Natália Correia escreveu então aqueles notáveis versos, que assim acabam: ” …só lá foi uma vez, parca ração e o acto consumado, ficou capado o Morgado!”. Grande Natália! Um cunhado meu também contava que um amigo tinha ido às meninas (raparigas em brasileiro) e, em pleno acto, ouvindo os leves suspiros da sua parceira logo lhe disse: shiu! Aqui quem goza sou eu…

Para ele tempos assim mesmo tempos eram os vitorianos, os do Marquês de Sade e de todas as teorias libertinas. Disso ele sabe tudo, sou levado a crer. Mas como não se lembra de Roma nem de Atenas, não sabe, mas gostaria de saber, estou certo, daquela do Nero que um professor universitário de Direito tipo Diacono Remédios que nunca se ria contava: que “Nero era homem de muitas mulheres e mulher de muitos homens”. Então depois lá soltava um leve rizinho, o danado!

Disto ele às tantas gostaria e seria, para si, uma boa imagem da democracia. Mas, na sua intemporalidade, ele é apenas e só um enorme REACCIONÁRIO!

Por isso também ele diria: homens, ide e fornicai-vos uns aos outros, pois mulheres é só para parirem filhos…

E para acabar, digo agora eu: Benditas sejam as Mulheres, todas as Mulheres…AMEN!

 

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O RUI e o PEDRO: o RuiPedro!

Este texto que agora começo a escrever é a minha primeira incursão nessa nobre arte do comentário político. Pois por ser uma arte tão nobre e superior não está ao alcance de qualquer mortal, apenas de alguns eleitos.

Eleitos, disse eu, e com toda a propriedade, porque eleitos por generoso contrato, que não por qualquer democrática votação. Eleitos assim por nomeação. Assim é que está bem.

De modo que eu, um novato nestas andanças, não querendo de modo algum equiparar-me a esses inatingíveis pensadores seres, ases no conhecimento da estratégia e na adivinhação do futuro, vou fazê-lo de um modo completamente sóbrio, independente e equidistante.

Mas como irei eu manifestar essa minha equidistância? Simples: recorrendo àquela velha frase oriunda da sabedoria popular, e que é o celebérrimo ” tanto se me dá como se me deu”!

De que estou a falar, sinto alguém perguntar? Ora, da batalha do Pedro contra o Rui, ou do Rui contra o Pedro, tanto se me dá, para tomarem para si a designação da organização que pretendem chefiar. Mas, para além dessa tal denominação, para um PPD/PSD e para o outro simplesmente PSD, o que está em causa é muito mais profundo e valioso: é o assalto ao paiol’

Como o paiol? Ora pensem comigo: que é que ambos precisam para esta “batalha” ( aquilo que lá na organização costumam chamar à luta de ideias…)? Espingardas! Espingardas sim e, por isso, a primeira coisa que começaram a fazer foi contá-las, que é aquilo que também usam chamar à cooptação de militantes para o seu lado da barricada! Para os preparar, claro que em maioria, para a tal ” batalha”…

Mas um deles, o Pedro, não confiante na fiabilidade dessa contagem e temeroso quanto à capacidade de antecipação do Rui, reclamou ao seu contentor a realização de vinte e um duelos (21!), que é aquilo que lá chamam aos debates…

Mas o outro, o Rio, não aceitou, com medo de algum jogo sujo do seu contentor, isto é, de em vez de levar espingardas levar basucas pois que, para já, quem tem a chave do paiol é precisamente o Pedro, mas o outro, o desistente.

E neste vou não vou, ambos partiram para o aliciamento dos generais, que são aquilo a que os tais comentadores chamam aos “barões”, essas figuras lendárias e míticas, que fizeram daquelas “batalhas” dos Coliseus e campos de batalha assim, narrativas que, de tão inolvidáveis, passaram a fazer parte do nosso cancioneiro da fabulosa arte circense.

É que por essas ” batalhas” passaram soldados cuja estirpe ficou para sempre na nossa memória, tendo um deles sobressaído pela destreza da sua representação, ao nível de um Popov, no mínimo: o companheiro Marcelo!

Mas houve outros, como aquele que saiu a chorar do campo de batalha, insultando os seus adversários de sulistas e coisas assim, tal como se estivesse na guerra da Secessão e, ainda, um outro que imitando o ” Little Big Man” da batalha de Little Bighorn, mas mais conhecido pelo seu dom de prestigiador, ficou célebre também como o ” regenerador”, por barrar a luta a alguns infiéis e pecadores que, agora, regenerados, voltaram à liça.

Mas há um que, tal “compère”, sempre por elas, ” as batalhas”, passou e até ficou conhecido por ” menino guerreiro”! Mas na verdade ele nunca foi um soldado a sério e se espingardas usava elas eram de plástico! Ele foi, isso sim, um permanente animador das tropas, um eterno “enterteiner” com qualidades várias.

Por isso lá sempre foi e luta alguma ganhou. Foi para lugares sem nunca ter competido. De uns foi destituído e de outros desistiu. Mas vai sempre…e agora?

Qual deles conseguirá arrebatar mais ” espingardas” do tal paiol que, todos sabem, levou um tremendo rombo no consulado do outro Pedro, outro desistente, e até dizem que assaltando mesmo.

O seu contentor, o Rui, em modo desafiante, assim como naquelas apresentações pre-match dos combates de Boxe em que cada um se ergue sobre o outro querendo demonstrar mais pujnça e força, pergunta-lhe: Mas quem és tu? Eu sou e sempre fui o Pedro e não me arrependo de o ser e sempre ter sido…mais ou menos isto!

E tu, quem és tu, pergunta ao Rui o Pedro, com a leve esperança que ele desatento dissesse ” ninguém”? Eu sou o Rui, mas tu nunca serás Pedro porque esse negou Jesus três vezes! Eu nunca reneguei ninguém e fui o único com coisos para fazer a refiliacão, isto é, a remontagem, o inventário, em suma, para extirpar o paiol das espingardas enferrujadas e inoperantes…

Eles são o Pedro mais o Rui, o RuiPedro e vão apresentar ideias. Um as ideias do Pedro, do outro, o desistente, do qual reclama herança, em estilo tipo “stand up”, que ele adora! O outro, o Rui, mesmo não tendo renegado Jesus três vezes, renegou o Pedro, o outro, o tal que abandonou a “batalha”, assegurando ser um sério contabilista, coisa que ele, o Pedro, nunca foi.

Haver duelos parece fora de questão, pelo que ouvi, mas vai ser um verdadeiro “Waterloo” essa batalha do RuiPedro, a do PPD contra o PDS.

E eu vou assistir sentado porque de pé cansa muito…!

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